CPERS – Sindicato dos Professores e Funcionários de escola do Estado do Rio Grande do Sul
Enquanto Eduardo Leite (PSDB) acusa a categoria de não se importar com a educação, a vida continua do lado de fora do luxuoso Palácio Piratini.
“Divido minha mesa de jantar com trabalhos dos alunos, livros, telefone, cadernos, celular e um computador que o uso excessivo estragou. Se não fossem os descontos da greve, poderia ter comprado um computador melhor, um celular também. Tudo que consegui foi acumular dívidas”
Homem, negro e professor de filosofia e sociologia da EEEM Evaristo de Antoni, de Caxias do Sul, Fernando da Silva Lopes perdeu as contas de quantas vezes trabalhou madrugada adentro durante a pandemia.
Ao todo, o educador atende 24 turmas nos três anos do Ensino Médio e de Educação de Jovens e Adulto, somando 562 alunos(as).

Quando se pensa na carga horária de um professor, é um equívoco lembrar apenas das horas letivas.
A interminável rotina inclui preparar aulas para cada ano e disciplina, conteúdos diversificados para alunos especiais, gravar vídeos, preencher planilhas e avaliações, responder estudantes e pais, publicar aulas no Classroom, realizar formações, fechar notas e lançar faltas.
Pesquisa desenvolvida pelo CPERS e consolidada pelo Dieese identificou que 98% dos professores(as) estão trabalhando mais do que prevê o contrato de trabalho durante a pandemia.
No caso de Fernando, ainda é necessário conciliar o trabalho com a segunda graduação – em Geografia -, cuidar da casa e, junto da esposa, auxiliar os filhos nas aulas online: a menina com seis anos, em fase alfabetização, e o rapaz com 12, no 7º ano.
“É um desafio diário, mas estamos perseverando. É preciso lembrar que existe uma logística em nossas casas, como preparar a alimentação, cuidar dos espaços, manter a nossa saúde mental e dos nossos filhos, entre tantas outras coisas”, conta.
Falta de valorização impede dedicação almejada
Apesar da carga extenuante de trabalho, o educador não está satisfeito com o trabalho final entregue para os estudantes.
“É angustiante e causa uma sensação de impotência. Em vez de cuidar da burocracia, gostaria de poder estudar mais e preparar de forma mais aprofundada as aulas, oferecer um atendimento mais exclusivo e individualizado às necessidades dos estudantes. Mais fazer pedagógico, menos preenchimento de papéis”, avalia Fernando.
Além da exclusão inerente ao trabalho digital, o professor precisa lidar com a exclusão ativa realizada pelo governo Leite (PSDB). Na sua escola, a Seduc proibiu as inscrições para a modalidade de EJA.
“É um ato extremamente radical e desonesto, principalmente em um contexto de pandemia. Quando o governo corta esse acesso ao EJA, retira sonhos, mata possibilidades. É um ataque frontal à sociedade. Outro ataque, é sobre a questão das faltas, pois essas impactam diretamente na vida dos estudantes, pois quando ele olhar no aplicativo o número de faltas referente ao primeiro período, dificilmente esse aluno retornará para dar sequência aos estudos. São situações delicadas que se o governo tivesse uma postura diferente, seria mais fácil superarmos esse momento tão difícil da nossa história”, conclui.
Em meio à pandemia, o governo Eduardo Leite (PSDB) proibiu a abertura de novas turmas nas modalidades da EJA, NEEJA e cursos técnicos em escolas estaduais.
São permitidas somente transferências entre turmas e escolas, ou a continuidade dos alunos(as) já existentes.
O CPERS apurou, em consulta a 43 escolas, que ao menos 5,3 mil jovens e adultos terão negado o direito constitucional à educação. Esta é a demanda por novas inscrições relatada pelas instituições pesquisadas.
Desorganização da Seduc custa caro à saúde dos trabalhadores(as)
Para a coordenadora do Departamento de Saúde do Trabalhador, Vera Lessês os ataques de Eduardo Leite coordenados com a pandemia elevam a pressão psicológica e emocional a níveis extremos.
Muitas vezes, as consequências são somatizadas em ataques de pânico, hipertensão e outras enfermidades.
“Não bastassem os salários congelados há praticamente seis anos, parcelados e atrasados, tivemos o desmonte do nosso Plano de Carreira com a retirada de direitos garantidos, apesar da grande mobilização dos educadores. E agora este massacre em plena pandemia”, analisa.
Vera também critica a desorganização da mantenedora, que inúmeras vezes leva ao retrabalho com orientações confusas ou francamente contraditórias.
“É uma burocracia que poderia ser evitada com o mínimo de planejamento. Mas que hoje gera crises de esgotamento, estresse e adoecimento físico e psíquico. É ainda mais cruel pois, sem receber um salário justo, precisamos investir em medicamentos e terapias para dar continuidade à nossa missão com responsabilidade e respeito aos estudantes”, finaliza Vera.
Orientações do CPERS para evitar a sobrecarga
▶️ Nenhum educador(a) deve aceitar trabalhar para além das horas contratadas. Vídeos de formação (letramento digital) são opcionais e devem ser assistidos dentro da carga horária normal. O atendimento de pais e alunos(as) também deve observar este cuidado;
▶️ Caso o educador(a) não tenha condições de realizar aulas síncronas, ou qualquer outra modalidade de aulas remotas – seja por falta de recursos, conexão, equipamentos adequados ou outra situação – deve registrar os motivos e comunicar a direção escolar e a mantenedora;
▶️ Ninguém pode ser obrigado a fazer um trabalho cuja realização depende de condições que a mantenedora não fornece. De acordo com a Secretaria da Educação, a efetividade não será prejudicada desde que o educador(a) justifique suas dificuldades com o trabalho remoto.
Em meio à pandemia, o governo Eduardo Leite (PSDB) proibiu a abertura de novas turmas nas modalidades da EJA, NEEJA e cursos técnicos em escolas estaduais.
São permitidas somente transferências entre turmas e escolas, ou a continuidade dos alunos(as) já existentes.
O CPERS apurou, em consulta a 43 escolas, que ao menos 5,3 mil jovens e adultos terão negado o direito constitucional à educação. Esta é a demanda por novas inscrições relatada pelas instituições pesquisadas.
Cabe lembrar que trata-se de um público, via de regra, de baixa renda e em situação de vulnerabilidade agravada pela pandemia.
Dados do Censo Escolar, analisados pelo Dieese, demonstram que o enxugamento da EJA é uma tendência: entre 2017 e 2019, mais de 25,2 mil vagas foram extintas no Rio Grande do Sul. Destas, 88% (22,2 mil) são da rede estadual.
Enquanto isso, a PNAD Contínua 2019, divulgada pelo IBGE, constata que mais da metade (51,2%) dos adultos não concluiu o Ensino Médio no país.
Além da exclusão
A não liberação de matrículas também reduz carga horária de professores(as), deixa contratados(as) à margem do desemprego e faz com que trabalhadores(as) sejam remanejados para outras escolas sem qualquer organização prévia.
Trata-se de mais um passo rumo à privatização da escola pública, reduzindo a oferta gratuita e abrindo espaço para o ensino privado.
O CPERS lançou um abaixo-assinado que já conta com 5,7 mil apoiadores(as) reivindicando o fim da exclusão e a reabertura de vagas em todas as modalidades; por uma educação pública gratuita, inclusiva, de qualidade e socialmente referenciada.
Síntese
43 escolas consultadas
2.023 inscrições de EJA negadas
900 inscrições em Neejas negadas
2.445 inscrições em cursos técnicos negadas
Na tarde desta quinta-feira (24), o Departamento de Funcionários(as) de Escola do CPERS promoveu o 13° Encontro Virtual dos Funcionários(as) com participação dos agentes educacionais do 4° Núcleo (Cachoeira do Sul) e do 18° Núcleo (Santa Cruz do Sul).
Volta às aulas, pandemia, alterações com as reformas de Eduardo Leite (PSDB) e a conjuntura estadual e federal nortearam o debate.

