“Funcionou precariamente nos primeiros dias, depois piorou a ponto de não conseguir passar um e-mail para a escola, vindo a desaparecer totalmente. Tanto professores como alunos estão com a mesma dificuldade, tendo que se socorrer de uma conexão particular”.

Ana Hahn, da EEEF Vila Cruzeiro do Sul, de Porto Alegre, até tentou utilizar a Internet propagandeada pelo governo, mas após semanas enfrentando diversos problemas, desistiu e contratou outro serviço para realizar suas atividades. 

O governo Leite (PSDB) prometeu acesso à Internet ainda em maio. Demorou mais de um trimestre para liberar o sinal, não forneceu qualquer auxílio neste meio tempo e, agora, paga caro com dinheiro do contribuinte por um serviço que só acessa a plataforma Google Classroom, quando funciona. 

O sinal foi liberado no dia 21 de agosto, através de contrato milionário com as operadoras TIM, Claro, Vivo e Oi. Um mês depois, somente 8% dos estudantes e educadores(as) da rede utilizaram o serviço. Trata-se de um ótimo negócio para as operadoras – e para a Google – e péssimo para a comunidade escolar.

Com 70 mil conexões e um investimento de R$ 8,5 milhões, é o mesmo que pagar R$ 121 por usuário em um plano de internet extremamente limitado, que só acessa um aplicativo. Para fins comparativos, há planos de R$ 99 comercializados pelas mesmas operadoras que oferecerem conexão por fibra, ilimitada e com velocidade de 200 Mega.

Para além da má aplicação de dinheiro público, a limitação do sinal também ignora a autonomia docente para organizar as aulas, que  não incluem a utilização de recursos como vídeos no Youtube e redes sociais.

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Deise Belmonte de Lima, mãe de um aluno do 8° ano da EEEF Onofre Pires, de Porto Alegre, conta que seu filho tentou utilizar o pacote de dados oferecido pelo governo, mas até o momento não conseguiu realizar as atividades publicadas pelos professores. 

“Não abre a página para meus filhos fazerem as atividades. Moramos de aluguel, então fica difícil ter dinheiro para acessar a Internet e os dados móveis não duram o suficiente para fazer todas as atividades”. 

Com 56 meses de salários atrasados e seis anos de congelamento, as dificuldades financeiras também são a norma para educadores(as). A professora Ana, que apresentamos no início da matéria, conta:

“Está bem difícil essa situação toda, estamos gastando mais e estão exigindo o que muitas vezes não temos condições de adquirir com o salário que ganhamos e da forma como chega até nós”.

Para a diretora da escola Onofre Pires, Bruna Ruiz dos Santos, as adversidades não se resumem à conexão ou às restrições de acesso. O cadastro para poder receber a internet já dificulta o alcance. 

“Os problemas vêm desde o cadastro no app Escola RS Estudante. Para acessar, tem que utilizar o login cidadão, mas tem pais que quando vão cadastrar aparece que já são cadastrados e aí não sabem a senha. Não querem trocar porque não sabem no que vai interferir, e a gente também não sabe, nós não recebemos formação sobre isso”.

Além de desconhecer a realidade e as necessidades da comunidade escolar, o governo Leite (PSDB) faz a escolha deliberada de não oferecer condições adequadas de trabalho remoto, pressionando estudantes e professores(as) a voltarem às aulas presenciais. 

Leia também: 

98% dos professores da rede estadual estão trabalhando mais durante a pandemia

Ensino híbrido acirra desigualdades e prepara terreno para demissões e privatização

Educação vigiada: governo entrega dados de 900 mil gaúchos à exploração de multinacionais

A rede estadual de educação não precisa de caridade, mas de investimentos públicos e valorização

Imagem destaque: Álvaro Henrique / Agência Brasil

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Estudantes que compõem a Frente Gaúcha de Juventude em Defesa da Educação realizaram protesto simbólico às portas do Palácio Piratini contra a volta às aulas presenciais no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira (23). A mobilização também ocorreu em frente às Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) em diversas regiões do estado.

