O Conselho Geral do CPERS voltou a se reunir nesta sexta-feira (24) para debater a conjuntura e a estratégia de luta e mobilização da categoria.

O significado da aprovação do Fundeb na Câmara, a intensa pressão realizada pela base nos deputados de todas as bancadas e a necessidade de manter o foco para assegurar a vitória no Senado nortearam as análises do dia.

“No Senado precisaremos fazer exatamente a mesma luta, que foi belíssima e envolveu professores, funcionários e toda a comunidade escolar. Quando os políticos se sentem fiscalizados, a tendência é ouvir a voz do povo”, comentou a presidente Helenir Aguiar Schürer.

Covid-19 se alastra na comunidade escolar

O avanço da Covid-19 em todo o estado e o fracasso do Sistema de Distanciamento Controlado também pautaram o debate. No mesmo dia, veio a público a contaminação de duas colegas da escola Ponche Verde, de Gravataí, uma em estado grave.

O CPERS defende o fechamento completo das escolas, a disponibilização de testes em massa e restrições mais enérgicas.

No informe jurídico, o advogado Marcelo Fagundes recomendou que as escolas que registrarem casos de Covid-19 devem comunicar o escritório imediatamente.

Basta, governador!

Após uma semana de declarações e posicionamentos desastrados do governador, a paciência dos educadores(as) – que já estava no limite – se esgotou.

No programa Roda Viva, o governador não só desconheceu o mérito dos trabalhadores(as) em relação ao resultado no ENEM, como atribuiu o 1º lugar do estado no ranking à sua própria “gestão”.

A declaração revoltou a categoria, que está trabalhando dobrado em meio à pandemia, com equipamentos próprios, salários cortados, parcelados e atrasados, e com seus direitos sob ataque contínuo.

Eduardo Leite também foi um dos sete governadores que não assinaram a carta em apoio ao parecer do Fundeb da deputada profª. Dorinha Seabra (DEM), envergonhando os gaúchos. Não obstante, após a vitória da educação, comemorou e se disse favorável ao Fundo.

Por fim, em matéria da Guaíba, o secretário Faisal Karam deixou claro que o Estado pretende perseguir educadores(as) que não teriam recuperado as aulas da greve. Recuperação que, necessário lembrar, o governo sequer pagou.

O Conselho Geral deliberou que é o momento de dar um basta aos ataques e assumir uma postura mais dura de enfrentamento com ações de comunicação e mobilização.

Confira as propostas aprovadas:

1. Campanha Basta, governador Eduardo Leite (PSDB):

– de arrocho salarial, punição com não pagamento dos dias de greve e ataque às carreiras dos educadores(as);
– da precarização e abandono da escola pública que exclui os estudantes do acesso e permanência do direito à educação
– da falta de transparência no acesso à Plataforma Classroom da Google, que ataca a autonomia, o direito de cátedra dos professores(as) e mercantiliza os dados de milhares de estudantes e professores(as);
– matrículas canceladas em tempo de pandemia; nenhuma matrícula a menos;
– da orientação da SEDUC e CRES que desencadeiam sobrecarga de trabalho em face do trabalho/ensino remoto, do conteudismo, da intensificação irresponsável de atividades, dos gastos decorrentes da estrutura virtual-digital estarem sendo pagos pelos professores e estudantes e não pelo governo;
– das privatizações das estatais;
– privatização da educação pública: Fora Lemann, Estácio de Sá (Eleva Educação) Instituto Península (Vivescer), etc,
– de atraso e escasso repasse financeiro, que derivam na falta de estrutura e manutenção de condições mínimas para o ensino e segurança de educadores(as) e estudantes;
– da irresponsabilidade e terceirização no combate à pandemia, responsabilizando os prefeitos(as), bem como para os educadores(as) através dos COEs nas escolas;
– de postura autoritária na composição do CEEd e do Conselho do IPE-Saúde,
– da falta de transparência nos dados e que pode levar a saquear os recursos do fundo previdenciário dos servidores(as);

2. Ato Público simbólico* em frente ao Piratini e CREs, dentro das condições de cada núcleo, no dia 31/07, reivindicando pagamento dos dias de greve, defesa da escola pública e da vida,

3. Movimento político junto às Câmaras de Vereadores buscando moções de apoio aos/às grevistas da educação para pressionar o governo Leite(PSDB) pelo pagamento dos dias de greve já recuperados, bem como cobrando apoio pela aprovação do FUNDEB no Senado;

4. Fortalecimento do movimento pelo não retorno às aulas presenciais, enquanto não houver testagem, curva descendente da pandemia e segurança para educadores(as) e estudantes. Articulação com movimento estudantil e de organização de pais e mães. Voltar às aulas é genocídio. Defendemos a vida.

5. Discutir os projetos em disputa nas eleições municipais no intuito de eleger representantes que estejam comprometidos com o projeto de defesa da justiça social, dos direitos dos(as) trabalhadores(as), da garantia dos serviços públicos de qualidade e da defesa da educação pública.

6. – Repúdio ao memorando 27/2020 da Seduc, de 14 de julho de 2020 que orienta o lançamento de FNJ aos servidores que não conseguiram cumprir com suas atividades no período da pandemia. Encaminhar denúncia desse memorando ao Ministério Público, pois nenhum servidor pode ser punido por não ter acesso à internet e, por consequência, não ter conseguido realizar suas tarefas;

7.
– Exigir do governo políticas públicas de renda mínima frente a situação atual em que as famílias de baixa renda se encontram e que são aprofundadas pela pandemia;

8. Moção de apoio à Juíza Federal Valdete Souto. A juíza publicou um artigo “Por que é possível falar em política genocida no Brasil 2020?” no sítio eletrônico “Democracia e Mundo do Trabalho em Debate”. Por determinação do corregedor Nacional de Justiça, Ministro Humberto Martins, determinou a instauração de pedido de providência para que preste informações a respeito do artigo publicado;

9.
FUNDEB permanente! Nota de repúdio ao governador Leite (PSDB) que não assinou a Nota dos Governadores para votar FUNDEB.- Pressionar os Senadores para aprovar o FUNDEB Projeto 26/20;

10.
Campanha em Defesa da EJA, buscando parceria com o Forum da EJA do RS;

11. Defesa da Internet pública como um bem inalienável;

12. Denuncia ao Ministério Público e aos Conselhos Tutelares sobre a ameaça de cancelamento de matrículas;

13. Fazer a defesa da educação pública conscientizando toda a sociedade gaúcha e brasileira em apoio aos Educadores das nossas escolas públicas. Fazer uma campanha de publicidade defendendo a Educação pública;

*Observação dos protocolos sanitários de distanciamento e uso de EPIs de segurança.

