Qual é o papel dos educadores(as) na sociedade atual? Essa foi a pergunta central do Encontro Estadual de Educação do CPERS, com o objetivo instigar e fazer refletir sobre o atual cenário da escola pública. O evento ocorreu nesta sexta-feira (26), na sede do Sindicato. A atividade faz parte do processo de formação da comissão educacional dos 42 núcleos do Sindicato.

“Nos últimos tempos vivemos em um mundo em que tudo tem preço. É uma grande empresa, onde tudo se compra e tudo se vende. A vida humana, a educação e o ensino não podem ser considerados mercadorias”, afirmou a doutora em Educação pela UFRGS e professora do Instituto Federal de Sapucaia do Sul, Maria Raquel Caetano, que palestrou sobre o tema “Mercantilização e privatização da educação pública”,

Raquel chamou atenção para o fato de que a privatização pode não estar ligada somente à venda da instituição, mas a introdução de uma série de mecanismos utilizados pelo Estado como a parceria público-privado, a gestão por resultados, o voluntariado, a filantropia, a terceirização e a instalação de uma série de ferramentas de mercado no próprio funcionamento da educação pública como o desenvolvimento curricular, a contratação de outros serviços privados nas escolas públicas, como, por exemplo, a formação de professores, gestores, a contratação de consultorias educacionais, serviços de avaliação, entre outros.

“A escola pública passa a ser privatizada quando a gestão do espaço, dos recursos e da gestão pedagógica é realizada por entidades privadas ou organizações sociais (OS)”, ou quando há a introdução de modos de gestão considerados típicos das organizações privadas.”

A professora também destacou as graves conseqüências para os educadores(as). “Quando eu terceirizo uma escola, eu terceirizo o trabalho do professor e dos funcionários de escola. A carreira e o salário do trabalhador vão mudar, e o trabalho do professor e do funcionário são precarizados. A própria educação como direito passa a ser desvalorizada”.

Raquel lembra que, nos países onde as OS foram inseridas, não há sinais de melhoria. “Os dados apresentados até o momento são contestados e não temos informações de que a privatização melhorou a qualidade da educação pública”, alerta.

A professora menciona que o discurso da eficiência, da eficácia, da inovação e da modernização é utilizado por governos e grandes organizações para justificar a privatização. Raquel também delineou o perfil buscado pelas organizações. “É um professor não sindicalizado, sem carreira, com maior carga horária e que vai cumprir metas”, sintetizou.

“Charter School”: a destruição da educação pública

As Charters School são instituições públicas administradas por entidades privadas, com financiamento público, criadas nos Estados Unidos. Raquel resgatou as experiências já implantadas no Brasil, e lembrou que o governador Eduardo Leite recebeu, em maio, o fundador da experiência norte-americana, Jonathan Hage.

O empresário, que gerencia 86 escolas espalhadas por seis Estados americanos, veio ao Brasil a convite do presidente do Instituto Floresta, Leonardo Fração. Os dois apresentaram ao governador a ideia de utilizar parte do fundo criado a partir Lei de Incentivo à Segurança para a construção de uma escola charter experimental em Porto Alegre.

Para a professora, quem defende as charters são os empresários, os empreendedores e os governos que querem retirar a educação das funções do Estado e repassar para o mercado. Além de não assegurar a melhoria da qualidade, a implantação do modelo em várias experiências realizadas, levam professores(as) e funcionários(as) de escola a perderem seus direitos, pois contratam trabalhadores(as) com menos experiência, com salários e benefícios reduzidos e uma carga de trabalho maior. “A charter school representa a extinção do ensino público, do piso e da carreira dos educadores, das eleições de diretores e da gestão democrática, além enfraquecimento dos sindicatos”, apontou.

“O aluno muitas vezes é considerado um produto, como um sapato ou um prego pelos governantes e não como um cidadão de direitos. A solidariedade humana, justiça social, uma escola para todos, o ideal de educação para a transformação social não estão incluídos nesse modelo. Agora precisamos criar a resistência contra esse projeto. Estamos em um momento de entender tudo isso, e nos fortalecer para lutar”, finalizou Raquel.