As atividades fazem parte do Dia Nacional de Lutas em Defesa da Educação, que registrou atos em todo o país. O CPERS, que através da campanha escolas Fechadas Vidas Preservadas, manifesta-se firmemente contra o retorno presencial das aulas, esteve presente apoiando a iniciativa.

“Nós, professores e funcionários, já deliberamos que não há condições para esse retorno. Pais e alunos também não querem voltar agora. Então, a gente questiona essa decisão do governo”, destacou o diretor do Departamento da Juventude do CPERS, Daniel Damiani.

Ele também chamou atenção para as falhas no plano do governo Eduardo Leite (PSDB), lembrando que o estado de Pernambuco, ao pensar na retomada do ensino presencial, teve como uma das primeiras iniciativas a realização da testagem em massa.

“Aqui nem se fala nisso. Não tem recursos humanos e nem EPIs. Querem a volta de 800 alunos e 50 mil professores e funcionários sem a mínima responsabilidade com suas vidas. Voltar sem testagem é uma grande irresponsabilidade. As juventudes acertam em fazer a denúncia”, observou.

Diversos representantes de entidades estudantis participaram do ato. Em suas falas, os jovens classificaram a atitude do governo como um ato criminoso.

“Os estados que voltaram às aulas, como o Amazonas, já têm mais de mil professores contaminados pelo coronavírus. Isso é um atentado à vida daqueles que estão trabalhando pela educação e a todas as famílias que poderão ter seus filhos infectados e precisam do SUS funcionando para serem atendidos”, frisou Regina Brunet, primeira vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

“Nós também estamos, hoje, em ato nacional, reivindicando uma verba justa para a educação. Bolsonaro colocou no decreto orçamentário uma diminuição de mais de 10% para no orçamento da educação para o próximo ano”, denunciou.

Marcela, da UJC frisou a irresponsabilidade do governo e lembrou dos constantes ataques contra a educação pública. “O governador demonstra que não se preocupa com a saúde da comunidade escolar ao querer reabrir as escolas neste momento. Sofremos mais um ataque que foi o arrombamento da escola Rio Grande do Sul. O governador já vem há meses tentando fechar a escola e a comunidade escolar segue resistindo. Não sairemos da escola até que a vontade da comunidade seja respeitada.”

“Nós, estudantes, vamos lutar junto com os professores para que as aulas presenciais não sejam retomadas. É um absurdo ignorarem os dados que mostram o perigo que isso representa para a vida de todos”, frisou Nicolas Alcântara, do Movimento Fora da Ordem.

Há pesquisas mostrando que crianças e jovens são assintomáticos, mas também os que mais transmitem. As escolas e comunidades periféricas já enfrentam inúmeros desafios e agora o governo quer colocar mais esse”, disse a estudante e produtora cultural, Taís Silva.

“Estamos aqui, mais uma vez, pedindo ao governador que respeito os estudantes e os educadores. Não aceitamos o retorno às aulas porque o governo não apresenta nada eficiente para a nossa segurança”, afirmou Marcos Júnior, vice-presidente da Umespa.

Damiani informou que nesta sexta-feira, dia 25, o CPERS realizará Conselho Geral para deliberar quais os passos para resistir ao retorno às aulas presenciais.

“Não é só uma palavra de ordem dizer que a volta às aulas é um ato criminoso. Nós constatamos nas escolas que não há condições para um retorno seguro. Vamos resistir nos organizando a nível estadual, mas também a partir de cada escola. É importante que cada escola se organize para não retornar, fazer o levantamento da falta de condições e o parecer dos conselhos escolares que não aceitam o retorno”, afirmou.

Intervenção na UFRGS quer acabar com a autonomia da universidade

Giovani Culau, presidente estadual da UJS destacou a falta de diálogo do governo com educadores e estudantes e a crueldade em propor a retomadas das aulas presenciais. “A pandemia escancara as desigualdades que nós enfrentamos. Há inúmeros estudantes sem condições adequadas de estudo. E quando se fala em volta às aulas isso fica ainda mais claro. As escolas públicas padecem com a falta de investimentos, infraestrutura e não têm as condições sanitárias adequadas para o retorno ao ensino presencial”, salientou.