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“Temos colegas que nos procuram chorando por não conseguir acompanhar as decisões da Seduc com tamanha velocidade e falta de humanidade.”

Na última terça (21), 27 diretores(as) e vice-diretores(as) de escolas da abrangência da 28ª CRE assinaram e enviaram à mantenedora uma carta que detalha a situação crítica vivida pela comunidade escolar durante a pandemia.

▶ Leia a íntegra do documento aqui.

Sobrecarga de trabalho, imposições pedagógicas e burocráticas, orientações confusas e contraditórias e desrespeito à gestão democrática têm marcado a gestão da Secretaria em meio à crise sanitária.

O documento traz uma série de reivindicações para mitigar a exclusão, melhorar as condições de trabalho e preservar a saúde física e mental de educadores(as), estudantes e suas famílias.

Mais agilidade na entrega de cestas básicas à comunidade e auxílio financeiro para arcar com gastos de internet, luz e aquisição e manutenção de equipamentos são algumas das demandas.

Demanda a carta: “Sobre a internet que está sendo prometida pelo governo, a informação é que precisamos chegar a 70% dos acessos ao classrroom para que a mesma seja disponibilizada. Avaliamos que deveria ser o contrário: liberar a internet para que se chegue aos 70% de acesso.”

As direções também requerem a disponibilização de auxílio psicológico para todos e afirmam que a profusão de “lives e palestras de coach” promovidas pelo governo indicam pouco caso com a categoria.

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A insatisfação da comunidade escolar tem motivado crescentes questionamentos e episódios de sublevação na rede estadual.

Nesta semana, 118 escolas estaduais da capital assinaram um documento intitulado “Nosso compromisso é com a vida, com a escola pública e com o conhecimento para todos!”, que também denuncia as cobranças abusivas das mantenedoras.

Avanço da Covid-19 preocupa direções

A carta entregue à 28ª CRE critica, ainda, a condução por parte do Estado do debate sobre a volta às aulas presenciais.

O governo determina protocolos de segurança sem ouvir quem trabalha no chão da escola e, ao mesmo tempo, terceiriza suas responsabilidades para as equipes diretivas.

“Não somos apenas tarefeiros(as), garantimos que somos responsáveis pelo que decidimos, como não fomos ouvidos na consulta ‘pública’ (realizada através do questionário disponibilizado pelo governo sobre o retorno das aulas), não podemos responder pelo retorno”, afirma o texto.

“E se ocorrer alguma contaminação, algum óbito, a responsabilidade será da(o) Diretora(o)? Isso é muito sério.  Não somos especialistas, técnicos da área da Saúde, e, sim, da área da Pedagogia e Gestão Escolar”, continua. 

Nesta sexta (24), a escola Ponche Verde, de Gravataí, uma das instituições que assinou o manifesto, divulgou comunicado pelo Facebook que aponta dois casos de coronavírus. Uma das educadoras se encontra em estado grave.

Assim que soube dos casos de contaminação, a direção buscou orientações junto ao jurídico do CPERS e comunicou imediatamente a Seduc. Os plantões presenciais foram suspensos e, em breve, será realizada a dedetização da escola.

“A funcionária que trabalha na escola está recuperada. Já a professora está internada no hospital de campanha de Gravataí. Faz mais de 30 dias que ela foi na escola”, afirma a diretora da instituição, Letícia Gomes.

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Mobilizar a base, debater a luta e ouvir as principais demandas dos educadores(as) durante o isolamento. Essa é a proposta das reuniões virtuais, promovidas pelo Departamento de Funcionários(as) da Educação do CPERS.

Nesta quinta (23), o Sindicato reuniu-se com funcionários(as) dos núcleos de Santana do Livramento (23º) e Bagé (17º). Este foi o terceiro dos 15 encontros previstos. Em pauta, pandemia, plano de carreira, reajuste salarial e novo Fundeb. 

A atividade é coordenada pela diretora do Departamento, Sônia Solange Viana. Para ela, o momento exige que todos estejam bem informados, principalmente quanto aos seus direitos.

O sistema de bandeiras adotado por Eduardo Leite (PSDB) para conter o avanço da Covid-19 também foi criticado pela diretora. “As bandeiras que o governo criou para o distanciamento social já se rasgaram. A verdade é que Eduardo Leite não está nem aí para a saúde dos educadores. Por isso, é fundamental estarmos na luta”, afirmou Sônia.

Durante a pandemia, funcionários(as) estão sendo obrigados a comparecer nas escolas sem necessidade – o que inclui trabalhadores(as) do grupo de risco. Sônia expôs que, conforme orientação da Seduc, estes só devem realizar trabalhos presenciais se necessário.

Contudo, há informações desencontradas entre a Secretaria e as CREs. O CPERS está exigindo que as orientações da Seduc sejam formalizadas em documento e, assim, repassadas a todos os núcleos. “Precisamos uniformizar as informações. Isso tem afligido os funcionários de escola”, asseverou a diretora.

Se as coordenadorias obrigarem funcionários a comparecerem nas instituições de ensino desnecessariamente, o núcleo ou o jurídico do CPERS devem ser contatados.

