Escola em Erechim é retrato de abandono do governo Eduardo Leite


Muro caindo, sala com goteiras, pátio em péssimo estado, multisseriação e fechamento de turmas. Esses são alguns dos problemas enfrentados pela EEEF Joaquim Pedro Salgado Filho, localizada em Erechim.

Recentemente o “Radar do CPERS sobre a situação das escolas estaduais” trouxe à tona o abandono e o descaso do governo Eduardo Leite (PSDB) com a educação pública e com as(os) educadoras(es) gaúchas(os).  A pesquisa constatou que 180 escolas do Rio Grande do Sul apresentam problemas estruturais alarmantes e que afetam a segurança e o bem-estar de toda a comunidade escolar.

Os números revelam que 92 escolas enfrentam problemas elétricos, 48 lidam com problemas hidráulicos, enquanto 35 e 92 sofrem com a deterioração de muros e telhados, respectivamente. Já 36 instituições de ensino relataram obras atrasadas, enquanto 34 enfrentam obras inacabadas.

A Joaquim Pedro Salgado Filho atende atualmente 103 estudantes, do 2º ao 9º ano do Ensino Fundamental, nos turnos manhã e tarde. O muro da escola aguarda reparos há quatro anos e apresenta risco aos alunos(as), educadoras(es), pais e responsáveis. “Enviamos ofício solicitando a obra e a 15ª CRE até veio ver a situação, mas disse que não tinha verba, que era melhor procurar parceiros”, afirma a diretora da instituição, Rocheli Carolina Rossi.

A educadora explica que a escola não tem pátio com condições adequadas para atividades de Educação Física e nem cobertura da quadra. “Há anos que o piso da quadra está deteriorado e sempre foi apenas ‘remendando’ para as crianças poderem utilizá-lo. Nos dias de chuva, nossas crianças não podem fazer a Educação Física, pois não temos uma quadra adequada para isto. Precisamos buscar recursos de fora, para conseguir pelo menos arrumar o piso”, lamenta a diretora.

Até o ano passado a escola tinha quatro salas que chovia dentro, agora resta só a sala de recursos humanos, que ainda tem goteiras. “Conseguimos arrumar as quatro salas com recursos da comunidade escolar e parceiros”, diz.

A professora do 5º ano, Márcia Silva, observa que se a escola estivesse adequadamente estruturada, os estudantes teriam uma melhor aprendizagem. “Nossos alunos têm um atendimento que poderia ser mais qualificado, com espaços mais adaptados para as práticas educativas”, frisa.

Multisseriação e fechamento de turmas

Além de todos os problemas enfrentados na infraestrutura, a escola enfrenta ainda a multisseriação e o fechamento das turmas do 1º ano. “Temos as turmas de 2º e 3º anos multisseriadas. Há vários anos que temos turmas assim. Inclusive, em 2024, a turma do primeiro ano da escola foi fechada”, aponta Rocheli.

A diretora conta que a comunidade escolar está muito preocupada com o fechamento da primeira série. “Temos muitas famílias de baixa renda, que não têm condições de pagar transporte para os filhos, caso a escola feche. Como uma das turmas já fechou, consequentemente, nos próximos anos, irão fechando as seguintes”, argumenta.

Mesmo alguns pais indo até a 15ª CRE pedir a reabertura do 1º ano, a turma não foi autorizada. A 15ª CRE diz que não tem estudantes suficientes. “No início do ano, sempre tem pouca procura, mas depois que começam as aulas, aumenta a demanda. Tivemos que dispensar vários estudantes depois do início do ano. Aqui temos outra realidade, os pais não costumam inscrever as crianças no sistema. Eles acabam vindo direto na escola”, destaca a diretora.

O sentimento de abandono, além do descaso com a escola e com os estudantes é sentido tanto pela diretora quanto pela professora.

“Sinto que estão empurrando a educação pública com a barriga. A cada ano, o descaso é maior, tanto com a escola, quanto com os profissionais, pois só quem está em sala de aula sabe que muitas vezes precisamos ser pais, médicos, psicólogos, etc. Nosso trabalho não termina na sala de aula, trabalhamos muito além da nossa carga horária e mesmo assim não somos vistos ‘com bons olhos’. É muito triste e preocupante o rumo que está tomando a educação brasileira”, desabafa Rocheli.

“Fico triste em ver que com o passar dos anos o descaso dos governos com a educação pública só aumenta. No caso do governo Eduardo Leite isso só tem piorado, a percepção que tenho é de que ele não prioriza a educação pública e não tem a menor intenção de qualificar as estruturas das escolas”, conclui a professora Marcia.

Se a sua escola também enfrenta dificuldades estruturais ou de pessoal, clique aqui e saiba como contatar o seu núcleo do CPERS e fazer uma denúncia. Chega de descaso! Vamos pressionar o governo Eduardo Leite (PSDB) para que, de fato, valorize a educação pública estadual e as(os) educadoras(es)!

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