A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) trouxe para o centro do debate, durante o Conselho Nacional de Entidades, realizado nos dias 16 e 17 de abril, em Brasília, experiências que reafirmam o papel transformador da escola pública a partir do protagonismo juvenil. Entre os projetos apresentados, um deles representa o Rio Grande do Sul e evidencia como a educação pode dialogar diretamente com a realidade social, cultural e econômica dos territórios.
No encontro, que reuniu educadoras(es) de todo o país, iniciativas do concurso “Juventude que Muda a Educação Pública” revelaram que a inovação pedagógica não está dissociada da prática cotidiana das escolas. Pelo contrário, ela nasce do chão das escolas, nas comunidades e na vivência com as(os) estudantes.
Foto: Geovana Albuquerque/CNTE
Representando a região Sul, a professora Paola Rezende Schettert, da Escola Estadual de Ensino Profissional de Carazinho, localizada no município de Carazinho, apresentou o projeto “O Campo é Delas: vozes e lutas das mulheres reais”. A proposta articula educação, gênero e realidade rural, promovendo debates sobre o papel das mulheres no campo, a divisão do trabalho e os direitos sociais, a partir de pesquisas, entrevistas e produção de narrativas com estudantes.
A experiência gaúcha evidencia uma concepção de educação comprometida com a formação crítica e com a valorização de mulheres historicamente invisibilizadas. Ao colocar as(os) estudantes como protagonistas da produção do conhecimento, o projeto reforça o vínculo entre escola e comunidade e aponta caminhos para uma educação pública mais democrática, inclusiva e socialmente referenciada.
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A educadora destaca que participar do concurso e ser uma das vencedoras foi muito emocionante. “Ter o projeto selecionado para o concurso da CNTE foi emocionante. Muitas vezes não enxergamos o potencial transformador de nossas práticas. Estar participando do evento foi ser valorizada por esse projeto”, observou.

Foto: Geovana Albuquerque/CNTE
Paola explica que o projeto é relevante por contar a história de mulheres em uma escola que historicamente é mais masculina, ou seja, por muito tempo as turmas em sua maioria eram compostas por meninos. “É importante por demonstrar e fortalecer o vínculo das meninas com a escola. O projeto busca valorizar as experiências das professoras mulheres e das mulheres trabalhadoras da área técnica do curso profissional em Agropecuária, no norte do Rio Grande do Sul.”
O trabalho, que segue em execução na instituição, trata também sobre a temática do empoderamento feminino para as alunas. “Dentro da escola o projeto inova por discutir temáticas sensíveis e de extrema importância. Além disso, com o projeto é possível fortalecer a presença das meninas no curso”, explica Paola.
O projeto já vinha sendo reconhecido: em 2025, a educadora participou da 6ª Mostra Pedagógica do CPERS e conquistou o primeiro lugar na modalidade Ensino Profissional. “Essa conquista é também das minhas alunas, das quais eu me orgulho por serem as protagonistas desse projeto que é feito com amorosidade e diálogo”, concluiu.

Foto: CPERS/Sindicato
O CPERS parabeniza a professora Paola e suas alunas pelo reconhecimento nacional, que reafirma a potência da educação pública gaúcha. A iniciativa evidencia o compromisso das(os) educadoras(es) e estudantes com uma educação crítica, inclusiva e socialmente referenciada — princípios que o Sindicato defende na luta pela valorização da educação pública e de suas e seus profissionais.
Para a entidade, assim como descrito no projeto, a proposta representa um respiro e um incentivo às alunas, para que possam permanecer no campo e projetar suas carreiras a partir dessa experiência. Viva a escola pública!

Foto: CPERS/ Sindicato




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