“Houve uma funcionária de escola de Santa Maria que pegou Covid. Estava varrendo o pátio sem necessidade. Ligamos para a vigilância sanitária, denunciamos na imprensa e conseguimos fechar a escola”, expôs Sônia. 

Para a diretora do núcleo de Bagé, Delcimar Delabary , as direções escolares têm o dever de assegurar condições mínimas de trabalho aos funcionários(as). “Sabemos que tem funcionários e professores em situação de risco com doenças crônicas. Temos vários com problemas cardíacos e pressão alta”. 

Já a diretora do núcleo de Santana do Livramento, Adriana de Leon dos Santos, afirmou que as CREs não assumem a sua responsabilidade ao mandar funcionários(as) e professores(as) para plantões durante a pandemia.  “A CRE empurra para as escolas e as escolas para as coordenadorias. Nós temos orientado os colegas, principalmente os do grupo de risco, para que não façam atividades presenciais”.

Preocupada com o avanço do número de casos de Covid-19 entre a categoria, a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, disse que a primeira defesa, neste momento, é da vida. “Temos um professor de Passo Fundo que morreu acometido pelo coronavírus. Há três diretores e dois funcionários contaminados. A situação é preocupante”.

A orientação da Seduc é clara: em regiões com bandeira vermelha, apenas 25% dos trabalhadores(as) devem realizar atividades presenciais nas escolas. Estas devem ser feitas mediante agendamento. Caso contrário, o trabalho continua sendo remoto. Já nas com bandeira amarela, 50% dos educadores(as) devem realizar atividade presencial – e somente por rodízio. 

Quando acometidas por casos de Covid-19 entre os trabalhadores(as), as instituições de ensino devem comunicar imediatamente a Secretaria de Saúde e a Vigilância Sanitária, ou realizar a denúncia junto ao CPERS.

▶ Saiba como contatar os núcleos e Assessoria Jurídica durante o período de isolamento

Testagem pelo IPE-Saúde

Um ponto de muita dúvida entre a categoria é se o IPE Saúde cobre exames para Covid-19. Segundo a diretora do Departamento de Saúde do Trabalhador do CPERS, Vera Lessês, assim que surgiu a pandemia, o IPE incluiu através de portaria o exame para a doença.

Contudo, poucos laboratórios se credenciaram para realizá-los. Para serem aptos, eles precisariam comprovar aporte tecnológico, mas havia uma quantidade insuficiente de laboratórios com esta estrutura.

“A recomendação é de que se procure o SUS para realizar esses procedimentos. Para que o IPE cubra o exame de coronavírus, é necessário apresentar uma requisição de um hospital ou de um médico credenciado pela autarquia”, explicou Vera.

Dúvidas devem ser encaminhadas diretamente ao e-mail ou telefone do IPE-Saúde. Acesse aqui.

Plano de Carreira e reajuste salarial 

Durante a reunião, o advogado da assessoria jurídica do CPERS, Marcelo Fagundes, explicou por que é importante defender o Plano de Carreira para funcionários(as) de escola.

Defendo o Plano de Carreira porque estimula o funcionário a buscar qualificação. Hoje temos educadores com nível superior. Isso é uma conquista”, disse o advogado.

A luta do Sindicato é que se crie uma Lei para garantir aumento aos funcionários(as). O último ocorreu em novembro de 2014, com um acréscimo de 12,76%. “Temos um debate com a Seduc e na Assembleia Legislativa sobre isso. Alguns deputados se comprometeram com esse projeto”.

As mudanças para funcionários(as) com as reformas de Eduardo Leite (PSDB) também foram abordadas no encontro. Marcelo explicou que elas são consequências das alterações no Estatuto dos Servidores Estaduais (Lei 10.098): “Temos alterações na insalubridade, abono família, vale-refeição e no difícil acesso, que  se transformou em adicional do local de exercício”.

Outro ponto abordado pelo jurídico são os juros abusivos cobrados por financeiras como a FAC. Com salários atrasados e parcelados, a categoria tem realizado empréstimos para diminuir os impactos da crise.

“Quem tiver empréstimo com as financeiras deve nos apresentar o contrato para que possamos fazer a ação”, explicou a advogada do núcleo, Aline Aires.

A advogada ressaltou que o escritório está à disposição para auxiliar e esclarecer dúvidas da categoria. É só solicitar atendimento diretamente com o núcleo ou pelo telefone 51 3073.7512.

Novo Fundeb

Na última terça-feira (21), a PEC 15/2015, que institui um Fundeb permanente e com mais recursos da União, foi aprovada na Câmara. A aprovação da PEC, que segue para agora para o Senado, foi um dos pontos debatidos na reunião. 

Parte dos recursos, que passam de 60% para 70%, serão destinados para o pagamento dos trabalhadores(as) em educação, o que inclui funcionários(as) de escola.

“Precisamos entender que esse momento vai atingir a todos os profissionais da educação. Nosso governador assinou contra o Fundeb e o presidente deixa os recursos da educação para a iniciativa privada. Leite e Bolsonaro acham que enganam a gente com o discurso de fachada em defesa do Fundo”, disse a diretora do Departamento de Educação, Rosane Zan.

A luta do Fundeb é por uma educação de qualidade e mais igualitária no território nacional. Por isso, a categoria deve estar atenta para fazer mobilização em massa nas redes, pressionando por sua aprovação.

Saiba como votaram os deputados no Fundeb

Apesar do isolamento, a luta continua

Por fim, também foram discutidas estratégias de luta durante a pandemia. Estamos vivendo um momento de crise sanitária, política e econômica nunca visto antes na história. Precisamos nos unir dentro do Sindicato. Por isso, a importância desse momento”, disse a diretora do Departamento de Formação Política e Sindical do CPERS, Valdete Moreira.

