Em um esforço contínuo para promover o bem-estar das(os) trabalhadoras(es) em educação, o CPERS realizou uma live especial, nesta quarta-feira (18), como parte das atividades do Setembro Amarelo. Com o tema “Educador(a): se precisar, peça ajuda”, a transmissão foi uma iniciativa do Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do Sindicato, dedicada à conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a saúde mental no ambiente escolar.
>> Confira, abaixo, a live completa:
A pandemia de Covid-19 deixou marcas profundas na saúde mental das(os) profissionais da educação, da ativa e aposentadas(os). Durante a live, especialistas destacaram como a crise sanitária agravou problemas emocionais preexistentes, somando-se ao impacto de questões financeiras, como a defasagem salarial. O cenário de sobrecarga de trabalho, demandas sociais e mudanças climáticas também tem pesado no equilíbrio emocional de professoras(es) e funcionárias(os) de escola.
Suporte e orientação
A diretora do Departamento de Saúde da Trabalhadora(or) do Sindicato, Vera Lessês, enfatizou que educadoras(es), da ativa e aposentadas(os), podem contar com o CPERS, que está sempre disponível para oferecer suporte e orientação à categoria.

“Este é um espaço dedicado a cuidar de cada um de vocês, pois a saúde emocional é tão importante quanto qualquer outro aspecto de nossa vida profissional. Que a gente acolha nossos colegas com empatia, atenção e respeito. Muitas vezes, um olhar atento, uma palavra de apoio ou um simples gesto podem fazer a diferença na vida de alguém que está lutando em silêncio. Lembremos da importância de pedir ajuda quando necessário, porque isso não é sinal de fraqueza, mas de força e coragem. Saúdo a todos, com a certeza de que juntos podemos enfrentar qualquer desafio. Não estamos sozinhos!”, destacou Vera.

Conforme o 1º vice-presidente do CPERS e também diretor do Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do Sindicato, Alex Saratt, a entidade conta com um suporte sólido, com diversos convênios, que visam proporcionar apoio integral às(aos) trabalhadoras(es) da educação.
“Esse suporte é essencial, pois entendemos que as necessidades dos nossos colegas não se limitam apenas às questões salariais, mas também abrangem a saúde física e mental. Por isso, a importância de realizarmos uma live qualificada, onde possamos abordar de maneira clara e profunda os problemas humanos que enfrentamos no dia a dia. Em um momento tão desafiador, é fundamental que estejamos atentos aos direitos, às lutas por melhores salários e ao bem-estar daqueles que constroem o futuro da nossa educação. Que possamos, juntos, compreender e buscar soluções para as questões que impactam nossa vida profissional e pessoal, reforçando o compromisso do CPERS com a saúde e a dignidade de todos”, asseverou Alex.
Setembro Amarelo: a importância de criar espaços seguros para enfrentar batalhas emocionais silenciosas
A psicanalista clínica, terapeuta e analista comportamental, Caroline Morais, destacou a importância de se atentar às complexidades emocionais que permeiam nossa sociedade. Segundo ela, o papel das(os) profissionais de saúde mental vai além do apoio técnico ou teórico; trata-se de criar espaços seguros onde as pessoas possam expressar suas dores, dúvidas e desafios com confiança.
“Esse trabalho se reflete diretamente na capacidade de transformar vidas, especialmente em momentos de fragilidade emocional, como o Setembro Amarelo nos alerta”, explicou Caroline.

