A quinta semana da #CaravanaPelaDemocracia do CPERS foi marcada por muita luta, unidade e mobilização, e se encerrou nesta sexta-feira (2), passando por cidades que abrangem os núcleos de Erechim (15º Núcleo) e Soledade (28º Núcleo).

Até o momento, o Sindicato já passou por mais de 300 escolas, nas mais diversas regiões do estado, para debater sobre a importância do voto consciente e de eleger candidatos(as) – em todas as esferas – que, de fato, defendam a educação e valorizem quem está no chão das escolas.

Em entrevista à Rádio Cultura de Erechim, o presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt, avaliou que estas cinco semanas de mobilização possibilitaram um debate amplo e necessário sobre os projetos em disputa nas próximas eleições.

“A caravana completa sua penúltima semana de atividade tendo um alto grau de mobilização e uma receptividade cada vez maior por parte dos educadores. Também conseguimos estabelecer um bom dialogo com as imprensas locais sobre o debate que estamos propondo para a educação e a importância do voto consciente para uma mudança nos rumos no país e no estado”.

Alex também destaca que devemos esperançar um novo tempo para os educadores(as): “Acreditamos que a Caravana vai ajudar a derrotar os governos, as candidaturas e os projetos que ao longo do último período atacaram duramente os direitos dos trabalhadores e da população”.

“Nossa caravana tem como objetivo central a defesa da democracia. Estamos trazendo para os colegas as comparações dos últimos quatro governos estaduais e mostrando também os parlamentares que votaram conosco e quem vota contra a educação pública. Temos que fazer a mudança, votar em projetos que tenham como prioridade o funcionalismo público e a nossa categoria”, concluiu a diretora do CPERS, Sandra Régio, em visita às escolas da região.

Durante a passagem da Caravana por Erechim, os dirigentes também participaram de uma Plenária na sede do Núcleo, que reuniu educadores(as) aposentados(as) e da ativa para debater a luta, os retrocessos da educação, a importância do voto consciente e o futuro da categoria e da educação pública.

Acompanharam as visitas às escolas do 15º Núcleo (Erechim), a diretora Marisa Inês Betiato, a vice-diretora, Magda Schmitt, e a tesoureira, Neusa Correia da Silva.

CIEP de Soledade sofre com a falta de educadores

Durante a passagem da Caravana pelo 28° Núcleo do CPERS, em Soledade, os dirigentes do Sindicato verificaram que a EEEF Alcides João Gradaschi – CIEP, enfrenta uma severa falta de professores(as) e funcionários(as) e, com isso, a equipe está sobrecarregada.

“Hoje estão em laudo um secretário, uma funcionária da limpeza e três educadoras. Além disso, para supervisão e orientação temos apenas 20 horas. Tudo aqui é menos. Quando um colega entra em laudo, não há a menor preocupação de substituí-lo”, relata a diretora da escola, Lizabete Camargo Mesacasa.

“Até os alunos estão ajudando, abrindo o portão, por exemplo”, desabafa.

Além da falta de profissionais, o CIEP sofre com as constantes ameaças de enturmação.

O descaso deixa educadores(as) e comunidade escolar inseguros. “O desinteresse em resolver os problemas da escola nos passa a impressão, cada vez mais, de que o objetivo é fechar a escola”, preocupa-se a diretora.

Como se não bastasse, a 25ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) desrespeita a direção e os docentes da instituição. “Chegaram a chamar os professores contratados de “contratinhos mortos de fome”. Isso é inadmissível. Além de me ameaçarem de destituição”.

“Nunca chegam na escola com uma proposta de ajuda, só ameaças. A resposta sempre é “se virem com o que tem”, frisou a diretora.

“Estamos em uma época de campanha eleitoral, onde todos prometem investir e priorizar a educação. Mas sabemos que não passam de promessas. Por isso, é essencial observarmos como cada partido e parlamentar votaram nos projetos que nos atingem. Situações como a do CIEP são inadmissíveis e não podem ser toleradas”, destaca a tesoureira do CPERS, Suzana Lauermann, durante visita à escola.

A diretora do 28° Núcleo, Magale Eicheler da Rocha, acompanhou a Caravana na cidade.

Dia 13 de setembro vai ter luta!

Durante a passagem da Caravana pelas escolas e rádios, os dirigentes também reforçam o chamamento para o Ato Público pela Educação e a Marcha dos Aposentados(as), que será realizada no próximo dia 13 de setembro, em Porto Alegre.

Educadores de todo o estado tomarão as ruas da capital contra o confisco dos salários dos aposentados(as), pela valorização dos funcionários(as) de escola, pelo pagamento integral do Piso e em defesa do IPE Saúde público e de qualidade.

Vivemos um período de ataques constantes, com o agravamento da retirada de direitos. Marcharemos unidos e fortes, acreditando que, sim, é possível e urgente assegurar um novo tempo para os educadores(as).

A concentração será às 9h, em frente à sede do CPERS, e depois seguiremos em caminhada até o Palácio Piratini.

Clique aqui e saiba como participar!

Na próxima semana, o CPERS encerra a #CaravanaPelaDemocracia visitando escolas da região metropolitana de Porto Alegre, nos núcleos de Gravataí, Guaíba, Canoas e Osório.

