“Nós sabemos que pedagogicamente esse não é o caminho, por isso estamos aqui garantindo que em 2019 não ocorrerão enturmações”, essa foi a afirmação do diretor geral da Seduc, Paulo Magalhães, em reunião com representantes do Colégio Estadual Cândido José de Godói, integrantes da direção do CPERS e a deputada Sofia Cavedon (PT) no fim da tarde desta quinta (3).

A direção da escola solicitou a reunião após receber um comunicado da 1ª CRE sobre o fechamento de três turmas – uma de cada ano do Ensino Médio – e a orientação para enturmar os estudantes. No último mês, o CPERS também recebeu diversas denúncias de outras escolas de Porto Alegre que foram notificadas e mostraram preocupação sobre a redução de turmas próximo ao final do ano letivo.

A audiência contou com a presença do diretor da escola, Mário Antônio da Silva, da vice-diretora, Clarice Dal Médico, e do professor de educação física, Guilherme Gil. O CPERS Sindicato foi representado pelos diretores Daniel Damiani e Sônia Solange dos Santos Viana.

Em um primeiro momento, o grupo foi recebido pela assessora da Seduc, Marili Rodrigues, que afirmou que a revisão de turmas está prevista somente para o ano que vem. “Enturmação, não é nem esse o termo que a gente usa, no [Ensino] Médio só em último caso”, afirmou.

A vice-diretora da escola, Clarice Dal Médico, mostrou preocupação com as divergências entre o que é comunicado pela Seduc e o que é orientado pela 1ª CRE. “A gente não sabe o que fazer, a mantenedora nos diz uma coisa e a coordenadoria outra”, disse.

O diretor geral da Secretaria, Paulo Magalhães, garantiu que entrará em contato com a 1ª CRE para orientar quanto ao assunto. “Em outubro não temos como fazer isso. Eles estão antecipando algo que ainda nem existe”, garantiu.

O diretor da escola disse ficar aliviado com a notícia já que a preocupação dos alunos quanto às enturmações era muito grande e inclusive já começava a atrapalhar o aproveitamento pedagógico. “Essa ação seria de uma insensibilidade gigantesca, como tu pode ter uma política de governo que quer prejudicar os alunos?”, indagou Mário.

“Não queremos turmas cheias. A educação não é amontoar e superlotar, é aprimorar”, colocou Sônia Solange Viana. Para a deputada Sofia Cavedon, a discussão deve ser aprofundada e inserir as escolas. “Deve haver uma discussão pedagógica e não só um amontoamento de alunos”, ressaltou.

A secretária-adjunta Estadual de Educação, Ivana Flores, disse que essa não é a forma de atuação da Seduc e que a Secretaria está fazendo um esforço para identificar as reais dificuldades, para então tomar providências. “O nosso problema é fluxo, reprovação e evasão, por isso posso afirmar que enturmação não é nosso foco agora”, afirmou Ivana.

O diretor do CPERS, Daniel Damiani, considera positivo o resultado da reunião. “A posição da SEDUC é sensata, é muito ruim realizar enturmações em escolas, ainda mais em turmas de Ensino Médio e terceiros anos, na reta final do ano letivo. Ficou muito nítido que se trata de uma ação da 1ª Coordenadoria a qual repudiamos”.

Esta é uma vitória da educação pública estadual. As enturmações, realizadas de forma desorganizada, próximo ao final do ano letivo, são prejudiciais para todos. Perdem alunos, perdem professores e perde a qualidade da educação pública gaúcha. Precisamos de políticas para evitar problemas como a infrequência e a evasão e não de medidas autoritárias e tecnicistas, que tratam estudantes e educadores(as) como números.

“E agora vale para todas as escolas, nenhuma turma à menos!”, comemorou a deputada Sofia Cavedon ao fim da reunião.

“Agradecemos o empenho da deputada Sofia e a grande lição que fica é a da comunidade da Escola Cândido Godoi, a mobilização dos alunos, da equipe diretiva e dos educadores que souberam ir atrás dos seus direitos e da defesa da educação de qualidade, não aceitando qualquer coisa que seja imposta de cima para baixo. É uma vitória da escola democrática e deve servir de lição para as demais”, afirmou Daniel Damiani após a reunião.

Confira algumas das matérias produzidas pelo CPERS denunciando os casos de enturmações recebidos nesse último mês:

Não fecha a minha turma: alunos do Colégio Emílio Massot entregam manifesto ao governo contra enturmação

Colégio Cândido Godói organiza abaixo-assinado contra fechamento de turmas

Estudantes e educadores protestam contra enturmações em frente à 1ª CRE

Comunidade da escola Parobé denuncia enturmação na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa

Cândido Godói manifesta repúdio às enturmações durante visita da 1ª CRE

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Na manhã desta sexta-feira (4), a diretora Sônia Solange Viana representou o CPERS na mesa de abertura do Seminário” O desafio de Garantir o Direito à Educação”, promovido pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa. O encontro iniciou às 9h, no Teatro Dante Barone.

A deputada e presidente da Comissão, Sofia Cavedon, deu as boas-vindas para os presentes e afirmou que o Plano Nacional de Educação está seriamente comprometido, desde a edição da Emenda Constitucional 95, que congelou os recursos federais. Para ela, estas medidas impedem o acesso à educação para grande parte dos brasileiros.