A psicanalista ressaltou que o Setembro Amarelo é uma campanha essencial para conscientizar sobre a prevenção ao suicídio. Muitas vezes, as pessoas enfrentam batalhas internas silenciosas. As enchentes no Rio Grande do Sul, por exemplo, causaram perdas e inseguranças que agravaram as vulnerabilidades emocionais das gaúchas(os).
“Isso se conecta à percepção de que os sinais de sofrimento emocional nem sempre são claros ou explícitos. É crucial estarmos atentos aos sinais sutis, que podem se manifestar de formas diversas, como o isolamento, o desânimo ou a perda de interesse em atividades”, frisou Caroline.
Frases como “eu não tenho razão para estar vivo” ou “não faço diferença na vida de ninguém” são indícios de um profundo sentimento de desesperança.
“As perdas — sejam materiais, de saúde ou de controle sobre o futuro — nos fazem sentir frágeis diante do desconhecido. Essa fragilidade pode ser o gatilho que leva alguém a perder o sentido da vida. Muitos casos de suicídio estão relacionados a algum transtorno psiquiátrico, como a depressão e, em muitas circunstâncias, o uso de substâncias agrava ainda mais a situação”, explicou a psicanalista.
Com o objetivo primordial de zelar pela saúde mental e bem-estar de suas sócias(os), o CPERS estabeleceu parcerias com renomados profissionais da área, permitindo, assim, proporcionar descontos às(aos) associadas(os) e familiares. A Dra. Caroline é uma das parceiras, contate-a pelo Instagram @psicanalista.carolinemorais ou pelo WhatsApp (51) 99181-0000.
“Por isso, eu quero reforçar: não estamos sozinhos. Estamos todos conectados e podemos oferecer apoio uns aos outros. Se você está enfrentando dificuldades, busque forças e peça ajuda. Não sejamos cruéis conosco mesmos nem com os outros. Cada gesto de empatia e solidariedade pode salvar uma vida”, encerrou Caroline.
Saúde Mental das trabalhadoras da educação: um desafio urgente
Francisca Pereira da Rocha Seixas, secretária de Saúde das(os) Trabalhadoras(es) em Educação da CNTE, enfatizou a necessidade urgente de políticas públicas voltadas para a saúde mental das(os) profissionais da educação. Segundo ela, investir na prevenção e tratamento dos que já sofrem com problemas de saúde mental é essencial para garantir um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
A importância da presença de psicólogas(os) e assistentes sociais nas escolas tem sido amplamente debatida. Seixas defende que essas(es) profissionais devem estar presentes não apenas para atender as(os) alunas(os), mas também para oferecer suporte às(aos) trabalhadoras(es) da educação, que frequentemente enfrentam condições de trabalho adversas.

O comportamento da extrema-direita tem contribuído para a desvalorização das(os) educadoras(es), minando sua autoridade e importância. Além disso, questões ideológicas, como o avanço do ideal de empreendedorismo e as mudanças trazidas pela Reforma do Ensino Médio, desviam o foco de uma educação integral e crítica, e sobrecarregam trabalhadoras(es) da educação.
“Estamos vivendo retrocessos alarmantes. A política da ‘Escola Sem Partido’, que é inconstitucional, ainda é defendida por alguns grupos. Há também uma crescente ameaça de privatização da educação, como já visto nos estados do Paraná e São Paulo, onde plataformas educacionais transformaram as escolas em verdadeiros balcões de negócios”, asseverou Francisca.
Ela também destacou que a situação das educadoras(es) é complexa. Muitas(os) estão adoecidas(os) e enfrentam preconceito até mesmo de colegas de trabalho.
“A desvalorização profissional e a falta de apoio agravam esse cenário, resultando em profissionais saudáveis hoje que podem se tornar adoecidos amanhã. Essa realidade afeta não apenas os que estão em sala de aula, mas também os aposentados, cuja condição de saúde mental se agrava com o tempo devido ao desamparo governamental”, explicou.
Em novembro, em Brasília, a Secretaria realizará um evento presencial para debater políticas públicas de tratamento para as(os) adoecidas(os) quanto de prevenção, visando garantir o bem-estar das(os) trabalhadoras(es) da educação.
“A luta continua, pois apenas a mobilização transforma a realidade. Estamos em um ano crucial de eleições municipais, que nos dará uma prévia do que enfrentaremos em 2026. O futuro da educação e a valorização dos profissionais dependem da nossa união e resistência. Ninguém solta a mão de ninguém”, finalizou.
Vale destacar que o Centro de Valorização da Vida (CVV) promove apoio emocional e prevenção do suicídio, com atendimentos gratuitos a qualquer pessoa 24 horas por dia. A assistência é pelo telefone 188.
O CPERS defende que, através da empatia, do apoio mútuo e da busca por soluções coletivas, é possível superar desafios e construir um ambiente educacional mais saudável e acolhedor. Continuaremos a lutar por melhores condições de trabalho e por políticas públicas que valorizem e protejam nossas(os) profissionais.





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