XII Congresso Estadual do CPERS reúne 1,7 mil educadores em defesa da escola pública e contra o neoliberalismo 


AVANTE EDUCADORAS(ES), DE PÉ! Com o tema “Exigir nossos direitos é ensinar democracia!”, o XII Congresso Estadual do CPERS teve início nesta sexta-feira (22), na FENAC, em Novo Hamburgo, reunindo cerca de 1.700 educadoras e educadores dos 42 núcleos do Sindicato. Até o dia 24 de maio, a categoria transforma o Congresso em um grande espaço de organização, resistência e construção coletiva da luta em defesa da escola pública, dos direitos das(os) trabalhadoras(es) da educação e contra os ataques promovidos pelo governo Eduardo Leite (PSD) à educação pública gaúcha.

Mais do que um encontro estatutário, o Congresso representa a força de uma categoria que se mantém mobilizada diante do sucateamento das escolas, da retirada de direitos e das tentativas de privatização da educação pública. Durante os três dias de debates, serão definidos os rumos políticos, educacionais e sindicais do CPERS para o próximo período, fortalecendo a unidade da categoria para enfrentar os desafios impostos à educação pública no Rio Grande do Sul.

Abrindo a programação do XII Congresso Estadual do CPERS, o evento contou com a emocionante apresentação dos grupos de dança “Grupo Folclórico Árabe – Palestino TERRA” e “60+ Guapas” do 39º Núcleo do Sindicato (Porto Alegre).

Por meio da arte e da expressão corporal, as integrantes realizaram uma forte denúncia ao massacre vivido pelo povo palestino, transformando o palco em um espaço de solidariedade internacional, resistência e defesa da vida e dos direitos humanos. 

Na mesa de abertura, lideranças da educação pública e representantes do funcionalismo estadual reforçaram, em suas falas, a importância da unidade e da mobilização na defesa da escola pública, dos serviços públicos e dos direitos da classe trabalhadora no Rio Grande do Sul. Participaram da composição a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Aparecida da Silva; o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT/RS), Amarildo Cenci; o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil do Rio Grande do Sul (CTB/RS), Rodrigo Callais; a vice-presidente sul da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Luiza Suares;  o representante do Fórum Sindical e Popular, Érico Corrêa;  a representante da Intersindical, Berna Menezes, e a secretária-executiva da CSP-Conlutas, Marcela Azevedo. 

Logo em seguida, a presidente do CPERS, Rosane Zan, declarou oficialmente aberto o XII Congresso Estadual do Sindicato com uma fala marcada pela emoção, firmeza e combatividade. “É com profunda emoção e muito orgulho que declaramos aberto o nosso Congresso, o principal espaço de organização, debate e construção coletiva da nossa luta. Olhar para essa plenária lotada é enxergar a força da categoria que mantém viva a defesa da educação pública no Rio Grande do Sul. Somos nós que seguimos resistindo, enfrentando os ataques do governo neoliberal de Eduardo Leite e transformando vidas todos os dias dentro das escolas”, afirmou.

Rosane destacou que o Congresso representa um momento decisivo para fortalecer a unidade da categoria diante da precarização do trabalho na educação, da retirada de direitos e das ameaças de privatização da escola pública. “Nossa profissão enfrenta tempos extremamente difíceis. Lidamos diariamente com o sucateamento das escolas, com a desvalorização profissional e com um governo que tenta transformar a educação em mercadoria. Por isso, este Congresso é o nosso espaço de organização e resistência, o momento de pensar coletivamente os próximos passos da luta e exigir respeito às trabalhadoras e aos trabalhadores da educação”, ressaltou.

A presidente também reforçou a defesa intransigente de uma educação pública, gratuita, laica e socialmente referenciada. “Estamos aqui para construir o projeto de educação pública que queremos para os filhos e filhas da classe trabalhadora gaúcha. Eles pensam a educação como lucro e negócio. Nós pensamos a educação como direito, emancipação e transformação social. E não vamos permitir que destruam aquilo que construímos com décadas de luta. Daqui sairão debates profundos, propostas e encaminhamentos que fortalecerão ainda mais a nossa mobilização em defesa da escola pública”, concluiu.

A luta contra governos neoliberais em defesa da educação pública 

Na segunda mesa do dia, ocorreu a análise de conjuntura com a participação da presidenta da CNTE, Fátima Aparecida da Silva, e o debate sobre neoliberalismo escolar e educação inovadora, com a doutora e mestre em Psicologia pela UFRJ, Giuliana Mordente.

A presidenta da CNTE, Fátima Aparecida da Silva, realizou uma forte análise da conjuntura internacional e nacional e dos impactos do avanço do neoliberalismo sobre a educação pública. “Hoje, existem mais de 150 guerras em curso no mundo e quem paga essa conta é sempre a classe trabalhadora. Não existe lado certo em uma guerra. O que acontece com o povo palestino é um massacre promovido por interesses econômicos e territoriais. Quem sofre são as pessoas que não fazem a guerra, mas vivem nesses territórios”, afirmou.