A diretora do departamento, Sônia Solange Viana, abriu o encontro evidenciando os árduos tempos que estamos vivendo.
“Vivemos um momento muito preocupante em nosso país, com um presidente que está destruindo o meio ambiente, que vai na ONU e faz um discurso mentiroso dizendo que está tudo bem, que está fazendo uma reforma administrativa e atacando os servidores públicos e nesse processo ainda nos encontramos em isolamento social”.
Sônia ainda destacou que é preciso união e muita luta contra o retorno das aulas presenciais. “O Leite transfere a responsabilidade para os prefeitos, transfere a responsabilidade para as escolas através dos COEs. Nós precisamos alertar as direções que quem assina a liberação pode estar se responsabilizando pelos casos que ocorrerem nas escolas”.

Solange Carvalho, 1ª vice-presidente do CPERS, apontou a importância dos encontros virtuais na luta contra Eduardo Leite (PSDB).
“Essas reuniões nos fortalecem para resistirmos a essa loucura do governador de querer retomar às aulas. Precisamos nos manter firmes e lutar por nossas vidas”.

O 2° vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, que também integra o Departamento de Funcionários(as) de Escola do Sindicato, reforçou a importância da informação para manter a luta.
“Esse é o 13° encontro de uma série de reuniões onde o objetivo é que todos façam suas perguntas e esclareceram suas dúvidas para que possamos resistir nestes tempos tão difíceis. Estamos com hospitais lotados, nossa luta não pode cessar agora”.