>> Confira as escolas visitadas na #CaravanaPelaDemocracia nesta semana:

➡️ Região de Erechim (15º Núcleo)

EEEM Nossa Senhora de Lourdes (Três Arroios)
EEEM Dr. José Bisognin (Severiano de Almeida)

➡️ Região de Soledade (28º Núcleo)

EEEF Alcides João Gradaschi – CIEP (Soledade)
EEEM Joaquim Gonçalves Ledo (Mormaço)
IEE São Jose (Soledade)
Polivalente (Soledade)
EEEF Professora Maria de Abreu Lima (Soledade)

➡️ Região do 11° Núcleo do CPERS – Cruz Alta

IEE Professor Annes Dias
EEEM Belarmino Corte
EEEF Elisa Brum de Lima
EEEF Pacífico Dias da Fonseca
EEEM Dom Antônio Reis
EEEB Margarida Pardelhas
EEEB Venâncio Aires

➡️ Região do 30° Núcleo do CPERS – Vacaria

EE Irmão Getúlio
EEEM José Fernandes de Oliveira
EEEF Nossa Senhora da Oliveira
EEEM Marcirio Marques Pacheco, em Esmeralda

➡️ Região do 25° Núcleo do CPERS – Lagoa Vermelha

– EEEM Francisco Argenta, em Lagoa Vermelha
– EEEM Dr. Araby Augusto Nácul, em Lagoa Vermelha
– EEEM Presidente Kennedy, em Lagoa Vermelha

➡️ Região do 31° Núcleo do CPERS – Ijuí

EEEB Poncho Verde (Panambi)
EEEM Paulo Freire (Panambi)
EEEM Panambi (Panambi)
EEEF Adolfo Kepler (Panambi)
EEEM José de Anchieta (Panambi)
EEEF Hermann Faulhaber (Panambi)
ETE 25 de Julho (Ijuí)
EEEM Ruy Barbosa (Ijuí)
EEEM Otavio Caruso Brochado Da Rocha (Ijuí)
IEE Guilherme Clemente Koehler (Ijuí)
EEEF Boa Vista (Ijuí)
EEEF Centenario (Ijuí)
EEEF Ijui (Ijuí)
EEEM São Geraldo (Ijuí)
EEEF Carlos Zimpel (Ijuí)
EEEF Chico Mendes (Ijuí)
CE Modelo (Ijuí)
EEEM Ruy Barbosa (Ijuí)

 

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Nesta sexta-feira (2), a #CaravanaPelaDemocracia do CPERS visitou escola da região do 28° Núcleo do CPERS, em Soledade, para conversar com a categoria sobre os projetos em disputa nas próximas eleições, mas também para conferir de perto a situação das escolas.

Durante a passagem pela única instituição estadual de ensino de Mormaço, os dirigentes se confrontaram com a preocupante situação de precariedade. Desde 2020, um dos prédios da EEEM Joaquim Gonçalves Ledo está interditado devido às enormes rachaduras nas paredes e no piso. 

Conforme avaliação da Coordenadoria de Obras Públicas da região, o prédio precisa ser demolido pelo risco à integridade física dos educadores(as), estudantes e comunidade escolar.

“A demanda é para demolir e reconstruir, pois o prédio pode cair a qualquer momento. Para demolir, o orçamento é de R$ 57 mil. O governo prometeu que enviaria esses recursos, mas até agora nada. E ainda nem foi feito o projeto para a construção do prédio novo”, relata o diretor da escola, Adilson Kuhn. 

A estrutura comprometida abrigava três salas de aula, sala de professores(as), auditório e banheiros. Com a interdição, foi preciso readaptar espaços.

“Uma turma foi para o laboratório de ciências, outra para o laboratório de informática, acabamos ficando sem esses espaços importantes para o dia a dia da escola. As reuniões com os pais ocorrem no saguão. Além disso, ficamos com apenas dois banheiros para toda escola”, detalha o diretor. 

Ao entrar no espaço interditado, a secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann, ficou chocada com  o tamanho das rachaduras. “É assustador e, ao mesmo tempo, revoltante ver essa situação. O risco é eminente. Não dá para admitir a falta de uma ação imediata do governo. Vamos seguir acompanhando e pressionando para a rápida solução desse grave problema”, afirmou.

Para o CPERS, o sucateamento das escolas estaduais – comprovado pelas Caravanas do Sindicato – aliado à política de enxugamento de matrículas, turnos e escolas, evidencia a intenção do governo: precarizar para abrir mercado ao ensino privado, priorizando interesses do empresariado, e não da comunidade.

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✊🏾 DIA 13 VAI TER LUTA ✊🏾

Atenção, professores(as) e funcionários(as) das escolas estaduais – da ativa e aposentados(as) – dia 13 de setembro vamos tomar as ruas de Porto Alegre por valorização e respeito.

Lutaremos contra o confisco dos salários dos aposentados(as), pela valorização dos funcionários(as) de escola, pelo pagamento integral do Piso e em defesa do IPE Saúde público e de qualidade.

Vivemos um período de ataques constantes, com o agravamento da retirada de direitos. Marcharemos unidos e fortes, acreditando que, sim, é possível e urgente assegurar um novo tempo para os educadores(as).

A concentração será às 9h, em frente à sede do CPERS, e depois seguiremos em caminhada até o Palácio Piratini.

#Dia13VaiTerLuta
#MarchadasAposentadas
#AtoPelaEducação

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🤝🏾 Contate o seu núcleo do CPERS e mobilize-se!

