“Hoje vamos falar sobre cidadania, uma coisa que o Estado não conhece. O governo deve abrir, e não fechar as escolas. Educação deve ser vista como investimento, não gasto. Como filho de educador e acreditando na escola pública, vamos continuar resistindo”, afirmou Pablo Camuã, professor da EJA noturno e vice-diretor da EEEF Estado do Rio Grande do Sul.

Há um mês ocupada e resistindo às arbitrariedades do governo Eduardo Leite (PSDB), a escola realizou na manhã desta quarta-feira (7) aula pública sobre educação e cidadania.

Educadores(as), pais e estudantes trocaram experiências para fortalecer a luta contra o fechamento da instituição de ensino, que foi arrombada pelo Estado, em clara violação da autonomia e da gestão democrática.

O professor de história Fábio Carrion fez um breve apanhado sobre cidadania e política no mundo e no país destacando a importância de ser cidadão.

“Não deixem o Facebook ou Instagram ensinarem vocês o que é política e o que é ser cidadão. Somos cidadãos antes da nossa profissão, se tu negas a cidadania, está negando a política igualitária, está negando a igualdade para todos”, observou.

O diretor do CPERS, Daniel Damiani, criticou a arbitrariedade do governo em tentar fechar a escola e destacou a resistência da comunidade escolar.

“A comunidade resiste por várias vezes. Aproveitando a pandemia, o governo achou que podia vir aqui arrombar a escola e fechar. Graças à comunidade, que avisou a direção, estamos aqui mostrando a nossa força não aceitando o fechamento dessa escola”, destaca.

Daniel falou do fundador da escola, Leonel Brizola, ressaltando a melhor virtude do político: “O grande marco do governo Brizola foi levar escola para quem não tinha, levar a escola para quem precisa. ”

Daniel destacou ainda que fechar escola e as EJAs é um projeto para acabar com a educação pública.

“Hoje completando um mês de luta e resistência a escola já teve avanços, como a recuperação dos documentos. Não defendemos essa escola somente por ser uma escola, mas porque é um símbolo da resistência.  Não podemos deixar que um governo que arromba escolas saia vencedor. Essa luta é pela democracia. Que valha o que a comunidade quer. Essa experiência de resistência é que vale muito mais do que uma aula dentro da escola”, concluiu Daniel.

“Bolsonaro, Leite e Marchezan, esses governos apostam na ignorância da população. Eles têm medo do conhecimento, pois sabem que quando a população ver a verdade vai se apropriar de novas possibilidades”, disse Rodrigo Nickel, professor e coordenador do Emancipa Porto Alegre.

A vice-diretora do Colégio Estadual Coronel Afonso Emílio Massot, Neiva Lazzarotto, destacou que os três governos – nacional, estadual e municipal – querem educação somente para a elite e ressaltou a grande resistência da escola.

“Vocês são a pedra no sapato deles, lutando e resistindo. Assim como estamos fazendo a resistência para não voltar às aulas. Eles querem colocar nossas crianças e adolescentes em risco”, disse.

Vivian Quiroga, mãe do Adam, estudante do 3º ano do ensino fundamental, diz que está sempre na escola e não aceita o fechamento da instituição.

“É um absurdo total, a comunidade não foi avisada sobre o fechamento da escola e querem nos encaminhar para uma escola que não está preparada para nos receber. É arbitrário e antidemocrático. Não vamos aceitar e vamos resistir”, defendeu a mãe.

A professora de Filosofia e escritora, Atena Beauvoir Roveda, relatou que estudou na escola de 2002 a 2005 e diz se pegar por várias vezes pensando o porquê a escola é tão gostosa. “Ela é efetiva, é a nossa casa.”

Mas a professora destaca que ainda falta empenho e entrega à luta de muitos colegas. “Muitos professores e professoras não estão dispostos à luta. Nós não precisamos das pessoas aqui dentro ou de comida. Precisamos da existência das pessoas aqui lutando pela escola e pela educação pública”, concluiu .