Culau também frisou a absurda interferência do governo Bolsonaro no resultado das eleições para reitor da UFRGS. “Atitude antidemocrática em uma das principais universidades federais do nosso estado. Construímos uma universidade de qualidade para os filhos dos trabalhadores e eles querem desmontá-la. Defender a educação neste momento é defender o Brasil, a ciência, a tecnologia e a democracia.”

Regina endossou a observação feita por Culau quanto a intervenção do governo federal à UFRGS. “É um ataque a autonomia universitária e a democracia. Nós fizemos nossa escolha através do voto e o governo elegeu o último colocado desrespeitando o Conselho Universitária e a comunidade acadêmico”, ressaltou.

Phillipe Almeida, representante do Movimento Eu Defendo a UFRGS ressaltou que a força das universidades públicas ameaçam o governo Bolsonaro. “Essa tentativa de retorno às aulas é criminosa. Falando pelo Movimento sabemos que Bolsonaro sabe que o seu projeto fascista, que já está em curso, corre risco se deixar as universidades independentes e autônomas. Continuaremos resistindo a intervenção.”

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“Mudei minha rotina diária de trabalho faz uns dois meses, pois tive muitos problemas relacionados à ansiedade e ao estresse, inclusive três ataques de pânico, sendo dois em agosto, quando decidi mudar a rotina, mas não sei quais serão as consequências”, esse é o relato da professora de sociologia e história, Estela Simone Rodrigues de Menezes, 43 anos, de Uruguaiana.

Pressão, carga horária imprevisível, estresse, ansiedade e insegurança têm marcado o dia a dia dos trabalhadores(as) em educação durante a pandemia.

Pesquisa realizada pelo CPERS e consolidada pelo Dieese revelou que 98% dos professores(as) estão trabalhando mais do que as horas contratadas e sem qualquer auxílio do Estado.

Estela leciona no IEE Elisa Ferrari Valls e atende cerca de 300 educandos(as), divididos em seis turmas de 3º ano e quatro de 2º ano do Ensino Médio.

De maio a agosto, quando decidiu priorizar a saúde física e mental, a professora conta que trabalhava o dia inteiro, incluindo aos finais de semana, parava somente para dormir e ainda não dava conta da demanda.

“Trabalhava de 10 a 16 horas por dia. Agora decidi trabalhar apenas as 20 horas de minha carga horária. Para isso tive que passar a usar recurso de áudio para os conteúdos e sintetizar e simplificar ao máximo as aulas e as atividades de avaliação”, explica.

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O processo de reorganização e autocuidado de Estela passou por encarar de outra maneira as exigências e a pressão por parte do Estado.

“Não estou acompanhando mais as lives da Secretaria Estadual de Educação, portanto não tenho os atestados de participação das mesmas. Não sei quais serão as consequência. Agora também diminuíram as fichas e planilhas que nos mandam para preencher, mas decidi não preencher nada e não realizar nada que não caiba em minha carga horária”, continua Estela.

Outro dado levantado na pesquisa do Sindicato aponta a dificuldade de conciliar o aumento na carga de trabalho com o cuidado de filhos pequenos, o preparo das refeições, o trabalho doméstico e os cuidados com a saúde.

A educadora confirma. “Os cuidados comigo e com a casa estavam extremamente prejudicados, recém estou pondo aos poucos as coisas em ordem. ”

Governo Leite desrespeita e massacra educadores: “Me sinto esgotada”

Professores e funcionários de escola já amargam quase seis anos sem reajuste salarial e 57 meses de salários parcelados e atrasados, além da redução de direitos em meio à pandemia com a aplicação das mudanças na carreira aprovadas por Eduardo Leite (PSDB.

À ansiedade do período e à necessidade de assegurar o acesso à educação, soma-se a dificuldade de honrar contas básicas como aluguel, luz, e alimentação.

“Me sinto esgotada. Como disse já tive problemas como ansiedade e ataques de pânico. Sempre que o governo apronta mais uma, já fico mal e nem posso ir na psiquiatra com quem faço tratamento porque o IPE não cobre. Nem meu salário dá conta”, desabafa Estela.

A educadora diz que participou da última greve da categoria e os prejuízos financeiros continuam sendo contabilizados até hoje.

