Em frente ao Piratini, educadores reivindicam calendário de vacinação e exigem o pagamento de descontos ilegais


Dezenas de educadores e educadoras realizaram ato nesta terça-feira (12), em frente ao Palácio do Piratini, contra os descontos ilegais das direções de 40 escolas da 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), pelo pagamento dos dias de greve no final de 2019 e em repúdio ao confisco dos aposentados(as). O protesto também reivindicou a estruturação de um calendário de vacinação que alcance todos os educadores no início do ano letivo.

O Dia de Luta reuniu representantes dos 42 núcleos do Sindicato, que denunciaram a arbitrariedade do governo Eduardo Leite (PSDB) que ataca constantemente os direitos dos professores, funcionários de escola e aposentados.

“Estamos aqui hoje para reivindicar também a vacina. Queremos que o governo tenha um calendário de vacinação para que todos já estejamos vacinados quando iniciar o ano letivo. É fundamental que façamos essa pressão”, destacou a presidente do CPERS Helenir Aguiar Schürer, que também ressaltou a preocupante situação das equipes diretivas de Porto Alegre que tiveram descontos salariais feitos de forma equivocada.

“Os diretores tiveram à frente dessa pandemia mantendo as escolas abertas em plantões. Muitas escolas foram prejudicadas, nós estivemos visitando em outubro e os diretores estavam lá. Esses descontos foram feitos de forma atrapalhada, sem ter as informações corretas sobre quem estava ou não na instituição”, reforçou.

A defasagem dos salários dos educadores, que há 6 anos estão sem reajuste, também foi contestada pela presidente do CPERS.

“Queremos também falar para o governador que nós estamos acompanhando a arrecadação do estado do Rio Grande do Sul  e vimos que houve crescimento, mas o nosso salário continua diminuindo”, observou Helenir.

A diretora-geral do 18º núcleo (Santa Cruz do Sul), Cira Kaufmann, destacou que o projeto do governo Leite é a continuidade do governo Sartori, atacar os direitos dos educadores e precarizar, ainda mais, a educação pública.

“Se ainda temos qualidade na educação estadual é graças aos nossos professores e funcionários. Se ainda há qualidade na nossa educação isso não se deve ao governador Eduardo Leite, é mérito do trabalho heroico dos nossos educadores que resistem ao desmonte da escola pública. Este governo não tem interesse que os filhos dos trabalhadores tenham uma educação de qualidade, o objetivo é privatizar a educação estadual e passar para institutos a tarefa e o recurso público da educação estadual. ”

“Esse é mais um ato para chamar a atenção e conscientizar a sociedade sobre o que o governo Leite está fazendo com a educação e as consequências na vida dos educadores devido com a falta de reajuste salarial.  Nos sentimos desmerecidos. Não é só o professor que precisa de uma constante qualificação, o servidor também precisa, a todo momento, de uma conversa, de uma qualificação para servir bem a sua comunidade escolar”, apontou Gerson Luis Johann, diretor do 8º núcleo (Estrela).

“Além de ter acabado com o nosso plano de carreira, ter achatado os nossos salários, não dar reposição salarial a professores e funcionários, o governador tem tratado nossos educadores de forma cruel, descontando o salário de uma greve legítima em defesa do pagamento em dia dos salários e dos nossos direitos. Esse governo parece que tem gana de pisar nos educadores”, destacou Marino Simon, diretor do núcleo 35º (Três de Maio).

Ele também falou sobre o desconto da previdência que os aposentados passaram a pagar a partir de 2019. “Esse governo não teve a sensibilidade de olhar para os seus aposentados, além de não dar aumento promoveu um confisco em seus salários com o desconto da previdência. Temos professores que chegam com lágrimas nos olhos, dizendo que faziam fisioterapia e agora não podem mais porque pagam a previdência.”

