CPERS, Seduc e SSP debatem estratégias para garantir segurança nas escolas


Na manhã desta quinta-feira (11), representantes da direção central do CPERS e das secretarias estaduais de Educação e Segurança Pública reuniram-se, na sede da Seduc, para debater a situação de insegurança nas escolas do Rio Grande do Sul.

O encontro ocorreu após cobrança do Sindicato por esclarecimentos sobre os protocolos de segurança que estão sendo adotados e as medidas de prevenção para evitar que estes casos, que se intensificaram de maneira considerável nos últimos meses, se repitam.

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, abriu o encontro destacando que são necessárias medidas de prevenção urgentes, para além das já anunciadas pelo governo. 

“Nós solicitamos essa reunião por entendermos que, neste momento, não há sindicato, governo ou servidor. Existem pessoas preocupadas com as suas vidas e que precisam saber quais ações estão sendo tomadas para garantir a segurança de toda a comunidade escolar e evitar uma tragédia em nossas escolas”. 

A presidente ainda reforçou: “O policiamento é importante, mas o que podemos fazer caso aconteça algo dentro de nossas salas de aula? Precisamos orientar nossa categoria para que tenhamos o mínimo de tranquilidade para exercer nosso papel de educadores”.

Para a secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, é essencial um trabalho conjunto para pensar formas de produzir formações e capacitações que ajudem os educadores(as) nestas situações. “Aqui na Seduc somos todos da área da educação, e não especialistas em segurança, portanto, seguimos as orientações da Secretaria de Segurança que, desde o início das ocorrências destes casos, colocou toda a sua estrutura à nossa disposição”. 

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Reforço na inteligência e no patrulhamento 

Sandro Caron de Moraes, secretário estadual de Segurança Pública, garante que, mesmo com a diminuição das ocorrências nas últimas semanas, a SSP segue atenta às denúncias e casos suspeitos. 

“Todos temos o mesmo objetivo, não é porque abril foi o auge dessas denúncias, que vamos parar as ações de prevenção desses casos. É preciso criar uma rede de fiscalização, que também vai ter que envolver os pais, para que cuidem o que os filhos levam na sua mochila e o que fazem nas redes sociais”. 

O secretário destaca que, entre as principais ações da Secretaria para garantir a segurança de pais, alunos(as) e educadores(as), além do reforço policial nas áreas ao redor das escolas, estão o combate às fake news, o aumento no número de pessoal e equipamentos de inteligência (que estão em fase de teste) e paralelo a tudo isso, capacitação nas escolas, mas com cuidado, porque no Brasil ainda não há uma cultura de simulação de crise sem aumento do pânico. 

“Desde o início, mantivemos uma interação direta com a Seduc e o Ministério Público. Primeiro, houve a situação das fake news, que geraram pânico, então aumentamos a estrutura do 181 e a orientação é a de que todo cidadão que receber alguma mensagem suspeita, não dissemine as mesmas em grupos, mas que entrem no site da SSP e enviem uma cópia da mensagem para que possamos detectar e agir nas situações necessárias”.

“No CPERS, tomamos a decisão de não publicizar os casos que recebemos, mas chegaram inúmeras denúncias de pais e educadores apavorados, que viam no Sindicato um meio de buscar ajuda. Repassamos estas denúncias para a Seduc e, hoje, com a confirmação que estes casos foram investigados e alguns até punidos, percebemos que o caminho é esse: trabalho conjunto”, salienta a presidente do Sindicato. 

Sandro reforça que, através das denúncias enviadas pela Seduc e pelo CPERS, identificou-se que diversas mensagens que circularam pelo RS, eram, na verdade, originárias de outros estados. 

>> Importante:

> No canal “Denúncia Digital 181”, é possível encaminhar dados e informações que possam ajudar as polícias na resolução de crimes e prisão de suspeitos. Não é preciso se identificar e os dados de navegação não são gravados. Clique aqui para saber mais! 

> O governo federal, através do Ministério da Justiça e Segurança Pública, também abriu um canal online para o recebimento de informações de ameaças e ataques contra as escolas, dentro da Operação Escola Segura. Todas as denúncias são anônimas e as informações enviadas serão mantidas sob sigilo. Clique aqui para saber mais!

Educar para prevenir 

Para o CPERS, dentre as ações necessárias para reverter o cenário atual, é imprescindível que se faça uma revisão pedagógica e que se reveja a presença cada vez menor de orientadores pedagógicos, supervisores e monitores nas escolas. 

O 1° vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, enfatiza que estes profissionais podem atuar na detecção e prevenção de casos que representam insegurança ao espaço escolar.

“Estamos fazendo uma discussão muito importante e que extrapola a política de somente vigilância e controle, precisamos combater e fazer a prevenção primária, porque temos uma nova modalidade de violência. É preciso garantir a presença de orientadores e psicólogos nestes espaços, pois são eles que identificam e realizam essa articulação interna das escolas”. 

A quase inexistência destes profissionais nas instituições é fruto do descaso e da falta de investimentos do atual governo na educação pública. O Sindicato também cobra que a Lei n.º 13.935/2019, que determina a inclusão obrigatória de profissionais de psicologia e serviço social nas instituições de ensino da rede pública do Brasil, seja cumprida.

Ações efetivas

A secretária Raquel, relata que, recentemente, participou de uma reunião com o presidente Lula (PT) e alguns ministros e, além do apoio para psicólogos e formações, o FNDE disponibilizou recursos para a aquisição de equipamentos de segurança, que vão direto para as escolas. Portanto, os diretores(as) podem solicitar esses valores para adquirir, por exemplo, câmeras de segurança.

A Seduc também já solicitou a presença de, ao menos, um orientador, um psicólogo e um porteiro em todas as escolas, mas, até o momento não foi possível, segundo Raquel, por falta de recursos. 

Outra questão, levantada durante a reunião, foi a importância de melhorias também na infraestrutura das escolas, visto que estão diretamente ligadas à segurança nas instituições de ensino, que, muitas vezes, sequer possuem um muro que garanta a segurança do local. A secretária afirmou que foi recentemente realizado um levantamento sobre a estrutura das escolas e os casos mais urgentes já estão sendo tratados. 

O secretário da SSP afirma que o trabalho conjunto permanece, pois uma solução a longo prazo só será possível com orientações precisas a todos os profissionais da educação.

O CPERS solicitou que toda determinação neste sentido seja construída em conjunto com o Sindicato e reforçou o pedido por uma política permanente de segurança nas escolas e uma reestruturação pedagógica do ensino gaúcho, com foco no combate ao negacionismo, às fake news e ao extremismo.

Também participaram da reunião, a secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann, e os diretores(as) Juçara Borges, Sonia Solange Viana, Carla Cassais e Cássio Ritter.

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