“Me foi retirado muito mais de um salário de um mês e ainda não foi reposto, nunca tinha entrado no cheque especial e desde então vivo no limite, além de ter contraído vários empréstimos. Ou seja, vivo pagando os juros desse ataque desse desgoverno que para mim foi terrível tanto financeiramente quanto moralmente”, destaca.

Além de todos ataques, os educadores(as) ainda precisam lidar com o receio de uma possível volta prematura das aulas presenciais proposta pelo governador Eduardo Leite (PSDB).

“É péssimo ter que lidar com as ameaças constantes de retorno às aulas em meio a pandemia, sendo que não temos estrutura nem em tempos normais”, frisa a professora.

Estela critica as imposições do governo relacionadas ao modo de oferecer as aulas remotas, que fere a autonomia docente e a gestão democrática.

“Eu não estou usando, nem vou usar recurso de vídeo, mas tenho medo de ter que enfrentar muito estresse se o governo quiser obrigar especialmente se voltarem às aulas presenciais concomitantemente com as remotas. De momento as atividades síncronas faço por bate-papo nos comentários do mural do Classroom”, explica.

Outro dado preocupante levantando pela pesquisa da entidade é que 40% dos respondentes relataram que não possuem acesso à Internet com a velocidade e estabilidade adequadas para realizar o trabalho a distância.

“A internet do governo, que só chegou agora, é inútil. Só pode ser usada em celular e é paga com o dinheiro público, enquanto ele nos rouba. Para mim isso também é um ataque”, denuncia Estela.

Orientações do CPERS para evitar a sobrecarga

▶️ Nenhum educador(a) deve aceitar trabalhar para além das horas contratadas. Vídeos de formação (letramento digital) são opcionais e devem ser assistidos dentro da carga horária normal. O atendimento de pais e alunos(as) também deve observar este cuidado;

▶️ Caso o educador(a) não tenha condições de realizar aulas síncronas, ou qualquer outra modalidade de aulas remotas – seja por falta de recursos, conexão, equipamentos adequados ou outra situação – deve registrar os motivos e comunicar a direção escolar e a mantenedora;

▶️ Ninguém pode ser obrigado a fazer um trabalho cuja realização depende de condições que a mantenedora não fornece. De acordo com a Secretaria da Educação, a efetividade não será prejudicada desde que o educador(a) justifique suas dificuldades com o trabalho remoto;

 

 

 

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O quarto módulo do Seminário Paulo Freire: Um Olhar Freireano Através da Educação e da Política, promovido pelo Departamento de Educação do CPERS, debateu o sistema e o método de Paulo Freire.

A aula desta terça-feira (22) contou com as presenças da professora Fernanda dos Santos Paulo, da Unoesc, que dedica boa parte de seus estudos e ensinamentos a educação popular e o professor Carlos Rodrigues Brandão, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Estadual de Campinas e membro do Instituto Paulo Freire de São Paulo. 

Além de compartilhar suas vivências ao lado de Paulo Freire, Brandão deu uma aula de simpatia e conhecimento a respeito da educação popular. 

Neste link estão disponíveis os livros do professor Carlos Brandão, que podem ser acessados gratuitamente: www.apartilhadavida.com.br 

O seminário contou ainda com a participação da professora Claudia Regina Mendonça Cardona, da EEEM Tancredo de Almeida Neves, de Alegrete.

Ela apresentou algumas das experiências pedagógicas desenvolvidas na escola e que participaram de várias edições da Mostra Pedagógica do CPERS. 

O quinto e último módulo do seminário vai ser realizado na próxima terça-feira (29), a partir das 10h, com o tema “A Escola dos Meus Sonhos”. A palestra contará com a ilustre presença do professor Moacir Gadotti, fundador e presidente de Honra do Instituto Paulo Freire. 

Gadotti é autor de uma extensa obra, incluindo “Pedagogia da Terra”, “Os Mestres de Rousseau” e “Educar para a Sustentabilidade”, onde desenvolve uma proposta educacional cujos eixos são a formação crítica do educador e a construção da Educação Cidadã numa perspectiva dialética integradora e orientada pelo paradigma da sustentabilidade.