Para Alice Gaier, vice-presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE/RS), o que está ocorrendo é o desmonte da educação pública, mas garante que continuará na ocupação da escola até o final.

“A escola vai permanecer no seu endereço. Não é um playboy como Eduardo Leite e Faisal Karam que vão fechar a nossa escola. Vamos continuar resistindo, vamos continuar aqui porque acreditamos na educação”.

Seduc manda CEEE cortar luz da Rio Grande do Sul 

Durante a atividade, em mais um ato autoritário, a Seduc mandou a CEEE cortar a luz da EEEF Rio Grande do Sul. O funcionário, terceirizado, foi impedido pelos presentes. 

A ocupação pede reforço para a vigília no Centro de Porto Alegre (Rua Washington Luiz, 980), em defesa da escola – considerada de excelência por toda a comunidade.


Após a aula pública, educadores, estudantes e pais seguiram em caminhada até o Palácio Piratini, onde protestaram contra o fechamento da escola.

  

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A Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) reafirmou, nesta terça-feira (6), sua posição contrária ao retorno das aulas presenciais no Estado enquanto não houver segurança aos estudantes e educadores.

A deliberação ocorreu durante a Assembleia Geral Ordinária da entidade, que também definiu por solicitar ao governo que não condicione a volta às atividades à retomada presencial das aulas.

A Federação também destacou a importância de exigir a garantia do cumprimento legal da legislação e dos protocolos, respeitando a decisão contrária de municípios que consideram sua realidade local.

A entidade aponta como solução para o cenário atual a manutenção do ensino remoto e solicita à Secretaria Estadual de Educação (Seduc), um plano para recuperação das aulas a partir da viabilização do retorno das atividades educacionais em todo o Estado.

O reconhecimento e a valorização do trabalho dos educadores(as) também foi pontuado pela entidade.

Decisões aprovadas na Assembleia:

– Reafirmar a orientação de não retornar às atividades escolares enquanto não houver a segurança absoluta para crianças, estudantes e servidores da educação, bem como garantir cumprimento integral da legislação e protocolos, respeitando a decisão contrária de municípios que, de acordo com a sua realidade local, considerarem preenchidos tais requisitos;

– Manter as atividades remotas de ensino conforme vem ocorrendo até o momento, mas solicitando, desde logo, à Secretaria Estadual de Educação, um plano para recuperação das aulas a partir da viabilização do retorno das atividades educacionais em todo o Estado;

– Reconhecer o trabalho dos servidores da educação que, desde o início da pandemia, não tem medido esforços em levar aos estudantes gaúchos as atividades remotas planejadas em cada educandário, mesmo com as dificuldades que o momento impõe a todos nós;

– Solicitar ao Excelentíssimo Senhor Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que não condicione o retorno de nenhuma atividade a eventual retorno presencial das aulas nas cidades gaúchas, sob pena de ferir a autonomia dos municípios e impor aos gestores municipais pressões e responsabilidades que devem ser suportadas pelo Governo do Estado.

A Famurs mantém, como sempre em sua história e especialmente neste momento de dificuldades, a plena disposição para o diálogo e a busca de alternativas e soluções coletivas para os problemas que nos afligem no dia a dia.

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R$ 20,1 bilhões é o que o Rio Grande do Sul deixou de arrecadar em 2019 com renúncias fiscais. É o suficiente para quitar CINCO VEZES o déficit do Estado (de R$ 3,4 bi) ou pagar NOVE folhas integrais do funcionalismo dos três poderes.

Destes, quase metade (R$ 9,8 bi) corresponde a isenções sobre as quais o Estado possui influência legislativa. Em outras palavras, o governo Leite (PSDB) escolhe abrir mão de 21,3% do potencial de arrecadação.

Para fins comparativos, este percentual equivale ao dobro do que concede em isenções o estado de São Paulo.

