Dia do Orgulho LGBT é comemorado nesta sexta-feira


Em tempos de tanto ódio nas redes e nas ruas, é preciso celebrar o orgulho de ser quem se é!

O dia 28 de junho é considerado como o dia do Orgulho LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Esta data é celebrada e lembrada mundialmente e tem como origem um episódio ocorrido em 1969, na cidade de Nova York, mais precisamente no bar “Stonewall Inn”, que nos anos de 1960 era um dos mais conhecidos redutos gay da cidade.

Como o Stonewall Inn não tinha licença para a comercialização de bebidas alcoólicas e ainda não atendia a uma série de outras regulamentações como ter saída de emergência, várias batidas policiais estavam sendo realizadas em bares naquela época, principalmente para controlar quem podia vender álcool.

Naquele tempo, não ser heterossexual era crime nos Estados Unidos. Nas ruas de Nova York, quem não vestisse pelo menos três peças de roupa “apropriadas ao seu gênero” poderia ser preso. E meias não contavam. Não à toa, muitas drag queens aboliram o uso de saltos altos para poder correr melhor da polícia quando necessário.

Nesse contexto, é importante lembrar que até 1962 a homossexualidade era considerada uma doença e crime em todos os Estados americanos. Naquele mesmo ano, pela primeira vez, um Estado, o de Illinois, alterou seu Código Penal e a homossexualidade deixou de ser crime. Somente a partir de 1972 é que outros Estados Norte Americanos começaram a fazer a mesma coisa. Em Nova York, isso aconteceria somente nos anos 1980, e, apenas em 2003 essa lei seria abolida de vez.

Apesar de já existirem algumas movimentações da comunidade LGBT+, a Revolta de Stonewall se tornou o marco mais representativo das lutas pelos direitos dessa população, pois naquele ano, há cinco décadas, os frequentadores do bar Stonewall Inn, em Nova York, decidiram se rebelar contra a opressão policial que frequentemente assolava o público do lugar.

Foi assim que pela primeira vez na história da humanidade, a comunidade LGBT encurralou a polícia, que até então sempre havia a encurralado.

É por causa da revolta de Stonewall que o orgulho LGBT é celebrado em junho – o Dia do Orgulho é na mesma data em que aconteceu essa resistência. Entre junho e julho, as principais cidades do mundo apresentam suas Paradas LGBTs, com multidões nas ruas levantando a bandeira do arco-íris (que é o símbolo desse orgulho).

Se antes, viver em guetos era uma forma de proteção, depois do dia 28 de junho de 1969, mostrar-se passou a ser a forma mais eficaz de se defender. Diferente de outros dias em que apareciam mais cedo, quando o bar estava menos cheio, naquele dia, os policiais surgiram num horário de maior movimento e sem dúvida nenhuma, os policiais jamais imaginariam que o público (incluindo o do lado de fora do bar) reagiria violentamente, fazendo provocações e atirando qualquer objeto que estivesse à mão.

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A revolta de Stonewall não foi um caso isolado. A revolução sexual liderada pelo movimento hippie encontrou seu ápice justamente em 1969, quando, em agosto daquele ano, o festival de Woodstock reuniu um público cada vez mais descontente com os excessos do Estado e a violenta Guerra do Vietnã. Além disso, em 1968, o pastor Martin Luther King Jr., um dos maiores nomes na luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos, foi assassinado.

Em 1970, mais de dez mil pessoas se reuniram para comemorar um ano da revolta de Stonewall, dando início ao que conhecemos hoje como sendo às Paradas LGBT+ que acontecem nos mais diversos lugares do mundo.

Quando a revolta de Stonewall aconteceu, o Brasil passava por um dos piores momentos da ditadura militar. Menos de um ano antes, em dezembro de 1968, havia sido outorgado o Ato Institucional nº 5, que retirava uma série de liberdades civis, de direitos individuais e que fez aumentar a censura. Apesar de todo esse cenário, curiosamente o Brasil, país onde mais ocorrem crimes de ódio contra LGBTs no mundo atualmente, foi a primeira nação das Américas a descriminalizar a homossexualidade.

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo começou somente em 1997, mas rapidamente se tornou uma das maiores do mundo, sendo hoje o evento que mais reúne turistas na capital paulista (e o segundo do Brasil, perdendo somente para o carnaval carioca) e que, na semana passada, reuniu mais de três milhões de pessoas.

De acordo com o ativista e escritor João Silvério Trevisan, “as paradas do orgulho LGBT, que nós temos no Brasil hoje, me parecem que são a grande expressão daquilo que Stonewall pretendia do ponto de vista de liberação homossexual”, explicou, em depoimento a um programa de TV. “As paradas LGBT são grande demonstração de amor”, disse.

Diante disso, é preciso destacar que a revolta de Stonewall foi o grande levante de uma população em revolta, depois de ser violentada ao limite, em nome de duas coisas que não só devem ser vistas como direitos essenciais, mas também como premissas fundamentais de qualquer sociedade justa: o direito das pessoas serem quem quiserem ser, e ainda o amor, seja ele como for!

Mesmo em tempos tão difíceis e de tanta luta, que a gente ainda consiga celebrar o amor! O CPERS/Sindicato, por meio do seu Departamento de Gênero e Diversidade apoia o movimento LGBT e celebra também esse orgulho de ser quem se é, e ainda, atua no combate à discriminação e o preconceito! Orgulhe-se!

Departamento de Gênero e Diversidade – CPERS

 

 

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