CNTE defende que a luta contra o racismo deve ser pauta diária nas escolas


Nesta terça-feira, 25 de julho, comemora-se o Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha, em referência ao “1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas”, que aconteceu nesta data, em 1992, na República Dominicana, e pautou o racismo e a misoginia sofridos por elas.

No Brasil, comemora-se também o Dia Nacional de Tereza de Benguela, que viveu no século XVIII, no Vale do Guaporé, em Mato Grosso, e liderou o Quilombo de Quariterê.

Durante o encontro “Mulheres Negras nos Espaços de Poder”, realizado nesta segunda-feira (24) pelo Ministério da Cultura, a ministra da pasta Margareth Menezes prestou uma homenagem à história e à luta desse público.

“Quero homenagear a honradez, a abnegação e a força dos milhões e milhares de mulheres que foram aviltadas e hostilizadas na sua condição e sofreram os piores massacres da história da humanidade. Apesar de tanto ‘não’, de tanta dor que nos invade, somos nós a alegria da cidade”, disse.

“Nessas últimas décadas, as mulheres negras, a custo de muito sangue derramado pelos nossos filhos e filhas, suor dos nossos homens e mulheres, e lágrimas das nossas mães e pais estamos na luta para reconquistar cargos de influência. Embora os desafios persistam, essas mulheres estão quebrando barreiras”, afirmou a ministra.

Para o secretário de Combate ao Racismo da CNTE, Carlos Furtado, a data é mais um motivo para se discutir o tema do preconceito e da discriminação racial em sala de aula.

“Vamos ter que levar para dentro das escolas esse debate e fazer valer a lei 10.639 [que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio]. Esse é o nosso norte. Mas a questão da negritude não deve ser lembrada apenas nas datas comemorativas, ela deve estar na rotina dos trabalhadores da educação”, diz.

Carlos fala da importância em celebrar o dia 25 de julho para promover mais visibilidade às mulheres negras. “É um dia para a gente valorizar a luta das mulheres, tanto as negras que se tornaram notáveis, como Maya Angelou, Conceição Evaristo, como tantas outras, mas também aquelas que no dia a dia constroem a história. Queremos dar visibilidade à questão da mulher negra latino-americana e caribenha, porque não é só uma questão do Brasil, é uma questão mundial a luta contra o preconceito e contra a discriminação racial”, explica o Secretário.

Ele lembra ainda de um dado da Unicef:  62% das crianças que estão fora da escola e deveriam estar estudando são negras. “Por isso, esta pauta deve estar na reunião de professores, na formação pedagógica e na construção dos planos de aula. Nossos heróis e heroínas não são lembrados como deveriam na escola. Nós precisamos reafirmar a política de cotas, pois ela assegura os nossos direitos. Temos que  defender e garantir concursos públicos com vagas para professores negros(as) e, assim, aquilombar nossas escolas”, diz.

Julho das Pretas

Iniciativa criada pelo Instituto da Mulher Negra Odara, o movimento “Julho das Pretas” faz alusão ao Dia Internacional da Mulher Latino-Americana e Caribenha.

Este ano, o grupo reflete sobre a “reparação histórica e estrutural após séculos de racismo, discriminação e desigualdade; e o bem viver pelo direito das mulheres negras à vida plena, com garantias de acesso à saúde, à educação, à arte, ao lazer, à moradia, à segurança e a viver sem violência”.

Segundo informações das Agências Câmara e Senado publicadas na cartilha “Julho das Pretas”, apesar de o Brasil ser composto majoritariamente pela população feminina (51,1%, sendo 28% negras), somente 17,7% das cadeiras da Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres, com  2% de negras; já no Senado, o percentual de mulheres é de 12,3% e 1% é negra.

A desigualdade vai muito além do cenário político. As diferenças nas questões salariais, de saúde e de educação são evidentes.

Educação

Do total de mulheres negras que entram em uma universidade, 16% ingressam em instituições públicas e 84% em instituições privadas.

Salário 

As mulheres negras são mais afetadas pelas desigualdades salariais: enquanto a média do rendimento salarial médio do homem negro é de R$2170,48, a da mulher negra é de R$ 1171,19 e o da mulher branca é de R$ 2746,75 (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio Contínua/2022).

Saúde

Dados do Ministério da Saúde e Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) / SUS e ONG Criola mostram que mulheres negras têm 50% a mais de chances de serem diagnosticadas com diabetes tipo 2 do que mulheres brancas.

Segurança

62% das vítimas de feminicídio no Brasil são negras. Já com relação ao percentual de mulheres vítimas de estupro, 51% delas pertencem ao mesmo grupo. Elas também são mais assediadas (40,5% pretas), em comparação às brancas (34,9%) e pardas (36,7%) – os dados são da pesquisa Violência Contra Negros e Negras no Brasil/2019 e Anuário Brasileiro de Segurança Pública/2021.

Fonte: CNTE

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