Exclusão: um mês após adoção, quase 300 mil alunos não acessaram Google Classroom


Mais de 285 mil estudantes da rede estadual gaúcha ainda não realizaram o primeiro acesso na plataforma Google Classroom, imposta pelo governo Leite (PSDB) desde a retomada das aulas remotas, no início de junho.

O contingente representa 34,7% do alunado, mas os dados também revelam uma aguda desigualdade regional.

Em Porto Alegre, por exemplo, a proporção se inverte. Apenas 37 mil estudantes de um total de 115,7 mil realizaram o cadastro.

Para além da latente exclusão educacional, os montantes demonstram a intensidade do fluxo de trabalho presencial nas escolas em meio à pandemia, dada a necessidade de entregar e recolher materiais impressos.

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Até o momento, o auxílio prometido pelo Executivo e a Assembleia Legislativa para estudantes e educadores(as) arcarem com a Internet não se concretizou.

A aquisição de equipamentos também permanece no reino platônico das ideias. Assim como a devolução do salário confiscado da greve e as promessas de campanha de Eduardo Leite: pagar em dia e valorizar quem trabalha no chão da escola.

Apesar do descaso, a plataforma registra uma adesão de quase 95% entre educadores(as).

A fração é um testemunho do esforço empreendido pela categoria, que está utilizando equipamentos próprios, pagando Internet com o salário atrasado, parcelado e cortado, e trabalhando para além da carga horária.

É, também, um indicativo de que parte das escolas encontrou outros caminhos para o trabalho remoto, fazendo valer sua autonomia pedagógica por meio da gestão democrática, a despeito das ameaças de corte da efetividade.

Já o Estado, passados quatro meses da suspensão das aulas presenciais, continua improvisando soluções e impondo medidas sem diálogo e sem cumprir com as suas obrigações.

Fonte dos dados: GetEdu – Parceira oficial do Google for Education no Brasil. Informações de 07/07/2020.

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