Trasparência zero

Em informe publicado nesta segunda (5), o Dieese detalha os números e ressalta que as isenções são concedidas sem qualquer transparência sobre suas premissas e impactos econômicos.

>> Leia a íntegra do informe do Dieese aqui

“Quantos empregos geraram? Qual o impacto no desenvolvimento regional? Qual a eficácia econômica dessas medida? Quais são as empresas beneficiadas e em quais quantias?”, questiona o texto.

O documento também observa que o volume de renúncias aumentou em 20,1% entre 2014 e 2019, e que mais benefícios tem sido concedidos a novos e antigos setores já contemplados.

Entre as empresas beneficiadas, constam multinacionais e gigantes como a JBS, sonegadoras contumazes como a Havan e a Madero, um hotel de Gramado cujas diárias custam em média R$ 4 mil (Saint Andrews), a vinícola Galvão Bueno e até a churrascaria Barranco, tradicional restaurante da capital.

Além de imoral em um estado que sequer paga em dia seus trabalhadores(as) e há anos alega enfrentar uma crise fiscal incontornável, a prática pode causar graves lesões ao erário público. Ressalta o Dieese:

“O uso generalizado de incentivos fiscais pode ter consequências desastrosas para as finanças públicas. Distorcem a alocação de recursos, interferem na concorrência e criam oportunidade de corrupção.”

>> Receba notícias do CPERS por Whatsapp

Confira algumas das empresas beneficiadas:

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“Nós, da comunidade escolar, conhecemos a realidade. Não há condições para um retorno seguro. Anos de descaso deixaram a escola pública despreparada para enfrentar esta guerra sanitária”

O 14º Núcleo do CPERS enviou aos prefeitos dos 27 municípios da região ofício cobrando um posicionamento contra o retorno das aulas presenciais na rede estadual. 

O documento elenca oito requisitos para a retomada das aulas, que incluem consulta prévia e debate com a comunidade escolar, fixação de novo calendário baseado na diminuição das curvas de mortalidade e contágio, testagem em massa, disponibilização de vacina e EPIs.

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Na manhã desta terça-feira (6), o núcleo protocolou o pedido junto à prefeitura de São Leopoldo, sendo recebido pelo Secretário Municipal de Educação, Prof Ricardo Fernandes da Luz.

A direção do núcleo deixou claro que não há a menor condição para o retorno das aulas presenciais. Faltam profissionais, faltam recursos físicos e financeiros, faltam equipamentos de proteção, falta organização e capacidade de gestão.

O último Conselho Geral do CPERS deliberou por articular a resistência com prefeitos(as), vereadores(as) e deputados(as) pelo não retorno.

Além da importância da mobilização da comunidade escolar, conclamamos a sociedade a se manifestar em todos os espaços possíveis.

>> Baixe o modelo de Ofício a ser enviado aos prefeitos, vereadores ou candidatos da sua cidade. Clique aqui para baixar.

>> Leia a Carta ao Povo Gaúcho em Defesa da Vida

>> Mobilize-se para a Assembleia Geral Extraordinária do CPERS

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“Se não tiver como testar e rastrear a gente recomenda que não volte”.

Esta foi a declaração de Lucia Pallanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e presidente do Comitê Cientifico de Apoio ao Enfrentamento da Pandemia Covid-19, durante audiência da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do RS, nesta terça-feira (6).

O Comitê, formado por pesquisadores das universidades gaúchas e autoridades científicas de diversas áreas do conhecimento, foi instituído em março pelo Estado para prestar apoio às atividades de enfrentamento à pandemia.

Durante o encontro o 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, apontou que o governo Eduardo Leite (PSDB) está transferindo a sua responsabilidade para os pais, que terão que assinar um termo para que seus filhos voltem a escola, e  para os Comitês Operacionais de Emergência em Saúde (COEs).

“Temos muitas escolas que o COE é formado por pessoas da direção da instituição, pelo porteiro, assistente de limpeza. Como essas pessoas serão responsabilizadas sem ter nenhum conhecimento técnico sobre o assunto?”