No final do painel, a coordenadora do Departamento de Educação do CPERS, Rosane Zan emocionou-se ao falar do momento difícil pelo qual passa a educação pública. “Quão grande é a nossa responsabilidade de continuar defendendo a escola pública que nós sonhamos. Estamos em um período difícil, a escola que tínhamos antes está acabando. O que nos resta é continuar lutando e resistindo pela escola que queremos deixar para os nossos filhos e netos. O Sindicato tem um papel importantíssimo, de continuar lutando pela escola pública de qualidade, laica e para todos. Minhas lágrimas são de fortalecimento e luta. Nós juntos vamos continuar lutando, porque construímos juntos e a escola pública é nossa”.

Os desafios e possibilidades da Educação Pública

Pela parte da tarde, a atividade foi conjunta com o Movimento em Defesa da Educação. O tema “Financiamento da Educação Brasileira em tempos de desconstrução do estado de direito: desafios e possibilidades” foi abordado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP), José Marcelino Rezende Pinto.

A secretária-geral do CPERS, Cândida Beatriz Rossetto, falou dos desafios que a educação pública enfrenta e a urgência da organização de forma articulada para lutar contra os ataques. “Os desafios são muitos grandes, mas quero falar do orgulho de militar ao lado dos colegas que aqui estão hoje. Que possamos compartilhar e ampliar nos núcleos tudo o que estamos vendo aqui”, conclui.

Rezende fez a comparação de investimentos na educação na Suíça, onde são investidos 4.7% do Produto Interno Bruto (PIB) e, no Brasil, 6.0%. “Então o Brasil gasta mais, certo? Errado. Há uma grande diferença no tamanho do PIB. O que tem ser levado em consideração é o gasto por aluno. E se você analisa os dados da própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em média os países da OCDE gastam de três a quatro vezes mais por aluno do que o Brasil.

De acordo com Rezende, o financiamento público da educação também já sofre as consequências da Emenda Constitucional 95/2016, que estabeleceu um teto de gastos públicos. “Mesmo que a economia cresça, os investimentos na educação continuarão congelados”, destaca.

Sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) – responsável por custear, em 2018, cerca de 60% dos recursos destinados à educação básica -, Rezende explica: “apesar de ser a maior arrecadadora de impostos, a União arca com aproximadamente 10% do custeio total da educação. Diante da recessão econômica, estados e municípios, que carregam o rojão, sobrevivem em grave crise na educação básica e fundamental”, conclui Rezende.

O professor também falou sobre o Custo Aluno Qualidade Inicial – CAQi (conceito desenvolvido pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação para quantificar os valores mínimos necessário para o financiamento).

“O CAQi não é a escola dos sonhos, mas o mínimo que toda escola deveria ter: uma biblioteca, um laboratório de informática, um laboratório de ciências, um limite na razão de alunos por turma, o quadro de funcionários completo”, e completa “comparando ao que temos hoje, teríamos que praticamente dobrar o valor mínimo do Fundeb nos anos iniciais e triplicar ou quase quadruplicar o que ele garante para creche. O grande problema do Fundeb é que o valor aluno/creche é muito baixo”, explica.

Na visão do professor o governo do Rio Grande do Sul tem uma estratégia, que é não deixar crescer o atendimento na educação pública estadual.

Durante todo o encontro, os(as) professores(as) e funcionários(as) de escola relataram suas experiências e fizeram perguntas para os palestrantes.

 

 

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Fúlvio Cristian é professor contratado de história da EEEF Aldo Locatelli, na Zona Leste de Porto Alegre. Começou a lecionar em abril e, até julho, não recebeu um centavo pelo seu trabalho. Os meses sem pagamento se devem à morosidade do processo de admissão pela Seduc.

