Após pressão do CPERS, representantes de escola indígena destruída por vendaval são recebidos pela Seduc


Após três meses de pressão do CPERS e da comunidade escolar da EE Indígena Kame Mre Kanhkre, em Carazinho, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) reuniu-se, nesta sexta-feira (24), com representantes da instituição e do Sindicato para buscar uma solução à situação extremamente precária em que a escola se encontra.

Em março um vendaval destruiu a estrutura anterior e atualmente as aulas ocorrem em uma casa de madeira improvisada, com enormes frestas e sem banheiro.

O cacique Ivo Galles e o professor Adilson Jacinto relataram o sentimento de abandono. “Apesar da escola estar registrada, tudo certinho, parece que ela existe apenas no papel, pois olha a situação em que estamos? Completamente abandonados”, expôs Galles.

Jacinto, único educador da instituição, lembrou que a escola teve, inclusive, o pedido de mesas e cadeiras negado. “Disseram que não iam enviar porque podia estragar. Senti como se nos considerassem uns selvagens”, desabafou.

Ainda conforme o educador, em dias de frio intenso ou chuva, os alunos precisam ser dispensados, pois há muitas goteiras.

Estado acumula dívida e não soluciona o problema

O judiciário já estabeleceu, desde 2019, multa diária para o Estado. Devido ao não pagamento, o montante já chega a aproximadamente R$ 150 mil.

Durante a reunião, o diretor geral da Seduc, Guilherme Daltrozzo Corter, trouxe novamente a proposta de estruturação de contêineres para abrigar a escola. O valor mensal para manter a estrutura fica em torno de R$ 2.500.

“É bem mais caro pagar o valor da multa, que se acumula desde 2019, ou manter contêineres, do que construir uma estrutura nova para a escola. E não entendo como não há ninguém da Secretaria de Obras presente nesta reunião”, observou a diretora do CPERS, Glaci Weber, que acompanhou a reunião junto com a diretora Alda Bastos Souza e a diretora do 37º Núcleo, Adelia Menezes dos Santos.

A sugestão apresentada por Corter foi refutada pelo cacique. “Nossa comunidade não quer os contêineres. Preferimos, então, que sejam repassados recursos para comprarmos madeira e construirmos outra estrutura provisória até que seja possível uma nova”, afirmou.

No final da reunião, ficou acordado que a escola receberá, nos próximos dias, mesas, cadeiras e demais mobiliários necessários. Os recursos para a compra dos materiais para a construção de uma nova estrutura provisória, em torno de R$ 17 mil, serão repassados após a audiência judicial que ocorrerá no dia 15 de julho, entre a secretárias de Educação e de Obras, o Ministério Público Federal  e a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para tratar da questão.

“Subimos um degrau e vamos seguir até conquistarmos uma escola nova”

Na avaliação do cacique, a reunião foi positiva, visto que foi possível avançar. “Não era o que esperávamos, mas subimos um degrau. Vamos continuar lutando por uma nova escola para a nossa comunidade.”

O professor Adilson ressaltou a importância da mobilização e da pressão realizada ao longo dos últimos meses. “A pressão que fizemos com o apoio do CPERS foi fundamental para chegarmos aqui. É um paliativo, mas já é melhor do que a nossa situação atual”, avaliou.

As direções estadual e regional do Sindicato seguirão acompanhando o desenrolar dos fatos. O direito à educação é assegurado pela Constituição. O CPERS seguirá vigilante e mobilizado para que a comunidade escolar da EE Indígena Kame Mre Kanhkre tenha acesso a uma educação de qualidade em uma estrutura adequada e digna.

 

 

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