Educadores(as) exigem reposição imediata de 28,78% e entram em estado de greve


Cerca de 4 mil educadores(as) aprovaram em Assembleia Geral, nesta sexta-feira (12), a pauta de reivindicações da categoria. Reposição emergencial das perdas inflacionárias dos últimos quatro anos, pagamento em dia e realização de concursos públicos para professores(as) e funcionários(as) estão entre as exigências.

Também foi deliberado que a categoria entra, a partir de hoje, em estado de greve, o que significa que os(as) educadores(as) ficam em alerta para aderir a novas mobilizações, paralisações ou decretar greve, se assim a base decidir, em uma nova Assembleia.

A situação de miserabilidade dos professores(as) e funcionários(as) de escola foi um dos pontos fortes do debate. Os(as) educadores(as) amargam 40 meses de salários atrasados e parcelados impedindo que possam arcar com as despesas básicas de suas famílias. “Muitos dependem da ajuda da família e de amigos para poder colocar comida na mesa para os filhos. Falta inclusive para a passagem de ônibus para irem trabalhar”, emocionou-se a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

A categoria já contabiliza difíceis quatro anos sem reajuste ou reposição da inflação e congelamento das progressões de carreira. Professores(as) e funcionários(as) de escola que não recebem o completivo já perderam mais de ¼ do poder de compra em quatro anos. “Estamos pedindo uma recomposição do salário e os 28,78% é para termos as mesmas condições de compra que nós tínhamos em novembro de 2014. Não é reajuste. Depois, sim, nós queremos discutir com o governo reajuste salarial”, disse a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schurer.

Para o governador Eduardo Leite, que está dando continuidade à política de estado mínimo do governo anterior e tem resistido as tentativas incessantes do CPERS de abrir a mesa de negociação, a categoria deixou um recado durante a Assembleia. “Faremos o chão deste Estado tremer caso os nossos direitos não sejam respeitados. É preciso que o governo coloque em prática o diálogo que tanto prega e respeite nosso direito constitucional de recebermos nossos salários em dia e de forma integral”, afirmou Helenir.

Resistência para barrar a Reforma da Previdência

Durante a Assembleia, Helenir destacou as consequências brutais que a Reforma da Previdência representa a todos(as) os(as) professores(as) e funcionários(as) de escola, com maior força às mulheres. Lembrou das plenárias realizadas pelo Sindicato nos 42 Núcleos do Sindicato. Uma comitiva da entidade iniciou a visita aos Núcleos no dia 27 de fevereiro e seguiu até esta semana alertando a categoria sobre o ataque brutal que a Reforma representa.

A presidente do CPERS ressaltou que a única saída para impedir que a proposta de Reforma defendida por Bolsonaro seja aprovada é a resistência de todos(as) os(as) educadores(as) e demais trabalhadores(as). Observou que foi esta força que impediu o governo anterior, de Michel Temer, aprovasse a Reforma apresentada na época.  “Somos novamente desafiados a resistir. Vamos tomar às ruas e pressionar prefeitos, vereadores, deputados e senadores dizendo claramente que se votarem a favor da Reforma não terão nossos votos. Não é fácil a nossa missão, mas a história do CPERS nos habilita a conquistar essa importante vitória”, conclamou.

Após o término da Assembleia, os(as) educadores(as) seguiram em caminhada até o Palácio Piratini para entregar a pauta de reivindicações ao governo.

 

Confira a pauta de reivindicações aprovada:

1-Pauta de Reivindicações da Categoria a ser aprovada na Assembleia Geral e entregue ao governo: reposição salarial emergencial 28,78% e concurso público para professores(as) e funcionários(as);

2-Estado de Greve da Categoria, no sentido de construção da Greve Geral;

3-Comitês contra a Reforma da Previdência em todos os municípios, com retomada da articulação com as forças políticas para ampliação do debate e movimento de resistência contra a Reforma da Previdência(abaixo-assinado, plenárias, audiências públicas, aulas públicas, uso da cartilha, spots nas rádios e som de rua, passeata luminosa, dentre outras);

4-Semana da Educação aprovada no CNE – CNTE, de 22 a 29 de abril:

  • Pressão sobre os(as) vereadores(as) e prefeitos(as) dos municípios para que cobrem posição contrária à Reforma da Previdência;
  • Arrastão no entorno da Escola, dialogando com a comunidade a respeito dos ataques à seguridade social, articulando esta ação com o movimento estudantil;
  • Banca nas Praças(cartilha, panfletagem e abaixo-assinado), dialogando sobre as questões concretas da Reforma da Previdência que atingem o povo;
  • Exposição de varal de contracheques em frente às escolas e praças, com gráficos comparativos de salários de outras categorias;
  • Dia 24/04(4ª feira) – Ato Público Estadual em Defesa do IPE, em Porto Alegre. Paralisação e Mobilização Nacional contra a Reforma da Previdência, Rumo à Greve Geral, com denúncias de situações vivenciadas na base da categoria que refletem o desmonte do IPE Saúde.

5-Participação nas atividades chamadas pelas centrais sindicais em 1º de Maio – Dia do(a) Trabalhador(a) nas regiões onde tiverem organização e, os demais, participam em Porto Alegre;

6-Dia 15/05 – Data indicativa para as Centrais Sindicais realizarem a Greve Geral da Classe Trabalhadora. Na eventualidade das Centrais Sindicais não convocarem teremos, então, a Greve Nacional da Educação;

7-X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato, dias 06, 07 e 08 de setembro, em Bento Gonçalves/RS.

8-As datas do “Dia D” devem ser destinadas para as pautas de reivindicações da categoria, sem legitimar a proposta do governo.

9-Escolher um dia posterior ao não recebimento do salário para realizar períodos reduzidos nas escolas e realizar aulas públicas em eixos temáticos demandados pela categoria em preparação à Greve Geral.

10-Moção de repúdio pelo assédio aos(às) colegas contratados(as)/convocados(as) que são submetidos ao contrato e convocação por tempo determinado não recebendo pelos meses de janeiro e fevereiro.

11-Atos unificados e sincronizados na frente das CREs que serão orientados pela direção central.

12-Elaboração de um material sobre as conquistas de direitos da categoria ao longo dos anos.

13-Campanha a favor do Plebiscito “Pela Defesa do Direito do Cidadão Gaúcho em Decidir sobre a Privatização das Empresas Estatais do Rio Grande do Sul”;

14-Paralisação no dia posterior ao não recebimento do salário.

 

 

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