Mas, apesar de não saber como vai cair o primeiro salário, ele já sabe que estará desempregado no fim do ano letivo, em dezembro, quando o contrato se encerra. “Fica bem difícil chegar ao fim do ano e não saber se volto. Se pelo menos dissessem que não vão pagar em janeiro e fevereiro, e que depois eu retorno ao emprego… mas nem isso”, desabafa.

A realidade de Fúlvio é a de muitos educadores(as) da rede estadual. Por determinação do governo Eduardo Leite, todos os novos contratos emergenciais têm sido firmados por tempo determinado – os chamados contratos fechados.

Na modalidade, o trabalhador(a) recebe de março a dezembro e fica sem emprego nos meses que antecedem o ano letivo. Não tem direito a férias remuneradas nem garantias de retorno ao quadro da Seduc.

“Para comida e deslocamento eu tenho que pegar dinheiro emprestado. E quando eu receber, não sei como vai ser. Vão pagar todo o montante devido ou vão parcelar? E o imposto de renda, como fica?”, indaga Fúlvio.

Pior: mesmo no caso de readmissão, o educador(a) precisará passar por todo o processo de contratação novamente, e só receberá o primeiro salário meses depois.

Direções escolares denunciam inépcia da Seduc

A ausência de concursos públicos e a radical precarização dos contratos tem deixado muitas escolas sem educadores(as), que não aceitam trabalhar sem perspectiva de continuidade. Na EEEF Souza Lobo, na Zona Norte da capital, faltam professores(as) para as séries iniciais, artes e supervisão, bem como uma merendeira.

“A Secretaria de Educação está levando um tempo interminável para responder nossas solicitações”, conta a diretora Karla Bolson. “Uma das professoras está sem receber desde o início do ano. Levaram três meses só para responder que o cadastro tinha algo errado. Toda hora é um documento diferente faltando. Aí tu faz, refaz e eles levam mais três meses para responder”, explica.

Karla lembra que, como diretora, tem prazos a cumprir e não pode faltar com suas atribuições, sob pena da escola ser penalizada. Enquanto isso, o governo caduca. “Eu tenho compromisso com a vida funcional dos profissionais que estão na escola, e não sinto esse retorno da mantenedora. Com esse governo piorou infinitamente”, desabafa.

A diretora conta, ainda, que a escola fechou duas turmas do 3º ano em 2019 e que outras duas serão encerradas no próximo ano. “Eu me sinto enrolando os pais, porque eles estão me enrolando, então é um ciclo vicioso”, finaliza.

A vice-diretora da EEEF Aldo Locatelli, Mariane Rocha Dias, relata as mesmas dificuldades. Duas turmas de 9º ano e uma 8º estão sem aulas de português desde maio, faltam duas professoras de anos iniciais, a biblioteca está sem uma profissional e há uma vaga em aberto para merendeira.

“No dia em que a única merendeira da escola não vem, somos nós que preparamos a comida. Então oferecemos frutas ou bolachas, pois não podemos cozinhar. E ainda temos que fazer um relatório explicando por que não oferecemos a merenda prevista no cardápio da Seduc”, afirma.

A diretora também critica a morosidade do governo. “A resposta da Seduc é que eles não tem quem mandar. Estão naquele enxuga enxuga de outras escolas para mandar um professor para cá. Não contratam, não chamam os nomeados, não abrem contratos, então é essa a situação”, observa.

Se eu dependesse do meu salário para comer, eu não comeria”

A professora Ester Correa estava há 10 anos como contratada na escola. Perdeu uma das matrículas de 20h e, depois, foi recontratada por tempo determinado. Nesta última matrícula, está desde fevereiro sem receber.



“Eu trabalho 40h, mas estou recebendo 20h. O que se faz com isso? Fora o desconto do Banrisul, o teu salário vira nada. Para vir trabalhar, uso o cartão do meu marido. Se eu dependesse do meu salário para comer, eu não comeria, não tem como”, conta.

