1º de maio: sem trabalho digno, não há país possível


O 1º de Maio, Dia da Trabalhadora e do Trabalhador, é um marco de luta, memória e resistência. Em uma sociedade marcada por desigualdades profundas, falar sobre esta data é tratar da base que sustenta o país: o trabalho.

A ampliação da jornada exaustiva, a informalidade crescente e a substituição de vínculos formais por arranjos precários não representam modernização — representam transferência de risco para quem menos pode suportá-lo.

A defesa do fim da escala 6×1, central nas mobilizações organizadas pela CUT, CPERS, demais centrais sindicais, entidades e movimentos sociais neste 1º de Maio, responde a um princípio lógico: produtividade não pode ser construída à custa do esgotamento humano. Reduzir a jornada, sem reduzir salários, não é um privilégio; é uma medida que melhora a qualidade de vida, fortalece a economia e distribui melhor o tempo e as oportunidades.

O mesmo raciocínio se aplica ao enfrentamento da pejotização, à regulamentação do trabalho por aplicativos e ao fortalecimento da negociação coletiva. Não há estabilidade econômica sustentável sem relações de trabalho minimamente equilibradas. Quando o vínculo é frágil, o consumo cai, a insegurança cresce e o ciclo de desenvolvimento se rompe. Defender direitos trabalhistas é, portanto, defender um ambiente econômico mais saudável para toda a sociedade.

Na educação pública, essa equação é ainda mais evidente. Não existe desenvolvimento consistente sem investimento contínuo nas pessoas. Desvalorizar profissionais da educação, precarizar escolas e reduzir políticas educacionais é comprometer o futuro da população.

Ao mesmo tempo, é impossível dissociar essas pautas do contexto político. A erosão de direitos sociais e o avanço de discursos autoritários caminham juntos porque compartilham um objetivo comum: enfraquecer a capacidade coletiva de organização. Quando se fragiliza o trabalho, enfraquece-se também a democracia. Por isso, resistir a projetos de extrema direita é uma defesa concreta das condições que permitem à sociedade funcionar com equilíbrio e justiça.

O ano de 2026 se apresenta como um ponto de inflexão. No dia 4 de outubro, a sociedade brasileira e gaúcha será chamada a decidir entre aprofundar um modelo que amplia desigualdades ou construir um caminho baseado em direitos, desenvolvimento e democracia. É uma escolha que impacta diretamente na renda, no emprego, na educação e na qualidade de vida de todas e todos.

A defesa do trabalho digno, da educação pública e da democracia sustenta o interesse coletivo. Ignorar isso é aceitar um processo de deterioração que, cedo ou tarde, alcança todas(os).

Neste 1º de Maio, mais do que celebrar, é preciso agir. Porque a história demonstra, de forma inequívoca, que direitos só permanecem quando são defendidos de maneira consciente e organizada. Classe trabalhadora, uni-vos!

No Rio Grande do Sul, o Dia das(os) Trabalhadoras(es) será marcado por uma mobilização descentralizada, com atividades em cinco cidades. Em Porto Alegre, as ações acontecem a partir das 10h, na Casa do Gaúcho.

Organizado pela CUT/RS e entidades sindicais, o “Festival dos Trabalhadores e das Trabalhadoras” reúne a classe por unidade e mobilização social. Confira a programação neste link!

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