1º – Caxias do Sul – 54.3223.2431
2º – Santa Maria – 55.3221.7262
3º – Guaporé- 54.3443.1232
4º – Cachoeira do Sul – 51.3722.3985
5º – Montenegro – 51.3632 2654
6º – Rio Grande – 53.3232.8685
7º – Passo Fundo – 54.3313.2247
8º – Estrela – 51.3712.1798
9º – Santo Ângelo – 55.3312.3755
10º – Santa Rosa – 55.3512.1564
11º – Cruz Alta – 55.3322.3184
12º – Bento Gonçalves – 54.3452.4775
13º – Osório – 51.3663.1886
14º – São Leopoldo – 51.3592.4968
15º – Erechim – 54.3522.1637
16º- São Borja – 55.3431.2647
17º – Bagé – 53.3242.4122
18º – Santa Cruz do Sul – 51.3713.1588
19º – Alegrete – 55.3422.2944
20º – Canoas – 51.3476.2656
21º – Uruguaiana – 55.3412.2734
22º – Gravataí – 51.3488.3712
23º – Santana do Livramento – 55.3242.3654
24º – Pelotas – 53.3225.2166
25º – Lagoa Vermelha – 54.3358.2559
26º – Frederico Westphalen – 55.3744.3441
27º – Três Passos – 55.3522.1917
28º – Soledade – 54.3381.1130
29º – Santiago – 55.3251.2602
30º – Vacaria – 54.3231.2308
31º – Ijuí – 55.3332.9711
32º – Taquara – 51.3542.1489
33º – São Luiz Gonzaga – 55.3352.2859
34º – Guaíba – 51.3480.3022
35º – Três de Maio – 55.3535.1942
36º – Cerro Largo – 55.98453.7847
37º – Carazinho – 54.3331.3551
38º – Porto Alegre – 51.3227.4143 / 3062.4146
39º – Porto Alegre – 51.3221.2380
40º – Palmeira das Missões – 55.3742.1373
41º – São Gabriel – 55.3232.5860
42º – Camaquã – 51.3671.5081

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No dia 23 de agosto, a #CaravanaPelaDemocracia do CPERS visitou a Escola Estadual Indígena Kame Mre Kanhkre, localizada na comunidade Kaingang Váycupry, em Carazinho, para conferir de perto a situação de abandono da instituição.

No dia 18 de março, um vendaval destruiu a estrutura da escola e, desde então, a comunidade aguarda uma solução para o problema. Após pressão do Sindicato, em junho, representantes da escola foram recebidos pela Seduc, mas até agora nada foi feito. 

Enquanto isso, as aulas estão sendo ministradas em uma estrutura improvisada, com goteiras e uma parede de tecido. Nos dias de chuva, as aulas precisam ser suspensas devido às precárias instalações.

Eliseu Soares, capitão da comunidade indígena Kaingang Váycupry, relata que a comunidade tentou reconstruir o espaço, mas devido à falta de recursos não conseguem finalizar a obra necessária. 

“A gente fica com o coração partido com o esquecimento da nossa comunidade pelo governo. O nosso colégio é estadual, vocês estão aqui vendo a realidade e é muito triste. Nós sofremos para fazer a construção dessa obra, juntando um pouco de cada e devido a essa catástrofe acabamos ficando sem um novo espaço”. 

O capitão também conta que as promessas são muitas, o que falta é atitude e interesse dos governos com a comunidade: “Os governos nos prometem muitas coisas, mas nada até agora foi concretizado e de promessa nós estamos cansados. A gente queria que eles fizessem a parte deles e viessem conferir a nossa realidade, porque não é aceitável no estado um colégio estadual estar numa situação dessas”. 

>> Confira no vídeo o relato completo de Eliseu e imagens da situação da escola:

Em julho, uma audiência do Ministério Público, que contou com a presença da Seduc e o cacique da aldeia, determinou que o governo deveria fornecer, no prazo de 90 dias, uma estrutura provisória de contêineres até que a escola possa retornar para seu prédio original. O engenheiro da Seduc chegou a visitar o local para avaliar a estrutura, mas, até o momento, os contêineres ainda não chegaram.

Adilson Jacinto, único professor da escola, que atende 21 alunos da 1ª à 5ª série de forma multisseriada, destaca que a comunidade não queria os contêineres, mas por entenderem que a educação indígena é diferenciada e precisa ser preservada, aceitaram a proposta.

“Nós temos o nome de escola estadual, mas parece que isso é só no papel, por que o que adianta ter o nome se não tem o compromisso? A escola ainda não fechou porque tem uma política que é a de defender uma educação diferenciada para os povos indígenas, se não já tinham fechado”. 

“O acesso à educação de qualidade é um direito de todas as crianças e todos os adolescentes, assegurado pela Constituição Federal, mas está sendo negado para esta comunidade devido ao descaso do governo”, destaca a tesoureira e representante da Comissão de Educação do CPERS, Rosane Zan. 

 O Sindicato, por meio da direção estadual e do 37° Núcleo (Carazinho), seguirá vigilante e mobilizado para que a comunidade escolar da Kame Mre Kanhkre tenha acesso a uma educação de qualidade e estrutura adequada e digna.

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Nesta quinta-feira (1°), a #CaravanaPelaDemocracia do CPERS chegou aos núcleos de Vacaria (30°) e Cruz Alta (11⁰).

Durante as visitas, dirigentes conversaram com educadores(as) sobre a atual conjuntura política e reforçaram que o momento exige vigilância e unidade na escolha de representantes que – de fato – defendam a educação pública, laica e de qualidade social e os direitos de quem trabalha no chão da escola.

O presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt, conclamou os colegas para refletirem e estudarem a fundo os projetos em disputa.

“Nossa Sineta traz como os deputados votaram em projetos que impactaram na nossa carreira, nas nossas vidas. E também um comparativo dos quatro últimos governos. Nós temos a condição de olhar, avaliar e decidir o que deve ser feito. Porque é a nossa profissão, é o nosso presente e o nosso futuro. Precisamos eleger quem defende as nossas causas, quem defende a educação pública”.

