Tri caro: governo torra dinheiro da educação com o programa Avaliar é Tri


Eduardo Leite (PSDB) tem tido gastos absurdos com o dinheiro da educação pelo programa Avaliar é Tri.

Mesmo causando inúmeros transtornos à organização da rotina escolar e indignação entre a categoria, o governo insiste em manter o programa e, agora, as avaliações, que encerraram nesta terça (15), passaram a ser bimestral.

Somente para a impressão de provas direcionada às escolas, Leite já gastou R$1,3 milhão, apenas neste ano, conforme dados levantados pelo Dieese

No ano passado, à Fundação Cesgranrio, o governo pagou o valor de R$ 1 milhão, provavelmente vinculado ao PISA-S, com inexigibilidade de licitação. E nesse ano, de acordo com o Portal de Transparência, até 11 de março, já há a programação de repassar para a mesma instituição mais R$ 3 milhões.

Ao final do ano de 2021, R$ 759 milhões foi pago à Universidade Federal de Juiz de Fora, contratada pelo governo com dispensa de licitação.

As polêmicas por trás do Avaliar é Tri

A toque de caixa e sem qualquer diálogo com a rede estadual, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) lançou, em 2021, o projeto para avaliação diagnóstica da aprendizagem dos estudantes no período pandêmico.

Foi a terceira tentativa atrapalhada de estabelecer um sistema do gênero. Antes, educadores(as) preencheram incontáveis planilhas e perderam tempo com a desastrosa plataforma “Avalia”, iniciativas lançadas e descartadas pela Seduc sem qualquer retorno às escolas.

Na primeira versão do Avaliar é Tri, de acordo com a Seduc, participaram 500 mil estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio da rede estadual, durante a avaliação concluída em junho passado.

A avaliação diagnóstica foi feita de forma impressa e digital, e a prova, elaborada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF).

Na ocasião, também houve denúncias sobre a efetividade da avaliação, uma vez que as mesmas provas estavam disponíveis na internet juntamente com o gabarito, conforme noticiado pela imprensa.

No período em que a avaliação estava ocorrendo no estado (maio e junho de 2021), não foi possível encontrar registros de despesas tendo como credor a Universidade Federal de Juiz de Fora e derivados.

Através de pedido de esclarecimento via Lei de Acesso à Informação, o governo informou que o trabalho executado pelo CAEd não gerou custos ao estado, sendo que a Secretaria apenas enviou verba, via autonomia financeira, para as escolas imprimirem as avaliações, quando não possível a realização da avaliação no formato digital.

Sobrecarga e exclusão também marcam o programa

 Além dos gastos absurdos para a implantação do programa e aplicação das provas, há muitas dúvidas sobre a efetividade dos resultados do sistema de avaliação e das condições de trabalho dos educadores(as) para a consecução do plano de ação junto aos alunos(as).

A professora de língua portuguesa, Jocelene Trentini Rebeschini, da EEEM Ernesta Nunes, de Carazinho, relata que os professores(as) e os alunos(as) estão sentindo o peso das provas extras.

“Nós, professores, elaboramos avaliações diagnósticas dos nossos alunos porque nós tivemos essa orientação da Seduc durante as formações no início do ano letivo e passamos praticamente essas três primeiras semanas de aula avaliando eles; e em seguida, eles já tiveram que fazer essa avaliação do Avaliar é Tri. Num ano em que a gente tem uma implantação de bimestre, nós passamos praticamente um mês de aula só em cima de avaliação”. 

Jocelene afirma ainda que faltou organização do governo na implantação. 

“Só agora nós vamos organizar, planejar conteúdo e daqui a pouco nós temos que fazer mais duas avaliações para fechar as médias. Então, esse primeiro bimestre foi mal planejado. Claro que avaliar e diagnosticar é importantíssimo dentro do processo de planejamento do professor, mas eu acho que houve um excesso”. 

Para piorar, estudantes com deficiência estão de fora da avaliação. O CPERS recebeu a denúncia de um professor – que não quis se identificar – pelo Facebook.

De agosto de 2021 até o momento, já são mais de R$ 6 milhões destinados para essas avaliações.

Os dados comprovam: o programa Avaliar é Tri caro. Não adianta o governo Leite (PSDB) vender a imagem de inovação, se – na prática – há muito gasto e retrocesso.

É urgente que o governo cesse as tentativas de reinventar a roda, ouça a comunidade escolar e cuide do que é essencial neste período; fornecer condições adequadas de trabalho, segurança sanitária para o ambiente escolar e salário digno para todos 0s educadores(as).

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