Candida Beatriz Rossetto, secretária-geral do CPERS, conclamou os presentes para se somarem nas lutas contra os governos que constantemente atacam a educação.
“Os desafios são grandes, com governos estadual e federal nos atacando diuturnamente. Precisamos transformar tudo isso em indignação para fazermos a resistência e derrotarmos esses governantes”.

Para Jucemar Gonçalves da Costa, diretor do 4° Núcleo (Cachoeira do Sul), encontros como o de hoje são uma ótima oportunidade para que a categoria tire suas dúvidas e se mantenha informada durante o isolamento.
“Diante dessa pandemia são importantes esses momentos, mesmo que virtuais. São seis anos de salários atrasados, parcelados e agora essa ameaça de retorno das aulas. Precisamos estar informados e nos manter unidos”.

A diretora em exercício do 18° Núcleo (Santa Cruz do Sul), Sandra Maria Lemos dos Santos, relatou a preocupação que tem percebido nos educadores da região.
“A gente sente uma grande angústia dos funcionários que não tiveram escolha e estão na trincheira da Covid, nos plantões que estão acontecendo e se expondo à contaminação”.
Conjuntura estadual e federal
A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, ressaltou que no último Conselho Geral da entidade foi tirada a insígnia do Fora Bolsonaro e, consequentemente, muitos dizem que o CPERS se partidarizou.
“Percebi muitas pessoas indignadas, por isso vou justificar o porquê da decisão. Em 2019, o Bolsonaro instituiu a Emenda Constitucional 103, que permitiu que os aposentados voltassem a contribuir com a Previdência, o que levou o Leite a se aproveitar e fazer o mesmo aqui no Estado. Ele também estabeleceu o PL 73 proibindo o reajuste por dois anos dos servidores públicos, sendo que já estamos há seis anos com os salários congelados. Isso tudo é graças ao Bolsonaro e seu governo”.
Helenir também destacou o novo projeto do presidente que coloca em risco o futuro dos servidores: “Ele agora quer fazer uma Reforma Administrativa que pode acabar com a estabilidade e substituir concursados por apadrinhados políticos”.

Voltas às aulas
A proposta de retorno das aulas presenciais foi tema central do encontro e é um dos principais pontos do atual debate da categoria.
Em recente pesquisa realizada pelo CPERS, 142 escolas de 76 cidades apresentaram casos de infecção durante os plantões.
“Nossas escolas se transformarão em um espaço de transmissão da Covid. Não podemos retornar enquanto não tivermos testagem em massa, EPIs suficientes e a vacina que nos dará garantia de vida. Precisamos nos preparar para o embate porque vamos precisar resistir muito para evitar uma tragédia”, frisou a presidente Helenir.

O advogado Marcelo Fagundes, representando a assessoria jurídica do CPERS, pediu atenção à questão dos COEs: “Estamos orientando os diretores para que não assinem a liberação da escola. O Ministério Público já disse que quem tem que declarar as condições sanitárias é um agente de saúde, não a direção”.
Informes jurídicos
Durante o encontro, o advogado Marcelo respondeu dúvidas dos funcionários(as) sobre os mais diversos temas que resumimos abaixo.
– Aposentadoria: foram apresentados alguns exemplos, mas Marcelo ressaltou que devido à complexidade do tema é preciso analisar caso a caso. Para isso, os associados do CPERS podem entrar em contato diretamente pelo WhatsApp Business do jurídico no telefone (51) 3073.7538 ou através de encontros virtuais com os advogados que atendem os núcleos. Aqui você encontra todos os contatos.
– Desconto de greve: o TJ marcou para o próximo dia 28 o julgamento do recurso do corte de ponto da greve da educação. Marcelo ressaltou que o CPERS lutará para que seja feita justiça pelos educadores que cumpriram a sua parte e recuperaram as aulas da greve.
– Desconto dos Aposentados: o CPERS entrou com a ADIn, que foi favorável aos aposentados(as), mas o Estado recorreu em Brasília. O julgamento será realizado tanto no STF quanto no TJ.
Atendimento do IPE Saúde durante a pandemia
A diretora do Departamento de Saúde do Trabalhador(a), Vera Lessês, ficou responsável por apresentar as informações referentes ao atendimento e as mudanças no IPE Saúde durante a pandemia.