Já a 1ª vice-presidente, Solange Carvalho, disse que é necessário combater nossos algozes, Jair Bolsonaro (Sem Partido) e Eduardo Leite (PSDB), que seguem a mesma linha política. “Precisamos nos cuidar nesse momento. Seguimos na luta e a entidade está cumprindo o seu papel”. 

Para secretária-geral, Candida Rossetto, a intenção de Bolsonaro e Leite é atender ao mercado e atacar o serviço público, colocando os servidores(as) como vilões.  “Temos um papel importante enquanto servidores, o de estarmos provocando essa relação do cuidado com os trabalho e da valorização com a educação. Precisamos acumular forças para fazer o enfrentamento”, finalizou.

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A Frente de Servidores Públicos (FSP/RS) realinhou as estratégias de luta e resistência em reunião durante a manhã desta quinta-feira (23).

Em pauta, o mais recente ataque de Eduardo Leite (PSDB) aos serviços públicos e ao povo gaúcho: a reestruturação do Fundo Previdenciário dos Servidores Públicos (Fundoprev), prevista no PLC 148/2020.

Na prática, as alterações previstas podem confiscar cerca de R$ 2 bilhões do Fundoprev para o caixa único do Estado, em manobra fiscal que pode elevar o déficit atuarial e causar problemas ainda maiores no futuro.

As entidades, entre elas a União Gaúcha em Defesa da Previdência, criticam a falta de transparência e de detalhes do cálculo atuarial, as informações vagas e, sobretudo, o tempo exíguo para debate.

O PLC tramita em Regime de Urgência e tranca a pauta a partir do dia 1º de agosto.

“É um projeto muito complexo e que traz profundo impacto previdenciário e financeiro. Não tem sentido que algo tão denso tramite em regime de urgência num momento de pandemia”, avalia Helenir Aguiar Schürer.

▶ Saiba como receber notícias do CPERS por whatsapp

No entendimento dos servidores(as), o governo Leite continua se aproveitando da pandemia para executar uma agenda autoritária e de precarização, cuja conta será paga pelo conjunto da sociedade.

Além da reestruturação, o projeto prevê a proposta de Benefício Especial, que incentiva a migração de servidores para o Regime de Previdência Complementar. A matéria afeta pouco educadores(as), visto que é limitada a quem recebe acima do teto do INSS.

O Dieese já havia realizado uma análise prévia dos planos do governo, antes do envio do PLC. Clique aqui para acessar.

Os presentes definiram uma estratégia de mobilização das categorias e diálogo com o parlamento e a sociedade para incidir na discussão do projeto e barrar sua apreciação sem o devido debate público.

 

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Artigo de Helenir Aguiar Schürer publicado originalmente no Sul 21*

O Sistema de Distanciamento Controlado do Rio Grande do Sul trabalha com a doença, não com a preservação da saúde.

Ao estabelecer bandeiras de menor risco de acordo com a quantidade de leitos de UTIs disponíveis, o governo Eduardo Leite (PSDB) age de forma a contar com um número cada vez maior de pessoas internadas.

De forma perturbadora, uma cidade pode melhorar no ranking de bandeiras se deixar morrerem os pacientes que ocupam UTIs. Desde a última alteração no sistema, uma disparada no número de mortes pesa menos do que a taxa e ocupação de leitos.

Para combater a Covid-19, portanto, Leite aposta no contágio, por um lado, e na morte, por outro.

Sem testes, sem casos

Em paralelo, o governo desestimula a testagem nos municípios, visto que a prevalência de casos positivos é outro fator a pesar na definição das restrições.

De acordo com levantamento do portal Nexo, o estado está em 23º lugar no ranking de testes por 100 mil habitantes, em franca contrariedade com a recomendação de especialistas e autoridades sanitárias.

Temos cidades, como Palmeira das Missões, que estabeleceram convênios com a Universidade Federal de Santa Maria para adquirir testes em grande quantidade e com o custo muito abaixo do mercado.

Mas não testar parece ser uma política do governo Leite, já que em momento algum o Estado coordenou esforços para fazer uso da inteligência e da capacidade instalada no seu território.

Dança das bandeiras

Qualquer manual de como gerir uma situação de emergência ou calamidade pública dirá que é necessário ter uma estratégia de comunicação clara e objetiva.

Mas a dança das bandeiras, com duas revisões semanais, regras complexas e mudanças periódicas nos próprios critérios de definição, confunde e deseduca.

Mesmo em sua característica mais básica e de fácil compreensão, o modelo falha.

Quando a bandeira é amarela, o povo sai às ruas. Afinal, é o nível de risco mais baixo possível. Quando muda para laranja, o povo sai às ruas; pois não é a vermelha. Se é vermelha, continuam a sair; a preta é a pior.

Pá de cal

Nesta semana, a pressão de municípios e federações empresariais transformou 18 bandeiras vermelhas em oito num passe de mágica, apesar da expansão acelerada de contágio e de óbitos.

Já desmoralizado e despido de qualquer verniz científico, o Sistema de Distanciamento Controlado dava seus últimos suspiros enquanto o estado assistia ao “grenal da infâmia”. Agora, emulando Bolsonaro, o governador repassará a terceiros – os municípios – a definição das restrições. É a pá de cal na credibilidade do sistema.

Estamos à deriva enquanto Eduardo Leite admira sua própria imagem no espelho, dobra a aposta em discurso vazios e trabalha para tirar de si a responsabilidade pelo fracasso.

*Helenir Aguiar Schürer é professora do Estado há mais de 30 anos e atual presidente do CPERS Sindicato

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Pandemia, Plano de Carreira, Reforma da Previdência e a aprovação do novo Fundeb pautaram a reunião virtual, desta quarta-feira (22), do Departamento dos Aposentados do CPERS. Cerca de 50 educadoras do núcleo de Uruguaiana (21º) participaram do encontro.

Desde o início do isolamento, o CPERS tem articulado a luta e levado informação por videoconferência para as aposentadas de todo o estado.