Em alusão ao nome do seminário, a diretora Sônia abordou os desafios colocados ao governador Eduardo Leite com a educação e os educadores. “Hoje o primeiro e grande desafio que esse governo tem é colocar salário em dia. Nós vamos fechar quase quatro anos recebendo atrasado ou parcelado. O segundo desafio é dar o nosso reajuste, que hoje já soma mais de 30% de defasagem. E nessa defasagem não estão computadas as nossas perdas com juros que pagamos do empréstimo que tiramos no Banrisul todos os meses. Estamos em um estado de miserabilidade nunca visto por mim que já estou há 33 anos no serviço público. O Piso Salarial já está com defasagem de 102% aqui no RS”, destaca.

Sônia também falou sobre 46º mês de salários atrasados/parcelados. “Esse mês vai ser o maior atraso, vamos receber a primeira faixa salarial no dia 15 de outubro – Dia do Professor. Estamos achando um deboche. O governo está nos maltratando com requintes de crueldade, quando ele propõe a primeira faixa salaria para dia 15 de outubro. É inadmissível.”

A diretora do CPERS resumiu brevemente os ataques do governo à educação com fechamento de escolas, fechamento de turmas, enturmações e cortes no investimento e completou. “Educação não é gasto, educação é investimento. E quando investimos em educação estamos investindo no futuro do povo brasileiro, do povo gaúcho. Então vamos parar de pensar na educação como gasto, e sim como investimento”, concluiu.

O primeiro painel do seminário foi  “O direito à Educação” o qual reuniu a doutora em educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) professora Vera Peroni, e o doutor em Educação João Batista Saraiva, da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP).

O Seminário segue até às 20h, com a Mesa “Educação é Investimento” com os palestrantes: professor Dr. Ladislau Dowbor (PUC/SP) e a professora Dra. Nalu Farenzena (UFRGS) que ocorre às 14h e a mesa “O desafio da qualidade” com os palestrantes: professor Dr. Dante Henrique Moura (IFRN), professora Dra. Edla Eggert (PUC/RS) e a professora Dra. Sônia Rosa (coordenadora da 27ª CRE/RS).

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Nos dias 06, 07 e 08 de agosto, cerca de 2 mil educadores(as) participam do X Congresso Estadual do CPERS, em Bento Gonçalves, para formular e debater coletivamente os rumos da resistência e orientar os próximos anos da organização sindical.

Os(as) delegados(as) aprovaram a Carta de Bento Gonçalves, documento que sintetiza os anseios da categoria e aponta os rumos para a resistência. Além disso, foram aprovadas seis moções de repúdio e solidariedade.

Confira abaixo o conteúdo de cada uma:

Moção de apoio

Exigimos a imediata liberdade de nosso companheiro Daniel Ruiz

Daniel Ruiz é um reconhecido dirigente sindical petroleiro de Chubut, Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI). Sua prisão é parte da perseguição ao companheiro Sebastián Romero, perseguido pelo governo Macri por defender os aposentados no dia 18 de dezembro.
O governo argentino persegue e prende aqueles que lutam ao lado dos trabalhadores e do povo.
Pedimos o apoio dos congressistas do X Congresso do CPERS para impulsionar a campanha de libertação do Daniel Ruiz.

Bento Gonçalves, 08 de setembro de 2019.
X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato

 

Moção de repúdio e pedido de providências para que o Juiz Sérgio Moro seja investigado pelo STF, conforme determina a Constituição Federal.

A Constituição Federal estabelece claramente o papel do juiz, do promotor e do advogado. São totalmente distintos os seus papéis. Um julga, um acusa e o outro defende. Foi perceptível, desde as primeiras as primeiras audiências com ex-presidente Lula, a posição autoritária, desrespeitosa e sem isenção, próprias de um juiz. Esteve em vários momentos cerceando os trabalhos dos advogados de defesa do ex-presidente (grampeou de forma ilegal os celulares dos advogados de Lula). Comportou-se como acusador e não como um julgador isento. Moro atingiu frontalmente a Constituição Federal quando conduziu coercitivamente o ex-presidente Lula e quando, sem autorização do STF, decidiu grampear o telefone da presidenta Dilma.

Na divulgação dos áudios revelados pelo site The Intercept, o jornalista Glen Greenwald, juntamente com outros jornais, revistas e sites divulgaram fatos que comprovam tudo o que os advogados de defesa de Lula afirmavam: “O juiz Sérgio Moro desrespeitou em vários momentos a Constituição Federal e condenou o presidente Lula sem provas”.

Não há mais dúvidas de que Sérgio Moro, parte do MP e o Congresso corrupto do Cunha, tinham planejado o golpe que começou com o impeachment de Dilma e após a prisão sem provas do ex-presidente Lula para impedir que se elegesse presidente mais uma vez. Moro foi premiado por Bolsonaro e tornou-se Ministro da Justiça.
Queremos que os Congressistas do X Congresso do CPERS/Sindicato, por unanimidade e pela democracia, aprovem esta Moção de Repúdio e um pedido de providências para que o mesmo seja investigado pelo STF.

Bento Gonçalves, 08 de setembro de 2019.

X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato.

 

Moção de repúdio ao governo dos Estados Unidos

Repudiamos o governo dos Estados Unidos no seu intento de implementar o imperialismo sobre nossa América Latina.

Repudiamos o acirramento do bloqueio à Venezuela e a Cuba, a tentativa de desestabilizar a Nicaraguá, a intervenção no Brasil dando sustentação ao golpe de 2016 contra as forças democráticas, permitindo a ascensão de um presidente fascista.

Queremos a América Latina livre e soberana.

Bolivar vive!

Bento Gonçalves, 08 de setembro de 2019.

X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato.

 

Moção de Solidariedade

Nós, educadoras e educadores reunidos no X Congresso do CPERS Sindicato, queremos manifestar nosso pesar e solidariedade aos familiares, amigos e colegas da professora Fabiana Medeiros Gamba, educadora do 22º Núcleo, ex-diretora de escola, ex-coordenadora da 28ª CRE, que foi mais uma vítima do machismo, do feminicídio, da intolerância e da violência que tem permeado às relações entre as pessoas, principalmente contra as mulheres.