Vera destacou a constante luta do CPERS contra a política de desmonte da entidade iniciada no governo Sartori (MDB) e continuada por Leite (PSDB). “O IPE Saúde, nos moldes que ele se apresenta hoje, é resultado de muita luta para que ele não seja totalmente sucateado”.
Dentre os principais pontos apresentados pela diretora estão os atendimentos presenciais que seguem suspensos, a realização de exames de Covid-19 e os descontos do PAC e do Pames. Confira um resumo:
– Testes do Covid: os exames de detecção do vírus são válidos apenas para solicitações por médicos credenciados e em casos de internação hospitalar, tratamento ambulatorial ou pronto atendimento.
– Tele-consultas: durante a pandemia, as consultas pelo IPE Saúde estão sendo realizadas por telemedicina no site da entidade, sem custo adicional. Se houver necessidade, os profissionais também atendem presencialmente.
– PAC e Pames: por um equívoco da PROSSERGS, o desconto do reajuste do Plano de Assistência Médica Complementar (PAC) e do Plano de Assistência Médica Suplementar (Pames) não foi efetuado. Usuários com margem não foram descontados em maio e tiveram o valor dobrado no mês seguinte. Os demais, podem ter o desconto parcelado para os próximos meses.
– Atualização de dados: o IPE está solicitando que cada segurado e dependente atualize seus dados online, informando o número de celular e e-mail para evitar fraudes. Com a medida, o usuário é notificado a cada consulta médica.
– Cartilha online: O IPE Saúde disponibilizou um material que reúne as principais informações de interesse dos usuários, com tópicos, ilustrações e links que direcionam para o local adequado no site. Confira aqui o material.
▶ Receba notícias do CPERS por whatsapp
O Departamento de Funcionários de Escola do CPERS promove ainda mais dois encontros virtuais, confira as datas abaixo e contate o seu núcleo para participar:
Grupo 14
Núcleos: 38º Porto Alegre – Canoas – Taquara – Montenegro
Data: 1º de outubro (5ª feira)
Horário: 14h

Grupo 15
Núcleos: 39º Porto Alegre – São Leopoldo – Gravataí – Osório
Data: 8 de outubro (5ª feira)
Horário: 14h








O governo Leite (PSDB) não dá paz para a escola pública.
Após lutar por quatro anos contra o fechamento do turno da tarde, a EEEF Balbino Pereira, de Erval Seco, descobriu pelo sistema de controle de matrículas que o Estado cadastrou somente três turmas no ISE, juntando estudantes do 1º, 2º e 3º, 4º, 5º e 6º, e 7º, 8º e 9º anos.
“Qual professor na mesma sala de aula vai ter condições de trabalhar com três turmas de séries diferentes? Eles querem nos matar à míngua mesmo”, desabafa a coordenadora pedagógica e professora Tatiana Bossler.

Com a mudança, a escola que já trabalhava com turmas multisseriadas – uma especificidade das instituições do campo – perderá o turno da tarde, apesar da contrariedade de pais, educadores(as) e estudantes.
Nos registros da 20ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), o turno foi fechado no início do ano letivo. Mas a instituição resistiu.
A comunidade escolar participou de audiências, fez abaixo-assinado e oficiou documento junto à coordenadoria e ao Ministério Público. Em gesto de coragem, continuou a atender o turno da tarde.
A Balbino, que a duras penas busca manter o padrão de excelência pela qual é conhecida, agora se vê obrigada a colocar quase 40 alunos de diferentes etapas em uma mesma sala de aula.
Enxugar para fechar
A política de enxugamento das turmas leva à descontinuidade pedagógica, desmotiva estudantes e pode agravar a evasão escolar. É uma forma de acelerar o fechamento da instituição, como tem ocorrido em diversas escolas rurais.
“Entramos em contato com a Seduc e a CRE, mas não tivemos retorno. Nós pedimos que deixassem pelo menos do jeito que a gente estava trabalhando. Sabemos que não temos tantos alunos. Não são só números. São pessoas. Não aguentamos mais tudo isso”, revela Tatiana.

De acordo com o diretor da instituição, Gabriel Figueiredo, além de se negar a ouvir a comunidade, a coordenadoria não estabeleceu nenhum critério para fechar o turno.
“As escolas do campo estão amparadas no estatuto que não permite o fechamento de turno pelo número reduzido de alunos, e sim preza pela qualidade e pela educação de excelência no campo. É incoerente o que a CRE fez com a gente alegando a quantidade limitada de alunos”, afirma.
Com o fechamento do turno, a instituição teve que desativar a biblioteca para transformá-la em sala de aula. Impossibilitado de lecionar por ter tido sequelas de um AVC, o professor Delmar da Rosa trabalhava no local.
Agora, no entanto, mesmo com problemas na fala e em estado de depressão, está sendo obrigado pela coordenadoria a voltar.