Acompanhe ao vivo nas páginas do CPERS no Facebook, no YouTube ou no Twitter.

Leia também:

▶️ 3º módulo do Seminário Paulo Freire debate a construção de um currículo crítico-libertador

▶️ 2º módulo do Seminário Paulo Freire debate uma educação emancipatória e transformadora

▶️ Para ler o mundo em tempos de exceção: começa o Seminário de Educação Paulo Freire

▶️ Seminário Paulo Freire: um olhar freireano através da educação e da política

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Hoje, 22 de setembro, completa-se um ano do falecimento da professora e ex-presidente do CPERS, Glacy Iolanda Rolim Corrêa.

Glacy presidiu o CPERS de 1979 a 1981, lutando bravamente pelos direitos dos educadores(as) gaúchos. Em sua gestão conduziu duas grandes greves da categoria, incluindo a primeira da história, em 1979, com 13 dias de duração, e a de 1980, com 21 dias.

A educadora nasceu em Santa Maria em 27/06/1932, estudou filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e lecionou a disciplina na IE Dom Diogo de Souza e no IE General Flores da Cunha.

Glacy foi delegada de educação em Porto Alegre, onde participou da elaboração e implantação do Plano de Carreira do Magistério Público Estadual, foi diretora no Colégio Cruzeiro do Sul, assessora da deputada Maria Augusta Feldman e diretora administrativa da Secretaria Municipal da Educação (Smed), na capital.

Apaixonada por filosofia e estudos teosóficos, a professora publicou em 1989 o livro Cabala.

Mas a sua grande paixão eram as artes. Na sua gestão, criou no Sindicato o Salão do Professor, realizando mostras de artes plásticas.

Nosso carinho e solidariedade a familiares e amigos.

Glacy, presente!

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Análise consolidada pelo Dieese da última etapa da consulta Educação e Pandemia no RS – pesquisa por adesão desenvolvida pelo CPERS – identificou que 98% dos professores(as) estão trabalhando mais do que prevê o contrato de trabalho durante a pandemia.

Além da sobrecarga – sem receber qualquer adicional – 40% dos respondentes relataram que não possuem acesso à Internet com a velocidade e estabilidade adequadas para realizar o trabalho a distância.

A pesquisa contou com 3,9 mil respondentes e 2.131 questionários considerados válidos (com CPF e preenchidos até o final) contemplando 872 escolas de 282 municípios.

Nas perguntas descritivas, educadores(as) denunciam o desgaste físico e psicológico, insônia, ansiedade, tristeza e incertezas, ressaltando ainda os salários atrasados, as cobranças da Seduc e a continuidade da retirada de direitos durante a pandemia.

Uma queixa recorrente é a dificuldade de conciliar o aumento na carga de trabalho com o cuidado de filhos pequenos, o preparo das refeições, o trabalho doméstico e os cuidados com a saúde.

Outras dificuldades

Apenas 4,26% dos educadores(as) afirmaram que a quantidade de estudantes que conseguem participar plenamente do ensino remoto emergencial ultrapassa os 80%. Para 45,07%, 30% ou menos dos seus estudantes consegue participar plenamente.

Outras dificuldades apontadas foram a falta de envolvimento/retorno dos alunos (78,8%), a necessidade de responder mães, pais e estudantes fora do horário de trabalho (75,8%), falta de estrutura e equipamentos (52,4%) e falta de orientação e instrução da mantenedora (51,3%).

Requisitados a darem uma nota de 0 a 10 para a organização, clareza e a qualidade das instruções enviadas pela mantenedora para a condução dos trabalhos, 63,5% dos participantes conferiram notas iguais ou menores a 5.

Informações desencontradas, pouco prazo para a execução, planejamento incipiente, desrespeito à gestão democrática e determinações impositivas e descoladas da realidade das escolas foram algumas das críticas captadas à organização do governo do Estado.

Opinião do CPERS

Se, por um lado, os dados atestam o compromisso da categoria com a educação, evidenciam também o descaso do Estado, sua falta de organização e sua inépcia em fornecer condições de trabalho adequadas ao período, além da franca violação dos contratos e a superexploração dos profissionais.