Quem coordena a atividade é a diretora do Departamento, Glaci Weber. “Essas nossas reuniões têm acontecido em vários núcleos. Agora como não podemos nos encontrar fisicamente, matamos a saudade de forma virtual”, afirmou.

Durante a atividade, Glaci ressaltou a importância do uso de máscaras e do isolamento social como forma de evitar o contágio da Covid-19. Por isso, a diretora convocou uma mobilização virtual: todos utilizariam máscaras em defesa da vida dos educadores(as) gaúchos(as) em certo momento da reunião.

Para Zilá Fidell, diretora do núcleo de Uruguaiana, o encontro é uma oportunidade para sanar as principais dúvidas da categoria por meio da assessoria jurídica e da direção do Sindicato. “Reuniões como essa são importantes para fortalecer a luta e trazer informações nesse momento difícil”.

Reforma da Previdência e mudanças no Plano de Carreira

Desde que foram aprovadas na Assembleia Legislativa, a Reforma da Previdência e as alterações no Plano de Carreira do Magistério têm gerado uma série de dúvidas entre a categoria. 

Em se tratando das modificações na Previdência, a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, explicou que é preciso entender que o processo de mudança foi iniciado ainda em Brasília pelo governo federal.

Jair Bolsonaro aprovou no Congresso a emenda constitucional 103, taxando aposentados em até 20 anos. Compactuando com Bolsonaro, Eduardo Leite (PSDB) aprovou na Assembleia Legislativa a reforma previdenciária para servidores(as) estaduais, em que mais de 30 deputados votaram favoravelmente.

Quando o projeto passou em Porto Alegre, imediatamente o CPERS entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça, junto com a União Gaúcha dos Servidores Públicos, a Ajuris e outros sindicatos. “Ganhamos no TJ, mas o governo foi até o Supremo Tribunal e cassou a liminar”, explicou a presidente.

Quem concedeu a suspensão foi o ministro Dias Toffoli, presidente do STF. Para suspender a liminar, o CPERS e sua assessoria jurídica contrataram o escritório do ex-ministro do STF, Ayres Britto, que já entrou com agravo. A matéria também volta a ser julgada no TJ/RS.

Helenir lembrou da necessidade de cada educador(a) fiscalizar quem está no poder, pois a vida de todos os cidadãos é definida pela política. Ela alertou ainda que Eduardo Leite (PSDB) tem o mesmo projeto político do ex-governador José Ivo Sartori (MDB). Tanto PSDB quanto MDB seguem lado a lado na Assembleia Legislativa.

“A maioria da Assembleia Legislativa vota a favor do Leite. Dos 55 deputados, 40 votaram com o governador. Por isso é importante fiscalizarmos. Quem não fiscaliza os políticos, geralmente elege seus algozes”.

O advogado Marcelo Fagundes, da assessoria jurídica do CPERS, destacou que quem iria pagar o piso do magistério era o próprio educador(a), caso o projeto de mudanças no Plano de Carreira fosse aprovado sem alteração alguma na AL.

O projeto original, que previa subsídio na carreira, não assegurava diferença entre os níveis, gatilho salarial e irredutibilidade.

Após a luta da categoria com uma greve histórica, as perdas foram menores. O governo criou uma parcela de subsídio, que pode ser de 20h ou 40h, e uma parcela de irredutibilidade, que é a soma do vencimento do básico, do completivo e dos adicionais por tempo de serviço, como os triênios e quinquênios. 

Para os aposentados(as), cria-se mais uma parcela autônoma. O advogado advertiu que inativos(as) não perdem dinheiro com o novo subsídio. 

Juros abusivos 

Com salários atrasados e parcelados, a categoria tem realizado empréstimos com financeiras para diminuir os impactos da crise. Contudo, parte delas tem cobrado juros abusivos.

O advogado do núcleo, Dejair Aires Eugênio, explicou que esse tipo de cobrança é ilegal. A categoria deve contatar o jurídico para entrar com uma ação, exigindo que o dinheiro seja devolvido. “A maioria dos empréstimos estão muito acima do que pode ser cobrado. É importante ter a documentação e o contrato para fazermos a ação”, afirmou.

▶ Saiba como contatar o SAS e Assessoria Jurídica durante o período de isolamento

O Novo Fundeb e os aposentados(as) 

Um dos pontos altos da reunião foi a aprovação do novo Fundeb, cuja votação ocorreu na noite da última terça-feira (21). Com o novo Fundo, o Estado disporá de mais recursos, o que significa que sobrará dinheiro em outras fontes para o pagamento dos aposentados(as). 

“Em primeiro momento, muita gente achou que tinha perdido dinheiro. Contudo, com mais dinheiro para a educação, o governo terá mais recursos para pagar outras coisas”, disse o advogado Marcelo.

Na legislação atual, os recursos do Fundeb já não podem ser utilizados para pagar aposentados(as). No Rio Grande do Sul, descumpre-se a Lei há anos. Na prática, nada mudou em relação a isso com o novo Fundo. 

A luta do Fundeb é por uma educação de qualidade e mais igualitária no território nacional. É dever do Estado pagar os aposentados(as) independente do Fundo.

“São os recursos do tesouro que obrigatoriamente por lei devem ser retirados para pagar os aposentados, caso não haja dinheiro para a previdência”, asseverou a presidente Helenir.

A aprovação do Fundeb demonstrou que a força da categoria também está nas redes. “Nós não temos as ruas, pois precisamos nos preservar nesta pandemia, mas temos a nossa voz. Ontem com o Fundeb isso foi claro. Fizemos pressão nas redes sociais e conseguimos”, comemorou Helenir.

Os desafios durante a pandemia

Durante a reunião, a Dra Karin Taborda, médica da Prefeitura de Porto Alegre, criticou a ineficiência dos governos federal e estadual no controle da Covid-19 e alertou sobre a importância de manter o isolamento social para conter o avanço do vírus. 