“A Seduc quer que ele volte para a sala de aula. A gente não pode aceitar. Ele é do grupo de risco. Como terá condições de dar aula para várias turmas ao mesmo tempo?”, questiona Sueli da Rosa, esposa do professor Delmar.
O brutal enxugamento imposto pelo governo Leite não apenas onera profissionais, mas sufoca a qualidade da educação, desestrutura a organização pedagógica e, em última instância, prejudica o aprendizado.
“Não podemos aceitar que fechem o nosso turno. Precisamos prezar por um ensino de qualidade. Trabalhamos com filhos de agricultores, eles também merecem uma educação qualificada”, conclui o diretor Gabriel Figueiredo.
Saiba como receber notícias do CPERS por Whatsapp
Defenda sua escola
Se a sua escola está na mira do governo para fechamento de turmas e turnos, fim do EJA, enturmação ou multisseriação, mobilize-se!
Procure o CPERS, siga as orientações e defenda a sua escola!

“Funcionou precariamente nos primeiros dias, depois piorou a ponto de não conseguir passar um e-mail para a escola, vindo a desaparecer totalmente. Tanto professores como alunos estão com a mesma dificuldade, tendo que se socorrer de uma conexão particular”.
Ana Hahn, da EEEF Vila Cruzeiro do Sul, de Porto Alegre, até tentou utilizar a Internet propagandeada pelo governo, mas após semanas enfrentando diversos problemas, desistiu e contratou outro serviço para realizar suas atividades.
O governo Leite (PSDB) prometeu acesso à Internet ainda em maio. Demorou mais de um trimestre para liberar o sinal, não forneceu qualquer auxílio neste meio tempo e, agora, paga caro com dinheiro do contribuinte por um serviço que só acessa a plataforma Google Classroom, quando funciona.
O sinal foi liberado no dia 21 de agosto, através de contrato milionário com as operadoras TIM, Claro, Vivo e Oi. Um mês depois, somente 8% dos estudantes e educadores(as) da rede utilizaram o serviço. Trata-se de um ótimo negócio para as operadoras – e para a Google – e péssimo para a comunidade escolar.
Com 70 mil conexões e um investimento de R$ 8,5 milhões, é o mesmo que pagar R$ 121 por usuário em um plano de internet extremamente limitado, que só acessa um aplicativo. Para fins comparativos, há planos de R$ 99 comercializados pelas mesmas operadoras que oferecerem conexão por fibra, ilimitada e com velocidade de 200 Mega.
Para além da má aplicação de dinheiro público, a limitação do sinal também ignora a autonomia docente para organizar as aulas, que não incluem a utilização de recursos como vídeos no Youtube e redes sociais.
▶ Receba notícias do CPERS por whatsapp

Deise Belmonte de Lima, mãe de um aluno do 8° ano da EEEF Onofre Pires, de Porto Alegre, conta que seu filho tentou utilizar o pacote de dados oferecido pelo governo, mas até o momento não conseguiu realizar as atividades publicadas pelos professores.
“Não abre a página para meus filhos fazerem as atividades. Moramos de aluguel, então fica difícil ter dinheiro para acessar a Internet e os dados móveis não duram o suficiente para fazer todas as atividades”.

Com 56 meses de salários atrasados e seis anos de congelamento, as dificuldades financeiras também são a norma para educadores(as). A professora Ana, que apresentamos no início da matéria, conta:
“Está bem difícil essa situação toda, estamos gastando mais e estão exigindo o que muitas vezes não temos condições de adquirir com o salário que ganhamos e da forma como chega até nós”.