Fátima também criticou a concentração do poder tecnológico nas mãos de grandes corporações internacionais e defendeu a soberania digital dos países. “Nós não somos contra a inteligência artificial, nem contra o uso das tecnologias. O que somos contra é que tudo isso esteja concentrado nas mãos de cinco empresas que controlam os dados, as plataformas e os rumos da educação. Precisamos discutir plataformas públicas, nacionais e de domínio público, porque a tecnologia não pode servir apenas ao lucro privado”, destacou.

Ao relacionar o cenário global com a realidade da educação brasileira, a dirigente alertou para o avanço da mercantilização do ensino. “A educação virou a bola da vez do mercado. E quando a educação vai para as mãos do mercado, ela não volta mais para as políticas públicas. Essa luta que estamos travando aqui não é isolada, ela é mundial. A defesa da escola pública e da valorização profissional é uma luta internacional”, ressaltou, ao mencionar a campanha global da Internacional da Educação por mais investimentos no setor.

A presidenta da CNTE também denunciou projetos que ampliam a terceirização e atacam o serviço público, além de reforçar a importância da disputa política e eleitoral. “Hoje, muitas decisões fundamentais não estão mais no Executivo, estão no Congresso Nacional. Quando os projetos interessam ao mercado, tudo anda rapidamente. Mas quando é para garantir direitos do povo trabalhador, eles sentam em cima e travam os debates. Por isso, nosso principal desafio também passa pelas eleições. Precisamos eleger representantes comprometidos com a educação pública, com os direitos da classe trabalhadora e com um projeto de sociedade que enfrente o avanço da extrema direita”, concluiu.

A doutora e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Giuliana Mordente, realizou uma análise crítica sobre o avanço do neoliberalismo escolar e os impactos da chamada “educação inovadora” dentro das escolas públicas. “Para enfrentar o neoliberalismo, primeiro precisamos entender como ele opera no mundo e dentro da educação. Hoje, as escolas são tratadas como empresas, os estudantes como consumidores, os pais como clientes, os educadores como prestadores de serviço e a educação como mercadoria”, afirmou.

Giuliana destacou que o neoliberalismo atua de forma estratégica para redefinir o conceito de qualidade na educação. “Eles criam os próprios critérios de avaliação, determinam quais escolas são consideradas boas ou ruins e, a partir disso, abrem caminho para a privatização. O neoliberalismo escolar é construído justamente para que a gente não perceba como esse processo acontece”, alertou.

A especialista também criticou o discurso da chamada “educação inovadora”, apontando que a lógica de controle permanece a mesma, apenas adaptada aos novos tempos. “Antes, as escolas se pareciam com quartéis e fábricas. Hoje, elas continuam funcionando nessa lógica, mas com uma nova roupagem. A mercadoria mais valiosa do nosso tempo são as subjetividades. Quando eles conseguem modular comportamentos, desejos e formas de pensar, o projeto já venceu”, explicou. Segundo Giuliana, a educação neoliberal estimula uma lógica permanente de produtividade e autoexploração. “Esse modelo ensina estudantes a serem empreendedores de si mesmos, a se autogerenciarem e a se autoexplorarem 24 horas por dia, sete dias por semana. É uma lógica que individualiza os problemas e destrói a dimensão coletiva da educação e da vida”, ressaltou.

A pesquisadora ainda denunciou o ciclo de precarização promovido pelo neoliberalismo. “O projeto sucateia a educação pública, adoece as(os) profissionais e depois vende a solução através de pacotes de educação emocional e plataformas privadas. Por isso, nossa tarefa não é apenas recusar a educação como mercadoria, mas também construir alternativas concretas, ampliar horizontes e apresentar saídas. Não basta dizer que somos contra. Precisamos mostrar por que somos contra e qual educação queremos construir coletivamente”, concluiu.

Nesta sexta (22), ainda foi realizada a discussão e a aprovação do Regimento desta edição do Congresso e a apresentação das teses construídas pelas diferentes correntes políticas que compõem o Sindicato.

A programação do XII Congresso Estadual do CPERS segue até domingo (24) com intensos debates sobre conjuntura política, organização sindical, plano de lutas, pauta de reivindicações e reforma estatutária, além da apresentação e votação das resoluções construídas pela categoria. Os próximos dias serão marcados por discussões estratégicas sobre os rumos da luta em defesa da educação pública, da valorização das(os) trabalhadoras(es) da educação e do enfrentamento às políticas de privatização e sucateamento das escolas públicas no Rio Grande do Sul. 

>> Confira a íntegra da live com a abertura do XII Congresso do CPERS:

>> Confira, abaixo, mais fotos e vídeos do primeiro dia de Congresso do CPERS: 

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