O que diz a Seduc

Contatada pelo CPERS, a Seduc enviou a seguinte nota por meio da sua assessoria de comunicação:

“Há casos hoje no Estado de licenças e aposentadorias que acabam gerando a necessidade de preenchimento de vagas e a reorganização dos quadros de recursos humanos das instituições de ensino – cerca de 19 mil casos atualmente, representando cerca de um terço dos 60 mil profissionais que atuam na rede pública estadual.

A Seduc reitera que está empenhada em resolver a situação, caso a caso, e está trabalhando, juntamente com as Coordenarias Regionais de Educação (CREs), para restabelecer a normalidade no atendimento aos estudantes.”

O que o CPERS defende: respeito e concurso público

O CPERS é terminantemente contrário à modalidade de contratação por tempo determinado, que precariza os já fragilizados contratos emergenciais.  É uma estratégia que gera insegurança no ambiente de trabalho e descontinua o aprendizado de estudantes, que perdem suas referências na escola.

É, ainda, um instrumento extremado de assédio, que deixa educadores(as) reféns da instabilidade e vulneráveis a pressões das CREs e da Seduc, enfraquecendo a organização coletiva e a luta por direitos. Tal política nefasta é implementada apesar do problema crônico de falta de educadores(as) – para o qual o governo não apresenta soluções mesmo após transcorrido meio ano letivo.

Não é possível que, além de trabalhar com salários atrasados há 44 meses e congelados há mais de quatro anos, não tenhamos o mínimo de tranquilidade para desenvolver o processo educacional e garantir a qualidade do ensino.

A desorganização do ano letivo não é por acaso. Consta, no planejamento da Seduc, a meta de reduzir duas mil turmas até o final de 2019. Seriam cinco mil turmas a menos até o fiml do governo. Como disse Darcy Ribeiro, a crise da educação não é crise, é projeto.

Mas faltou ao governador combinar com a realidade. Somente neste ano, a rede pública recebeu 30 mil estudantes a mais do que em 2018. A conta não fecha.

Por isso nós defendemos a realização imediata de concursos públicos. É a única forma de garantir segurança jurídica e dar a contratados(as) a oportunidade de acessar a carreira. A Constituição Federal é clara: a estabilidade depende da investidura em concurso.

O Conselho Geral do CPERS deliberou pela criação de comitês em defesa dos contratados(as) em cada núcleo da entidade.
O Sindicato também orienta para que os educadores(as) mandem denúncias de falta de professores(as) e funcionários(as) para o e-mail secgeral@cpers.org.br.

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Nesta quarta-feira (25), no 8° Congresso Mundial da Educação em Bangkok, na Tailândia, foi aprovada uma Resolução urgente sobre a situação da educação no Brasil, apresentada pela CNTE.

No documento, são denunciadas as tentativas do governo Bolsonaro de privatizar a educação bem como a violenta perseguição aos professores, conclamando todas as organizações sindicais de educação no mundo a se manifestarem contra este processo de destruição da educação pública brasileira.

O Congresso Mundial da Educação,  promovido pela Internacional da Educação (IE), reúne mais de 1.400 educadores de 151 países e neste ano debate a democracia, os direitos humanos e sindicais na educação. O CPERS está representado no evento pela presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer.

RESOLUÇÃO URGENTE SOBRE O BRASIL

O 8º Congresso Mundial da Educação Internacional, realizado em julho de 2019 em Bangkok, Tailândia,

Considerando:

  1. Envio do projeto de lei ao Congresso Nacional para promover o ensino privado é desenvolvido através do sistema de vouchers.
  2. Incentivo e candidatura para alunos do ensino fundamental (entre 06 e 14 anos de idade) recebem essa educação à distância.
  3. A aplicação da lei 13.415/17, que promove a privatização do ensino médio, restringindo a base de conhecimento de alunos que são parceiros segregados educacionalmente, distinguindo escolas para ricos e pobres, além de promover e desmantelar as políticas educacionais e sociais com um ataque sistemático aos direitos fundamental e social da população, especialmente dos setores historicamente marginalizados (negros, índios, mulheres, LGBTi).
  4. A crescente e violenta perseguição contra professores, promovida pela defensores de escolas não-partidárias, que acusam educadores de promover doutrinação ideológica com os alunos, além do crescente processo de militarização das escolas no Brasil, é agora implementado como um projeto de governo.
  5. O processo de privatização e comercialização da educação pública básica brasileira e superior através de programas que promovam a falta de responsabilidade do Estado contra a oferta de serviço público e financiamento do setor, desviando recursos público para o privado para o lucro.

