Por uma escola sem preconceito, CPERS realiza Seminário de Luta contra a LGBTfobia


Um dia dedicado ao debate e à reflexão sobre os aspectos que influenciam na construção de uma escola livre de preconceitos. Foi isso que ocorreu nesta sexta-feira(31) durante o Seminário de Luta contra Homofobia realizado pelo CPERS.

O objetivo, segundo a coordenadora do Departamento de Gênero e Diversidade e vice-presidente do Sindicato, Solange Carvalho, é o de proporcionar esclarecimentos e informações sobre como evitar situações de preconceito na escola. “Vamos ampliar este debate e em agosto iniciaremos os encontros de formação nos 42 Núcleos do CPERS”, afirmou.

“Como educadores não podemos fechar os olhos para o preconceito que vemos nas escolas. Temos relatos de preconceitos muito fortes. A homofobia, assim como o racismo, mata”, disse a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Dando início aos debates realizados ao longo do dia, o integrante da direção do Grupo Nuances, Célio Golin, fez um resgate histórico sobre o Movimento LGBT, lembrou dos 50 anos de Stonewall, uma das maiores rebeliões de membros da comunidade LGBT contra a polícia de Nova York e analisou a conjuntura atual do ativismo.

“Aqui no Brasil tínhamos uma perseguição ferrenha. As pessoas eram presas e iam para hospitais psiquiátricos. O cenário começa a mudar com as paradas gays. As novas gerações têm como referência a cidadania e não a doença, no caso a aids, como foi na minha época”, avaliou.

 

Mães relatam histórias de violência e humilhações contra seus filhos  

Em um dos momentos mais comoventes do Seminário, o relato de mães que integram a Associação Mães pela Diversidade, emocionou a todos(as) e evidenciou o quão necessário e urgente é o debate sobre a LGBTfobia nas escolas.

“É bem difícil saber que meu filho passou por todo tipo de agressão durante 20 anos escolares. No dia da formatura, ele disse “eu encerro um ciclo de 20 anos de agressões”. Ele foi agredido na escola desde a mais tenra idade”, relatou a professora e assistente social, Iara Netto.

Mãe de um rapaz trans, de 21 anos, Maristela Castilhos também contou sobre as agressões sofridas pelo filho. “Constrangiam, debochavam e batiam nele. Isso gerou uma depressão que o levou a se mutilar com cortes profundos. No Ensino Médio, a escola o proibiu de usar o banheiro. Ele saía de casa às 7h30 e chegava às 13h30 correndo para ir ao banheiro. Meu filho desistiu da escola e entrou em depressão profunda, ficou seis anos trancado em casa. Hoje ele está em uma escola que o respeita. Volta com um sorriso, o que nunca aconteceu antes. Ele é um vencedor.”

“Quando saía da escola, ele ia correndo para casa porque tinha medo de apanhar. A solução que encontraram foi mandá-lo embora mais cedo e sequer me comunicaram. Ele odiava a escola, tinha medo. É por ele que eu estou aqui hoje”, disse Elisângela Guterres.

“Nossa associação existe em 22 estados. A nossa luta é por direitos iguais, pois os nossos filhos são tão cidadãos quanto qualquer outra pessoa. As crianças LGBTs existem e devem ser respeitadas”, frisou Renata dos Anjos, integrante da Associação Mães pela Diversidade e assessora da direção do CPERS.

O olhar da escola

A especialista em educação, Gabriela Iablonovsk e o doutorando em Psicologia pela PUC/RS, Ramiro Catelan, abordaram o tema Formação de Educadores e as Questões de Gênero e Diversidade.

Catelan apresentou dados da violência contra a população LGBT. A cada 19h há um assassinato ou suicídio, a maioria das empresas não contrata homossexuais, 61% dos profissionais escondem sua condição. “Nosso país é extremamente violento e hostil com essa população. É fundamental que a escola seja um ambiente coletivo e democrático”, alertou.

O Doutor em Educação, Marcelo Silva falou sobre o tema Escolas Inclusivas desde a Educação Infantil. A Educação e a Transfobia – experiências de luta e inclusão foi abordada pela Doutoranda em Educação e integrante do Grupo Somos, Claudia Penalvo e pela professora de Filosofia e escritora, Atena Beauvoir Roveda.

“A escola continua com o mesmo formato do século XVI. Quando falamos em espaço escolar, precisamos falar em Paulo Freire, envolver a nossa própria existência no ideal de educação”, disse Atena.

O coordenador do Coletivo LGBT da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), José Christovam de Mendonça Filho, falou sobre A Diversidade no contexto da CNTE. “As piores barreiras nas escolas são as atitudinais. Esses meninos e meninas precisam apenas do nosso acolhimento. Temos fracassado, precisamos compreender as nossas deficiências e começar a fazer a diferença”, observou.

Finalizando os debates, a deputada Maria do Rosário expôs questões importantes sobre as políticas públicas para a comunidade LGBT. “É preciso parar de criminalizar a vida das pessoas de acordo com a diversidade que elas apresentam a partir de preceitos heteronormativos. É preciso falar sobre a liberdade e o respeito à diversidade para que existam”, destacou.

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