Juntos também manifestamos nossa dor e solidariedade a todas as mulheres vítimas do machismo e do feminicídio, que deixam suas famílias, amigos e filhos de forma tão brutal.

Seguiremos lutando por um mundo mais justo para todas e todos.
Nosso abraço fraterno aos familiares.
Por todas nós, Fabiana Presente!
Hoje e sempre!

22º Núcleo CPERS/Sindicato e mais de 1800 educadoras e educadores presentes no X Congresso Estadual do CPERS.

Bento Gonçalves, 08 de setembro de 2019.

X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato.

 

Moção de solidariedade pela paz na Colômbia

O X Congresso do CPERS/Sindicato, com seus 1800 delegados, se solidariza com o Partido Força Alternativa Revolucionária do Comum da Colômbia, e sua heróica luta pela construção da paz com justiça social.

Responsabilizamos o governo da Colômbia pela não implementação do acordo de paz assinado pelas partes, governo e FARC-EP, há três anos, na mesa de negociação de Havana.

Responsabilizamos o governo da Colômbia pelos assassinatos de lideranças dos movimentos sociais e sindicais, que acontecem hoje, como prática de extermínio físico da posição política.

Bento Gonçalves, 08 de setembro de 2019.

X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato.

 

Moção em Defesa da Amazônia

Em um cenário de atos no Brasil e no mundo contra o desmatamento e as queimadas na Amazônia, propomos mais uma discussão com relação à preservação do meio ambiente. É sobre o recorde preocupante que o planeta Terra atingiu, no mês de julho, do ponto máximo de o uso dos recursos naturais que poderiam ser renovados sem custos ao meio ambiente. Esta informação acende um sinal de alerta em todos nós.

Concretamente, podemos afirmar que a humanidade está em débito com o meio ambiente, gastando recursos que já não existem mais. A Amazônia, por exemplo, é o maior ecossistema com diversidade de espécies em deu território e ajuda a regular o clima por causa do estoque de carbono que acumula. Com as queimadas, o carbono é jogado na atmosfera influenciando o aquecimento global. As queimadas na Amazônia não aconteciam dessa forma há 15 anos. Desde sempre a floresta foi explorada por madeireiros e grileiros de terra, visando a extração. Essa situação só irá mudar se mudarmos também o sistema capitalista de produção, que aposta na exaustação dos recursos naturais como forma de garantir sua expansão permanente.

A defesa ao meio ambiente passa necessariamente pela defesa de um outro modelo político e econômico e de um outro modo de produção que não esgote os recursos naturais do planeta. Uma tarefa que se torna ainda mais urgente quando temos um governo liderado por pessoas que negam o conhecimento científico e insistem em propagar que o aquecimento global é uma mentira.

Segundo o geógrafo David Harvey, para se viabilizar economicamente o capitalismo necessita de um crescimento contínuo de pelo mesmo 3% ao ano, e isso só pode ocorrer com a destruição e esgotamento dos recursos naturais. Não é à toa que os Estados Unidos são os campeões em devastação ambiental.
Se toda a população do planeta consumisse nos mesmos patamares que a classe média e alta americana o planeta já estaria destruído. A luta ambiental é, portanto, uma luta anticapitalista.

Bento Gonçalves, 08 de setembro de 2019.

X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato.

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Texto de Luís Eduardo Gomes, do Sul 21

Foram dois dias de diversas atividades promovidas pela comunidade acadêmica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com o objetivo de divulgar a importância da educação superior pública e denunciar os efeitos dos cortes na área promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). Aprovada na última quinta-feira (26) em assembleia conjunta entre professores, técnicos e estudantes, a greve de 48 horas foi encerrada no início da noite desta quinta-feira (3) com uma grande manifestação de estudantes pelas ruas do Centro de Porto Alegre.

A greve na UFRGS começou na quarta-feira (2) com a realização de piquetes e rodas de conversa diante dos prédios das faculdades e institutos da universidade. Durante a tarde, estudantes de diversos cursos ergueram tendas no Largo Glênio Peres o “UFRGS na Rua”, evento que teve o objetivo de reunir estudantes para conversar com a população sobre o que é feito dentro da instituição, apresentar serviços oferecidos à população e alertar para as consequências dos cortes que vêm sendo promovidos pelo governo Bolsonaro para a educação e a produção científica do país. Nesta quinta, novas atividades foram realizadas ao longo do dia e a concentração para o ato foi convocada para o final da tarde.

Por volta das 17h, estudantes começaram a se reunir diante da Faculdade de Educação (Faced), no campus central da UFRGS. Pouco antes das 18h, saíram em caminhada em direção à Esquina Democrática, onde outro grupo de estudantes já se reunia. Quando os dois grupos se uniram, por volta das 18h10, as diversas entidades ali representadas se manifestaram de cima de um caminhão de som posicionado na Esquina.

Graduanda em Matemática e coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS, Ana Paula de Souza dos Santos destaca que a mobilização de 48 horas teve grande adesão da comunidade acadêmica. “A grande maioria dos cursos não teve aula, foi uma paralisação de 90% dos cursos”, estimou. “De fato, a comunidade acadêmica se envolveu, professores, técnicos, estudantes da graduação e da pós, e construiu algo muito importante que é a unidade de todos os setores da universidade presentes em todas as atividades”.