“Nós nos pegamos perplexos principalmente pelo modo como não está sendo gerenciada a pandemia no nosso país. Temos um governo irresponsável. A população está entregue à própria sorte. A única forma de melhorar o problema é o isolamento social”, afirmou. 

Ela disse que o governador Eduardo Leite (PSDB) deveria ter tomado medidas mais severas já no início da pandemia: “O certo era fechar aeroportos no mês de fevereiro/março. Essa pandemia veio de fora, da Europa para o Brasil. Quem viaja são as pessoas com mais condições econômicas. Não foi feito nenhum tipo de controle nos primeiros casos. Assim o vírus foi se multiplicando”.  

De acordo com a médica, houve várias pandemias desde 1990, mas nenhuma com a amplitude da Covid-19, que tem gerado muita desigualdade, colocando a comunidade toda em risco. 

O alerta também está na necessidade de se realizar a maior quantidade de testes possíveis, coisa que nem Leite e nem Bolsonaro fazem. Karin também disse que pessoas com mais de 60 anos têm um risco maior de complicações pelo vírus, especialmente quem tem outros problemas como diabetes, pressão alta, doenças cardíacas e respiratórias. 

“Todos os países que saíram da pandemia, saíram graças a testagem. Se eu sou assintomático e sou portador do vírus, posso contaminar de uma a três pessoas”, explicou.

Outro ponto criticado pela médica foi o sistema de sinalização de bandeiras aplicadas por Eduardo Leite. “As bandeiras foram uma maneira que o Estado teve para não fechar o comércio. Esse negócio de fecha e abre não está dando certo. Elas foram um artifício, uma forma de acomodar interesses. Com as bandeiras não se testa e o governo não gasta. Isso está mal gerenciado”.

Karin também explicou que há mais problemas que não são expostos pelos governos. “Não se trata apenas de leitos. Faltam medicamentos, por exemplo, para manter uma pessoa em coma. Não temos equipamentos suficientes”, finalizou.

A atividade contou ainda com a leitura de poesia de Divania Almeida Clausell e Glaci Weber, além da apresentação musical de Nuria Jesus, que interpretou a música “Dias Melhores”, de Rogério Flausino.

1ª vice-presidente,  Solange Carvalho, e o 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, a secretária-geral, Candida Beatriz Rossetto, e as diretoras Alda Maria Bastos Souza, Rosane Zan, Vera Lessês  e Sandra Terezinha Regio também estiveram presentes na reunião.

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Depois da aprovação, todo mundo se diz a favor da educação. Mas não se deixe enganar.

Tome nota dos deputados, políticos e partidos que tentaram inviabilizar ou sabotar o novo Fundeb!

E não se esqueça, a mobilização não pode parar até a aprovação no Senado.

Confira:

Apenas SETE deputados votaram contra a PEC nos dois turnos: todos do campo Bolsonarista e seis do PSL, partido que o presidente usou para se eleger

Apenas SETE governadores não assinaram a carta dos estados em defesa do texto da relatora Profª. Dorinha (DEM). Eduardo Leite (PSDB) é um deles.

Apenas UM deputado gaúcho tentou, junto com seus colegas do partido “NOVO”, retirar da PEC a garantia de, no mínimo, 70% dos recursos do Fundeb para pagar o salário de professores(as) e funcionários(as) da educação: Marcel Van Hattem

DEZ deputados gaúchos tentaram, no apagar das luzes, SABOTAR o Fundeb apoiando o destaque do Novo que retiraria da PEC um dos seus maiores avanços, o mecanismo do Custo Aluno Qualidade. O CAQ assegura o valor a ser investido por aluno para alcançar níveis mínimos de qualidade no ensino-aprendizagem.

Considerando a bancada de todos os estados, 83 deputado(as) tentaram retirar o CAQ da PEC e 19 atacaram o piso de 70% para a remuneração dos educadores. Confira os nomes e partidos abaixo:

VOTARAM CONTRA O CAQ:

Greyce Elias (AVANTE-MG)
Paula Belmonte (CIDADANIA-DF)
Efraim Filho (DEM-PB)
Geninho Zuliani (DEM-SP)
Jose Mario Schrein (DEM-GO)
Kim Kataguiri (DEM-SP)
Luis Miranda (DEM-DF)
Pedro Lupion (DEM-PR)
Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ)
Alceu Moreira (MDB-RS)
Baleia Rossi (MDB-SP)
Carlos Chiodini (MDB-SC)
Giovani Feltes (MDB-RS)
Isnaldo Bulhões Jr (MDB-AL)
João Marcelo S. (MDB-MA)
Márcio Biolchi (MDB-RS)
Newton Cardoso Jr (MDB-MG)
Osmar Terra (MDB-RS)
Raul Henry (MDB-PE)
Rogério Peninha (MDB-SC)
Adriana Ventura (NOVO-SP)
Alexis Fonteyne (NOVO-SP)
Gilson Marques (NOVO-SC)
Lucas Gonzalez (NOVO-MG)
Marcel van Hattem (NOVO-RS)
Paulo Ganime (NOVO-RJ)
Tiago Mitraud (NOVO-MG)
Vinicius Poit (NOVO-SP)
Capitão Augusto (PL-SP)
Dr. Jaziel (PL-CE)
Vicentinho Júnior (PL-TO)
Diego Garcia (PODE-PR)
José Medeiros (PODE-MT)
Roberto de Lucena (PODE-SP)
Claudio Cajado (PP-BA)
Evair de Melo (PP-ES)
Guilherme Derrite (PP-SP)
Eros Biondini (PROS-MG)
Gastão Vieira (PROS-MA)
Felipe Rigoni (PSB-ES)
Rodrigo Coelho (PSB-SC)
Aluisio Mendes (PSC-MA)
Paulo Martins (PSC-PR)
Deleg. Éder Mauro (PSD-PA)
Joaquim Passarinho (PSD-PA)
Sargento Fahur (PSD-PR)
Beto Pereira (PSDB-MS)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Domingos Sávio (PSDB-MG)
Eduardo Cury (PSDB-SP)
Lucas Redecker (PSDB-RS)
Pedro Cunha Lima (PSDB-PB)
Samuel Moreira (PSDB-SP)
Vitor Lippi (PSDB-SP)
Alê Silva (PSL-MG)
Aline Sleutjes (PSL-PR)
Bia Kicis (PSL-DF)
Bibo Nunes (PSL-RS)
Carla Zambelli (PSL-SP)
Carlos Jordy (PSL-RJ)
Caroline de Toni (PSL-SC)
Chris Tonietto (PSL-RJ)
Coronel Armando (PSL-SC)
Coronel Chrisóstom (PSL-RO)
Daniel Freitas (PSL-SC)
Daniel Silveira (PSL-RJ)
Dr. Luiz Ovando (PSL-MS)
EduardoBolsonaro (PSL-SP)
Filipe Barros (PSL-PR)
General Girão (PSL-RN) –
Guiga Peixoto (PSL-SP)
Helio Lopes (PSL-RJ)
Junio Amaral (PSL-MG)
Luiz Lima (PSL-RJ)
Luiz P. O.Bragança (PSL-SP)
Major Fabiana (PSL-RJ)
Marcelo Brum (PSL-RS)
Sanderson (PSL-RS)
Vitor Hugo (PSL-GO)
Maurício Dziedrick (PTB-RS)
Enrico Misasi (PV-SP)
Cap. Alberto Neto (REPUBLICANOS-AM)
Pr Marco Feliciano (REPUBLICANOS-SP)

