Educadoras aposentadas de São Luiz Gonzaga participam de reunião online com a direção central


Um encontro virtual de educadores(as) aposentados(as) para falar sobre a luta da categoria, receber informações jurídicas e da pandemia (COVID19) ocorreu nesta sexta-feira (22) no 33º Núcleo (São Luiz Gonzaga).

A reunião marca o terceiro da série de encontros que serão realizados com educadores(as) de todas as regiões do estado, e contou com a presença da presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, a coordenadora do Departamento dos Aposentados, Glaci Weber, as diretoras Alda de Souza Bastos e Rosane Zan, o diretor do Núcleo, Joner Alencar Marchi e do advogado Marcelo Fagundes.

“Quero parabenizar vocês pelo esforço em estar lidando com a tecnologia, sabemos que não é fácil para muitos. Mas é importante para continuarmos juntos e fortalecendo a luta”, destacou Glaci Weber que coordenou todo encontro online.

“É uma honra estar com vocês que estão sempre junto conosco. Quero dizer que estar com vocês neste momento é uma obrigação boa para nós”, observou a diretora Alda.

Alda também falou da dificuldade que é ser uma educadora aposentada. “Me aposentei há pouco e estou sentindo na pele o descaso. Tive muitos descontos no último pagamento e não sei nem o que vou fazer. É realmente muito difícil a nossa situação, ainda mais com o desconto da previdência. ”

O diretor do Núcleo, Joner Marchi falou da importância do momento para que os educadores se cuidem e estejam saudáveis pós pandemia “Precisamos repensar as relações  que estamos vivendo hoje, de não poder encontrar os amigos e familiares e desta forma ficamos fragilizados. Mesmo com essas ferramentas tecnológicas sabemos que nada supera o contato físico com as pessoas”, analisou.

A aposentada Maria Helena Estaigleder falou sobre a importância do encontro. “É muito importante para nós podermos conversar com a direção central e os nossos colegas. Estou muito feliz em estar participando dessa reunião”, concluiu

Para Guiomar Batu Terra, o momento requer o aprendizado das tecnologias para continuar a luta. “Mesmo com tudo que está acontecendo não podemos perder a esperança e é importante aprender a tecnologia, pois vai ser a forma de lutarmos nesse momento. Para mim é primordial esse encontro”, apontou.

A presidente do CPERS  fez uma breve analise da luta contra a aprovação do desconto da previdência para os aposentados. “Nós fizemos a luta, mas não vencemos porque infelizmente o governador tem 40 parlamentares que votam com ele” observou.

Helenir destacou a importância do voto consciente, e de denunciar os partidos que votam contra os trabalhadores, pensando já nas próximas eleições 2021/2022. “Não há nada na nossa vida funcional que não tenha reflexo da política. É importante que vejamos quais partidos e deputados votam contra nós e denunciarmos. Pois se eles perderem votos eles vão ver que foi porque votaram contra os trabalhadores”, destacou.

A presidente também afirmou que o Sindicato é contra o retorno às aulas até que haja absoluta segurança. “Como fica o trauma psicológico das crianças que depois de 60 dias não podem abraças os colegas e professores? O governo se preocupa com o material e não com a afetividade dessas crianças e adolescentes. Teremos psicólogos para essas crianças ou nós que também faremos essa função? Não vamos permitir que as escolas se tornem o foco e a disseminação do Coranavírus.  Hoje nós não temos as mínimas condições de voltar às aulas”, concluiu.

O advogado Marcelo Fagundes falou sobre os principais assuntos que afligem a categoria nesse momento: desconto da previdência para os aposentados, corte de ponto, perda do Difícil Acesso e confusão nos últimos contracheques.

Segundo o advogado, o desconto da previdência é inconstitucional. “É um ataque direto compulsório aos salários das pessoas. Estamos tomando muito cuidado e tentando reverter essa situação. Sabemos o quanto faz falta esse dinheiro para os educadores que já sofrem com salários atrasados e seis anos sem reajuste. Esse desconto é o remédio do final do mês de muitos aposentados. Vamos fazer de tudo para derrubar essa lei”, frisou.

Marcelo também esclareceu que os aposentados não devem abrir uma ação individual contra o desconto da previdência, pois o CPERS já tem a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) tramitando. “Temos que aguardar o julgamento”, destacou.

Sobre o difícil acesso Marcelo chamou a atenção que nenhum aposentado pode perder o benefício. “Muitos aposentados perderam o difícil acesso que tinham, por causa da mudança do plano de carreira e isso não pode ocorrer, pois este já está incorporado ao salário. Quem observar que isso ocorreu tem que nos procurar imediatamente. ”

A respeito da liminar que o Sintergs ganhou, a qual suspende descontos de empréstimos consignados até fim da pandemia, o advogado ressaltou que estão aguardando recurso do Banrisul para derrubar a liminar. “Se isso não ocorrer estaremos entrando com uma ação em nome do sindicato. Só estamos aguardando se essa liminar não vai cair. Se não cair até segunda ou terça estaremos entrando com essa ação” ponderou.

A aposentada Tânia Marchi dividiu com os presentes uma situação que é comum entre milhares de educadores. “Cada vez que tenho que fazer um empréstimo, o Banrisul faz “venda casada”. Acaba que eu sou do Banrisul, meu salário é do Banrisul, se for olhar meu histórico com o banco acho que já comprei ações do Banrisul para eternidade”, desabafou.

Pandemia X Mercantilização da Educação Pública

A diretora Rosane Zan falou sobre a pandemia no Brasil, trazendo um pouco da história de outras doenças enfrentadas no pais. “Hoje pensamos como vamos sair pós pandemia, todos nós estamos no mesmo patamar. Mesmo não sendo do grupo de risco todos nós corremos o risco de morrer, se pegarmos o covid19. ”

O momento é de fazermos a reflexão do Brasil que queremos após pandemia. Essa pandemia mostrou a desigualdade que temos em nosso país. De estudantes que não tem nenhum tipo de acesso à internet e é por eles que temos que lutar por uma educação mais digna. ”

A diretora também falou sobre a preocupação do governo mercantilizar a educação pública. “Estamos vendo a questão da mercantilização dentro das escolas com a contratação das empresas para as plataformas digitais. Que a tecnologia venha para nos servir e não tirar o lugar de professores e funcionários de escola. Temos que fazer o uso dela dentro do chão da escola, sem retirar o emprego de ninguém. Que a gente possa sair dessa pandemia com muita saúde e muita garra para as lutas que vem pela frente”, conclui Rosane.

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