Segurança para lutar: morte de Mãe Bernadete revela a crueldade da classe dominante diante de mulheres subversivas


Bernadete Pacífico era a Matriarca do Quilombo de Pitanga dos Palmares, na Bahia. Representante das demandas políticas do território e combativa perante as tentativas de tomada de posse por parte de invasores, Mãe Bernadete foi assassinada a tiros na última quinta-feira (17), dentro de casa. Quatro homens armados a executaram na frente dos netos, sob um solo que historicamente está fundamentado na resistência do povo negro. 

Em reportagem produzida pelo Brasil de Fato, revelou-se que o quilombo em questão está em uma área marcada pela especulação imobiliária industrial e pelos impactos de grandes empreendimentos públicos e privados. 

O cenário conflituoso data desde o século XVIII, quando a violência era travada pelos grandes latifúndios. A cara da classe dominante pouco mudou de lá para cá, e a disputa pelo território se sucedeu de forma cruel e desigual.  

O CPERS, em nome do Coletivo de Igualdade Racial e Combate ao Racismo, revolta-se diante de mais um crime cometido contra uma liderança negra e feminina. Mesmo inserida no programa de proteção da Polícia Militar, desde o assassinato do filho, Mãe Bernadete teve sua trajetória política interrompida pelo racismo religioso e pela misoginia dos interesses mercadológicos instalados na região. 

O desejo do Sindicato é o de responsabilização pelo assassinato e de força para que a comunidade siga em luta. A luta de mãe Bernadete é a nossa luta!

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