O ato também contou com a participação de entidades representativas de professores, de servidores administrativos e de estudantes da pós-graduação. Presidente do Sindicato Intermunicipal dos Professores de Instituições Federais de Ensino Superior do RS (Adufrgs), Lúcio Olímpio de Carvalho Vieira destacou a unidade entre todas as categorias, mas ponderou que a luta contra o desmonte na educação é longa e precisará de fôlego. “Os estudantes estão na rua defendendo um direito seu, que é o direito à universidade, o direito a institutos federais de educação, é o direito ao estudo, em suma. É isso que está em jogo hoje no Brasil, o direito da população ter acesso a um ensino de qualidade, que é o que as universidades e os institutos federais oferecem. Infelizmente, nós estamos com um governo que quer negar isso à população, quer vender todo o patrimônio brasileiro a empresas privadas que só querem auferir lucro. Portanto, essa luta que os estudantes propuseram nesses dois dias e que conta com o apoio dos professores da UFRGS, da UFCSPA e dos institutos federais é uma luta que deve continuar, é uma luta de longo prazo”, disse.

Vieria acrescentou ainda que, ao movimento de rua, é preciso somar também a busca de apoio de agentes públicos e personalidades que fazem parte do cenário político brasileiro. “Para que eles compreendam que o que a gente faz aqui juntamente com os estudantes é defender o Brasil, não é defender o interesse corporativo. A educação é um direito de todo o cidadão brasileiro, Portanto, é necessário que todos se envolvam nessa luta para que esses quatro anos não sejam quatro anos de destruição daquilo que se conquistou a duras penas ao longo da história brasileira”, afirmou.

Representante na UFRGS do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Elisabete Búrigo saudou o fato de que muitos professores se uniram ao movimento estudantil, seja a partir da assembleia realizada no dia 26 ou posteriormente. “Muitos cursos da UFRGS paralisaram. Em muitos, os professores paralisaram junto com os estudantes, como no IFCH, no Instituto de Letras. Teve unidades como Administração e Matemática, em que os professores paralisaram atendendo a um chamado dos estudantes. Essa iniciativa dos estudantes está sendo muito vibrante e muito importante para a resistência dentro da universidade”, disse.

Búrigo acrescentou ainda que o projeto do governo Bolsonaro para a educação, levado a cabo pelo ministro Abraham Weintraub, o Future-se, busca privatizar a gestão das universidades e que atividades como a greve de 48 horas servem para esclarecer a comunidade acadêmica sobre os possíveis impactos do projeto. “Eles não dizem isso com todas as letras e alguns estudantes e professores ficam iludidos com a ideia de que esse programa poderia trazer mais recursos para a universidade, mas, na verdade, é um projeto de sujeição da universidade à lógica do mercado privado quando coloca as universidades sob gestão das organizações sociais”, afirmou.

Por volta das, 18h30, os manifestantes retomaram a caminhada pelo Centro de Porto Alegre, passando pela avenida Júlio de Castilhos, pelo Túnel da Conceição, até se encerrar nas imediações do campus central da UFRGS.

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“Nós sabemos que pedagogicamente esse não é o caminho, por isso estamos aqui garantindo que em 2019 não ocorrerão enturmações”, essa foi a afirmação do diretor geral da Seduc, Paulo Magalhães, em reunião com representantes do Colégio Estadual Cândido José de Godói, integrantes da direção do CPERS e a deputada Sofia Cavedon (PT) no fim da tarde desta quinta (3).

A direção da escola solicitou a reunião após receber um comunicado da 1ª CRE sobre o fechamento de três turmas – uma de cada ano do Ensino Médio – e a orientação para enturmar os estudantes. No último mês, o CPERS também recebeu diversas denúncias de outras escolas de Porto Alegre que foram notificadas e mostraram preocupação sobre a redução de turmas próximo ao final do ano letivo.

A audiência contou com a presença do diretor da escola, Mário Antônio da Silva, da vice-diretora, Clarice Dal Médico, e do professor de educação física, Guilherme Gil. O CPERS Sindicato foi representado pelos diretores Daniel Damiani e Sônia Solange dos Santos Viana.

Em um primeiro momento, o grupo foi recebido pela assessora da Seduc, Marili Rodrigues, que afirmou que a revisão de turmas está prevista somente para o ano que vem. “Enturmação, não é nem esse o termo que a gente usa, no [Ensino] Médio só em último caso”, afirmou.

A vice-diretora da escola, Clarice Dal Médico, mostrou preocupação com as divergências entre o que é comunicado pela Seduc e o que é orientado pela 1ª CRE. “A gente não sabe o que fazer, a mantenedora nos diz uma coisa e a coordenadoria outra”, disse.

O diretor geral da Secretaria, Paulo Magalhães, garantiu que entrará em contato com a 1ª CRE para orientar quanto ao assunto. “Em outubro não temos como fazer isso. Eles estão antecipando algo que ainda nem existe”, garantiu.

O diretor da escola disse ficar aliviado com a notícia já que a preocupação dos alunos quanto às enturmações era muito grande e inclusive já começava a atrapalhar o aproveitamento pedagógico. “Essa ação seria de uma insensibilidade gigantesca, como tu pode ter uma política de governo que quer prejudicar os alunos?”, indagou Mário.

“Não queremos turmas cheias. A educação não é amontoar e superlotar, é aprimorar”, colocou Sônia Solange Viana. Para a deputada Sofia Cavedon, a discussão deve ser aprofundada e inserir as escolas. “Deve haver uma discussão pedagógica e não só um amontoamento de alunos”, ressaltou.

A secretária-adjunta Estadual de Educação, Ivana Flores, disse que essa não é a forma de atuação da Seduc e que a Secretaria está fazendo um esforço para identificar as reais dificuldades, para então tomar providências. “O nosso problema é fluxo, reprovação e evasão, por isso posso afirmar que enturmação não é nosso foco agora”, afirmou Ivana.

