CPERS cobra compromissos concretos com a educação pública em encontro com pré-candidaturas ao governo do RS


Na tarde desta quinta-feira (21), o CPERS recebeu, em sua sede, em Porto Alegre, os pré-candidatos ao governo do Estado, Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT), além dos pré-candidatos ao Senado, Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL), em um encontro marcado pela cobrança de compromissos concretos com a reconstrução da educação pública no Rio Grande do Sul.

Na ocasião, a Direção Central do Sindicato apresentou os desafios enfrentados pela educação gaúcha nos últimos anos, especialmente diante do arrocho salarial, do desmonte das carreiras, da precarização das condições de trabalho e do avanço das políticas de privatização no setor.

Na abertura da reunião, a presidente da entidade, Rosane Zan, destacou os impactos acumulados sobre a categoria ao longo da última década. “Vivemos, nos últimos 12 anos, governos que não avançaram em direitos, pelo contrário, retrocederam. Em 2019, com a mudança drástica nos planos de carreira do magistério, nossa carreira foi achatada. Funcionárias e funcionários sofrem com o arrocho salarial e os aposentados nunca foram tão desvalorizados”, afirmou.

Rosane também ressaltou a perda do poder de compra da categoria, o aumento do adoecimento, do assédio e da sobrecarga de trabalho nas escolas. “Estamos aqui para reforçar, aos pré-candidatos ao governo e ao Senado, que é necessária uma mudança, uma reforma política que transforme esse cenário. Nós temos muito presente o nosso papel, que não é apenas educar, mas ajudar na construção de uma sociedade mais igual e justa. Somos o segundo maior sindicato da América Latina e contamos com respeito e espaço para o diálogo”, declarou.

Durante o encontro, o CPERS entregou e teve assinada pelas pré-candidaturas uma carta-compromisso com as principais reivindicações da categoria. Entre os pontos centrais do documento estão a valorização dos planos de carreira do magistério e das(os) funcionárias(os) de escola, a recuperação das perdas salariais, o fim do desconto previdenciário de aposentadas e aposentados, a realização de concursos públicos, o combate à terceirização e à municipalização, a defesa do IPE Saúde público e de qualidade, além da oposição às PPPs e aos processos de privatização da educação pública. 

A carta também reivindica a retomada da gestão democrática nas escolas, investimento mínimo de 35% em educação e políticas de atenção à saúde mental de estudantes e trabalhadoras(es) da educação. 

A assinatura do documento pelos candidatos marcou o compromisso público com as pautas apresentadas pelo Sindicato e com a defesa da educação pública no Rio Grande do Sul.

Também foi apresentado um documento produzido a partir da Caravana realizada em diversas regiões do Estado, reunindo relatos sobre as condições das escolas, a realidade enfrentada pelas comunidades escolares e as demandas apontadas por professoras(es), funcionárias(os) e aposentadas(os) da rede pública estadual.

A pré-candidata ao governo do Estado, Juliana Brizola (PDT), afirmou que não há possibilidade de desenvolvimento econômico sem investimento em educação pública e valorização profissional. “Todo mundo quer saber de desenvolvimento econômico, mas, para mim, não existe desenvolvimento sem educação valorizada e não existe educação de qualidade sem educador motivado”, declarou.

Juliana (PDT) também criticou a atual gestão estadual. “Leite diz que arrumou a casa, mas que casa é essa que arrumaram se vão deixar um rombo de R$ 4,8 bilhões? Apesar disso, nosso compromisso é 100% com a categoria. O meu sonho é que a gente resgate o plano de carreira de vocês. Isso é prioridade para nós, mas isso só pode ser feito em conjunto”, afirmou.

Em outro momento da reunião, a pré-candidata defendeu ainda a construção coletiva de políticas públicas para a educação. “O que o Leite fez foi uma divisão da categoria, proposital para enfraquecer a luta coletiva. Eu quero construir uma proposta de educação com vocês, porque quem tem que falar sobre as mazelas da educação são vocês. Acima das diferenças políticas, o que nos une é resgatar a educação do RS. Precisamos de política pública de Estado e não apenas de governo”, disse.

Outro ponto central do encontro foi a posição firme do CPERS contra a privatização da educação pública no Rio Grande do Sul. O Sindicato manifestou preocupação com o avanço das Parcerias Público-Privadas (PPPs) confirmadas pelo atual governo estadual, entendendo que essas iniciativas representam a transferência das responsabilidades do Estado para a iniciativa privada, em detrimento do interesse público e da qualidade da educação pública.

Ao final da atividade, o CPERS reafirmou que seguirá mobilizado para cobrar compromissos reais com a escola pública, diante de um cenário em que promessas eleitorais se multiplicam. O Sindicato defende que a reconstrução da educação no Rio Grande do Sul passa necessariamente pela valorização de quem sustenta diariamente as escolas públicas, pelo fortalecimento das políticas educacionais e pela garantia de acesso, permanência e qualidade para toda a população.

Mais do que discursos vazios e promessas de campanha, educadoras(es) querem compromisso de verdade, valorização e respeito. Defender a educação pública é defender o presente e o futuro do Rio Grande do Sul. Não existe desenvolvimento, justiça social ou esperança possível quando se ignora quem ensina, acolhe, resiste e mantém viva a escola pública todos os dias.

Por isso, a força da nossa categoria precisa ocupar todos os espaços de decisão, inclusive o processo político-eleitoral. É hora de transformar a indignação em organização e participação, unindo a luta autônoma e histórica da educação com projetos e candidaturas comprometidos com a escola pública, com os direitos das(os) educadoras(es) e com um futuro mais justo para toda a sociedade.

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