Unidas pela vida! Mais de 60 escolas da capital realizam ato contra a volta às aulas presenciais


Em um movimento histórico, 65 diretores e diretoras de escolas estaduais de Porto Alegre convocaram uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (2), no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, para manifestarem-se contra a volta às aulas presenciais no Rio Grande do Sul.

Essa é mais uma ação entre tantas que se espalham por todo o estado e que exigem respeito à autonomia escolar para a definição do calendário letivo e à vida dos educadores(as) e estudantes gaúchos. 

Denunciando as carências das instituições e entoando motes com “Escolas Fechadas, Vidas Preservadas” e “Escolas Unidas pela Vida”, as direções fizeram um marcante contraponto à narrativa do governo, que insiste em mentir à população afirmando que há condições de retorno.

Para o diretor do CPERS Daniel Damiani, iniciativas como esta precisam tomar o estado para evitar uma tragédia.

“As nossas escolas têm problemas estruturais graves, falta de professores, falta de funcionários, e apesar da sobrecarga das aulas remotas, não queremos nos expor sem segurança ao vírus. Não queremos ser cobaias desse experimento genocida que o governo está conduzindo”.

A diretora da Escola Porto Alegre, Greici Amarante, destacou que o governo Eduardo Leite (PSDB) nem sequer disponibilizou o que prometeu no início da pandemia. 

“Estamos fazendo um movimento contra o retorno das aulas presenciais e pela preservação da saúde e da vida dos nossos estudantes, professores e funcionários. Precisamos seguir o que estamos fazendo porque o governo deveria se preocupar mais com a internet que até agora não deu, com escolas sem estruturas e não em arriscar nossas vidas”. 

“Nós não temos RH para fazer o COE, como as pessoas vão trabalhar nisso além da sobrecarga que já tem? O governador e o secretário estão dizendo que a gente não está querendo trabalhar, mas gente, eu nunca trabalhei tanto na minha vida”, salientou Lurdes Zanon, diretora da Escola Rio Branco. 

Durante o manifesto, Maria Berenice Alves, diretora do Julinho, anunciou que a escola tomou a decisão de que não retornarão para as aulas presenciais na data estipulada pelo governo.

“Nos reunimos com o Conselho Escolar e, por decisão unânime, decidimos que nós não vamos abrir a escola enquanto não houver segurança e testagem. Que o governo se responsabilize, nós não temos RH para constituir o COE. Fizemos um documento para a SEDUC e a CRE avisando da decisão”.

A resistência parte do chão da escola

Valendo-se da autonomia escolar da gestão democrática, um número crescente de escolas tem construído mecanismos de resistência ao autoritarismo do governo Leite (PSDB).

Nesta quinta, a escola Candido Godói, presente no ato, enviou um ofício às autoridades comunicando a decisão de não retomar as atividades presenciais

No núcleo de Rio Grande, 31 direções acordaram em não assinar o Termo de Conformidade Sanitária exigido pelo Estado.

Em São Leopoldo, ao menos duas escolas já anunciaram que não abrirão por falta de condições. Em Santa Cruz do Sul, 15 escolas assinaram um documento listando ponto a ponto as deficiências das escolas e as falhas dos protocolos.

O último Conselho Geral do CPERS deliberou por incentivar a resistência no chão da escola a partir dos núcleos do CPERS.

Além da importância da mobilização da comunidade escolar, conclamamos a sociedade a se manifestar em todos os espaços possíveis, pressionando vereadores e prefeitos, eleitos ou candidatos, em defesa da vida.

>> Leia a Carta ao Povo Gaúcho em Defesa da Vida

“O que vocês estão fazendo aqui vai servir de referência para outras direções. Vocês não estão sozinhos. No estado inteiro estão chegando manifestações contra o retorno, a maioria dos pais e dos alunos também é contra. Ninguém queria estar se expondo, mas estamos aqui hoje porque sabemos o caos que vai ser esse retorno”, frisou o diretor Daniel do CPERS no encerramento. 

 

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