Educadores são mais vulneráveis a Covid-19 em caso de surto na escola, aponta estudo no Chile


Educadores(as) podem ser os mais afetados pela contaminação ao coronavírus caso escolas sejam reabertas. É o que aponta estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile e publicado na revista médica Clinical Infectious Diseases, editada em Oxford.

A pesquisa avaliou a prevalência de anticorpos para Covid-19 em um período de 8 a 10 semanas após surto da doença no colégio Saint George, de Santiago.

Mais afetados pelo surto, 16,6% dos trabalhadores(as) testaram positivo, em contraste com 9,9% dos estudantes. Entre os positivos, 82% dos educadores(as) relataram algum sintoma, frente a 60% dos estudantes.

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Alunos do ensino médio tiveram menor taxa de positividade em comparação com de outros níveis, e crianças menores tiveram maior risco de infecção.

De acordo com o estudo, as verdadeiras taxas de infecção podem ser ainda mais altas, já que nem todos que desenvolvem a doença apresentam uma resposta imune e é sensível à testagem.

Ao todo, 49% dos estudantes e 73% dos educadores(as) declararam a presença de um ou mais sintomas desde o início do surto (Figura 1).

 

Figura 1

A duração do período de circulação do vírus dentro da escola foi de no máximo 10 dias, do início do ano letivo até o fechamento da escola, no dia 13 de março. O vírus provavelmente continuou a circular nas famílias de indivíduos infectados. Contudo, uma investigação completa dos surtos intra-familiares não foi realizada.

No dia 6 de abril, 52 membros da comunidade escolar haviam contraído o coronavírus e houve uma morte associada. Os casos foram distribuídos da seguinte forma: 7 (13%) estudantes, 18 (35%) funcionários(as) e 27 (52%) pais.

O caso de morte era de um educador que trabalhou com a pré-escola e esteve presente em todas as reuniões de pais e professores(as).

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Nesse surto, o fechamento da escola ocorreu dois dias após a detecção dos dois primeiros casos e alguns dias após o início do ano letivo. Mesmo assim, casos recentemente detectados ocorreram principalmente após o fechamento da escola, com uma tendência decrescente entre equipe diretiva, professores(as) e funcionários(as) e um aumento de pais e alunos.

Taxa de infecção na comunidade escolar

Houve um número significativamente maior de educadores que testaram positivo na pré-escola comparado com os outros níveis. Os alunos positivos para anticorpos foram distribuídos em todos os níveis da escola (Figura 2), sendo menos comum em estudantes do ensino médio.

Figura 2

A porcentagem mediana de alunos positivos para anticorpos por sala de aula foi de 8,3%. Em 7 salas de aulas, mais de 25% dos alunos eram positivos para anticorpos, dos quais quatro tinham um professor primário que foi positivo em anticorpos.

Crianças positivas para anticorpos tiveram uma média de 1,8 contatos com um caso confirmado Covid-19, enquanto as crianças com anticorpos negativos tiveram 1,4 contatos.

O estudo ainda aponta que quanto maior o número de contatos, maior a probabilidade de a criança ter anticorpos positivos. O contato Covid-19 mais comum entre as crianças foi com suas professoras (21% vs. 12%), seguido por um familiar (11% vs. 2%), colega de classe (9% vs. 4%) ou cuidador doméstico (4% vs. 0,1%).

▶ Clique para acessar a íntegra do estudo

Escolas fechadas, vidas preservadas

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o Rio Grande do Sul registra 1.101 óbitos e 42.239 casos confirmados de Covid-19 até a noite desta quarta-feira (15).

Os números têm batido recordes consecutivos, indicando uma aceleração da curva.

O consenso científico não mudou desde o primeiro fechamento das escolas: isolamento social é a única forma de conter o avanço da doença.

Para o CPERS, a falta de testes, de recursos humanos e materiais, e de controle da curva, inviabilizam qualquer possibilidade de retorno às aulas presenciais em curto ou médio prazo.

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