Edson Garcia, vice-presidente do Sindicato, alerta que o futuro da educação pública está em risco: “O CPERS não vem aqui dizer em quem vocês devem votar, mas sim, para mostrar o que os últimos governos fizeram pela educação e pela categoria. Chamamos os colegas para a reflexão, para escolher os projetos que priorizem a educação pública e os educadores. Se não tivermos juntos com os governos que lutam pela educação, as escolas estaduais podem fechar ou serem privatizadas”.

Escola de Cruz Alta está há mais de cinco anos alojada em prédio de antigo hospital

Além do debate sobre a conjuntura política, a Caravana do CPERS também denuncia o descaso do atual governo com as escolas públicas e expõe que, mesmo após seis meses do início do ano letivo, diversas escolas ainda apresentam sérios problemas estruturais.

Entre as instituições visitadas na região de Cruz Alta, os dirigentes do Sindicato estiveram na EEEB Margarida Padelhas, que está há mais de cinco anos alojada no prédio de um antigo hospital da cidade. As obras da nova estrutura da escola estão paradas há pelo menos dois anos.

Não há pátio e o frio predomina, essas são algumas características, entre tantas outras, que evidenciam que o local é inadequado para uma escola.

O professor de História e Geografia, Sandro Fogaça Martins, leciona há dez anos na Margarida Padelhas e relata a rotina de atuar em uma estrutura que já abrigou um hospital.

“É cada vez mais difícil. Era para ser provisório e ainda estamos aqui Não é uma estrutura para uma escola. Hoje, esse prédio já está com mais dificuldade do que o antigo. Há infiltrações por toda parte, frio e muita umidade. Para os alunos é muito complicado, pois são uns labirintos. A sensação é de abandono e de insegurança, pois a incerteza é enorme”, desabafa.

Para o diretor do CPERS, Leonardo Preto Echevarria, que esteve no local, a atual situação da escola é inaceitável.

“É inadmissível que essa situação se arraste por tantos anos. O governo deveria fazer todo o esforço para que educadores e estudantes estivessem na estrutura da escola. Aula em ambiente que era hospitalar é inaceitável”.

Acompanharam a Caravana em Cruz Alta: Marisa Martiéllo Padilha, representante dos Aposentados(as) do Núcleo, Jane Caetano, representante estadual dos Aposentados(as) do Núcleo e a educadora aposentada Aliete Batista de Andrade.

Já em Vacaria a Caravana foi acompanhada pela diretora do 30º Núcleo, Joara Dutra Vieira, o vice-diretor, Osmar Emílio Mussatto, a representante da direção do Núcleo, Olivia Melo, e as educadoras aposentadas Erondina Nery, Helena Caon e Najia Pegorine.

O CPERS segue na estrada, até o dia 9 de setembro, visitando escolas para mobilizar a categoria e fortalecer o projeto de futuro que queremos para a educação pública gaúcha e brasileira. Nesta sexta-feira (2), a Caravana passará pelas regiões de Erechim e Soledade.

>> Confira abaixo as escolas visitadas na #CaravanaPelaDemocracia nesta quinta-feira (1°):

> Região do 11° Núcleo do CPERS – Cruz Alta

IEE Professor Annes Dias
EEEM Belarmino Corte
EEEF Elisa Brum de Lima
EEEF Pacífico Dias da Fonseca
EEEM Dom Antônio Reis
EEEB Margarida Pardelhas
EEEB Venâncio Aires

> Região do 30° Núcleo do CPERS – Vacaria

EE Irmão Getúlio
EEEM José Fernandes de Oliveira
EEEF Nossa Senhora da Oliveira
EEEM Marcirio Marques Pacheco, em Esmeralda

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A educação pública respira por aparelhos no Brasil. Com o descaso do governo, a educação sofre sem recursos e sem previsão de investimentos. Segundo estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o orçamento da educação diminuiu mais de quatro vezes em três anos. Mesmo com a pandemia, na qual muitos alunos(as), educadores(as) e toda comunidade escolar sofreram com a falta de infraestrutura, as coisas não melhoraram.

Desde o primeiro Balanço Geral do Orçamento da União, o Inesc vem denunciando o desfinanciamento da educação, e em 2021 não foi diferente. A execução financeira da função educação, entre 2019 e 2021, caiu R$ 8 bilhões em termos reais. O valor autorizado para 2021 foi cerca de R$ 3 bilhões a mais que em 2020, no entanto, a execução financeira foi menor. Por ser responsabilidade do governo federal, o ensino universitário é o mais atingido.

O estudo aponta um desmonte geral das políticas sociais do país, como saúde, promoção da igualdade racial, políticas ambientais, habitação, entre outras, além da educação. O documento também sugere recomendações para mudar a realidade, como eliminar o Teto de Gastos e revisar as regras fiscais, expandir políticas de geração de emprego e renda, eliminar o Orçamento Secreto e limitar as emendas de relator assegurando transparência e controlar o choque de juros visando uma contração monetária menos recessiva.

A reportagem da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) conversou com Cleo Manhas, assessora política do Inesc, que destaca que a execução orçamentária é muito menor do que os recursos aprovados e liberados, e que é preciso um novo governo que retome políticas de educação de ampliação do financiamento de melhoria na infraestrutura. Veja a entrevista na íntegra:

CNTE: A execução financeira da função educação, entre 2019 e 2021, caiu R $8 bilhões em termos reais. Isto é, foram aprovados recursos que não foram usados. O que houve? Por que este orçamento não foi utilizado?

Cleo Manhas: Em geral o valor autorizado muitas vezes é maior do que a execução financeira, mas no governo Bolsonaro isso aconteceu com frequência e o executado era sempre muito menor do que o aprovado ou autorizado. Isso tem a ver também com o Teto dos Gastos, porque se autoriza x e aí você vai cortando, migra para outras áreas que você acha prioritário. E, o fato ,é que a gente tem, ao longo dos três anos do governo Bolsonaro, essa queda de R$ 8 bilhões na execução da função educação, o que recaiu muito sobre todas as áreas, mas com muita força no ensino superior, já que o governo federal é responsável por esta etapa de ensino.