Edson ainda lembrou que mais de 150 educadores foram contaminados pela Covid-19 durante os plantões nas escolas e também denunciou a falta de estrutura e recursos humanos das instituições estaduais para seguir o protocolo do governo.

“Nós não temos funcionários para manter a higienização necessária. A nossa preocupação é pela vida, que é o que importa. Temos um governo que em sete meses não fez nada para melhorar as aulas remotas”, declarou.

O professor também criticou que as máscaras e álcool em gel que o governo diz que vai fornecer não são suficientes para a proteção dos educadores(as) ou dos estudantes.

“Quando falamos em máscaras e álcool em gel, isso não significa EPIs para mim. Queremos que o estado invista para que possamos voltar com segurança. Voltar neste momento é uma atitude extremamente irresponsável deste governo”, concluiu.

Vera Maria Lessês, coordenadora do Departamento de Saúde do Trabalhador do Sindicato, destacou que o governo desconsidera o que os pais querem nesse momento.

“Faltam profissionais para o retorno, a questão da comorbidade é muito grande na categoria. O governo desconsidera a pesquisa feita com os pais que acena para o não retorno. Estamos temorosos com a vida dos nossos educadores e estudantes”, afirmou.

Vera também pediu o apoio da comissão para que as aulas não retornem. “O que puderem fazer para nos ajudar para as aulas não retornarem nós agradecemos. Temos a convicta clareza que esse não é o momento certo, temos que ter um declínio considerável do vírus a até mesmo um esforço grande do governo para que tenhamos uma vacina quanto antes”, finalizou.

“Um surto em uma escola pode levar o SUS ao caos”

O Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento da Pandemia Covid-19 recomenda que somente se considere o retorno às atividades presenciais quando houver desaceleração significativa do número de casos, capacidade de rastreamento e testagem de todos os casos novos nas escolas, além de garantia de estruturas para aplicação dos protocolos de segurança necessários.

Lucia Pallanda explica que as crianças apresentam um risco mais baixo de contágio, mas não estão imunes ao vírus.

“Não sabemos se as crianças transmitem mais que adultos, mas sabemos que crianças e jovens circulam mais. O potencial de transmissão para a família é alto. No Rio Grande do Sul tivemos 15 óbitos de crianças. Parece pouco, mas não é. Cada uma dessas mortes é uma vida, é uma família que está sofrendo a perda”, destaca.

A reitora também chama a atenção que dos países que retornaram às aulas, nenhum estava com o nível tão elevado do vírus como estamos.

“Em países que voltaram, teve óbitos de professores e funcionários. Se nós como epidemiologistas pudéssemos escolher, diria para não voltar nesse momento”, afirma.

A epidemiologista frisa que o risco de contaminação para os professores e funcionários é muito grande, já que esses tem contato com muitos estudantes e recomenda que todos usem, além da máscara, o escudo de proteção.

“A gente se pergunta se não tem outra maneira de fazer isso sem colocar toda uma comunidade em risco, em vista que ainda estamos em um nível elevado do vírus. Um surto em uma escola pode levar o SUS ao caos”, observa.

Lucia destaca que não só os grupos de risco estão em perigo, mas todas as pessoas, pois cada organismo reage de um jeito ao vírus.

“Temos casos de pessoas que ficam com o vírus por meses no organismo e muitos assintomáticos. Sabemos que ficar com o vírus por muito tempo afeta o sistema nervoso, perda do paladar e terão mais consequência que ainda não temos conhecimento”, explica.

“Sabemos que a escola é muito mais que conteúdo. Temos que pensar que nesse momento podemos ensinar para nossas crianças como cuidar do próximo, do planeta. Para voltarmos, temos que ter um longo debate com a sociedade. O ano letivo a gente recupera. Cuidar da saúde das crianças e educadores para mim, é prioridade”, conclui a reitora.

