Julho é um mês de luta, memória e resistência. No dia 25 de julho, celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data é um marco na denúncia do racismo sofrido pelas mulheres e também homenageia a liderança de Tereza de Benguela, que comandou o Quilombo do Quariterê, no século XVIII, tornando-se símbolo da resistência negra e da luta por liberdade.
Neste ano, o Departamento de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do CPERS marca o Julho das Pretas com o tema “Mulheres Negras em Luta por uma Educação Antirracista”, reafirmando o compromisso do Sindicato com o enfrentamento ao racismo estrutural e com a construção de uma educação pública comprometida com a igualdade racial e a luta das mulheres negras. Para o coordenador do Departamento e 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, “o Julho das Pretas é um dos momentos mais importantes de luta e resistência antirracista, pois traz consigo o momento de reconhecimento do valor da mulher negra, que com sua luta estrutura as mudanças sociais”.
O esforço por uma educação antirracista passa pelo reconhecimento da história e das contribuições da população negra para a formação da sociedade brasileira, mas também passa pela transformação das estruturas que ainda reproduzem desigualdades dentro e fora das escolas. É preciso combater o racismo em todas as suas formas, fortalecer práticas pedagógicas comprometidas com a equidade e garantir que meninas e mulheres negras possam construir seus projetos de vida livres das amarras históricas impostas pelo racismo e pelo sexismo. Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, mulheres negras seguem sendo as mais afetadas pelas desigualdades sociais, enfrentando maiores índices de informalidade, menores salários, sub-representação nos espaços de poder e diferentes formas de violência.
Nesse contexto, a escola pública ocupa um papel estratégico na construção de uma sociedade mais justa. Uma educação antirracista não se limita ao cumprimento da legislação que prevê o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana, mas exige o compromisso permanente com práticas que enfrentem preconceitos, valorizem a diversidade e promovam uma formação crítica, democrática e emancipadora. Educar para a igualdade racial é também fortalecer a democracia e ampliar as possibilidades de futuro para meninas e mulheres negras.
O Julho das Pretas ganha um significado ainda mais especial para o CPERS, que conta com uma década de atuação do Coletivo de Igualdade Racial e Combate ao Racismo. Ao longo desses dez anos de organização, o Coletivo tem fortalecido o debate sobre o enfrentamento ao racismo dentro da categoria, construído ações de formação e reafirmado que não há defesa da educação pública sem o compromisso com a igualdade racial.
Como parte da programação do mês, no próximo 25 de julho, o CPERS participará das atividades unificadas organizadas pelos movimentos negros, entidades sindicais e sociais, que acontecerão no Hub Atividade ((Rua Miguel Teixeira, 126, Cidade Baixa), em Porto Alegre. A programação completa será divulgada nos próximos dias pelas redes do Sindicato. Participe!




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