CNTE: Quais os impactos desses cortes no Plano Nacional de Educação (PNE)?

Cleo Manhas: O que a gente vê nas avaliações que a campanha Nacional pelo Direito à Educação têm feito, da execução e do atingimento das metas, é que estamos bem atrasados e provavelmente este PNE vai continuar sendo jogado no lixo. O que a gente percebe é que ao invés de aumentar o financiamento em relação ao PIB, os recursos têm caído, principalmente no governo federal, mas não só. Fizemos um estudo sobre orçamento dos estados e, em relação ao ensino médio, a gente percebeu uma queda também. Então é certo que não conseguiremos atingir as metas de financiamento, ao contrário. Além de não cumprir, nós vamos regredir.

CNTE: Na pandemia, período em que houve o fechamento de salas de aula, a educação precisou de recursos para se adaptar às aulas remotas. O orçamento aprovado pelo Congresso no ano anterior à pandemia tinha recursos para as escolas utilizarem nessas adaptações? O governo poderia ter aumentando esse investimento em caráter emergencial?

Cleo Manhas: No pior ano da pandemia, que foi em 2021, não houve nenhum aporte diferenciado para a melhoria da infraestrutura das escolas. Nós percebemos que as escolas receberam, no máximo, torneiras nas entradas e tapetes sanitizantes, que não adianta nada, porque as salas de aulas continuaram lotadas e com ventilação ruim. A ação que tinha para a melhoria da infraestrutura das escolas, no orçamento federal, também caiu significativamente. E podiam sim aportar novos recursos para educação, como fizeram na saúde e outras áreas prioritárias, mas não foi isso que aconteceu. Todo corpo docente e discente tiveram que migrar para as plataformas digitais, sem apoio extra, e os/as professores/as, muitas vezes, tiveram que bancar do seu próprio bolso recursos para internet, equipamentos e ainda lidar com dificuldade de manejo desses equipamentos.

CNTE: Sobre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em 2021 foram gastos cerca de R$ 6,4 bilhões a menos do que o recurso disponível. Qual é o impacto desse corte?

Cleo Manhas: Quando há cortes no FNDE, que financia programas como Dinheiro Direto na Escola, que era um dos únicos recursos que a escola estava tendo para melhorar sua infraestrutura, o programa Nacional de Transporte Escolar, de Alimentação Escolar, do Livro Didático, entre outros programas super importantes, há um corte generalizado na educação básica de todos os estados. O Congresso Nacional propôs na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) um reajuste real para o PNAE, que é o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o governo federal vetou. Há muito tempo que o recurso é o mesmo, e com os alimentos aumentando significativamente, os números de pessoas com insegurança alimentar e fome só aumentam.

CNTE: Quais são as expectativas e a responsabilidade de um novo governo, que pode vir pela frente, na questão da educação?

Cleo Manhas: A expectativa é que ele seja novo mesmo, que a gente consiga tirar essa aberração do poder e que a gente retome políticas de educação, de ampliação do financiamento, de melhoria na infraestrutura, que a gente considere o Custo Aluno-Qualidade para o cálculo do financiamento e para os insumos necessários para as escolas e universidades receberem seus alunos e todas as etapas de ensino, desde educação infantil até o ensino superior. E nós esperamos que haja prioridade pelo direito à educação e a construção de uma educação de qualidade para todas, todos e todes.

CNTE: Quais os desafios das trabalhadoras e dos trabalhadores da Educação para os próximos anos?

Cleo Manhas: O desafio dos trabalhadores e das trabalhadoras da educação é gigante, porque houve um retrocesso muito grande durante os dois anos da pandemia e o desmantelamento do orçamento da educação nos anos do governo Bolsonaro. Foram cortes significativos no orçamento para todas as etapas de ensino, especialmente no ensino superior. No estudo que o Inesc fez, a gente demonstra que as universidades foram perdendo recursos ano a ano e isso pesa muito nos ombros do corpo docente, até porque são os professores e as professoras que estão na linha de frente, enfrentando todas as dificuldades e recebendo todo feedback dos estudantes. O desafio é muito grande e a gente precisa ficar de olho e fazer o controle social acerca do que vem por aí.

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Por onde a #CaravanaPelaDemocracia do CPERS passa, se intensifica o debate a respeito dos projetos de Estado em disputa nas próximas eleições e a importância de escolher candidatos que defendam a educação e os trabalhadores(as).

Nesta quarta-feira (31), primeiro dia da quinta semana de mobilização, o Sindicato visitou escolas e rádios das regiões de Ijuí (31º Núcleo) e Lagoa Vermelha (25° Núcleo) na luta pela educação pública e a valorização dos profissionais da educação.

“Nós convidamos os colegas a fazerem um debate, avaliar a sua profissão, a educação pública, os governos. Precisamos pensar nos recursos, nos investimentos na educação e em nós, na nossa profissão. Considerar projetos para governos e parlamentos, é esse o centro da nossa Caravana. Fazer a reflexão e ver o governo que trabalhou pela educação e quem nos tirou direitos e atacou a educação pública”, destaca o presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt, durante visita às escolas de Lagoa Vermelha.

O vice-presidente do Sindicato, Edson Garcia, também acompanhou o roteiro pela região e avalia que o conhecimento sobre a história de quem votamos é essencial para o futuro da educação e para a valorização dos educadores(as).