O diretor do CPERS, Daniel Damiani, considera positivo o resultado da reunião. “A posição da SEDUC é sensata, é muito ruim realizar enturmações em escolas, ainda mais em turmas de Ensino Médio e terceiros anos, na reta final do ano letivo. Ficou muito nítido que se trata de uma ação da 1ª Coordenadoria a qual repudiamos”.

Esta é uma vitória da educação pública estadual. As enturmações, realizadas de forma desorganizada, próximo ao final do ano letivo, são prejudiciais para todos. Perdem alunos, perdem professores e perde a qualidade da educação pública gaúcha. Precisamos de políticas para evitar problemas como a infrequência e a evasão e não de medidas autoritárias e tecnicistas, que tratam estudantes e educadores(as) como números.

“E agora vale para todas as escolas, nenhuma turma à menos!”, comemorou a deputada Sofia Cavedon ao fim da reunião.

“Agradecemos o empenho da deputada Sofia e a grande lição que fica é a da comunidade da Escola Cândido Godoi, a mobilização dos alunos, da equipe diretiva e dos educadores que souberam ir atrás dos seus direitos e da defesa da educação de qualidade, não aceitando qualquer coisa que seja imposta de cima para baixo. É uma vitória da escola democrática e deve servir de lição para as demais”, afirmou Daniel Damiani após a reunião.

Confira algumas das matérias produzidas pelo CPERS denunciando os casos de enturmações recebidos nesse último mês:

Não fecha a minha turma: alunos do Colégio Emílio Massot entregam manifesto ao governo contra enturmação

Colégio Cândido Godói organiza abaixo-assinado contra fechamento de turmas

Estudantes e educadores protestam contra enturmações em frente à 1ª CRE

Comunidade da escola Parobé denuncia enturmação na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa

Cândido Godói manifesta repúdio às enturmações durante visita da 1ª CRE

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Estudantes e educadores(as) de oito escolas e cinco cidades do núcleo de Erechim apresentaram, nesta quinta (3), a riqueza e a diversidade dos projeto desenvolvidos na rede estadual.



Trata-se da etapa regional da 4ª Mostra Pedagógica do CPERS, que reuniu participantes de Campinas do Sul, Getúlio Vargas, São Valentim, Quatro Irmãos e Erechim no colégio Haidée Tedesco ao longo da tarde.



O 15º Núcleo sedia pela segunda vez o evento, onde as comunidades escolares têm a oportunidade de apresentar trabalhos de diferentes temáticas. Os mais significativos são classificados para a etapa estadual, que deve ocorrer ainda neste ano em Porto Alegre.





Representantes do núcleo celebraram a maior adesão neste ano. “Os projetos saem da escola e vão a público, elevando o trabalho realizado por professores e alunos”, conta Marisa Inês Betiato, diretora-geral. “O aumento do número de projetos é prova do sucesso da mostra”, complementa.

A professora Simone Elenice Castelan, do Colégio Estadual Ângelo Emílio Grando de Erechim, concorda: “apesar de tudo que enfrentamos, a escola não para de produzir. Nós queremos mostrar o nosso trabalho e este evento é uma oportunidade de valorizar nossos estudantes todos os anos”, avalia.



Rosane Zan, coordenadora do Departamento de Educação do CPERS, pondera que a qualidade dos trabalhos apresentados é reveladora da resistência da escola pública. “Mesmo com todos os ataques, os educadores são apaixonados pelo que fazem e ainda conseguem dar o seu melhor”, afirma.

Além da Escola Agrícola, que apresentou dois trabalhos relacionados à sustentabilidade, participaram da mostra as escolas Rio Toldo, Nossa Senhora da Paz, São Valentim, Joaquim Pedro Salgado Filho e Carlos Leopoldo Reichmann.

Projetos selecionados:

Modalidade: Séries Iniciais
Projeto: Qualificando o processo pedagógico de alfabetização a partir da utilização do laboratório de informática
Escola: E.E. de Ensino Fundamental Joaquim Pedro Salgado Filho
Orientador: Marcia Silva

Modalidade: Series Finais
Projeto: Resíduos Sólidos: o lixo nosso de cada dia
Escola: Escola Estadual de Ensino Fund. Rio Toldo
Orientador: Nelita Fátima Gempka e Walmir Celso Sovernigo

Modalidade: Ensino Médio
Projeto: Tome um café… em conto eu te conto
Escola: Escola Estadual de Ensino Médio Quatro Irmãos
Orientador: Angela Aparecida dos Santos Trierveiler

Modalidade: Educação Profisssional
Projeto: Uso de Embalagens Longa Vida como Isolante Térmico em Pinteiros
Escola: Colégio Agrícola Estadual Angelo Emilio Grando
Orientador:  Simone Elenice Castelan

Colégio Agrícola – Energias alternativas: utilização da fumaça do escape de motores a combustão para geração de energia
Colégio Agrícola – Uso de embalagens Longa Vida como isolante térmico em pinteiros
Escola Rio Toldo – Resíduos sólidos: o lixo nosso de cada dia
Escola Nossa Senhora da Paz – Por um mundo de paz
Escola São Valentim – Dia nacional da consciência negra. Releitura do conto do Negrinho do Pastoreio
Escola Quatro Irmãos – Tome um Café… em conto eu te conto
Escola Joaquim Pedro Salgado Filho – Qualificando o processo pedagógico de alfabetização a partir da utilização do laboratório de informática
Escola Carlos Leopoldo Reichmann

A próxima edição regional da mostra ocorre nesta sexta-feira (4), em Lagoa Vermelha. Confira abaixo o calendário completo das etapas locais.