Cabe notar que os equipamentos fornecidos até o momento pelo Estado são em número irrisório e de baixa qualidade. O acesso patrocinado ao Google Classroom também tem se mostrado problemático, com baixa adesão e distante de contemplar as reais necessidades de ensino e aprendizagem.

Os números, no entanto, contrapõem a narrativa de setores que caluniam os profissionais da educação sugerindo que estes não querem voltar às aulas presenciais para “não trabalhar”.

“Apesar da exclusão, apesar do cansaço, da ansiedade, do estresse, apesar do descaso do Estado, dos salários atrasados, do desrespeito e da falta de reconhecimento, nós preferimos viver. A educação escolhe a vida.”, afirma a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

👩🏽‍🏫 Síntese:

▶️ 98% dos professores afiram que estão trabalhando com carga horária superior à contratada

▶️ 40% dos professores informaram que a sua Internet não é suficiente para realizar o trabalho a distância com qualidade

▶️ 18% dos professores responderam que não possuem equipamentos (PC ou notebook) necessários para realizar o trabalho a distância. Destes, 48% estão utilizando equipamentos emprestados. Apenas 1% informou que o empréstimo é da própria escola

▶️ 45,07% dos respondentes indicaram que 30% ou menos consegue participar plenamente das atividades remotas digitais, sendo que apenas 4,2% indicou que 81% ou mais dos alunos estão conseguindo participar plenamente das atividades remotas

▶️ 50% indicaram que pelo menos 30% dos estudantes perderam o contato com a escola e não estão realizando qualquer atividade

▶️ 51,3% apontaram que a falta de orientações e instruções por parte da mantenedora é uma das principais dificuldades no período

▶️ Solicitados a dar uma nota de zero a 10 para a clareza e qualidade das informações por parte do governo do Estado para realizar o trabalho remoto, 63,5% dos participantes conferiram notas iguais ou inferiores a 5

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Na tarde desta segunda-feira (21), a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa realizou um webinário para debater a Agricultura Familiar na Merenda Escolar: Caminhos para a Efetivação.

O debate ocorre após o governo Eduardo Leite (PSDB) gastar R$ 23,9 milhões com cestas básicas de um único fornecedor, ignorando a agricultura familiar e desrespeitando recomendações internacionais.

A deputada Sofia Cavedon, presidente da Comissão, abriu o evento ressaltando a importância de debater a alimentação nestes tempos de pandemia e de seguir as recomendações do Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

“O Rio Grande do Sul não tem conseguido comprar da agricultura familiar, por isso, decidimos promover esse webinário para dar visibilidade aos bons exemplos e apresentar municípios que são referência neste quesito”.

O PNAE, programa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem o objetivo de priorizar agricultores familiares no fornecimento de gêneros alimentícios para serem consumidos por alunos das escolas públicas brasileiras.

Do total dos recursos financeiros repassados pelo FNDE, no âmbito do PNAE, no mínimo 30% devem ser utilizados na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar, priorizando os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas.

Éder Luís Both, prefeito de Chiapeta, apresentou a experiência do município, localizado no noroeste do estado e que atinge as metas do plano nacional.

“Nossa cidade é pequena, mas temos conseguido aplicar boa parte dos recursos na agricultura familiar porque entendemos que é essencial garantir a permanência do homem no campo e a valorização desses trabalhadores pelo município é o único caminho para isso”.

O prefeito apresentou uma série de políticas locais que ajudam o produtor a começar suas atividades e, posteriormente, na distribuição dos produtos através dos programas de alimentação escolar e até na disponibilização de cestas básicas aos servidores públicos municipais.

“Podemos todos chegar nesses números, mas para isso precisamos de uma mudança cultural e uma mudança política, porque investir na agricultura familiar não vai dar tanta visibilidade como uma obra no meio da cidade, mas esse trabalho de formiguinha ajuda para que essas famílias superem o obstáculo inicial e depois voem por conta própria”.

A secretária municipal de meio ambiente e sustentabilidade de São Francisco de Paula, Damiane Maria Boziki, ressaltou que investir na agricultura familiar é também investir na saúde dos alunos das escolas públicas gaúchas.

