“Querem nos matar à míngua”; Seduc força fechamento de turno em escola de Erval Seco


O governo Leite (PSDB) não dá paz para a escola pública.

Após lutar por quatro anos contra o fechamento do turno da tarde, a EEEF Balbino Pereira, de Erval Seco, descobriu pelo sistema de controle de matrículas que o Estado cadastrou somente três turmas no ISE, juntando estudantes do 1º, 2º e 3º,  4º, 5º e 6º, e 7º, 8º e 9º anos.

“Qual professor na mesma sala de aula vai ter condições de trabalhar com três turmas de séries diferentes? Eles querem nos matar à míngua mesmo”, desabafa a coordenadora pedagógica e professora Tatiana Bossler.

Com a mudança, a escola que já trabalhava com turmas multisseriadas – uma especificidade das instituições do campo – perderá o turno da tarde, apesar da contrariedade de pais, educadores(as) e estudantes.

Nos registros da 20ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), o turno foi fechado no início do ano letivo. Mas a instituição resistiu.

A comunidade escolar participou de audiências, fez abaixo-assinado e oficiou documento junto à coordenadoria e ao Ministério Público. Em gesto de coragem, continuou a atender o turno da tarde.

A Balbino, que a duras penas busca manter o padrão de excelência pela qual é conhecida, agora se vê obrigada a colocar quase 40 alunos de diferentes etapas em uma mesma sala de aula.

Enxugar para fechar

A política de enxugamento das turmas leva à descontinuidade pedagógica, desmotiva estudantes e pode agravar a evasão escolar. É uma forma de acelerar o fechamento da instituição, como tem ocorrido em diversas escolas rurais.

“Entramos em contato com a Seduc e a CRE, mas não tivemos retorno. Nós pedimos que deixassem pelo menos do jeito que a gente estava trabalhando. Sabemos que não temos tantos alunos. Não são só números. São pessoas. Não aguentamos mais tudo isso”, revela Tatiana.

De acordo com o diretor da instituição, Gabriel Figueiredo, além de se negar a ouvir a comunidade, a coordenadoria não estabeleceu nenhum critério para fechar o turno.

“As escolas do campo estão amparadas no estatuto que não permite o fechamento de turno pelo número reduzido de alunos, e sim preza pela qualidade e pela educação de excelência no campo. É incoerente o que a CRE fez com a gente alegando a quantidade limitada de alunos”, afirma.

Com o fechamento do turno, a instituição teve que desativar a biblioteca para transformá-la em sala de aula. Impossibilitado de lecionar por ter tido sequelas de um AVC, o professor Delmar da Rosa trabalhava no local.

Agora, no entanto, mesmo com problemas na fala e em estado de depressão, está sendo obrigado pela coordenadoria a voltar. 

“A Seduc quer que ele volte para a sala de aula. A gente não pode aceitar. Ele é do grupo de risco. Como terá condições de dar aula para várias turmas ao mesmo tempo?”, questiona Sueli da Rosa, esposa do professor Delmar.

O brutal enxugamento imposto pelo governo Leite não apenas onera profissionais, mas sufoca a qualidade da educação, desestrutura a organização pedagógica e, em última instância, prejudica o aprendizado.

“Não podemos aceitar que fechem o nosso turno. Precisamos prezar por um ensino de qualidade. Trabalhamos com filhos de agricultores, eles também merecem uma educação qualificada”, conclui o diretor Gabriel Figueiredo.

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