Para a diretora da escola Onofre Pires, Bruna Ruiz dos Santos, as adversidades não se resumem à conexão ou às restrições de acesso. O cadastro para poder receber a internet já dificulta o alcance.
“Os problemas vêm desde o cadastro no app Escola RS Estudante. Para acessar, tem que utilizar o login cidadão, mas tem pais que quando vão cadastrar aparece que já são cadastrados e aí não sabem a senha. Não querem trocar porque não sabem no que vai interferir, e a gente também não sabe, nós não recebemos formação sobre isso”.
Além de desconhecer a realidade e as necessidades da comunidade escolar, o governo Leite (PSDB) faz a escolha deliberada de não oferecer condições adequadas de trabalho remoto, pressionando estudantes e professores(as) a voltarem às aulas presenciais.
Leia também:
▶ 98% dos professores da rede estadual estão trabalhando mais durante a pandemia
▶ Ensino híbrido acirra desigualdades e prepara terreno para demissões e privatização
▶ Educação vigiada: governo entrega dados de 900 mil gaúchos à exploração de multinacionais
▶ A rede estadual de educação não precisa de caridade, mas de investimentos públicos e valorização
Imagem destaque: Álvaro Henrique / Agência Brasil
Estudantes que compõem a Frente Gaúcha de Juventude em Defesa da Educação realizaram protesto simbólico às portas do Palácio Piratini contra a volta às aulas presenciais no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira (23). A mobilização também ocorreu em frente às Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) em diversas regiões do estado.
As atividades fazem parte do Dia Nacional de Lutas em Defesa da Educação, que registrou atos em todo o país. O CPERS, que através da campanha escolas Fechadas Vidas Preservadas, manifesta-se firmemente contra o retorno presencial das aulas, esteve presente apoiando a iniciativa.
“Nós, professores e funcionários, já deliberamos que não há condições para esse retorno. Pais e alunos também não querem voltar agora. Então, a gente questiona essa decisão do governo”, destacou o diretor do Departamento da Juventude do CPERS, Daniel Damiani.
Ele também chamou atenção para as falhas no plano do governo Eduardo Leite (PSDB), lembrando que o estado de Pernambuco, ao pensar na retomada do ensino presencial, teve como uma das primeiras iniciativas a realização da testagem em massa.
“Aqui nem se fala nisso. Não tem recursos humanos e nem EPIs. Querem a volta de 800 alunos e 50 mil professores e funcionários sem a mínima responsabilidade com suas vidas. Voltar sem testagem é uma grande irresponsabilidade. As juventudes acertam em fazer a denúncia”, observou.
Diversos representantes de entidades estudantis participaram do ato. Em suas falas, os jovens classificaram a atitude do governo como um ato criminoso.
“Os estados que voltaram às aulas, como o Amazonas, já têm mais de mil professores contaminados pelo coronavírus. Isso é um atentado à vida daqueles que estão trabalhando pela educação e a todas as famílias que poderão ter seus filhos infectados e precisam do SUS funcionando para serem atendidos”, frisou Regina Brunet, primeira vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
“Nós também estamos, hoje, em ato nacional, reivindicando uma verba justa para a educação. Bolsonaro colocou no decreto orçamentário uma diminuição de mais de 10% para no orçamento da educação para o próximo ano”, denunciou.
Marcela, da UJC frisou a irresponsabilidade do governo e lembrou dos constantes ataques contra a educação pública. “O governador demonstra que não se preocupa com a saúde da comunidade escolar ao querer reabrir as escolas neste momento. Sofremos mais um ataque que foi o arrombamento da escola Rio Grande do Sul. O governador já vem há meses tentando fechar a escola e a comunidade escolar segue resistindo. Não sairemos da escola até que a vontade da comunidade seja respeitada.”
“Nós, estudantes, vamos lutar junto com os professores para que as aulas presenciais não sejam retomadas. É um absurdo ignorarem os dados que mostram o perigo que isso representa para a vida de todos”, frisou Nicolas Alcântara, do Movimento Fora da Ordem.
Há pesquisas mostrando que crianças e jovens são assintomáticos, mas também os que mais transmitem. As escolas e comunidades periféricas já enfrentam inúmeros desafios e agora o governo quer colocar mais esse”, disse a estudante e produtora cultural, Taís Silva.
“Estamos aqui, mais uma vez, pedindo ao governador que respeito os estudantes e os educadores. Não aceitamos o retorno às aulas porque o governo não apresenta nada eficiente para a nossa segurança”, afirmou Marcos Júnior, vice-presidente da Umespa.
Damiani informou que nesta sexta-feira, dia 25, o CPERS realizará Conselho Geral para deliberar quais os passos para resistir ao retorno às aulas presenciais.
“Não é só uma palavra de ordem dizer que a volta às aulas é um ato criminoso. Nós constatamos nas escolas que não há condições para um retorno seguro. Vamos resistir nos organizando a nível estadual, mas também a partir de cada escola. É importante que cada escola se organize para não retornar, fazer o levantamento da falta de condições e o parecer dos conselhos escolares que não aceitam o retorno”, afirmou.
Intervenção na UFRGS quer acabar com a autonomia da universidade
Giovani Culau, presidente estadual da UJS destacou a falta de diálogo do governo com educadores e estudantes e a crueldade em propor a retomadas das aulas presenciais. “A pandemia escancara as desigualdades que nós enfrentamos. Há inúmeros estudantes sem condições adequadas de estudo. E quando se fala em volta às aulas isso fica ainda mais claro. As escolas públicas padecem com a falta de investimentos, infraestrutura e não têm as condições sanitárias adequadas para o retorno ao ensino presencial”, salientou.
Culau também frisou a absurda interferência do governo Bolsonaro no resultado das eleições para reitor da UFRGS. “Atitude antidemocrática em uma das principais universidades federais do nosso estado. Construímos uma universidade de qualidade para os filhos dos trabalhadores e eles querem desmontá-la. Defender a educação neste momento é defender o Brasil, a ciência, a tecnologia e a democracia.”
Regina endossou a observação feita por Culau quanto a intervenção do governo federal à UFRGS. “É um ataque a autonomia universitária e a democracia. Nós fizemos nossa escolha através do voto e o governo elegeu o último colocado desrespeitando o Conselho Universitária e a comunidade acadêmico”, ressaltou.
Phillipe Almeida, representante do Movimento Eu Defendo a UFRGS ressaltou que a força das universidades públicas ameaçam o governo Bolsonaro. “Essa tentativa de retorno às aulas é criminosa. Falando pelo Movimento sabemos que Bolsonaro sabe que o seu projeto fascista, que já está em curso, corre risco se deixar as universidades independentes e autônomas. Continuaremos resistindo a intervenção.”
“Mudei minha rotina diária de trabalho faz uns dois meses, pois tive muitos problemas relacionados à ansiedade e ao estresse, inclusive três ataques de pânico, sendo dois em agosto, quando decidi mudar a rotina, mas não sei quais serão as consequências”, esse é o relato da professora de sociologia e história, Estela Simone Rodrigues de Menezes, 43 anos, de Uruguaiana.
Pressão, carga horária imprevisível, estresse, ansiedade e insegurança têm marcado o dia a dia dos trabalhadores(as) em educação durante a pandemia.
Pesquisa realizada pelo CPERS e consolidada pelo Dieese revelou que 98% dos professores(as) estão trabalhando mais do que as horas contratadas e sem qualquer auxílio do Estado.