“Sem a agricultura familiar a qualidade dos alimentos não é tão boa. Investindo, a relação das crianças com o alimento muda, a qualidade da alimentação muda”.

Ismael Horbach, representante da Famurs no webinário, apresentou a cartilha desenvolvida em parceria com outras entidades para orientar compras públicas da agricultura familiar.

“O objetivo do material é valorizar o agricultor familiar e a economia local como ferramenta de trabalho e progresso, além de aproximar os municípios das entidades e produtores. No Rio Grande do Sul existem mais de 100 cooperativas da agricultura familiar, com este número é possível atender plenamente a comercialização institucional em todos os municípios gaúchos”.

Você pode acessar a cartilha completa aqui.

Gervásio Plucinski, presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes/RS), destacou a mobilização da categoria e os passos para a volta da aquisição de produtos das famílias agricultoras para a alimentação escolar no estado.

“Por causa do ocorrido, quando o estado decidiu comprar do atacadão, fizemos todo um movimento com o Ministério Público e conseguimos estabelecer uma mesa com a Seduc. Nos últimos dias foram feitas as chamadas e talvez em breve o estado volte a comprar da agricultura familiar”.

Gervásio ainda ressaltou: “Sabemos que a forma como se compra e de onde se compra, é uma posição política. Vale lembrar que investindo na agricultura familiar, a cooperativa ganha, o produtor local ganha e as crianças também ganham com a melhoria da qualidade dos alimentos”.

Juliano de Sá, presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do RS (CONSEA/RS), lembrou que a pandemia veio para agravar a situação de fome e desemprego no Brasil.

“Temos uma Lei de 2012 que autoriza compras da agricultura familiar e que não está sendo aplicada. Quando o estado compra 200 mil cestas de um atacado, investindo 24 milhões e não compra 1kg de feijão ou de arroz da agricultura familiar, além de não atender as recomendações das organizações internacionais, ele está em desacordo com o guia da alimentação brasileira”.

Ao fim do encontro ficou combinada a formação de um GT para acompanhar a situação e garantir que a agricultura familiar e os produtores locais sejam inclusos nas futuras compras da merenda escolar aos estudantes gaúchos.

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O desmonte das políticas de segurança alimentar iniciado na gestão de Michel Temer (MDB), associado à precarização do trabalho e à queda da renda, colocaram o país de volta no mapa da fome. 

Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise da Segurança Alimentar no Brasil, divulgada na última quinta-feira (17) pelo IBGE, aponta que 84,9 milhões de brasileiros foram atingidos por insegurança alimentar (IA), entre 2017 e 2018.

Nesse período, a IA subiu para 36,7%, o que quer dizer que tem mais brasileiros passando fome ou comendo menos.  Este é o pior resultado desde o início do levantamento.

O percentual vinha registrando queda constante desde 2004, mas voltou subir em 2017.

Dos 68,9 milhões de domicílios do país, 25,3 milhões (36,7%) estavam com algum nível de restrição de acesso à comida.

Conforme a pesquisa, metade das crianças menores de cinco anos (6,5 milhões) viviam em domicílios com algum grau de insegurança alimentar.

Com o governo Bolsonaro, a situação piora.

“Essa realidade degradante anterior à chegada da pandemia revela o abandono e o descaso do governo com as políticas públicas desde 2016 e que se agrava com a chegada de Bolsonaro ao poder”, avalia o Dieese, em nota técnica.

▶️ Leia a íntegra da análise do Dieese aqui.

A disparada dos preços dos alimentos e o rebaixamento do auxílio emergencial para R$ 300, que cobre apenas metade (57%) do valor de uma cesta básica (R$ 528), tendem a levar o índice a níveis recordes neste ano. 

Segundo o Dieese, a política de estoques públicos reguladores de grãos, como arroz e feijão, em momentos como esse, poderia frear as altas e garantir abastecimento.

A criação de políticas de proteção social e de fomento à produção agrícola articulada com o lançamento da Estratégia Fome Zero, a recriação do Consea e a institucionalização da política de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) tiraram o Brasil do Mapa Mundial da Fome, em 2014, segundo relatório global da Organização das Nações Unidas. 

