EEEM Dr. Oscar Tollens: educadores se sentem desamparados para ministrar disciplinas do Novo Ensino Médio


A EEEM Dr. Oscar Tollens, situada no bairro Partenon, em Porto Alegre, vem enfrentando problemas desde a volta às aulas – na verdade, até mesmo antes disso. Além das obras do ginásio estarem inacabadas desde 2017, as(os) professoras(es) estão se sentindo desamparadas(os) para lecionar as novas disciplinas eletivas impostas pelo Novo Ensino Médio (NEM).

A tesoureira do CPERS, Rosane Zan, e a diretora Juçara Borges, realizaram uma visita à instituição na manhã desta quinta-feira (29) para ouvir as(os) profissionais e mobilizar para a Assembleia Geral da categoria, que acontecerá no dia 22 de março, na Casa do Gaúcho na capital.

Para Rosane, visitar as escolas significa comprovar que as mudanças trazidas pelo NEM, de forma arbitrária, causam consequências desastrosas ao ensino e aprendizagem dos estudantes, uma vez que as(os) educadoras(es) acabam sendo designadas(os) para áreas que destoam completamente de sua formação original.

“Fica muito claro que os professores não se sentem mais realizados, porque se formam em uma área e são obrigados a lecionar uma matéria em uma área que não foram preparados. Os cursos feitos pelas coordenadorias da Seduc não atingem os objetivos que se propuseram para a formação dos professores. As medidas estão sendo tomadas de cima para baixo, sem conversar com a categoria”, explica.

Com uma mudança tão brusca na rotina escolar, cada instituição do estado deveria receber um mentor ou mentora para orientar as professoras(es) sobre as novas disciplinas a serem lecionadas nas escolas, conforme orienta a Secretaria da Educação (Seduc). Mas isso não está acontecendo. De acordo com as(os) docentes, a pessoa designada para fazer a mentoria das(os) profissionais está afastada por razões de saúde desde que as aulas começaram, no dia 19 de fevereiro.

“Nossa visita na escola foi importante, porque constatamos in loco aquilo que a gente já vem pautando nas reuniões com a Secretaria da Educação, referente à sobrecarga de trabalho e o Novo Ensino Médio, que não contempla o aprendizado dos alunos”, expõe Juçara.

Desde o início deste ano letivo, as professoras e os professores foram orientados pela Seduc a lecionar as novas disciplinas impostas pelo NEM, mas não receberam orientações de como levar isso para a sala de aula. O relato se repete: as(os) docentes se sentem despreparadas(os) para ministrar as aulas, por conta da falta de formação.

“Me formei em química, mas agora preciso dar aula de medicina”, ironiza uma professora.

“Somos obrigados a abrir novas trilhas, mas sem cachorros e sem facões. Não sabemos como trilhar esses caminhos, porque não tivemos orientação”, desabafa outra professora.

Ginásio abandonado há sete anos

Aos fundos da escola, ao lado do pátio onde as crianças passam o intervalo, fica uma grande estrutura de ginásio. O espaço, no entanto, é inabitável, porque a obra, iniciada em 2017, não só não foi acabada, como também está abandonada há sete anos.

De acordo com a vice-diretora da instituição, Marangela Bueno, por conta de um problema contratual entre a empresa que realizava a obra e a Secretaria Estadual de Obras e Habitação, a construção foi interrompida. Uma nova licitação teria sido aberta, mas os diretores seguem sem notícias sobre a continuidade.

Nesse meio tempo, o terreno chegou a ser invadido, além do relato de roubo de encanamento e outros materiais. Um vizinho chegou a colocar um cavalo para pastar no local, que foi removido após um pedido do diretor.

Desde 2017, os alunos e alunas são obrigados a acompanhar as aulas de Educação Física no pátio da escola, que fica ao lado das salas de aula. Segundo as(os) docentes, isso acaba atrapalhando as aulas por conta do barulho, e muitas(os) professoras(es) acabam tendo dificuldade de passar a matéria. Apesar disso, a vice-diretora relata que não há qualquer prazo para retomada da obra, que segue nas mãos da Seduc.

“É muito triste ver colegas se desencantando com a profissão”, finaliza Juçara.

Aula de Educação Física acontece no pátio, ao lado das salas de aula.
Fotos: Joana Berwanger/CPERS

Junte-se ao CPERS na luta pela educação! A Assembleia Geral do Sindicato acontece no dia 22 de março e será crucial para articular a luta sindical e definir as prioridades da mobilização por valorização. A partir das 13h30, se una à categoria na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre!

Para relatar a situação da sua escola, preencha o formulário do CPERS abaixo: 

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