VOTARAM CONTRA OS 70% PARA O SALÁRIO:

Alex Manente (CIDADANIA-SP)
Bia Kicis (PSL-DF)
Junio Amaral (PSL-MG)
Luiz P. O.Bragança (PSL-SP)
Eduardo Cury (PSDB-SP)
Fábio Ramalho (MDB-MG)
Mauro Lopes (MDB-MG)
Gastão Vieira (PROS-MA)
Kim Kataguiri (DEM-SP)
Paulo Martins (PSC-PR)
Rodrigo Coelho (PSB-SC)
Adriana Ventura (NOVO-SP)
Alexis Fonteyne (NOVO-SP)
Gilson Marques (NOVO-SC)
Lucas Gonzalez (NOVO-MG)
Marcel van Hattem (NOVO-RS)
Paulo Ganime (NOVO-RJ)
Tiago Mitraud (NOVO-MG)
Vinicius Poit (NOVO-SP)

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Em raro acordo entre quase todas bancadas, o texto apresentado pela relatora da PEC 15/2015, profª. Dorinha Seabra (DEM), foi aprovado nesta terça-feira (21).

Foi uma noite histórica.

O governo Bolsonaro, que tentava adiar e desidratar a PEC 15/2015 e ferir de morte o futuro da educação, se curvou diante da enorme pressão social e desistiu das mudanças.

Ainda assim, os únicos deputados a votarem “não” no 1º turno são do partido pelo qual o presidente foi eleito: o PSL. Mas, para os educadores(as), o suspense se estendeu até os últimos momentos da sessão.

Comemoração e tensão

Após a aprovação em 1º turno, enquanto muitos já comemoravam a vitória, CPERS e a CNTE chamavam atenção em suas redes para a necessidade de derrubar o destaque apresentado pelo partido Novo, que desobrigaria o investimento de, no mínimo, 70% dos recursos na remuneração dos trabalhadores(as).

A resistência se organizou e voltou a pressionar pela aprovação do texto original, sem destaques.

A alteração foi derrubada, mas o Novo tentou uma última manobra quando a pressão já estava desarticulada: suprimir o trecho que assegurava o Custo Aluno Qualidade (CAQ), um dos maiores avanços do novo texto.

A estratégia foi acolhida por deputados da base governista e deputados próximos de movimentos empresariais como o Todos Pela Educação, mas não vingou a despeito da adesão de diversos parlamentares que, até pouco antes, comemoravam a vitória quase unânime.

Apesar disso, o CAQ será regulamentado em Lei Complementar e ainda pode ser atacado.

Após um prolongado e tenso debate, a PEC foi aprovada em 2º turno perto da meia-noite. O texto segue agora para o Senado.

A vitória foi um marco para as lutas populares e ganha mais significância por ocorrer no mês de aniversário de Anísio Teixeira, considerado um dos fundadores da educação pública no Brasil, e às vésperas do centenário de Paulo Freire, a ser comemorado em 2021.

Construção

A PEC 15/2015 nasceu de uma construção coletiva que acumula cinco anos de debate com entidades representativas da educação pública e amplos setores sociais.

O novo texto representa um enorme avanço em relação ao atual fundo, cuja vigência termina neste ano. A PEC torna de Estado o que era apenas uma política de governo, e permanente o que era transitório.

O CPERS saúda a todos que se mobilizaram por esta enorme vitória. As mensagens enviadas por educadores(as) e pelo conjunto da sociedade aos deputados e partidos foram citados a todo tempo na sessão como definidores do resultado final.

A educação pública agradece!

Confira os principais pontos da PEC:

▶  Estabelece a destinação de, no mínimo, 70% dos recursos do Fundeb à remuneração dos trabalhadores(as) da educação. No projeto atual, piso legal é de 60%, fração seguida a risca pelo governo Leite

▶ Complementação da União ao Fundeb ampliada de 10% para 23%, a ser integralizada em 6 anos. Em 2021, a complementação chega a 14,75%. No total, cerca de mais R$ 22 bi de recurso federal pra expandir e qualificar a educação básica, mais R$ 8 imediatos em 2021

▶ Melhor distribuição da complementação federal com critérios mais justos, direcionando os recursos para quem tem menos. Antes, municípios pobres em estado mais “ricos” eram prejudicados

▶ Constitucionaliza o mecanismo do Custo Aluno Qualidade (Caq), para assegurar que os novos recursos venham a garantir condições adequadas de oferta em todas as escolas públicas, como número de alunos por sala e educador, inclusão, laboratórios, banheiros e refeitórios adequados. Saiba mais aqui.

