Após denúncias, SEDUC recua e afirma que não ocorrerão enturmações em 2019


“Nós sabemos que pedagogicamente esse não é o caminho, por isso estamos aqui garantindo que em 2019 não ocorrerão enturmações”, essa foi a afirmação do diretor geral da Seduc, Paulo Magalhães, em reunião com representantes do Colégio Estadual Cândido José de Godói, integrantes da direção do CPERS e a deputada Sofia Cavedon (PT) no fim da tarde desta quinta (3).

A direção da escola solicitou a reunião após receber um comunicado da 1ª CRE sobre o fechamento de três turmas – uma de cada ano do Ensino Médio – e a orientação para enturmar os estudantes. No último mês, o CPERS também recebeu diversas denúncias de outras escolas de Porto Alegre que foram notificadas e mostraram preocupação sobre a redução de turmas próximo ao final do ano letivo.

A audiência contou com a presença do diretor da escola, Mário Antônio da Silva, da vice-diretora, Clarice Dal Médico, e do professor de educação física, Guilherme Gil. O CPERS Sindicato foi representado pelos diretores Daniel Damiani e Sônia Solange dos Santos Viana.

Em um primeiro momento, o grupo foi recebido pela assessora da Seduc, Marili Rodrigues, que afirmou que a revisão de turmas está prevista somente para o ano que vem. “Enturmação, não é nem esse o termo que a gente usa, no [Ensino] Médio só em último caso”, afirmou.

A vice-diretora da escola, Clarice Dal Médico, mostrou preocupação com as divergências entre o que é comunicado pela Seduc e o que é orientado pela 1ª CRE. “A gente não sabe o que fazer, a mantenedora nos diz uma coisa e a coordenadoria outra”, disse.

O diretor geral da Secretaria, Paulo Magalhães, garantiu que entrará em contato com a 1ª CRE para orientar quanto ao assunto. “Em outubro não temos como fazer isso. Eles estão antecipando algo que ainda nem existe”, garantiu.

O diretor da escola disse ficar aliviado com a notícia já que a preocupação dos alunos quanto às enturmações era muito grande e inclusive já começava a atrapalhar o aproveitamento pedagógico. “Essa ação seria de uma insensibilidade gigantesca, como tu pode ter uma política de governo que quer prejudicar os alunos?”, indagou Mário.

“Não queremos turmas cheias. A educação não é amontoar e superlotar, é aprimorar”, colocou Sônia Solange Viana. Para a deputada Sofia Cavedon, a discussão deve ser aprofundada e inserir as escolas. “Deve haver uma discussão pedagógica e não só um amontoamento de alunos”, ressaltou.

A secretária-adjunta Estadual de Educação, Ivana Flores, disse que essa não é a forma de atuação da Seduc e que a Secretaria está fazendo um esforço para identificar as reais dificuldades, para então tomar providências. “O nosso problema é fluxo, reprovação e evasão, por isso posso afirmar que enturmação não é nosso foco agora”, afirmou Ivana.

O diretor do CPERS, Daniel Damiani, considera positivo o resultado da reunião. “A posição da SEDUC é sensata, é muito ruim realizar enturmações em escolas, ainda mais em turmas de Ensino Médio e terceiros anos, na reta final do ano letivo. Ficou muito nítido que se trata de uma ação da 1ª Coordenadoria a qual repudiamos”.

Esta é uma vitória da educação pública estadual. As enturmações, realizadas de forma desorganizada, próximo ao final do ano letivo, são prejudiciais para todos. Perdem alunos, perdem professores e perde a qualidade da educação pública gaúcha. Precisamos de políticas para evitar problemas como a infrequência e a evasão e não de medidas autoritárias e tecnicistas, que tratam estudantes e educadores(as) como números.

“E agora vale para todas as escolas, nenhuma turma à menos!”, comemorou a deputada Sofia Cavedon ao fim da reunião.

“Agradecemos o empenho da deputada Sofia e a grande lição que fica é a da comunidade da Escola Cândido Godoi, a mobilização dos alunos, da equipe diretiva e dos educadores que souberam ir atrás dos seus direitos e da defesa da educação de qualidade, não aceitando qualquer coisa que seja imposta de cima para baixo. É uma vitória da escola democrática e deve servir de lição para as demais”, afirmou Daniel Damiani após a reunião.

Confira algumas das matérias produzidas pelo CPERS denunciando os casos de enturmações recebidos nesse último mês:

Não fecha a minha turma: alunos do Colégio Emílio Massot entregam manifesto ao governo contra enturmação

Colégio Cândido Godói organiza abaixo-assinado contra fechamento de turmas

Estudantes e educadores protestam contra enturmações em frente à 1ª CRE

Comunidade da escola Parobé denuncia enturmação na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa

Cândido Godói manifesta repúdio às enturmações durante visita da 1ª CRE

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