Respeito e alegria são uma bela parceria | por Solange Carvalho


artigo de Solange Carvalho*

Vivemos em uma sociedade machista. A formação cultural reflete séculos de preponderância masculina. Há pouco mais de 50 anos, mulheres precisavam de autorização do marido para diversos atos da vida civil e, há apenas 88 anos, conquistaram o direito ao voto.

Hoje, a igualdade entre homens e mulheres é garantida por conquistas legislativas à custa de importantes lutas femininas que, no papel, permitiram um Estado de Direito garantidor dessa igualdade.

E na vida real?  O povo brasileiro alimentou e ainda alimenta a cultura do machismo. Aqueles que não se dizem machistas participam de brincadeiras machistas e comportamentos machistas com piadinhas que não devem ser comuns – mesmo em um ambiente formado por homens.

No Carnaval, brotam campanhas contra o assédio às mulheres e que destacam o respeito às escolhas e às liberdades individuais para o entendimento de que “não é não”.

Ninguém nasce violento ou racista. Esse comportamento vem sendo moldado dentro de casa, na comunidade e na sociedade. Isso nos remete à responsabilidade de que, como integrantes dessa mesma sociedade, precisamos formar uma geração diferente da nossa.

O que é considerado exagero durante o ano todo, muda de perspectiva no carnaval. Fantasia, maquiagem, glitter e energia na folia nunca são demais – o respeito também não. Seja homem ou mulher, lésbica, gay, bissexual, transexual ou travesti, a liberdade de ir e vir é um direito de todos.

Carnaval é período de muita festa, diversão, paquera, mas também de altos índices de importunação sexual ainda cometidos por uma forma de dançar, de andar, de se vestir ou se fantasiar. Estes preconceitos podem levar a comportamentos agressivos cometidos contra as mulheres, que ali estão apenas para se divertir, e não para serem tocadas, importunadas ou violentadas.

Sempre é bom lembrar que a alegria é livre de preconceitos. Poder brincar é um direito e o respeito, um dever.

*Solange Carvalho é 1ª vice-presidente do CPERS/Sindicato e coordena o Departamento de Gênero e Diversidade

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