Confira aqui a íntegra da nota técnica do Comitê Cientifico da UFCSPA com as considerações sobre a volta às aulas.

Ao fim do encontro, a deputada Sofia Cavedon, presidente da comissão ainda destacou: “O ano letivo está em um ritmo, a gurizada pegando o jeito com as aulas remotas. Há alternativas sim para os nossos estudantes adquirirem conhecimento”.

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No relatório semanal de saúde pública da França, divulgado na quinta-feira, 24 de setembro, 32% dos 899 focos identificados e sob investigação na França referem-se a escolas e universidades. Somente em Paris, 75% vêm de escolas. 

Os focos – chamados de clusters – representam pelo menos três casos confirmados de Covid-19 em um período de sete dias e em pessoas que pertencem à mesma comunidade. 

As crianças e adolescentes franceses retornaram às aulas no dia 1° de setembro em mais de 60 mil instituições em todo o país. Três dias após a volta, 22 escolas tiveram de fechar as portas e nas últimas semanas cerca de 1.000 casos por dia foram registrados nestes ambientes. 

Universidades e escolas são o segundo maior número de clusters na França, depois das empresas públicas e privadas.

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Apesar dos números, o protocolo de saúde foi amenizado nos estabelecimentos de educação na semana passada. Porém, por lá, o governo oferece uma ampla autonomia às escolas para se manterem abertas ou fechar em caso de detecção de alunos, professores ou funcionários com Covid-19.

Em colaboração com a Agência Regional de Saúde, em caso de contágio, é feita a testagem e estabelecida uma lista de pessoas que devem ficar em casa cumprindo a quarentena de 14 dias.

Em maio, a França já havia protagonizado um aumento dos casos ao reabrir parcialmente as escolas e tendo que fechar diversas instituições novamente.

A partir desta segunda-feira (5), Paris e outros três departamentos de sua região metropolitana foram colocados em “alerta máximo” a fim de conter a propagação do coronavírus na região. 

As novas medidas deverão entrar em vigor nesta terça e terão validade de 15 dias. Elas incluirão um novo protocolo sanitário para restaurantes, fechamento de bares e redução no número de estudantes em instituições de ensino.

A segunda onda de propagação de casos de Covid-19 na França, após o retorno das atividades presenciais nas instituições de ensino, é prova que o tema precisa ser tratado com muito mais seriedade e visando a preservação da vida dos estudantes, professores(as) e funcionários(os) acima dos interesses do capital.

Imagem destaque: LP / Olivier Corsan

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Neste domingo (4), Bill de Blasio, o prefeito de Nova York, anunciou que pretende fechar escolas públicas e privadas e restringir o comércio considerado não essencial, a partir de quarta-feira, em nove regiões do Brooklyn e do Queens.

A medida tenta barrar o avanço da pandemia após uma alta de 3% nas taxas de diagnósticos positivos nos últimos sete dias.

Segundo o governador Andrew Cuomo cerca de 20 regiões do estado tiveram uma taxa de resultados positivos neste sábado (3).

Nova York realizou cerca de 110 mil testes do coronavírus no sábado, após um recorde de 134 mil testes no dia anterior.

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Mesmo sem testes, governo Leite insiste em abrir escolas

Após ser um dos maiores epicentros globais, Nova York tornou-se referência no controle à Covid-19 graças a uma política firme de testagem em larga escala da população, com rastreamento dos contatos das pessoas infectadas e rápido isolamento de casos suspeitos.

É o oposto do que ocorre no Rio Grande do Sul, um dos estados que menos realizou testes por habitante no Brasil. Não é preciso ir tão longe para comparar; Manaus reabriu escolas assegurando a testagem contínua de educadores(as).

Aqui, o secretário da educação, Faisal Karam, já disse que é inviável testar a comunidade escolar. Apesar disso, o Estado insiste em abrir as escolas  mesmo sem verbas adequadas, condições estruturais e recursos humanos.