04/10 – Lagoa Vermelha
09/10 – Caxias do Sul
10/10 – Vacaria
11/10 – Estrela
15/10 – São Gabriel
16/10 – Alegrete
17/10 – Uruguaiana
18/10 – Livramento
22/10 – Bagé
23/10 – Rio Grande
24/10 – Pelotas
25/10 – Camaquã
29/10 – Santiago
30/10 – Santa Maria
31/10 – Cachoeira do Sul
01/11 – Santa Cruz
05/11 – 38º Porto Alegre
05/11 – 39° Porto Alegre
05/11 – Gravataí
06/11 – Canoas
06/11 – Guaíba
07/11 – São Leopoldo
07/11 – Soledade
08/11 – Osório
08/11 – Montenegro
12/11 – Bento Gonçalves
12/11 – Taquara
12/11 – Guaporé


As inscrições continuam abertas. Basta preencher o formulário abaixo:


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“Se o governo apresentar para a Assembleia Legislativa uma proposta para alterar o plano de carreira ou a previdência da categoria, em 72 horas deflagraremos uma forte greve”, afirma a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, destacando a principal decisão dos mais de três mil educadores(as) que participaram da Assembleia Geral do CPERS, realizada na tarde desta sexta-feira (27), em Porto Alegre.

Do contrário, caso o governo não encaminhe os novos ataques, a categoria mantém-se em estado de greve, acumulando forças para exigir reposição salarial e pagamento em dia dos salários e do 13º.

“Nós estamos no nosso limite”, explica Helenir. “Não é possível que nessas condições de miséria, o governo queira retirar mais do nosso contracheque. O que está posto, hoje, é uma reforma previdenciária que prejudicará a todos, inclusive aposentados, e um plano de carreira que vai acabar com os avanços da categoria. Não admitiremos”, conclui.

A construção da greve foi, recentemente, a principal orientação do X Congresso Estadual do CPERS, elaborada na Carta de Bento Gonçalves, em resposta ao arrocho de cinco anos enfrentado pelos trabalhadores(as) da educação.


A presidente do Sindicato também destacou a denúncia realizada pelo CPERS nesta semana, em coletiva de imprensa, sobre a intenção do governador de fechar 2 mil turmas, chegando ao total de 5 mil turmas e 480 escolas desativadas até o final de seu mandato. “A Secretaria de Educação nega esta informação, mas as escolas estão nos procurando para denunciar enturmações, multisseriações e fechamento de turmas. Para nós, o objetivo do governo é claro: enxugar e precarizar para usar a justificativa da privatização”, expôs.

Entre as deliberações da Assembleia, constam também a participação nas atividades de mobilização pela educação nos dias 2 e 3 de outubro, repúdio à implantação de escolas cívico-militares no estado e a realização de um ato estadual no dia do professor, 15 de outubro, com a inauguração de um acampamento na Praça da Matriz com o mote de reajuste salarial.

O conjunto das propostas aprovadas será divulgado na próxima segunda-feira (30). Além da pauta de mobilização, a Assembleia elegeu os representantes do CPERS para a próxima Plenária Intercongressual da CNTE. Ao todo, foram 31 eleitos de acordo a proporção de votos em cada uma das quatro chapas, conforme a relação abaixo:

Chapa 1: 648 votos | 17 representantes
Chapa 2: 281 votos | 8 representantes
Chapa 3: 145 votos | 4 representantes
Chapa 4: 64 votos | 2 representantes

Confira as mobilizações aprovadas:

 

  1. Construir a greve da categoria, discutindo recomposição salarial, 13º salário, pagamento de salário em dia e o não fechamento de turmas. Caso o governo apresente proposta de reformulação do(s) Plano(s) de Carreira e/ou Previdência, deflagrar a greve após 72 horas;
  1. Acompanhar, na Assembleia Legislativa do RS, a tramitação das emendas que buscam na LO 2020(Lei Orçamentária) o Piso Salarial para professores(as) e os mesmos reajustes aos(as) funcionários(as);
  1. Realizar Ato Estadual, no dia 15 de outubro, inaugurando a instalação do Acampamento da Educação na Praça da Matriz, que permanecerá até o final do ano letivo, com a realização de um Ato por mês e calendário de visitas às escolas organizado pelos(as) aposentados(as). O acampamento contará com a participação de 4 Núcleos por semana no sistema de rodízio, com o mote: Reajuste Já!. Realizar ações criativas e diversificadas. Sugestões: um café da manhã com “leite azedo”, um varal do desabafo(frases e depoimentos que resumam os sentimentos e cotidiano da categoria), etc;
  1. Somar-se as atividades de mobilização nos dias 02 e 03 de outubro;
  1. Somar-se as atividades em Defesa da Petrobras no dia 03 de outubro;
  1. Suspender o dia de paralisação mensal e utilizar este dia para realizar atividades de discussão nas escolas, aulas cidadãs, períodos reduzidos, mobilizações no entorno das escolas, etc;
  1. Acompanhar e pressionar nas Audiências Públicas da Subcomissão da Assembleia Legislativa que irão tratar da situação do IPE-Saúde, a implementação da autarquia e a melhoria do atendimento no Estado;
  1. Interceder junto à CNTE para que seja construída com outras Entidades de Servidores Públicos uma Plenária Nacional de emergência com representantes de sindicatos do funcionalismo público municipal e estadual com a finalidade de organizar uma grande luta nacional exigindo a retirada e a derrota da PEC Paralela (PEC Nº 133/2019 – Reforma da Previdência), ainda no Congresso Nacional;
  1. Acrescentar a pauta da Reforma da Previdência: pressão aos Senadores do Estado do RS para votarem contra a PEC 06/2019;
  1. Lutar Contra a Implementação de Escola Cívico-Militar no Rio Grande do Sul;
  1. Realizar Moção de Repúdio à vereadora Claudia Jardim (DEM) pela iniciativa de protocolar uma solicitação de instalação de Escola Cívico-Militar na cidade de Guaíba e todos os demais municípios onde houver este encaminhamento.