“Mais um janeiro em que estamos aqui. Tivemos que vir até aqui nos expor em meio a uma pandemia para cobrar deste governo o desconto de greve e o pagamento integral dos salários dos diretores, descontados indevidamente. Governador, saiba que os educadores não irão te dar sossego, vamos cobrar todos os nossos direitos. E não vamos retornar às aulas sem vacina”, declarou a tesoureira do 24º núcleo (Pelotas), Carla da Silva Cassais.

“O governo fez uma reforma na educação que só nos prejudicou e tirou direitos de professores e funcionários. Chega disso, queremos valorização. A educação não é mercadoria. O futuro do estado depende da educação, da saúde. Agora precisamos de vacinas.  Exigimos que o ano letivo comece com vacina para os professores e funcionários de escola”, ressaltou Jucemar Gonçalves da Costa, diretor do 4º núcleo (Cachoeira do Sul).

“Se o governador achou que com a pandemia esse sindicato ia ficar em casa, ele se enganou. Quero dizer ao  governador que acho engraçado não ter dinheiro para reajuste para o funcionário de escola e o professor, mas ter para dar para as empresas privadas, para terceirizar o serviço nas escolas. Onde um contrato de trabalho custa 90 mil reais? Com esse dinheiro daria para reajustar quantos salários dos servidores de escola? Claro, não vamos dar reajuste, vamos entregar para a iniciativa privada, porque a política do governo é encher os bolsos da iniciativa privada e retirar da educação pública”, disse a diretora do 12º núcleo (Bento Gonçalves), Juçara Borges.

“Vemos que o governador, junto com seus partidos aliados, não gosta do povo trabalhador, nem da educação, da saúde e da segurança.  Estamos com colegas adoecidos, endividados, pois estão há 6 anos sem reposição de um real se quer.  Estamos aqui reivindicando o pagamento dos dias trabalhados dos professores e funcionários de escola”, falou Glaci Paulina Krann, vice-diretora do 10º núcleo (Santa Rosa).

O diretor do 29º Núcleo (Santiago) Leandro Wesz Parise, falou sobre todos os saques nos salários que os educadores vêm sofrendo durante todo e exigiu que o governo cumpra o seu papel. “Queremos que o governo Leite cumpra o que deve ser feito e respeite o nosso trabalho”, disse.

“Para a CNTE, o que está acontecendo aqui não é novidade, porque o Brasil inteiro assiste a política do desmonte da educação. Em todos os governos onde a educação é mercadoria é isso que acontece. O que estamos vendo aqui no Rio Grande do Sul é a continuidade do governo Sartori, o roubo dos salários dos educadores, além de nenhuma reposição salarial. Um governo que retira os direitos dos seus educadores não pode ser chamado de um governo preocupado com a educação”, afirmou a secretária de aposentados e assuntos previdenciários da Confederação Nacional dos Trabalhadores e =m Educação (CNTE), Selene Michielin.

O vice-diretor do Colégio Caldas Júnior, Vinicius Dill Soares, teve desconto em seu salário, assim como mais de 40 equipes diretivas de Porto Alegre. Em sua fala caracterizou a atitude do governo como absurda e abusiva.

“Nós estamos aqui querendo entender por que o governo Leite lança 31 faltas injustificadas relativas ao mês de outubro, sem ao menos nos dar o direito de defesa. Passamos a pior virada do ano, sem saber quando receberíamos nossos salários e como iriamos pagar as nossas contas. Queremos entender a razão dessa arbitrariedade e ilegalidade.  Tivemos que nos humilhar para provar que estávamos trabalhando, que estávamos cumprindo com o nosso papel, abrindo as escolas em nome do nosso compromisso com a comunidade escolar.”

No final da mobilização, a direção central do CPERS entregou dois ofícios no Palácio do Piratini cobrando a disponibilidade da vacina para todos educadores já para o retorno das aulas, no dia 8 de março.

“Exigimos que o governo nos coloque no calendário de vacinação para que no retorno do ano letivo todos os educadores estejam vacinados”, finalizou Helenir

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