▶ Proíbe o desvio de recursos de manutenção e desenvolvimento do ensino para o pagamento de aposentadorias e pensões, que devem ser custeadas por fonte própria; e o uso de recursos do salário-educação no Fundeb, que continuam sendo aplicados na educação básica, suplementarmente

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Plantões presenciais, risco de contaminação, falta de recursos humanos, assédio, sobrecarga, estresse e ansiedade. Essa é a realidade dos educadores da rede estadual na pandemia.

Mobilizados contra as imposições abusivas da Seduc e das CREs durante o isolamento, diretores de escola da Capital foram até o Piratini, na manhã desta terça-feira (21), entregar um manifesto com uma série de demandas.

Ao todo, 118 instituições da rede estadual assinaram o documento intitulado “Nosso compromisso é com a vida, com a escola pública e com o conhecimento para todos!”

Acesse a íntegra do manifesto aqui.

Internet para toda a comunidade escolar, ampliação de recursos para a educação – que inclui apoio à aprovação do novo Fundeb, auxílio emergencial para alunos da rede pública, retorno às aulas somente quando houver segurança sanitária e monitoramento e assistência a educadores(as) contaminados por Covid-19 são algumas das reivindicações.

Os educadores(as) também protocolaram o documento na Assembleia Legislativa e caminharam até a Seduc, onde entregaram o manifesto para a secretária-adjunta, Ivana Flores, e o diretor geral da Seduc, Paulo Magalhães. 

Durante o encontro, os diretores(as) de escola denunciaram a falta de diálogo do governo com a comunidade escolar e ressaltaram a necessidade de manter as instituições de ensino fechadas durante a pandemia.

Segundo a secretária-adjunta, a Seduc está aberta a um diálogo mais próximo com a comunidade. “Sabemos das dificuldades e estamos buscando soluções. Vamos lançar um canal online para que todo cidadão possa opinar sobre a situação das escolas públicas nesse período difícil”, disse.

Pandemia e sobrecarga de trabalho

Acometida por Covid-19 durante o mês de junho, a diretora do Colégio Estadual Protásio Alves, Eliana Alves Flores, afirma que possivelmente contraiu o vírus enquanto fazia plantões presenciais na escola. 

A diretora tentou buscar auxílio da Seduc e da 1ª CRE, mas não obteve sucesso, e se viu obrigada a usar o dinheiro da autonomia financeira para fazer a desinfecção da escola. Eliana afirma ainda que o governo não se responsabilizou em realizar a testagem de todos os envolvidos(as). 

“No Protásio Alves, a gente deixou de fazer plantão para atender fisicamente. Só fizemos atendimento de forma virtual porque a Seduc e a 1ª CRE, responsável pelas escolas de Porto Alegre, ignoraram esse caso que ocorreu. Enviamos um email e pedimos que fosse feita uma desinfecção. Eles não atenderam”, denuncia Eliana.

Eliana também expôs que a mantenedora diariamente envia emails com exigências abusivas sendo praticamente impossível cumprí-las no tempo exigido: “Eles pedem coisas para fazermos hoje para ser cumprido amanhã. É desgastante”, desabafa.

Já a diretora da Escola Alberto Torres, Marcilene da Silva, afirma que – além de ter que lidar com a sobrecarga de trabalho – sofre ameaças constantes da CRE.

A mantenedora ameaça fechar a sua escola caso não use a plataforma Google Classroom,  imposta pelo governo, pressionando a diretora a denunciar os colegas que não utilizarem o aplicativo.

“Estou exausta. As demandas da Seduc são impossíveis de serem cumpridas no prazo. Vamos na escola. Atendemos os pais e mães. Entregamos atividades. Acordo cedo e vou dormir às 2h da manhã para cumprir com todas as demandas impostas pela Seduc e pela CRE. Vivemos sob ameaça”, disse a diretora.

Escolas Fechadas, vidas preservadas

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o Rio Grande do Sul registra 1.285 óbitos e 47.449 casos confirmados por coronavírus até a tarde de hoje. Os números têm batido recordes consecutivos, indicando uma aceleração da curva.

Uma das organizadoras do manifesto, Neiva Lazarotto, vice-diretora do Colégio Emílio Massot, afirma que é preciso olhar para a realidade de quem trabalha no chão da escola. “Reivindicamos a valorização dos educadores(as), que sejamos respeitamos e atendidos. Já tivemos uma diretora e vice contaminadas e estamos em bandeira vermelha, mas o que o governo está fazendo para preservar nossas vidas?”, questiona.

O consenso científico não mudou desde o primeiro fechamento das escolas: isolamento social é a única forma de conter o avanço da doença.

Para o CPERS, a falta de testes, de recursos humanos e materiais, e de controle da curva, inviabilizam qualquer possibilidade de retorno às aulas presenciais em curto ou médio prazo.

“Estamos nessa situação da pandemia, não bastassem todos os problemas que temos na educação que se arrastam ao longo dos anos com o congelamento salarial, o atraso de salário, a pandemia também está sendo marcada por um governo que se exime da responsabilidade de preservar a vida dos educadores. Além disso, exige uma série de coisas das escolas, sobrecarregando as direções escolares e impondo demandas sem planejamento”, explica o diretor do CPERS, Daniel Damiani.

Leia também:

▶Escolas fechadas, vidas preservadas. Artigo da presidente Helenir Aguiar Schürer
▶Pela vida dos gaúchos: Conselho Geral defende fechamento total das escolas do Estado
▶É preciso fechar completamente as escolas do RS enquanto há tempo
▶ Sociedade de Infectologia do RS emite alerta sobre gravidade da pandemia
▶ Em audiência com deputados e Seduc, CPERS reforça que não há segurança para voltar às aulas presenciais

 

 

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