Professores(as), pais e alunos das escolas abertas de Porto Alegre, EEEF Vila Cruzeiro do Sul e EEEF Ayrton Senna, participaram de uma audiência pública na Câmara de Vereadores da capital nesta quinta-feira (3), para solicitar apoio contra as ameaças de encerramento das atividades das instituições.

A audiência foi uma iniciativa do vereador Carlos Roberto Comassetto (PT) que ressaltou a importância destas instituições para as comunidades onde estão inseridas. “Muitas dessas crianças estão em situação de rua e abandono, elas precisam do acolhimento que recebem nas escolas abertas”.

O CPERS foi representado na audiência pelos diretores Daniel Damiani e Sonia Solange Viana. Para Sônia, estas escolas realizam um trabalho de acolhimento de extrema relevância. “Fechar as portas das escolas abertas, é abrir caminho para o tráfico. Com atitudes como essa, fica cada vez mais claro que a grande preocupação do governo não é a qualidade e o bem estar dos alunos gaúchos”.

Funcionário da Cruzeiro do Sul há 26 anos, Plauto Dutra dos Santos Junior, acredita que o diferencial da escola, muito mais do que o tipo de aluno que por lá chega, está na forma de atendimento à estas crianças.
“Se fechar, vão ficar todos na rua! Nossa escola é para alunos que têm dificuldade em outras escolas, tanto é, que mandam eles para nós. Se fechar a nossa, esses alunos não vão voltar para a escola onde já foram excluídos”, afirma Plauto.

Durante a audiência o cenário da câmara se modificou, alunos(as) com cartazes pedindo respeito a sua escola, pais com semblantes preocupados e professores(as) temerosos com as ameaças constantes do governo à escola que tanto amam.

Jaqueline Pontes Ferreira, diretora da Cruzeiro do Sul e professora há 18 anos, diz que a audiência é mais uma iniciativa para blindar as escolas abertas que estão na mira do governo estadual.
“Sabemos que 2020 será um ano de enfrentamento, tudo indica para isso, por isso estamos aqui, para nos fortalecer e para termos um número cada vez maior de pessoas nos ajudando para manter as escolas abertas”, ressalta Jaqueline.
A diretora relata que apesar de o governo Eduardo Leite não ter oficializado o encerramento das atividades, a coordenadora da 1ª CRE afirmou, durante reunião de diretores na última semana, que devido a diminuição do número de alunos nas salas de aula, medidas como fechamento de escolas ou enturmações serão adotadas.

O ex-aluno e hoje presidente do Círculo de Pais e Mestres (CPM) da Cruzeiro do Sul, Eduardo Rafael Fernandes da Silva, foi um dos oradores da audiência e mostrou preocupação com o destino dos alunos caso a escola realmente feche as portas.
“Nossos políticos não conhecem a realidade da Cruzeiro. Infelizmente, nossa região foi deflagrada pelo tráfico de drogas. Eles não sabem que quem mora em um bairro não pode ir para outro. Muitas vezes crianças que estudam em uma escola não podem ir para outra. Por isso, deixo essa pergunta para eles, vocês foram a fundo saber a realidade das nossas escolas?”, indagou Eduardo na tribuna da Câmara.

Joiara Vieira Costa, mãe da aluna da Cruzeiro do Sul, Iasmin Luiza Costa da Silva, diz que fez questão de estar presente na audiência por acreditar que sua filha não encontrará o mesmo tratamento que recebe na Cruzeiro em outras escolas.
“A Iasmin estudou em vários colégios e nunca conseguiu ler. Desde que ela entrou na escola aberta ela não só aprendeu como desenvolveu a mentalidade dela. Ela está muito bem nessa escola, vai ser muito triste se fecharem, porque vão interromper o desenvolvimento da minha filha”, lamenta Joiara.

Patricia Conceição, mãe da Ana Clara, que estuda na Ayrton Senna, diz que a escola aberta foi muito importante para a vida de sua filha. A Ana Clara apresenta problemas de aprendizagem desde o nascimento e nunca conseguiu se adaptar em outras escolas, até o dia que conheceu a escola aberta.
“Lá é como uma família, com professores dedicados, direção dedicada, até o pessoal da merenda e da limpeza são totalmente dedicados às crianças. Eles se importam, sabem das dificuldades sociais delas. Como que essas crianças vão adaptar em outras escolas? Precisamos que as abertas sejam ampliadas e não fechadas”, afirma Patricia.

O diretor do CPERS, Daniel Damiani, que independente do número de alunos nas escolas abertas, o trabalho que as mesmas realizam não pode ser ignorado. “O governo diz que a escola é pequena, que atende poucos alunos. Parece que estão sucateando essas instituições para justificar seu fechamento”, expõe Daniel.

No encerramento da audiência, o diretor da escola Ayrton Senna, Adroaldo Machado Ramos, fez um apelo aos presentes: “É uma vergonha para o Rio Grande do Sul ouvir dizer que as escolas abertas devem fechar porque dão prejuízo. Educação não é prejuízo, é investimento! O trabalho que desenvolvemos de afetividade, de acolhimento não tem preço. Estou aqui hoje para deixar o meu apelo, porque a escola não é uma ilha, se a escola aberta fechar, todo a comunidade perde”.
O CPERS tem denunciado a intenção do governo Eduardo Leite em fechar as escolas abertas – duas em Porto Alegre e duas em Cruz Alta e Santa Maria -, como parte do projeto de enxugamento e redução da rede estadual de educação.























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