O 8º Congresso Mundial da EI:

  1. Convocamos todas as organizações sindicais de educação no mundo e as International Education a se manifestarem contra este processo de destruição da educação pública no Brasil e promoção de políticas de privatização e comércio educacional
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Os três maiores sistemas de educação dos Estados Unidos enfrentaram dias turbulentos em 2019. Em Nova Iorque, Chicago e Los Angeles, educadores(as) tomaram as ruas para protestar contra o avanço do modelo conhecido por escola charter. Tratam-se de instituições administradas com recursos públicos por entidades privadas.

Foto: Mike Blake / Reuters

As manifestações ganham força. Na Virgínia Ocidental, foram duas greves em dois anos, impedindo a aprovação de leis que permitiram escolas Charter no estado. Em Chicago, os trabalhadores(as) saíram vitoriosos, conquistando equiparação salarial com seus colegas da rede pública. Em Los Angeles, mais de 30 mil educadores(as) cruzaram os braços pela primeira vez em três décadas.



Em maio deste ano, Eduardo Leite recebeu em seu gabinete o empresário Jonathan Hage, fundador do sistema, que opera há 30 anos nos EUA e responde por 7% das matrículas no ensino público norte-americano. O governador também tem falado abertamente em estabelecer parcerias público-privadas (PPPs) na educação. Trata-se de entregar a gestão das escolas – e o dinheiro dos gaúchos – para grandes empresários.

Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

As escolas charter operam livres da maioria das leis e regulamentações a que estão submetidas as escolas públicas. Educadores(as) são terceirizados ou contratados diretamente pela escola, que pode elaborar seu próprio currículo. Nos EUA, estes profissionais recebem menos, trabalham mais e têm turmas maiores.

É um sistema notório por não obter resultados incontestáveis em lugar algum do mundo, recebendo duras críticas pela falta de transparência, seletividade na admissão de alunos, desvio de recursos e custo elevado. O conselho escolar é substituído por operadores privados, que gerenciam as finanças e, em última instância, decidem quem pode ou não estudar no estabelecimento, prejudicando o princípio da universalidade da rede pública.

Após o encontro de Eduardo Leite com Hage, o secretário de Parcerias do Rio Grande do Sul, Bruno Vanuzzi, confirmou que o governo gaúcho estuda a formação de parcerias público-privadas na área da educação. Um dos modelos em análise prevê que empresas assumam a construção e a manutenção de prédios, incluindo serviços de limpeza e segurança, tirando do Estado a responsabilidade das contratações e, consequentemente, eliminando a necessidade de concursos públicos.

Essa é a melhor forma de resolver os problemas da educação pública gaúcha?

Não. No Maranhão ou na Finlândia, a qualidade do ensino só apresentou melhoras substantivas com investimentos públicos pesados e, em especial, a valorização profissional de seus educadores(as). Não há nação no mundo que tenha registrado avanços sem oferecer uma carreira atrativa a quem trabalha no chão da escola.

Enquanto isso, o Rio Grande do Sul – quarta maior economia do país – continua pagando o segundo pior salário do Brasil a seus trabalhadores(as) da educação. A categoria está em situação de miséria, com os contracheques congelados desde 2014 e os proventos atrasados há 44 meses. 

O caso de Los Angeles

Em janeiro deste ano, mais de 30.000 professores de Los Angeles, nos Estados Unidos, fizeram uma greve pela primeira vez em 30 anos devido a negociações fracassadas sobre financiamento escolar, aumentos salariais e tamanhos de sala de aula. Dentre as reivindicações da categoria, também constava o crescimento das escolas charter como uma questão central no segundo maior distrito escolar do país.