“Estamos aqui plantando uma semente. Vemos muita gente falando que não gosta de política, mas, a nossa vida gira em torno da política. Quando estamos votando, não estamos votando em pessoas, mas sim em projetos de partidos. Temos que avaliar muito, se não estaremos colocando no governo e no parlamento quem vota contra nós, educadores e contra a educação pública”.

Acompanharam a Caravana em Lagoa Vermelha o diretor do 25º Núcleo, Joarez Antonio Lorenson, e as educadoras Suzana Guimarães, Lúcia Solange Talamine Pinto, Sandra Menegaz e Inês Maria Lorengian.

“O Rio Grande do Sul é o único estado que não faz um estudo específico sobre a realidade local para a questão do vale-transporte. Há muitos colegas que estão pagando para trabalhar. Precisamos, cada vez mais, nos unir para defender nossos direitos e termos a merecida valorização dos professores e funcionários de escola”, pontuou a secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann, em diálogo com a categoria nas escolas de Panambi, região do 31° Núcleo – Ijuí.

“Estamos visitando as escolas para conversar com a nossa categoria sobre a importância da participação dos funcionários e dos professores, da ativa e aposentados, nas eleições de outubro. Temos a responsabilidade de escolher entre dois tipos de projetos: um que reza na cartilha do mercado financeiro e que retira direitos e vende tudo que é nosso e outro que defende os direitos sociais e dialoga com a categoria e o sindicato. O poder de decisão está em nossas mãos”, destacou a diretora do CPERS, Sandra Regio.

Também acompanharam a Caravana em Ijuí, os diretores Juçara Borges e Leonardo Preto Echevarria, a diretora do 31° Núcleo, Teresinha de Jesus Boneto Mello, a representante 1/1000 do Núcleo, Maria Eugênia Fiorine, e a suplente de 1/1000, Ida Dettmer.

O CPERS segue na estrada, até o dia 9 de setembro, visitando escolas para mobilizar a categoria e fortalecer o projeto de futuro que queremos para a educação pública gaúcha e brasileira.

Durante essa semana, a Caravana ainda passará pelas regiões de Vacaria, Erechim,Cruz Alta e Soledade.

>> Confira abaixo as escolas visitadas na #CaravanaPelaDemocracia nesta quarta-feira (31):

> Região do 25° Núcleo do CPERS – Lagoa Vermelha

– EEEM Francisco Argenta, em Lagoa Vermelha
– EEEM Dr. Araby Augusto Nácul, em Lagoa Vermelha
– EEEM Presidente Kennedy, em Lagoa Vermelha

> Região do 31° Núcleo do CPERS – Ijuí

EEEB Poncho Verde (Panambi)
EEEM Paulo Freire (Panambi)
EEEM Panambi (Panambi)
EEEF Adolfo Kepler (Panambi)
EEEM José de Anchieta (Panambi)
EEEF Hermann Faulhaber (Panambi)
ETE 25 de Julho (Ijuí)
EEEM Ruy Barbosa (Ijuí)
EEEM Otavio Caruso Brochado Da Rocha (Ijuí)
IEE Guilherme Clemente Koehler (Ijuí)
EEEF Boa Vista (Ijuí)
EEEF Centenario (Ijuí)
EEEF Ijui (Ijuí)
EEEM São Geraldo (Ijuí)
EEEF Carlos Zimpel (Ijuí)
EEEF Chico Mendes (Ijuí)
CE Modelo (Ijuí)
EEEM Ruy Barbosa (Ijuí)



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A evasão escolar no Brasil tem cor, gênero e endereço. O empobrecimento da população e a falta de políticas públicas na educação sob o governo de Jair Bolsonaro empurrou uma parcela de jovens para fora da escola, segundo especialistas entrevistados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Nos quatro cantos do país, são jovens, de baixa renda, negros/as e moradores de periferia que correm o maior risco de abandonar o ensino. “O Estado não dá nenhuma condição para que esses estudantes permaneçam na escola. Isso é complicado e grave, porque nós entendemos que a educação se dá a partir de três pilares: o acesso, a permanência, e as condições para permanecer estes alunos estudando”, diz a secretária de assuntos educacionais da CNTE, Guelda Andrade.

Em 2021, o Brasil registrou aumento no número de crianças e adolescentes fora da escola: 244 mil meninos e meninas de 6 a 14 anos não estavam matriculados no segundo trimestre – uma alta de 171,1% em relação ao mesmo período de 2019. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Estudantes mais pobres

Muitas crianças e jovens sobrevivem no Brasil com renda per capita de 1 salário mínimo, segundo o levantamento do Módulo Educação, da PNAD de 2019, divulgado pelo IBGE. Guelda afirma que a grande dificuldade dos/as alunos/as para permanecer na sala de aula é a questão financeira, como a falta de transporte e de estrutura para estudar.
“Esse estudante se sente muito abandonado, sozinho, e, às vezes, não tem nem equipamento para assistir às aulas. Isso é um processo que desmotiva os alunos a estudarem”, frisou Guelda.

O diretor de pesquisa e avaliação do Cenpec, Romualdo Portela de Oliveira, vai na mesma linha da dirigente. Ele avalia que esse quadro alto de evasão escolar não veio só com a pandemia de Covid-19, mas a crise sanitária gerou mais dois processos que pioraram a situação. Um, diz ele, é que a população empobreceu, a segunda, é que a crise econômica empurrou muitos estudantes para fora da escola.

“A evasão escolar é essencialmente um processo de rompimento dos vínculos com a escola, isso pode ser uma coisa substantiva. Há uma parcela que já está fora e os que, com a pandemia, perderam completamente o contato com a escola. O grande fator para que os alunos abandonem a escola é a perda de renda”, analisou.