Em recente pesquisa realizada pelo CPERS com mais de 2 mil educadores(as), constatou-se que a Covid-19 já contaminou pelo menos um educador em 142 escolas estaduais, mesmo em regime de plantão e com o fluxo reduzido.

O levantamento também mostrou que mais de 90% das escolas estaduais não têm condições estruturais adequadas para a reabertura. Mais de 70% não recebem em dia os repasses do governo e a maioria sequer conseguiu oferecer máscaras durante os plantões presenciais.

Todas estes dados fortalecem a convicção de que não é possível retornar neste momento. Quem nunca cuidou da escola pública não o fará agora. Nossas vidas importam.

Nesta quinta-feira (8) o CPERS realiza Assembleia Geral online para planejar os próximos passos da mobilização. Veja aqui!

Foto capa: Rafaela Felicciano /Metrópoles

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Desrespeitando anos de luta para garantir a inclusão de estudantes com deficiência, o presidente Jair Bolsonaro assinou, no dia 1º, o decreto 10.502/2020, que trata da Política Nacional de Educação Especial (PNEE), incentivando que estes alunos(as) fiquem em salas separadas dos demais.

A inciativa é um enorme retrocesso nas políticas de inclusão do país e escancara a postura discriminatória e excludente do governo federal.

O texto dá às escolas a possibilidade de não aceitarem alunos de inclusão, retrocedendo em políticas públicas conquistadas e construídas de forma democrática para garantir o direito à educação inclusiva.

A nova PNEE vai contra o exposto no decreto 6.949/09, que promulgou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a Lei 13.146/15, que trata do Estatuto da Pessoa com Deficiência e a Lei 13.005, que aprovou o Plano Nacional de Educação (com destaque para a meta 4 do PNE).

Importante lembrar que o  Plano Nacional de Educação de 2014, que vale por 10 anos, ou seja, até 2024, postula que toda população de 4 a 17 anos com deficiência deve “ter acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados”.

O decreto também não faz referência a parcerias com instituição jurídica sem fins lucrativos, o que indica a prevalência de um projeto privatista para o atendimento escolar e de outras atividades especiais voltadas às pessoas com deficiência no Brasil.

O decreto nº 10502/2020 viola, ainda, a Constituição Federal, a Convenção de Salamanca, a Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, a Lei Brasileira de Inclusão e a Lei 13.005, de 2014.

O CPERS posiciona-se firmemente contra este decreto. Não podemos nos calar diante da arbitrariedade da falta de escuta social, da inconstitucionalidade do ato e do retrocesso que significa o retorno da segregação das pessoas com deficiência para o atendimento exclusivo nos serviços especializados.

Requeremos, desde já, a declaração da inconstitucionalidade do Decreto, sob pena de imensos prejuízos, não só para as pessoas com deficiência, como para todos aqueles que acreditam na construção de uma sociedade justa, diversa, plural e inclusiva.

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Com a fachada interditada e sob risco de desabar a qualquer momento, sem verbas para EPIs e a falta de três professores, duas merendeiras, dois funcionários de limpeza e orientador educacional.

É assim que o governo Leite (PSDB) espera que a escola Osmar da Rocha Grafulha, de Pelotas, abra as portas para receber a comunidade em meio à pandemia.

A realidade da instituição – que atende 887 estudantes em três turnos – é um retrato da rede e do descaso das políticas neoliberais que sucateiam a escola pública no Rio Grande do Sul.

“Com as reformas e as mudanças no Plano de Carreira, muitos professores entraram em processo de aposentadoria para que não perdessem tanto em termos salariais. Nesses últimos meses foram cinco aposentadorias ou reduções de carga horária”, observa o diretor Lucas de Souza Barbosa.

A instituição tem dois funcionários do grupo de risco, uma monitora e uma merendeira, ou seja, neste momento o quadro ficaria somente com uma merendeira para atender os três turnos (887 estudantes).