Foto: Charles Miller / Flickr

A época, o presidente da United Teachers Los Angeles (UTLA), Alex Caputo-Pearl, disse em entrevista que os líderes distritais tinham interesse em ver as escolas públicas passarem fome para justificar cortes e a entrega de mais escolas a instituições privadas.

Os dirigentes sindicais acusavam o governo e o Conselho de Educação da cidade de favorecer as escolas charter em relação às escolas públicas tradicionais. Um relatório encomendado pelo sindicato, em 2016, estimou que as escolas tradicionais perdem mais de US $ 500 milhões por ano, desviados para financiar escolas charter. 

Críticos também apontam para dados mostrando que as escolas charter registram porcentagens menores de alunos com deficiências, estudantes de famílias de baixa renda e estudantes de outras nacionalidades. Atualmente, cerca de um a cada cinco estudantes de Los Angeles frequenta escolas charter e as matrículas nessas instituições continua a crescer, enquanto caem as da escola pública.

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O CPERS realiza nos dias 6, 7 e 8 de setembro o seu X Congresso Estadual, no Fundaparque em Bento Gonçalves. Os três dias de evento na Serra serão de intensa discussão sobre a conjuntura, a pauta de reivindicações e o plano de lutas, além do balanço da atuação do Sindicato desde o último Congresso, realizado em 2016. Acompanhe todas as informações nesta página, que será atualizada periodicamente com as informações mais recentes do evento. Confira a programação:

06/09 (sexta-feira)

8h às 22h – Credenciamento dos(as) Delegados(as)
12h30min – Almoço
14h – Abertura. Discussão e aprovação do Regimento do X Congresso Estadual do CPERS/Sindicato – Paulo Freire “Educar é Lutar e Resistir”
18h – Intervalo
19h30min – Apresentação das Teses

07/09 (sábado)

8h – Debate e aprovação de Resoluções de Conjuntura Internacional, Nacional, Estadual e Educacional
11h – Debate e aprovação de Resoluções de Balanço
12h30min – Intervalo
14h – Debate e aprovação de Resoluções de Organização Sindical e Reforma Estatutária
18h – Intervalo
19h30min – Debate e Aprovação de Resoluções Específicas e Plano de Lutas
23h – Confraternização e Baile com a Banda Cia Show 4 no Centro de Eventos Malbec do Dall‘Onder Grande Hotel (Rua Henry Hugo Dreher, 197 – Planalto)

08/09 (domingo)

8h30min – Ato Político – Aprovação da Carta de Bento Gonçalves
– Passeio Cultural
12h30min – Almoço

Saiba como participar como delegado no X Congresso Estadual

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25 de julho é o Dia Internacional da Mulher Negra, Latina e Caribenha, data para celebrar as lutas e a resistência destas mulheres, mas também é dia de combater a invisibilidade negra, o preconceito e a miséria.

O CPERS, por meio do Coletivo de Igualdade Racial e Combate ao Racismo, que tem o objetivo de promover ações contra a discriminação racial, a desigualdade e o preconceito, celebra estas mulheres que são diversas, plurais e que lutam todos os dias para conquistar espaços.

Em um país onde a maioria da população é formada por negros, as mulheres negras permanecem sendo as mais exploradas e negligenciadas socialmente. O fortalecimento e a ampliação dessas agendas passam incondicionalmente pela inserção de mulheres, negras ou não, nas instâncias políticas de poder e decisão.

“Quando uma mulher negra se move, o mundo inteiro se move junto”. Essa importante afirmação, da filósofa e ativista Angela Davis, se torna cada vez mais acessível e concreta para as mulheres negras brasileiras.

Essas são demandas de difícil compreensão, principalmente em um país efetivamente racista, machista e classista como o Brasil. Mas não são impossíveis para quem se dispor a reconhecer os próprios privilégios e a olhar para a nossa história com criticidade.

