Quanto mais tempo o professor(a) se dedicou à escola pública gaúcha, maior o prejuízo. Essa é a proposta de Eduardo Leite (PSDB).
Assim como na farsa do reajuste de 32% em 2022, neste ano, o aumento prometido para os educadores(as), menos do que o proposto pelo MEC, é uma mentira midiática vendida para a sociedade. De forma cruel e desumana, Leite deixa de fora da proposta funcionários(as) de escola e aposentados(as) sem paridade.
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Abaixo, confira o relato de quatro professores(as) aposentados(as), de diferentes regiões do Estado, que dedicaram a vida para a educação pública e agora, na hora de aproveitar a sua aposentadoria, são mais uma vez esquecidos(as) pelo poder público, que usurpa direitos adquiridos ao longo da carreira ao absorver o reajuste da parcela de irredutibilidade.
Além do “reajuste fictício”, os aposentados e aposentadas passaram a contribuir novamente com a previdência, através da Lei Complementar 15.429/2019, aprovada na Assembleia Legislativa, em dezembro de 2019. Um desconto brutal que faz falta diariamente na vida destas(es) educadoras(es).

A professora de educação física aposentada, Maria Goretti Lima Grossi, de 64 anos, dedicou 42 anos de sua vida à educação pública, e agora, novamente, vai ficar sem reajuste, em decorrência da parcela de irredutibilidade.
“Desde 2014, venho reorganizando minha vida por não ter reajuste. Enquanto isso, o custo de vida só aumentou. O primeiro item que cortei foi o lazer, deixei de frequentar espetáculos de teatro, dança e música. Reduzimos ao extremo, meus filhos e eu, o consumo de roupas e calçados, bem como consertos e alterações estruturais no apartamento em que moramos. Procurei economizar na minha vida para preservar a qualidade de vida dos meus filhos. Ainda assim, hoje, a nossa alimentação é bem mais simples do que gostaria”, destaca Goretti.
No mês de abril de 2020, aposentados e aposentadas passaram a contribuir novamente com a previdência, junto às incertezas da pandemia da Covid-19, que afetou ainda mais a vida dos educadores(as).
Para a aposentada, é revoltante viver diariamente com a farsa do reajuste salarial, com os salários congelados pelo governo Sartori e agora reduzidos com o governo Leite.
“Após 42 anos trabalhando para o Estado, atuando, inclusive, fora da disciplina para a qual fui concursada. Sempre ajudando a escola, comprando do meu dinheiro material para ajudar a qualificar minhas aulas, me dedicando para o meu trabalho e para os meus alunos, sempre pensando no futuro da sociedade. Me dediquei para ter uma velhice minimamente tranquila, mas, na hora que a gente se aposenta, começa uma agressão maior do governador contra as aposentadas, pois estamos fragilizadas na luta e não temos como fazer uma greve. A gente vê uma covardia maior conosco, aposentadas. Quem nos dá força e nos protege é o nosso sindicato”, concluiu a professora aposentada.

A professora de letras, aposentada desde 2014, Liamara Guarda Finamor, de Santiago, também pagará o reajuste do próprio bolso, através da parcela de seus direitos adquiridos.
“A sociedade acredita que recebemos reajustes. O poder da mídia é muito forte e passa essa inverdade. Me sinto roubada por esse governo, trabalhei 12 anos em escola de difícil acesso e agora, simplesmente, eles chegam e confiscam parte disso e as demais vantagens que temos direito”, desabafa Liamara.
Para Liamara, o desconto da previdência, que totaliza R$ 252,51 todos os meses, faz falta para cuidados, por exemplo, com a saúde.
“Esse desconto prejudica toda uma cadeia econômica ao nosso redor. No meu caso, tive que reduzir os gastos com a saúde. Parei com as aulas de pilates e academia receitadas pelo médico, devido ter glicose alterada (pré-diabete)”, explica a aposentada.
“Agora, na terceira idade, quando mais precisamos de recursos para termos qualidade de vida, esse governo simplesmente nos atira aos leões e, para completar, sucateia o IPE Saúde. Para mim, o governo Leite é “muito espertinho”, aprendeu bem a cartilha neoliberal. E nós educadores que estamos pagando a conta”, conclui Liamara.

Maria Virgínia Fagundes Moreira, professora de história e geografia, aposentada desde 2002, de Pelotas, conta que muitas coisas deixa de fazer, já que não recebe um reajuste real há anos, além do desconto da previdência no valor de R$ 601,13, o qual encolheu bastante o salário.
“O sacrifício maior é no lazer, pois uma casa precisa de manutenção constante. As despesas são muitas e as contas não param de chegar”, desabafa.
Se o reajuste salarial de Eduardo Leite (PSDB) continuar desse jeito, sendo pago do próprio bolso do educador(a) através da parcela de irredutibilidade, Maria vai demorar para ter um reajuste real, pois a sua parcela de irredutibilidade é de R$ 1.229,18 atualmente.
“A farsa do aumento enoja, nunca vou ter reajuste, pois a parcela maldita é mais de mil reais, vai tirar de uma ponta e colocar na outra. Tudo tem reajuste, os remédios que tomo, vários de uso contínuo, exames caros. A única coisa que não aumenta é o nosso salário”, destaca.

Geraldo Farina, de Bento Gonçalves, é pós-graduado em Língua Portuguesa e Literatura e maestro, com cursos de qualificação em ensino de música e regência coral. Foi professor do Estado por 30 anos e ministrou Educação Musical para 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental.
Atualmente, com 74 anos, Farina se diz cansado de buscar a complementação para a sobrevivência com projetos na área cultural.
“Sinto-me espoliado pelo Estado, ouço administradores realizando falas mentirosas. Falas mansas, porém, de absoluta insensibilidade com a história de servidores públicos que, como eu, gastaram literalmente a vida e chegam na derradeira etapa preocupados com o hoje e com uma total incerteza do amanhã. O descaso e a insensibilidade não podem ser aceitos por quem tem direitos adquiridos”, afirma.
Assim como os relatos acima, diversos outros educadores(as) aposentados(as) estão na mesma situação, equilibrando as contas para ter o básico, graças ao descaso e a insensibilidade do governador Eduardo Leite (PSDB), que prejudica aqueles com mais tempo de carreira.
O CPERS segue na luta pelo reajuste de 14,95% para TODOS(AS) os educadores(as): professores(as) e funcionários(as) de escola, da ativa e aposentados(as) – com ou sem paridade -, concursados(as) e contratados(as), sem o confisco da parcela de irredutibilidade.
Na próxima terça-feira (4), o CPERS convoca os trabalhadores(as) da educação para o Ato Estadual, a partir das 9h, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre, para pressionar pelo reajuste de 14,95% para TODOS(AS). Neste dia, o projeto do governo do Estado para o reajuste da categoria será votado na Assembleia Legislativa.
Contate o seu núcleo do CPERS e mobilize-se. A hora é agora!





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