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Com pompa e medalha de mérito da Brigada Militar, o secretário Faisal Karam anunciou recentemente a adesão do Rio Grande do Sul ao programa de escolas cívico-militares criado pelo governo Bolsonaro.

Trata-se de mais um aceno do governo Eduardo Leite ao PSL, partido do presidente e do deputado estadual Tenente Coronel Zucco, entusiasta do modelo e autor da proposta.

Sem projetos para atacar os reais problemas da educação,
Leite se curva ao autoritarismo e compromete a autonomia das escolas, a gestão democrática e recursos do Estado em um projeto inútil e demagogo.

O programa institui a presença de oficiais da reserva ou brigadianos reformados no interior das instituições para “resgatar princípios como disciplina, ordem e valorização dos símbolos da pátria”.

Não há problemas em formar fileiras para cantar o hino nacional. Mas o fetiche da disciplina cívica não salvará jovens das drogas ou da violência urbana. Nem elevará o nível de ensino. Lugar de militar é na caserna e de policial é na rua.

Escola é para quem tem formação para educar, não para reprimir.


Foto: CGN / DF

Desvio de função

Além da função “disciplinar” caberá aos militares atuar na área psicossocial, identificando problemas familiares de estudantes e situações que possam “influenciar no aprendizado e convivência”. São atribuições para as quais o oficialato não tem qualquer formação.

Por estudo e experiência, monitoria e supervisão são atividades natas de quem educa.

Trocar o giz pelo coturno é um desrespeito com a categoria. A mensagem por trás do projeto é clara: a culpa da “desordem” e da “indisciplina” é dos professores e funcionários(as).

Alçado do anonimato à cadeira na Assembleia pelo bolsonarismo, Zucco soube surfar a onda do pânico moral e da cruzada contra a educação como poucos.



O militar acredita em fábulas, como a existência de doutrinação ideológica imposta por educadores(as), e já escreveu que “a permissividade em sala de aula está produzindo uma legião de jovens incapazes”.

É mais um expoente da sombria inversão de narrativa que criminaliza quem trabalha no chão da escola, ainda mais cruel quando se considera as condições de miséria da categoria no Rio Grande do Sul.

Com um mentor intelectual desta envergadura, não resta dúvidas de que as escolas “cívico-militares” serão ricas em episódios de censura, ingerência na gestão pedagógica e perseguição aos trabalhadores(as).

Programa onera o Estado

O investimento anunciado pelo governo federal – de R$ 1 milhão por escola – será destinado ao salário dos oficiais da reserva. É o Estado que precisará bancar uniformes e a qualificação dos espaços.

Caso opte por brigadianos reformados, a destinação dos recursos se inverte. Em todo caso, o projeto onera os cofres públicos em um contexto de crise financeira e sucateamento da educação.

Como de costume na gestão Eduardo Leite, há dinheiro para tudo, menos para quem mais precisa.

Critérios escusos

Nesta quarta-feira (2), veio a público o primeiro alvo selecionado para o experimento de militarização. Trata-se da EEEM Alexandre Zattera, de Caxias do Sul.

Estranhamos.

De acordo com o governo federal, com a Seduc e com o próprio deputado Zucco, dois critérios seriam utilizados na definição das escolas: vulnerabilidade social e baixo desempenho no Ideb.

A Alexandre Zattera é uma escola de qualidade acima da média. No índice em questão, está entre as dez melhores instituições estaduais de Caxias. No Rio Grande do Sul, supera a maioria dos educandários.



A vulnerabilidade social é uma característica da maior parte do alunado da rede pública, mas não é especialmente destacada em Caxias, cidade que figura no topo de índices como o IDH e o Idese.

No Atlas da Violência, o município da Serra ocupa a 15ª posição no ranking gaúcho de homicídios.

Por outro lado, a cidade é a que mais votos concedeu ao deputado Zucco, excetuando a capital. Outro dado preocupante: a escola na mira dos militares é conhecida por ter trabalhadores(as) engajados na luta sindical.

Resta saber se haverá diálogo real com a comunidade escolar ou se o modelo será, como sugeriu Bolsonaro, imposto de cima para baixo, à revelia do resultado da consulta.

Em reportagem do Pioneiro, a diretora ilustra – de forma inadvertida – a ineficácia do modelo. Afirma que 10 alunos já foram assaltados a caminho da escola em uma mesma noite.

Ora, é na rua, portanto, que as forças de segurança pública devem estar. Com patrulhamento permanente, fora dos portões da escola e do processo de ensino-aprendizagem.

Miguel Arroyo, professor emérito da UFMG, sintetizou o problema em entrevista recente: “as escolas militares têm bons resultados para formar militares, mas não são os melhores exemplos para formar cidadãos com valores de democracia e de igualdade.”

