CPERS arranca do Governo compromisso de discutir reposição salarial e pauta de reivindicações


Após uma longa e tensa audiência com o secretário-chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, a direção central do CPERS saiu do Piratini no final da tarde desta sexta-feira (12) com o compromisso de uma mesa de negociação sobre a pauta de reivindicações da categoria.

Em mais de uma hora e meia de reunião – transmitida na íntegra pelo Sindicato no Facebook -, as partes chegaram à data limite da próxima terça-feira (16) para que o governo comunique dia, hora e local para debater a pauta.

Salário em dia, reposição emergencial de 28,78% – cifra que corresponde às perdas inflacionárias em mais de quatro anos de salário congelados – e a realização de concursos públicos para professores(as) e funcionários(as) de escola foram as demandas aprovadas por mais de 5 mil educadores(as) em Assembleia Geral no início da tarde.

Inicialmente, a direção havia acordado em não sair do Piratini até que a data do início da negociação fosse definida. A reunião foi construída após a caminhada dos(as) educadores(as) presentes na Assembleia até o centro do poder do Executivo. Na Praça da Matriz, enquanto transcorria a audiência, servidores(as) de outras categorias, pais e estudantes realizaram uma Assembleia Popular para pressionar o governo a dar respostas. Após tentativas frustradas de fixar a data para a mesa, a direção optou pelo recurso de ocupar o Piratini se necessário.

Na Casa Civil, os(as) dirigentes e o secretário travavam um duro embate. Otomar começou o diálogo sem oferecer uma data para a negociação e sem assumir o compromisso de estabelecer uma mesa. Prometia, apenas, uma resposta sobre a viabilidade de atender o pedido. Insatisfeita com a posição, a direção comunicou a intenção de permanecer o quanto fosse necessário. Diante do impasse, o secretário propôs que a resposta traria a definição da data para a reunião, com a pauta específica da categoria.

“Vocês tem a minha palavra. É a minha trajetória que está em jogo. Vou honrar meu compromisso”, afirmou Otomar Vivian.

Após a audiência, Helenir se emocionou ao comunicar o encaminhamento ao público que aguardava na Matriz.

“Não tenho vergonha de chorar e dizer que a nossa categoria está no limite. Nós precisamos de reajuste para a nossa sobrevivência. Não temos dinheiro para comer. Tem gente pedindo dinheiro emprestado para ir trabalhar. A nossa lágrima ainda vai se tornar na nossa maior força. Porque nós vamos à luta, porque nós vamos conseguir arrancar sim o reajuste que a gente tanto precisa”, declarou.

Durante a reunião, os(as) diretores(as) expressaram a angústia da categoria, que além do congelamento, amarga 40 meses de salários atrasados e parcelados. “As manifestações do governador têm nos deixado muito preocupados, principalmente quando diz na mídia que planeja mudanças no Plano de Carreira e que fará cortes. Promete diálogo mas, na prática, não nos recebe para discutir o que interessa. Que tipo de diálogo é esse?”, questionou a 1ª vice-presidente, Solange Carvalho.

A secretária-geral, Candida Rossetto, também criticou a postura do Governo. “Estamos passando fome. Não dá para comer sopa de diálogo. O limite é colocar o pão na mesa e isso não está acontecendo. É desesperador. Se diante de um caos desses, que é o caos, não há sensibilidade, vontade de marcar uma data, senhor secretário, me desculpe, mas é muito pouco”, desabafou.

Edson Rodrigues Garcia, 2º vice-presidente, destacou a situação de miséria dos(as) educadores(as). “Nós representamos mais de 100 mil de trabalhadores e trabalhadoras em educação que estão em uma situação de miserabilidade. O senhor sabe o que representa quatro anos sem um centavo de reposição? Tivemos pessoas que tiraram a própria vida por não ter condições de sustentar suas famílias. As panelas estão vazias na casa dos educadores”, disse.

Confira a pauta de reivindicação e as propostas de mobilização aprovadas na Assembleia Geral

1 – Pauta de Reivindicações da Categoria a ser aprovada na Assembleia Geral e entregue ao governo: reposição salarial emergencial 28,78% e concurso público para professores(as) e funcionários(as);

2 – Estado de Greve da Categoria, no sentido de construção da Greve Geral;

3 – Comitês contra a Reforma da Previdência em todos os municípios, com retomada da articulação com as forças políticas para ampliação do debate e movimento de resistência contra a Reforma da Previdência(abaixo-assinado, plenárias, audiências públicas, aulas públicas, uso da cartilha, spots nas rádios e som de rua, passeata luminosa, dentre outras);

4 – Semana da Educação aprovada no CNE – CNTE, de 22 a 29 de abril:

  • Pressão sobre os(as) vereadores(as) e prefeitos(as) dos municípios para que cobrem posição contrária à Reforma da Previdência;
  • Arrastão no entorno da Escola, dialogando com a comunidade a respeito dos ataques à seguridade social, articulando esta ação com o movimento estudantil;
  • Banca nas Praças(cartilha, panfletagem e abaixo-assinado), dialogando sobre as questões concretas da Reforma da Previdência que atingem o povo;
  • Exposição de varal de contracheques em frente às escolas e praças, com gráficos comparativos de salários de outras categorias;
  • Dia 24/04(4ª feira) – Ato Público Estadual em Defesa do IPE, em Porto Alegre. Paralisação e Mobilização Nacional contra a Reforma da Previdência, Rumo à Greve Geral, com denúncias de situações vivenciadas na base da categoria que refletem o desmonte do IPE Saúde.

5 – Participação nas atividades chamadas pelas centrais sindicais em 1º de Maio – Dia do(a) Trabalhador(a) nas regiões onde tiverem organização e, os demais, participam em Porto Alegre;

6 – Dia 15/05 – Data indicativa para as Centrais Sindicais realizarem a Greve Geral da Classe Trabalhadora. Na eventualidade das Centrais Sindicais não convocarem teremos, então, a Greve Nacional da Educação;

7 – X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato, dias 06, 07 e 08 de setembro, em Bento Gonçalves/RS.

8 – As datas do “Dia D” devem ser destinadas para as pautas de reivindicações da categoria, sem legitimar a proposta do governo.

9 – Escolher um dia posterior ao não recebimento do salário para realizar períodos reduzidos nas escolas e realizar aulas públicas em eixos temáticos demandados pela categoria em preparação à Greve Geral.

10 – Moção de repúdio pelo assédio aos(às) colegas contratados(as)/convocados(as) que são submetidos ao contrato e convocação por tempo determinado não recebendo pelos meses de janeiro e fevereiro.

11 – Atos unificados e sincronizados na frente das CREs que serão orientados pela direção central.

12 – Elaboração de um material sobre as conquistas de direitos da categoria ao longo dos anos.

13 – Campanha a favor do Plebiscito “Pela Defesa do Direito do Cidadão Gaúcho em Decidir sobre a Privatização das Empresas Estatais do Rio Grande do Sul”;

14 – Paralisação no dia posterior ao não recebimento do salário.

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