Estela leciona no IEE Elisa Ferrari Valls e atende cerca de 300 educandos(as), divididos em seis turmas de 3º ano e quatro de 2º ano do Ensino Médio.
De maio a agosto, quando decidiu priorizar a saúde física e mental, a professora conta que trabalhava o dia inteiro, incluindo aos finais de semana, parava somente para dormir e ainda não dava conta da demanda.
“Trabalhava de 10 a 16 horas por dia. Agora decidi trabalhar apenas as 20 horas de minha carga horária. Para isso tive que passar a usar recurso de áudio para os conteúdos e sintetizar e simplificar ao máximo as aulas e as atividades de avaliação”, explica.
Receba notícias do CPERS por whatsapp
O processo de reorganização e autocuidado de Estela passou por encarar de outra maneira as exigências e a pressão por parte do Estado.
“Não estou acompanhando mais as lives da Secretaria Estadual de Educação, portanto não tenho os atestados de participação das mesmas. Não sei quais serão as consequência. Agora também diminuíram as fichas e planilhas que nos mandam para preencher, mas decidi não preencher nada e não realizar nada que não caiba em minha carga horária”, continua Estela.

Outro dado levantado na pesquisa do Sindicato aponta a dificuldade de conciliar o aumento na carga de trabalho com o cuidado de filhos pequenos, o preparo das refeições, o trabalho doméstico e os cuidados com a saúde.
A educadora confirma. “Os cuidados comigo e com a casa estavam extremamente prejudicados, recém estou pondo aos poucos as coisas em ordem. ”
Governo Leite desrespeita e massacra educadores: “Me sinto esgotada”
Professores e funcionários de escola já amargam quase seis anos sem reajuste salarial e 57 meses de salários parcelados e atrasados, além da redução de direitos em meio à pandemia com a aplicação das mudanças na carreira aprovadas por Eduardo Leite (PSDB.
À ansiedade do período e à necessidade de assegurar o acesso à educação, soma-se a dificuldade de honrar contas básicas como aluguel, luz, e alimentação.
“Me sinto esgotada. Como disse já tive problemas como ansiedade e ataques de pânico. Sempre que o governo apronta mais uma, já fico mal e nem posso ir na psiquiatra com quem faço tratamento porque o IPE não cobre. Nem meu salário dá conta”, desabafa Estela.
A educadora diz que participou da última greve da categoria e os prejuízos financeiros continuam sendo contabilizados até hoje.
“Me foi retirado muito mais de um salário de um mês e ainda não foi reposto, nunca tinha entrado no cheque especial e desde então vivo no limite, além de ter contraído vários empréstimos. Ou seja, vivo pagando os juros desse ataque desse desgoverno que para mim foi terrível tanto financeiramente quanto moralmente”, destaca.

Além de todos ataques, os educadores(as) ainda precisam lidar com o receio de uma possível volta prematura das aulas presenciais proposta pelo governador Eduardo Leite (PSDB).
“É péssimo ter que lidar com as ameaças constantes de retorno às aulas em meio a pandemia, sendo que não temos estrutura nem em tempos normais”, frisa a professora.