Nas escolas, as mulheres negras são fundamentais na construção das políticas educacionais; para além de ensinar, são exemplos de superação na busca por espaços, e peças essenciais na difusão dessa luta histórica que por muito tempo foi apagada.

O CPERS reitera seu compromisso no combate à discriminação das mulheres negras e a todas as questões que as afetam. Deixamos aqui nossa homenagem a todas mulheres negras que ajudam a construir este país!

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Por meio da 1ª vice-presidente do Sindicato, Solange Carvalho, o CPERS participou de sessão, nesta quarta-feira (24), na Câmara de Caxias do Sul para pedir apoio de vereadores(as) à retomada dos trabalhos do escritório do IPE na cidade.

O vereador Renato Oliveira (PCdoB) apresentou moção de contrariedade pelo fechamento da sede e o 1º Núcleo do CPERS organiza uma audiência pública sobre o tema, que deve ocorrer no final do agosto. A atividade será realizada com o apoio de deputados(as) estaduais e outras entidades sindicais, como a Abamf e o Sintergs.

Com o encerramento das atividades em Caxias, os segurados passam a ser obrigados a viajar até a capital em busca de atendimento.  A política de fechamento de escritórios no interior e o desmonte do IPE tem sido denunciada reiteradamente pelo CPERS.

“O IPE tem 87 anos de existência em defesa do servidor e da sua família. E isso está sendo derrubado gradativamente. Estão atacando o nosso futuro e a nossa saúde, as nossas próprias condições de trabalho”, afirma Solange.

 

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Em ação arbitrária e espantosa pela desfaçatez, três agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) invadiram a sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Manaus (Sinteam), na última terça-feira (23). Não há que se medir as palavras: é um ato claro de intimidação, digno de tempos ditatoriais.

A “visita” dos agentes, fardados e armados, se deu em meio a uma reunião preparatória dos protestos contra o presidente Jair Bolsonaro, que desembarca nesta quinta-feira (25) na capital amazonense. Eles questionaram integrantes dos movimentos presentes e informaram que a ação se dava a mando do Exército, que nega qualquer envolvimento.

Que, passados dois dias da ação, ainda não haja explicações convincentes por parte dos autores, é mais um sinal de que vivemos em uma democracia disfuncional, que se sustenta por um fio. Nos últimos meses, a educação foi o setor mais destacado na luta contra os retrocessos em curso no país, e por isso torna-se alvo do arbítrio e da violência de Estado.

O CPERS manifesta solidariedade aos colegas do Sinteam e intenso repúdio à ação policial, e exige que a invasão seja investigada e esclarecida. Precisamos saber se os direitos a reunião e a livre manifestação ainda prevalecem em nosso país, conforme expresso no texto da Constituição.

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Eduardo Leite foi eleito com a promessa de dialogar e valorizar quem trabalha no chão da escola. Mas, a cada ato, o governador revela mais da sua verdadeira face: cruel, autoritária e insensível aos problemas da educação e da categoria. Seu projeto é um só: acabar com a escola pública.

Com esta chamada de capa, está no ar e, em breve, na caixa postal dos mais de 80 mil sócios do CPERS, a edição de julho da Sineta, tradicional veículo impresso da entidade.

A publicação traz um balanço do primeiro semestre de gestão, marcado pela falta de projetos reais para reverter o brutal empobrecimento da categoria e pela radicalização do projeto de Sartori: desmanche da escola pública, ataque brutal ao funcionalismo, precarização dos serviços e redução do Estado a todo custo.

O conteúdo é, também, um chamado para a luta. A categoria deve se preparar para um duro enfrentamento para barrar os ataques à escola pública e para reivindicar a justa valorização profissional dos educadores(as).

Confira:

A edição também traz um encarte com a relação dos deputados estaduais que aprovaram a LDO, mantendo a previsão de reajuste zero por mais um ano, e dos deputados federais que atacaram a aposentadoria dos trabalhadores(as), aprovando a Reforma da Previdência em 1º turno na Câmara. Acesse abaixo:

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