Níveis de insegurança alimentar

Os domicílios podem ser classificados em três níveis de insegurança alimentar: leve, moderado e grave. 

Um domicílio é classificado com insegurança leve quando há preocupação com acesso aos alimentos no futuro e a qualidade da alimentação já está comprometida. 

Nesse contexto, os moradores já assumem estratégias para manter uma quantidade mínima de alimentos disponíveis. Trocar um alimento por outro que esteja mais barato, por exemplo. 

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No segundo nível, de insegurança moderada, os moradores já têm uma quantidade restrita de alimentos. Já a insegurança grave aparece quando os moradores passaram por privação severa no consumo de alimentos, podendo chegar à fome.

Cabe ressaltar que o direito humano à alimentação adequada está fortemente relacionado ao conceito de segurança alimentar e nutricional e é um dos direitos fundamentais da humanidade, sendo contemplado no artigo 25 da Declaração dos Direitos Humanos de 1948, da qual o Brasil é signatário. 

Foto de capa: Tony Winston/Agência Brasília

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Na espiral de acontecimentos absurdos que marcaram o país ao longo do ano, é difícil lembrar. Mas nós não esquecemos.

Em pronunciamento no dia 24 de março, exortando o extermínio do povo brasileiro em rede nacional, o presidente questionou – indignado – “por que fechar escolas?”

É como se perguntasse: por que salvar vidas? Por que proteger crianças, jovens, professores, funcionários e suas famílias? Por que não contaminar o país inteiro? Por que não matar os nossos idosos?

À época, afirmamos: temos um genocida no comando da nação. Em live na noite desta quinta-feira, 17 de setembro, o presidente confirmou sua vocação.

Criticou a atuação de sindicatos que defendem a vida, defendeu a abertura de escolas e desprezou os educadores que estão enfrentando jornadas de trabalho extenuantes, utilizando equipamentos próprios e pagando Internet sem receber um centavo a mais para garantir o direito à educação.

Apesar da exclusão, apesar do cansaço, da ansiedade, do estresse, apesar do descaso do Estado, dos salários atrasados, do desrespeito e da falta de reconhecimento, nós preferimos viver.

Bolsonaro não mudou. Nunca se responsabilizou pelo combate à pandemia, que já custou quase 140 mil vidas. Nunca combateu a exclusão digital. Nunca propôs qualquer política de reestruturação das escolas. Nunca assumiu o posto de presidente.

As escolas da rede pública também não mudaram. Faltam profissionais, faltam recursos financeiros e físicos, faltam testes, falta segurança. Neste cenário, sem vacina é chacina.

Nós, do CPERS, também não mudamos. A luta dos sindicatos é em defesa da escola pública, do direito à educação e por condições de trabalho e valorização profissional. Não fomos e não seremos cúmplices de um crime contra a humanidade.

Outros mudaram.

Convertidos em bolsonaristas tardios, Eduardo Leite, a Fundação Lemann, o Instituto Ayrton Senna e a imprensa hegemônica passaram a defender a abertura das escolas sem qualquer evidência ou vestígio de segurança.

Estes apologistas da morte ignoram o óbvio: a pandemia não está sob controle. Não há país no mundo que tenha retomado as atividades presenciais em condições semelhantes.

Vivemos em um estado e uma nação que desistiram de fazer o seu trabalho e passaram a responsabilizar pais e educadores(as) pela vida do seu povo.

Nós continuaremos fazendo o nosso trabalho, em segurança. Não pagaremos com nosso sangue pela incompetência dos que nos governam. Escolas fechadas, vidas preservadas.

Fora Bolsonaro e todo seu governo!

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Em meio à pandemia, o governo Eduardo Leite (PSDB) e o secretário da educação, Faisal Karam, proibiram a abertura de novas vagas nas modalidades da EJA, NEEJa e cursos técnicos em escolas estaduais.

>> Apoie o abaixo-assinado pelo direito à educação

O CPERS elaborou um formulário para mapear o tamanho da demanda reprimida por inscrições, vagas e matrículas nestas modalidades. Preencha e ajude o Sindicato a defender o direito à educação!

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