Evasão desigual e política excludente

O avanço da evasão escolar está ligado às questões raciais, gênero e socioeconômicas, como mostra um estudo do Observatório da Educação. Enquanto pessoas brancas e de renda alta alcançam os maiores índices de escolaridade, já pessoas negras e de renda mais baixa tendem a ter um menor índice de avanço escolar. Segundo o PNAD referente ao ano de 2015, quando a família do aluno é chefiada por homem branco, com pelo menos a escolaridade média completa, renda alta e residente de área urbana, a chance deste aluno frequentar a escola normalmente é de, 79%. Já na hierarquia de raça, quando se trata de famílias chefiadas por mulheres negras, analfabetas e da área rural, esse índice é de 65% no Estado do Maranhão, e de 21,7% em Santa Catarina.

As meninas têm outros motivos para abandonar escola

A gravidez precoce afasta também as meninas adolescentes da escola, relembra a dirigente da CNTE, Guelda Andrade, que coloca o machismo exacerbado na sociedade como um dos fatores desse distanciamento. “Até porque nessa sociedade o filho é da mãe, e não do pai, que não tem responsabilidade com a criança. Se ela engravidou, tem que assumir, então tem as limitações que normalmente o pai não assume nem no afeto e nem no financeiro. E a mãe se vê numa condição extrema de sobrecarga emocional e deixa de ir à escola”, finaliza.

Medidas sociais para inclusão

No Plano Nacional de Educação (PNE), lei aprovada em 25 de junho de 2014, está prevista uma estratégia para a universalização da educação para a população entre 4 e 17 anos, a busca ativa dessas crianças e adolescentes fora da escola.

A busca ativa é uma forma de chegar até as pessoas que, seja por desconhecimento, dificuldade ou outros impedimentos, não têm acesso à escola ou demais serviços públicos, em parceria com órgãos públicos de assistência social, saúde e proteção à infância, adolescência e juventude. Veja no site www.deolhonosplanos.org.br exemplos de como esse tipo de política vem combatendo desigualdades.

No último dia 22 de agosto, o município de Rio Branco, capital do Acre, instituiu a Busca Ativa Escolar (BAE) como política pública contínua, com intuito de atender às estratégias previstas no Plano Municipal de Educação, assegurando que o município deve promover a busca ativa de crianças e adolescentes em parceria com órgãos públicos de assistência social, saúde e proteção à infância.

“O acesso à educação de qualidade é um direito de todas as crianças e todos os adolescentes. E, ao acreditar que podemos transformar vidas e realidades por meio da educação, entendemos que a Busca Ativa Escolar é mais que um programa, mas uma política pública”, declarou o prefeito para o site do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Segundo Romualdo de Oliveira, o Estado tem que promover políticas públicas para combater a pobreza e ajudar com auxílio financeiro para que estudantes permaneçam na sala de aula. “O que precisa fazer é a renda cidadã, basicamente para essa população que empobreceu. Se não garantir sobrevivência mínima, não volta para escola. A segunda coisa é que a grande maioria da população brasileira entrou e saiu da escola, portanto, se não mexer nas práticas da escola, vai continuar produzindo exclusão”, ressaltou o diretor de pesquisa e avaliação do Cenpec, que completou: “Temos que falar na escola das lutas antirracista e antissexista, e de políticas que falam com pessoas vulneráveis”.

>> Saiba mais: Pandemia ampliou desigualdade no ensino, evasão escolar e perda de aprendizagem

Fonte: CNTE

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Após uma maratona de Encontros Regionais iniciados no mês de maio, o Departamento de Aposentados(as) do CPERS realizou, nesta segunda (29) e terça (30), o IV Estadual de Aposentados(as) do Sindicato, em Bento Gonçalves.

Assim como no primeiro dia, o encerramento do Encontro foi marcado por muita luta por valorização de professores(as) e funcionários(as) de escola aposentados(as) que, após dedicar uma vida à educação estadual, seguem reivindicando o mínimo: respeito e uma aposentadoria digna e sem sustos no contracheque.

A diretora do Departamento de Aposentados(as) do CPERS, Glaci Weber, ressalta que em razão da pandemia, o evento – que deveria ter ocorrido em 2020 – finalmente aconteceu, possibilitando um espaço qualificado de debate e socialização para os educadores(as) aposentados(as).

“Após dois anos de pandemia, estamos aqui reunidos novamente. Os nossos professores e funcionários de escola aposentados encontram aqui um espaço para discutir a atual política, analisando a conjuntura tanto do Rio Grande do Sul quanto do Brasil, assim como tiveram a oportunidade de aprofundar o conhecimento em temas como saúde e sexualidade”.

Glaci também destaca a importância das atividades culturais desenvolvidas pelo Sindicato: “ontem realizamos a Noite das Danças Folclóricas, onde nossos aposentados apresentaram todo o seu talento e o árduo trabalho de ensaio desenvolvido nos núcleos. Esse foi um momento muito importante, porque cultura e educação andam juntos”. 

O presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt, acredita que o Encontro contribui para o fortalecimento da luta contra aqueles que insistem em atacar a educação. 

“Nossos aposentados e aposentadas, que dedicaram uma vida à educação, hoje compõem mais de 50% dos nossos sócios e em nenhum momento se furtaram da luta. Hoje, esses educadores saem fortalecidos desse evento, mostrando a sua disposição em construir um caminho para vencermos os projetos que não valorizam os interesses do povo e da educação”.

Mesas temáticas aquecem o debate e fortalecem a luta da categoria

As mesas temáticas do último dia de Encontro Estadual de Aposentados promoveram debates sobre a atual conjuntura política, saúde e questões jurídicas. 