Cumprir plano de contingência é inviável

Lucas afirma que, com a falta de recursos humanos, não seria possível seguir o plano de contingência proposto pelo governo.

“Precisaríamos de pelo menos mais dois funcionários de limpeza. No momento temos só dois para limpar os pisos, as classes e todas demais superfícies utilizadas em três turnos. Nossa escola é grande, ano passado passamos a maioria do ano com três funcionários e ainda assim era complicado manter tudo limpo entre os três turnos”, observa.

A verba para adquirir os EPIs e materiais de higiene é outra preocupação do diretor.

“Para os plantões compramos álcool gel, luvas e máscaras, mas tudo com a verba da instituição. O governo não disponibilizou nenhum dinheiro a mais para esses gastos”, denuncia Lucas.

“Para o retorno serão necessárias máscaras para todos os alunos, funcionários e professores. Só aí são quase mil máscaras, contando apenas uma por pessoa, que sabemos não ser suficiente”, continua o educador.

O diretor conta, ainda, que a maioria dos pais já informaram que os seus filhos não vão retornar à escola em função do medo da disseminação da Covid-19.

“Os pais entendem que a pandemia ainda não passou e que o retorno às aulas colocaria em risco não só os seus filhos, mas os familiares, já que vários alunos moram com pais mais velhos e avôs que estão no grupo de risco. ”

Como 86% dos educadores(as) – conforme levantamento do CPERS – Lucas não acredita que as atividades presenciais deveriam ser retomadas sem vacina.

“Se as aulas foram canceladas no primeiro momento para impedir a contaminação e agora existem muitos mais casos do que quando as aulas foram canceladas, não faz sentido voltar. Estaremos liderando um retorno até antes da maioria das escolas particulares. Parece que seremos cobaias para ver como funcionará”, argumenta.

Interdição da entrada da escola

A fachada da escola está interditada desde outubro de 2016, devido a risco de desabamento, sustentando-se sobre toras improvisadas.

“Assumi a direção faz pouco mais de um mês e ainda não recebi nenhuma informação sobre o progresso da reforma. Tenho tantas demandas para cumprir que ainda não consegui me informar sobre esta situação”, afirma o diretor.

Devido à situação, a escola precisou se adaptar e mudar o acesso para a avenida Duque de Caxias. Como o portão eletrônico fica distante da entrada, a escola fica aberta para o acesso da comunidade.

“Isso facilita o ingresso de pessoas estranhas que mexem nas bicicletas dos alunos, furtam bolas, fazem arruaça dentro do pátio externo”, diz Lucas.

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Um governo que deixa a escola cair aos pedaços em tempos normais vai cuidar dela em tempos de exceção?

Em março, defendendo pela 1ª vez a suspensão das aulas presenciais, escrevemos que o período “seria uma oportunidade para o governo reorganizar e retomar o ano letivo suprindo as atuais carências da rede estadual.”

À época, levantamento realizado pelo CPERS já demonstrava que faltavam, ao menos, 1,5 mil educadores(as) nos quadros de recursos humanos. Passados sete meses, nada mudou.

Pesquisa mais recente mostrou que mais de 90% das escolas estaduais não têm condições estruturais adequadas para a reabertura. Mais de 70% não recebem em dia os repasses do governo e a maioria sequer conseguiu oferecer máscaras durante os plantões presenciais.

Todas estes dados fortalecem a convicção de que não é possível retornar neste momento. Quem nunca cuidou da escola pública não o fará agora. Nossas vidas importam.

“Achamos prematuro voltar. A única forma de testagem que o governo vai disponibilizar para as escolas é a verificação da febre, quem é assintomático não aparecerá que está contaminado. Parece que o governo trabalha somente com a doença e não com a prevenção. Temos que trabalhar com a prevenção, pois são as nossas vidas que estão em jogo, dos nossos colegas e dos nossos alunos. Não queremos servir de cobaias”, observa a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Nesta quinta-feira (8), o CPERS convoca a categoria para discutir e deliberar as estratégias de luta e resistência em Assembleia Geral. Veja aqui como participar!

