Eduardo Leite (PSDB) foi eleito com a promessa de dialogar e valorizar quem trabalha no chão da escola.
Assegurou que pagaria os salários em dia no primeiro ano de governo, vendeu a Reforma do Estado como solução e se colocou como um gestor diferenciado.
O ano passou, os salários estão cada vez mais atrasados, escolas e turmas foram fechadas, e a vida dos trabalhadores(as) em educação só piorou.
Após sofrer o desgaste de uma greve histórica, Leite teve a chance de recomeçar.
Pelo contrário, se aproveitou da pandemia para cortar direitos e reduzir ainda mais os salários de quem já estava no limite da subsistência, aliando-se a Bolsonaro na destruição dos serviços públicos.
A cada ato, revela mais da sua face autoritária e insensível aos problemas da educação e da categoria.
Desde dezembro, por exemplo, os educadores amargam cortes mensais que chegam a 30% do salário. São mais de 27 mil castigados em razão da greve, apesar das aulas recuperadas sem prejuízo aos estudantes.
Uma punição injusta, calculada para frear futuras mobilizações e facilitar o desmonte da educação.
O que experimentamos é um simulacro de diálogo. Uma relação unilateral, sem escuta, ignorando a realidade da escola pública.
Prova disso é a construção dos protocolos de segurança para a volta às aulas presenciais, realizada a portas fechadas com empresários da rede privada, sem consultar educadores(as), pais e estudantes.
São regras ditadas pela urgência em abrir as escolas e por agentes comprometidos com o lucro acima da vida.
Soma-se a isso a rotina extenuante imposta pela desorganização das aulas remotas, com educadores(as) em extrema dificuldade financeira tirando do próprio bolso para dar aulas.
Mesmo sem salário e sem suporte, estamos trabalhando mais, atendendo a comunidade escolar a qualquer horário e usando equipamentos próprios.
O governo também coloca em risco a vida de trabalhadores(as), estudantes e suas famílias provocando aglomerações desnecessárias para preencher relatórios, entregar ou receber materiais e cumprir demandas da Secretaria da Educação.
Nós fazemos a nossa parte. E o governador, quando fará a sua?
É imperativo que Eduardo Leite abandone a intransigência, ponha um fim à escalada de ataques e demonstre alguma consideração por nossas vidas.
Diálogo não é uma palavra vazia de significados. Pressupõe troca, deslocamento e negociação, não imposição.
Governador, escute quem educa. Queremos respeito, salários justos e uma aposentadoria digna. Queremos viver, educar e trabalhar em paz.
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