Estela critica as imposições do governo relacionadas ao modo de oferecer as aulas remotas, que fere a autonomia docente e a gestão democrática.
“Eu não estou usando, nem vou usar recurso de vídeo, mas tenho medo de ter que enfrentar muito estresse se o governo quiser obrigar especialmente se voltarem às aulas presenciais concomitantemente com as remotas. De momento as atividades síncronas faço por bate-papo nos comentários do mural do Classroom”, explica.
Outro dado preocupante levantando pela pesquisa da entidade é que 40% dos respondentes relataram que não possuem acesso à Internet com a velocidade e estabilidade adequadas para realizar o trabalho a distância.
“A internet do governo, que só chegou agora, é inútil. Só pode ser usada em celular e é paga com o dinheiro público, enquanto ele nos rouba. Para mim isso também é um ataque”, denuncia Estela.
Orientações do CPERS para evitar a sobrecarga
▶️ Nenhum educador(a) deve aceitar trabalhar para além das horas contratadas. Vídeos de formação (letramento digital) são opcionais e devem ser assistidos dentro da carga horária normal. O atendimento de pais e alunos(as) também deve observar este cuidado;
▶️ Caso o educador(a) não tenha condições de realizar aulas síncronas, ou qualquer outra modalidade de aulas remotas – seja por falta de recursos, conexão, equipamentos adequados ou outra situação – deve registrar os motivos e comunicar a direção escolar e a mantenedora;
▶️ Ninguém pode ser obrigado a fazer um trabalho cuja realização depende de condições que a mantenedora não fornece. De acordo com a Secretaria da Educação, a efetividade não será prejudicada desde que o educador(a) justifique suas dificuldades com o trabalho remoto;

O quarto módulo do Seminário Paulo Freire: Um Olhar Freireano Através da Educação e da Política, promovido pelo Departamento de Educação do CPERS, debateu o sistema e o método de Paulo Freire.

A aula desta terça-feira (22) contou com as presenças da professora Fernanda dos Santos Paulo, da Unoesc, que dedica boa parte de seus estudos e ensinamentos a educação popular e o professor Carlos Rodrigues Brandão, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Estadual de Campinas e membro do Instituto Paulo Freire de São Paulo.


Além de compartilhar suas vivências ao lado de Paulo Freire, Brandão deu uma aula de simpatia e conhecimento a respeito da educação popular.
Neste link estão disponíveis os livros do professor Carlos Brandão, que podem ser acessados gratuitamente: www.apartilhadavida.com.br

O seminário contou ainda com a participação da professora Claudia Regina Mendonça Cardona, da EEEM Tancredo de Almeida Neves, de Alegrete.
Ela apresentou algumas das experiências pedagógicas desenvolvidas na escola e que participaram de várias edições da Mostra Pedagógica do CPERS.
O quinto e último módulo do seminário vai ser realizado na próxima terça-feira (29), a partir das 10h, com o tema “A Escola dos Meus Sonhos”. A palestra contará com a ilustre presença do professor Moacir Gadotti, fundador e presidente de Honra do Instituto Paulo Freire.

Gadotti é autor de uma extensa obra, incluindo “Pedagogia da Terra”, “Os Mestres de Rousseau” e “Educar para a Sustentabilidade”, onde desenvolve uma proposta educacional cujos eixos são a formação crítica do educador e a construção da Educação Cidadã numa perspectiva dialética integradora e orientada pelo paradigma da sustentabilidade.
Acompanhe ao vivo nas páginas do CPERS no Facebook, no YouTube ou no Twitter.
Leia também:
▶️ 3º módulo do Seminário Paulo Freire debate a construção de um currículo crítico-libertador
▶️ 2º módulo do Seminário Paulo Freire debate uma educação emancipatória e transformadora
▶️ Para ler o mundo em tempos de exceção: começa o Seminário de Educação Paulo Freire
▶️ Seminário Paulo Freire: um olhar freireano através da educação e da política






Hoje, 22 de setembro, completa-se um ano do falecimento da professora e ex-presidente do CPERS, Glacy Iolanda Rolim Corrêa.
Glacy presidiu o CPERS de 1979 a 1981, lutando bravamente pelos direitos dos educadores(as) gaúchos. Em sua gestão conduziu duas grandes greves da categoria, incluindo a primeira da história, em 1979, com 13 dias de duração, e a de 1980, com 21 dias.
A educadora nasceu em Santa Maria em 27/06/1932, estudou filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e lecionou a disciplina na IE Dom Diogo de Souza e no IE General Flores da Cunha.
Glacy foi delegada de educação em Porto Alegre, onde participou da elaboração e implantação do Plano de Carreira do Magistério Público Estadual, foi diretora no Colégio Cruzeiro do Sul, assessora da deputada Maria Augusta Feldman e diretora administrativa da Secretaria Municipal da Educação (Smed), na capital.
Apaixonada por filosofia e estudos teosóficos, a professora publicou em 1989 o livro Cabala.
Mas a sua grande paixão eram as artes. Na sua gestão, criou no Sindicato o Salão do Professor, realizando mostras de artes plásticas.
Nosso carinho e solidariedade a familiares e amigos.
Glacy, presente!