Na primeira mesa do dia, o Funcionário de Escola e Diretor Geral do 29º Núcleo de Santiago, Leandro Wesz Parise, palestrou sobre “A situação do Rio Grande do Sul no cenário político brasileiro”. 

“Hoje, as políticas que o governo do Rio Grande do Sul apresenta são políticas cada vez menos voltadas aos educadores e cada vez mais focadas nos interesses do mercado. É preciso ação para mudarmos essa situação. Em razão das dificuldades do dia a dia, às vezes, esquecemos que somos agentes políticos e formadores de opinião e que o nosso voto tem poder”, destacou Leandro. 

O Dr. André Moschetta, médico formado pela Universidade Federal de Pelotas e especialista em Geriatria no Hospital São Lucas da PUC, conversou com as educadoras(es) sobre Estilo de Vida e Saúde. “É importante adotarmos uma visão mais positiva da vida, do tempo e da idade e cultivar conexões positivas em nossas vidas”. 

Informes jurídicos

Para encerrar os debates, a assessoria jurídica do CPERS, representada pelo Escritório Buchabqui e Pinheiro Machado, debateu as reformas que atacam os direitos dos aposentados(as). 

O advogado Marcelo Oliveira Fagundes apresentou informes sobre ações em andamento e mudanças legislativas importantes para a categoria.  O destaque ficou para o tema do desconto Previdenciário e a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), que aguarda decisão da justiça. 

“O julgamento da nossa ADI estava marcado para o dia 24 de janeiro deste ano, mas não houve apreciação do mérito, o que significa que a ação ainda deve aguardar pela decisão do STF. O CPERS e o escritório seguem vigilantes na matéria e tem acompanhado de perto todos os desdobramentos, sobretudo na requisição de que o julgamento aconteça o mais breve possível”.

O reenquadramento dos professores(as) que tiveram suas aposentadorias de 40h transformadas em subsídios de 20h, problema que afeta em sua maioria educadores(as) com mais de 70 anos, que após dedicarem uma vida à educação, não conseguem sequer comprar os remédios que necessita, também foi debatido.

Marcelo ressaltou que recentemente o Sindicato e o escritório entregaram ao governo uma série de documentos que comprovam que diversos aposentados(as) têm direito ao enquadramento original, mas até o momento não houve retorno.

Habilidades e talentos dos educadores são destacados nos momentos culturais do Encontro

Poesia, dança e música foram apenas alguns dos talentos apresentados nesta terça. Os aposentados e aposentadas do CPERS subiram ao palco e provaram que idade não é limite para aqueles que acreditam. 

A professora aposentada e intérprete cultural, Bertolina Miotto, abriu o Encontro com um recital de poesia que enalteceu o ser mestre e os aposentados(as). 

Em momento emocionante, As Irmãs Madruga, dupla formada pelas educadoras Terezinha Farias e Nara Madruga, de Santiago, sempre presentes nos eventos do Sindicato, entoaram canções da música popular brasileira e foram acompanhadas em todas as letras pelo público. 

A professora Cora Cecilia de Almeida Gomes realizou uma apresentação musical especial de canto lírico com a interpretação da Ave Maria de Schubert.

Avante educadores, de pé! 

Ao fim do Encontro, entoando o Hino do CPERS e com bandeiras em punho, os educadores(as) aposentados(as) do Sindicato assumiram o compromisso com a luta e a participação massiva na Marcha das Aposentadas(os) do CPERS, que será realizada no próximo dia 13 de setembro, em Porto Alegre. Saiba mais aqui!

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Alex Saratt (*)

Estamos em plena atividade. A Caravana Pela Democracia: nas escolas, nas ruas e nas urnas sintetiza nossas concepções, posições e projetos. A defesa da democracia é uma constante no CPERS, desde a liberdade de cátedra, passando pela Gestão Democrática e alcançando o sistema político que rege o funcionamento das instituições do país.

As escolas, individuais ou em conjunto, sempre foram o esteio da formulação sindical, pedagógica e política do Sindicato. As ruas representam o espaço primordial da atuação da categoria, onde tornamos públicas nossas reivindicações, críticas e propostas. As urnas significam a oportunidade de construir programas que atendam a educação, bem como governos e parlamentos sensíveis e comprometidos com nossas causas.

Haverá diversos candidatos e discursos. Examinaremos sua correspondência com a prática, colocaremos em contraste as experiências e resultados anteriores e atuais, apontaremos quais são as nossas perspectivas. O voto, por óbvio, caberá a cada consciência. Melhor será se houver uma compreensão e atitude coletiva.

Na condição de sindicato classista, preocupado não só com questões salariais, funcionais ou corporativas, mas também com as demandas da sociedade por uma educação que forme cidadãos e contribua para o desenvolvimento econômico, cultural, científico e tecnológico da Nação, o CPERS se associa às decisões da CONAPE e a outras referências políticas emanadas dos fóruns e entidades de expressão popular.

A superação da crise generalizada que atinge o Brasil e o Rio Grande do Sul exige a revogação do aparato jurídico-legal que açoita os trabalhadores. A EC 95, as Reformas Trabalhista e da Previdência e o Novo Ensino Médio, estão na ponta das mudanças que precisaremos realizar se quisermos verdadeiramente ter um projeto nacional e regional vigoroso, sustentável e bem-sucedido.

Outrossim, o CPERS segue na luta social, mas assevera que a conjuntura atual requisita um foco e objetivo: fazer vencer – política, eleitoral e ideologicamente – aqueles que vão dar novo rumo ao país e ao estado, impedindo o avanço da escalada fascista e livrando-nos do malfadado neoliberalismo.

Avante, Educadores!

(*) Professor de História e presidente em exercício do CPERS

Artigo originalmente publicado no Sul Vinte Um.

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