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Direções da região de abrangência do 18° Núcleo do CPERS, Santa Cruz do Sul, lançaram nesta sexta-feira (2) uma carta conjunta para alertar a comunidade sobre a situação dramática das escolas e manifestar contrariedade ao retorno presencial.

O documento, assinado por 19 instituições, elenca 15 pontos que preocupam as comunidades, incluindo a falta de equipamentos de proteção, a ausência de materiais e recursos humanos para a limpeza, o atraso nos repasses financeiros e a falta de clareza por parte da mantenedora a respeito dos protocolos.

O ofício também exige que cada escola passe por análise e laudo técnico realizados por autoridades sanitárias competentes, ressaltando que as direções e equipes pedagógicas não podem se responsabilizar pela segurança das instituições.

Dionísio Júlio Beskow, diretor da EEEF Bruno Agnes, explica:

“As escolas não vão conseguir higienizar os espaços, os objetos, assim como determina o protocolo sanitário. Então nós queremos a presença da vigilância sanitária, auxiliando, orientando os gestores. Para trazer um conhecimento mais técnico e com mais segurança pra gente receber aqueles alunos que eventualmente vão voltar. E os professores também, porque nós temos que primeiro preservar as vidas”.

O diretor também ressalta que a maioria dos pais da região já manifestou que não vão mandar os filhos de volta enquanto não houver vacina. 

“O diagnóstico que nós temos na rede estadual aqui em Santa Cruz é que é muito pouco aluno que volta. Não chega a 20%, e aí você coloca toda uma estrutura, uma infraestrutura para receber poucos alunos. É muito dinheiro e ainda por cima mal gasto”.

Leia a íntegra da carta: 

>> Mobilize-se para a Assembleia Geral Extraordinária do CPERS

A resistência vem do chão da escola

Secretário do 18° Núcleo, Elbe Rafael Belardinelli, destaca que a iniciativa do movimento partiu de uma demanda das direções, que se reuniram mediadas pelo Sindicato, escreveram a carta e encaminharam a formação de um fórum local.

“O fórum é formado por inúmeras entidades, sindicatos, conselho da saúde e vereadores. A ideia é a partir desse espaço construir a resistência nos bairros e dialogar com a comunidade, presisonando também no Ministério Público, a Prefeitura e aos órgãos do Estado que são responsáveis pela abertura das escolas. A nossa intenção é não abrir no dia 13”.

Valendo-se da autonomia escolar da gestão democrática, um número crescente de escolas tem construído mecanismos de resistência ao autoritarismo do governo Leite (PSDB).

Nesta sexta-feira, mais de 60 direções de escola da capital convocaram uma coletiva de imprensa no saguão do CE Julio de Castilhos para denunciar a impossibilidade de voltar.

Na quinta, a escola Candido Godói, presente no ato, enviou um ofício às autoridades comunicando a decisão de não retomar as atividades presenciais

No núcleo de Rio Grande, 31 direções acordaram em não assinar o Termo de Conformidade Sanitária exigido pelo Estado.

Em São Leopoldo, corre nas redes da categoria publicação informando a decisão de não voltar do conselho escolar da escola Caic Madezzati.

Na mesma cidade, pela manhã de quinta, a comunidade do IEE Professor Pedro Schneider realizou um ato e colou cartazes na escola, que também ficará fechada por decisão do Conselho.

O último Conselho Geral do CPERS deliberou por incentivar a resistência no chão da escola a partir dos núcleos do CPERS.

Além da importância da mobilização da comunidade escolar, conclamamos a sociedade a se manifestar em todos os espaços possíveis, pressionando vereadores e prefeitos, eleitos ou candidatos, em defesa da vida.

>> Leia a Carta ao Povo Gaúcho em Defesa da Vida

 

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