“Para o Estado somos apenas números. É como se não estivessem trabalhando com seres humanos. Não é porque a nossa escola é do campo, que acolhe filho de agricultor, que não merecemos ter uma educação de qualidade”. Gabriel Figueiredo é diretor da EEEF Balbino Pereira dos Santos, do município de Erval Seco.
Há quatro anos o governo ameaça fechar o turno da tarde da instituição, redistribuindo estudantes do 1º ao 9° anos em três turmas e adotando o expediente da multisseriação, quando alunos de anos desiguais frequentam a mesma classe.

A política do Estado desconsidera as particularidades da educação no meio no rural. O enxugamento das turmas leva à descontinuidade pedagógica, desmotiva estudantes e pode agravar a evasão escolar. É uma forma de acelerar o fechamento da instituição, como tem ocorrido em diversas escolas do campo.
“Não houve consulta à comunidade. Se tivermos apenas turmas pela manhã, fica difícil. Salas com 20 ou 30 alunos de várias séries são inviáveis”, afirma o diretor.

A coordenadora pedagógica e professora Tatiana Bossler diz que a escola já fez inúmeras tentativas para reverter o quadro, que incluem a elaboração de dois abaixo-assinados no ano passado e neste ano, além de diversas reuniões com a 20ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).
“Está difícil, a gente não está vendo luz. É absurdo fazer com que os alunos levantem super cedo, especialmente nos dias frios de inverno”, lamenta. A escola também oficiou o Ministério Público de Passo Fundo, solicitando providências.
Acesse aqui o documento.
Há, ainda, um impasse. Cerca de 20 estudantes do Município manifestam interesse de estudar na escola, mas a administração local se nega a providenciar a transferência e o transporte.

Para a professora Lilian Mello, os mais prejudicados são os estudantes: “é humanamente impossível preparar uma aula do nível que gostaríamos com enturmações e classes multisseriadas. Essa história de dividir o quadro em três e cada linha fazer um conteúdo para séries diferentes é fácil para quem não vive isso no dia a dia. Difícil é colocar na prática. Quem sai perdendo, principalmente, são os alunos”.

“A nossa escola é de campo, é pequena, mas a gente sempre priorizou por uma educação de qualidade e de excelência. A gente não quer ver isso jogado por água abaixo por um governo que acha que a única solução para as dívidas do Estado é tirar da educação. Sabemos que existem outras maneiras de resolver a situação do RS sem prejudicar os alunos, que são o nosso maior bem, a nossa maior preciosidade”, conclui.
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O ano letivo é novo, mas as práticas do Estado são velhas. Se a sua escola está na mira do governo para fechamento de turmas e turnos, fim do EJA, enturmação ou multisseriação, mobilize-se desde já.
Resistir é preciso. Diversos casos foram revertidos por pressão da comunidade.
Procure o CPERS, siga as orientações e defenda a sua escola!

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