Nota oficial do Comando de Greve do CPERS em repúdio as declarações de Sartori contra educadores e estudantes


O governador Sartori quando critica o CPERS e lamenta o uso político de estudantes, durante a posse do secretário de Educação, Luiz Antonio Alcoba de Freitas, demonstra o seu total desconhecimento do que está acontecendo no Rio Grande do Sul em relação à educação. Além de desconhecimento, o que não se concebe para alguém que queira dirigir um Estado, ele demonstra total desrespeito aos estudantes ao não atribuir a eles capacidade de ter visão crítica e posicionamento claro em relação as condições da educação pública em nosso Estado, das políticas que o governo tenta impor à sociedade gaúcha e também da capacidade de organização e de autonomia.
Além disso, Sartori é extremamente leviano ao atribuir ao CPERS o uso desses estudantes politicamente. O CPERS é um Sindicato que há 71 anos luta e tem responsabilidade com os educadores e a educação pública.
O governo Sartori não é o primeiro que passa por uma greve, mas com certeza é o primeiro que demonstra tamanho despreparo de governar e gerir conflitos.
Em seu discurso, Sartori fez duras críticas aos professores grevistas e aos alunos que mantém às ocupações. Vejamos se ele tem razão:
Educadores que ganham 30% do que deveriam receber do Piso Salarial Profissional Nacional, alunos que convivem com goteiras, falta de luz, choque elétricos dentro das escolas, devido à falta de manutenção das instituições, e falta de merenda por causa do repasse das verbas. Estas são apenas algumas das razões que foram determinantes para a greve e as ocupações. Além da preocupação prioritária que é a privatização da educação, através do PL 44 e do PL 190 que é uma verdadeira mordaça que impede a livre expressão do pensamento na escola pública.
O governo fala da preocupação com os alunos que estão perdendo aula por causa da greve dos educadores. Qual a resposta do governo para a comunidade escolar sobre a falta de professores em muitas escolas do Estado, desde março, e que até hoje não chegaram nas instituições?
Esta falsa preocupação de Sartori tem, única e exclusivamente, o objetivo de tentar desacreditar um movimento legítimo, sério e com o reconhecimento e o apoio da grande maioria da comunidade escolar.
Sartori não combate efetivamente a sonegação e não revisa os incentivos fiscais (você sabia que a cada 30 segundos é sonegado um Piso Salarial do Magistério?). Demonstra, assim, querer um Estado a serviço dos grandes empresários e sem responsabilidade com as políticas públicas, pois para eles tudo pode, mas para o povo nada pode.
Nós do CPERS repudiamos veementemente essa postura do governador Sartori e seus aliados. Não podemos deixar de dizer que essa postura nos envergonha profundamente, pois o Rio Grande do Sul sempre foi motivo de orgulho para o povo gaúcho e hoje nós nos sentimos apequenados pela forma que o governo Sartori trata uma ação legítima que é a da greve, um direito constitucional, e das ocupações frente a sua intenção de destruir a escola pública.
Chamamos a comunidade escolar para aumentar a pressão em defesa de uma escola pública de qualidade e com educadores valorizados e estudantes respeitados!

 

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