Transmissão no RS é 30x maior do que o recomendado por autoridades dos EUA para aulas presenciais


Dominado pelo senso comum e poucas evidências, o debate público a respeito da volta às aulas presenciais tem deixado de lado o rigor científico e minimizado os riscos do ambiente escolar neste grave momento da pandemia.

Com a inação do MEC e do Ministério da Saúde em determinar parâmetros mínimos para uma política nacional de reabertura das escolas, governantes como Eduardo Leite (PSDB) cedem à pressão de grupos negacionistas e transformam a retomada em uma bandeira pessoal.

Mas, se consideramos os parâmetros internacionais, a volta seria impensável.

O Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC), órgão que regula as diretrizes para a prevenção e combate à Covid-19 no país, estabeleceu indicadores para mensurar os níveis de transmissão comunitária e como eles refletem na segurança do ambiente escolar.

O método consiste em somar os novos casos de Covid-19 dos últimos sete dias, dividir pela população e multiplicar por 100 mil, refletindo, assim, a capacidade de propagação da doença no período por 100 mil habitantes.

Aplicado ao Rio Grande do Sul, com base nos dados divulgados pela Secretaria da Saúde, o método chega ao resultado de 270; número 2,7 vezes maior do que o grau de risco mais alto previsto pelo modelo (100).

Se comparado à taxa esperada para um ambiente com baixo nível de transmissão, a realidade do estado é ainda mais aterradora, com transmissão comunitária 30 vezes superior ao recomendado.


A necessidade de baixar os níveis de transmissão antes de retomar as aulas presenciais tem sido pontuada pelo médico Alexandre Zavascki, chefe dos serviços de Infectologia do Hospital de Clínicas (HCPA) e do Moinhos de Ventos, na capital.

Para ele, sem a redução, continuaremos em um ciclo vicioso. “Abrem-se antes atividades não essenciais para girar a economia, mantém-se a transmissão alta e nunca fica seguro para a escola abrir. E neste momento, se queremos reduzir a transmissão, temos que manter as escolas fechadas”, avalia.

“Aqui no Rio Grande do Sul nunca tivemos o nível de transmissão comunitário recomendado para voltar às aulas de forma minimamente segura. A transmissão aqui é altíssima, principalmente nesse momento”, alerta.

O CPERS considera a ampla vacinação dos trabalhadores(as) da educação, mais recursos humanos, físicos e financeiros para as escolas e estratégias de testagem, rastreamento e monitoramento dos casos nas escolas como condicionantes mínimos de um retorno seguro às aulas presenciais.

Para aprender e ensinar, é preciso ter saúde. #EscolasFechadasVidasPreservadas

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