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Representantes da 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) estiveram na manhã desta quinta (3) no CE Cândido José de Godoi, na capital, para verificar a estrutura da escola e tentar justificar o fechamento de três turmas – uma de cada ano do Ensino Médio – e enturmar os estudantes. No local, o grupo encontrou uma escola organizada e que tem como consenso o repúdio à medida imposta pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

Após conhecer espaços como salas de aula e laboratórios, a coordenadora regional da 1ª CRE, Hilda Liana Silva Diehl, juntamente com os demais integrantes da coordenadoria, reuniu-se com a equipe diretiva e docente da escola. No local, ouviram de professores e estudantes algumas das razões pelas quais a enturmação é extremamente prejudicial à aprendizagem e também as sérias consequências que isso trará como a superlotação de turmas.

O diretor da instituição, Mário Antônio da Silva, entregou aos representantes da CRE um abaixo-assinado sobre a climatização das salas de aula e também um documento oficiado pelo Ministério Público sobre a mesma questão. Segundo ele, na última terça-feira foi realizado um monitoramento das temperaturas nas salas de aula e nos demais ambientes da instituição. “Chegou a 36 graus em uma sala sem nenhum aluno. Considerando que cada corpo humano corresponde a uma lâmpada de 100 wats, imagina o caldeirão que fica com 30 estudantes, por exemplo. Temos situações de alunos e de professores que devido às altas temperaturas vomitam, passam mal, desmaiam”, explicou.

Os estudantes também entregaram um abaixo-assinado em repúdio a enturmação.

Outra preocupação exposta foi a situação dos alunos com necessidades especiais, que deveriam ser atendidos em salas de recursos, espaço que a escola não possui. “Se enturmarem, isso será um sofrimento psicológico muito grande para eles”, expôs o diretor.

“Além do problema de carga horária dos professores, principalmente dos contratados, que terão de se deslocar ainda mais para completar sua carga horária, nós não temos condições de atender turmas com mais de 30 alunos, que já é muito. A preocupação é ainda maior quando se trata dos nossos alunos com necessidades especiais. Não tem como aprenderem dessa forma. Precisaríamos, na verdade, de turmas menores”, explicou a professora de Literatura, Português e Artes, Juliana Terra.

“Não levam em conta nenhum critério pedagógico. Se ocorrer a enturmação teremos turmas superlotadas sem a mínima condição para que isso ocorra, inclusive sem climatização. A qualidade do ensino decai à medida que não se leva em conta que nesta faixa etária há o sentimento de pertencimento ao grupo. Quando se desmancha uma turma o processo de ensino fica extremamente prejudicado”, destaca o professor de História, Rogério Rolim.

A dirigente estadual do CPERS, Sonia Solange Viana, que acompanhou a visita da CRE à escola, destacou que o Sindicato vem acompanhando os inúmeros casos de enturmações e multisseriações que ocorrem em todo o estado. “Temos um mapeamento sobre esta situação. Esperamos que os educadores e os estudantes não sejam ainda mais prejudicados. Não é possível penalizar ainda mais quem já vive uma situação de miserabilidade e descaso”, ressaltou.

Mesmo diante dos apelos, CRE confirma enturmação

Enquanto a reunião ocorria na sala dos professores, os alunos lotaram o saguão da escola e munidos de cartazes que diziam não à enturmação aguardaram a saída dos representantes da CRE.

Ao final da reunião, os representantes do Estado passaram pelo protesto dos estudantes que pediam respeito à educação entoando palavras de ordem como “tem para banqueiro, tem para ladrão, só não tem para a educação”, “eu não quero enturmação porque de cheio já basta o busão”, sem dialogar com nenhum aluno.

“Enturmar, ainda mais agora no final do ano letivo, é um absurdo. Isso pode gerar o desemprego dos professores e turmas superlotadas. Não tem nenhuma condição de lotarem as turmas, passamos muito mal com o calor. Isso sem falar nos colegas com necessidades especiais, pois eles precisam de um grupo fixo para se sentirem seguros”, observou a estudantes do primeiro ano, Mariana Gerard da Silva.

O estudante Pedro Emílio dos Santos passava pelo corredor empurrando um carrinho cheio de maçãs e oferecendo aos colegas como merenda. A função realizada por ele deveria ser feita por uma merendeira, que a escola não tem. “A gente acaba se organizando para ajudar, porque amamos a nossa escola e os professores já estão sobrecarregados”, afirmou.

Além da falta de merendeira a escola está sem secretária e bibliotecário.

Mesmo diante dos relatos de alunos e professores, a coordenadora regional da 1ª CRE confirmou que a enturmação deve ocorrer ainda este ano. “Disse que nos prendermos na questão das altas temperaturas nas salas de aula é um argumento muito fraco para que a enturmação não ocorra”, afirmou o diretor da escola.

No final da tarde desta terça, a direção da instituição deverá reunir-se com representantes da Seduc e da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa em mais uma tentativa de sensibilizar o governo para que a enturmação não se concretize.

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Nesta quarta-feira (2), a comunidade rural de Campestre Alto, São Pedro da Serra, obteve uma vitória na luta para evitar o fechamento da EEEF Guilherme Appel, escola do campo que atende mais de 20 alunos.

Em audiência pública convocada pela Promotoria de Justiça Regional, educadores e moradores da comunidade, acompanhados de lideranças comunitárias e da direção do 14º Núcleo do CPERS, demonstraram contrariedade à intenção de encerrar as atividades.

O CPERS tem denunciado a intensificação do desmonte da rede estadual em localidades rurais. Por ser a referência de socialização, o fechamento de uma escola do campo significa, muitas vezes, a morte da comunidade.

A mobilização levou os representantes do Estado presentes a assumirem o compromisso de pleitear a manutenção da escola junto ao secretário Faisal Karam.

“É um resultado positivo para uma comunidade extremamente participativa e preocupada com o seu futuro e com a garantia de educação de qualidade para os seus filhos”, comenta o diretor-geral do 14º Núcleo, Luiz Henrique Becker.

 

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