CPERS articula ações com direções de escolas para impedir fechamento de EJAs e cursos técnicos


Centenas de diretores de escola reuniram-se com o CPERS na manhã desta quarta-feira para debater e organizar a resistência ao mais recente ataque de Eduardo Leite (PSDB) à escola pública e ao direito à educação.

O governo orientou as escolas estaduais a não realizarem novas matrículas para o segundo semestre letivo da modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), Núcleos de Educação de Jovens e Adultos (NEEJAs) e em cursos técnicos.

Indignação e incerteza foram os sentimentos que prevaleceram nos relatos das direções.

A não liberação de matrículas impede a criação de turmas novas, reduz carga horária de professores(as), deixa contratados(as) à margem do desemprego e faz com que trabalhadores(as) sejam remanejados para outras escolas sem qualquer organização prévia.

“Recebemos diversos pedidos de ajuda relacionados a este tema. Convocamos esta reunião para ouvir o que está ocorrendo em todo o estado e vamos trabalhar para garantir a vaga dos alunos que o estado quer excluir”, destacou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Além de escutar as direções, foram deliberados encaminhamentos como a realização de atos no dia 15 e a elaboração de uma abaixo-assinado.

Samiramis Carvalho, diretora da escola Oscar Pereira, da capital, desabafou: “não podemos fazer as matriculas das pessoas que estão procurando o EJA. Nossos alunos estão preocupados com o fechamento das matriculas. O que o governo quer é que as pessoas não estudem, que não tenham condições de votar, de terem um futuro melhor.  Nossos educadores estão ficando doentes com as incertezas causadas por esse governo.”

“Nossa angustia é a mesma de todos relatados aqui. Não temos resposta para dar para os nossos estudantes e professores. Estamos em uma sobrecarga de trabalho, estamos ficando doentes com essa situação”, desabafou Raimar Kuhn, diretor da Escola 25 de Julho, de Ijuí.

Klimeia Nobre, diretora da Escola José do Patrocínio, da capital, conta que é a única escola da Restinga que oferece EJA e que atende 500 estudantes.

“O governo está patrolando, ele não pode interferir dentro da escola, pois cada uma sabe a sua realidade. Estamos vendo um ataque a educação, à autonomia das escolas. Resistimos ao máximo os mandamentos do governo. Vamos atender aos anseios da comunidade escolar e não escutar quem não nos escuta”, desabafa.

A diretora Ivelise Mostardeiro Borges Pereira, da Escola Técnica Prof.ª Maria Rocha, de Santa Maria, conta que a escola tem 18 turmas de curso técnico e, em abril, a direção foi até a CRE pedir a abertura de turmas, mas em agosto a solicitação foi negada.

“Temos uma demanda grande aqui de estudantes.  Temos o pedido na CRE para abertura de turmas. Eles garantiram que os professores não sairiam da escola, se vamos realmente conseguir manter esses colegas, eu tenho as minhas dúvidas”, esclarece.

“O governo está em uma tentativa feroz de acabar com os EJAs. Eles querem encaminhar esse pessoal para os cursinhos privados. Os colegas vão se aposentando, CRE vai retirando os contratados e o governo não repõe o pessoal”, explica Silvio Alexandre, diretor da Escola Paulo Freire, também de Porto Alegre.

Silvio informou que nesta quarta-feira, dia 10, haverá ato dos núcleos 38º e 39º em frente a 1ª CRE, às 9h. “Vamos tomar todos os cuidados para protestar. Mas vamos entregar um documento denunciando tudo o que estamos enfrentando com esse governo”, finalizou.

“Eu não sei dizer o que sentimos quando vemos um governo dizer que é legal arrobar cadeado e levar materiais da escola sem permissão.  Não sabemos se a nossa escola vai continuar. Somos a única escola pública no centro de Porto Alegre que oferece EJA. Estamos vendo a arbitrariedade de um governo que não sabe ouvir”, afirmou Pablo Kmohan o vice-diretor da escola Rio Grande do Sul, a instituição foi arrombada recentemente pelo governo.

Cirlânia Souza, diretora do Colégio Emílio Massot (Porto Alegre) conta que a escola juntamente com demais instituições entregaram no Ministério Público um documento ao qual argumentam que reiteradas vezes solicitaram informações sobre o início do segundo período à Secretaria da Educação (Seduc). Mas ainda não receberam um posicionamento.

“Não temos nada de oficial para falar para os estudantes, o máximo que podemos fazer é uma inscrição incerta. É extremamente desrespeitoso passar por cima dos diretores e retirar dos nossos alunos o direito de investir na educação, de ter um futuro melhor ”, concluiu.

Berenice Costa Borges, vice-diretora do Instituto General Flores da Cunha, da capital, diz que além de não poder matricular estudantes, também não consegue fazer modificações no sistema de recursos humanos.

Letícia Coelho Gomes, diretora da Escola Ponche Verde, de Gravataí, relata que a escola tem 3 turmas de EJA em dois turnos e que desde ano passado a escola está proibida de fazer matriculas para menores de idade no EJA.

“É uma questão muito delicada. Não conseguimos dar conta de todas demandas que vem da Seduc, cada dia é uma surpresa de modo negativo. Temos que através do CPERS mostrar para a sociedade tudo que estamos passando”, afirmou.

Marcelo Fagundes, representando a assessoria jurídica do CPERS, explicou que o governo há muito tempo vem atacando os EJAs e as escolas técnicas, mas o problema se tornou generalizado no último período.

“Quem teria que defender isso é o Ministério Público e não vem fazendo. Teremos que agir pontualmente. Vamos ter que representar esses alunos em juízo através das associações ou através dos próprios estudantes. Mas para isso temos que ter registrado o pedido e a negativa da matricula pelo governo. Vamos ter que estar alinhando essas informações com os núcleos”, apontou.

“Não é nenhuma surpresa essa atitude desse governo, que não dialoga, que atropela a autonomia das escolas, que não respeita os educadores.  Eles querem fechar EJAs, Neejas e escolas. Querem privatizar a educação. Temos que fazer uma grande resistência, não vamos aceitar calados tudo o que está ocorrendo”, finalizou a presidente Helenir Aguiar Schürer.

Encaminhamentos da reunião:
– Ato em frente à Seduc e coordenadorias no dia 15 de setembro, com máscara, distanciamento e número reduzido de participantes
– Abaixo-assinado das escolas para entregar no Ministério Público e Seduc
– Pesquisa no site para as direções de escolas responderem quantos estudantes estão pedindo matriculas e estão sendo negados

 

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