Falta de servidores deixa estudantes da educação especial sem assistência em Bagé


A falta de profissionais nas escolas estaduais é uma realidade que o CPERS denuncia de forma recorrente. Seja durante a Caravana realizada na primeira metade do ano, seja por meio da pesquisa Radar, que reuniu relatos de educadoras(es) de todas as regiões do Rio Grande do Sul, o diagnóstico é o mesmo: faltam professoras(es), funcionárias(os) de escola e especialistas para garantir o funcionamento adequado da rede estadual.

Embora esse cenário pareça apenas mais um capítulo de um problema que o governo Eduardo Leite (PSD) e Gabriel Souza (MDB) insiste em não resolver, casos concretos revelam a dimensão dessa crise. Na EEEM Luiz Mércio Teixeira, em Bagé (17º Núcleo), seis estudantes que necessitam de acompanhamento especializado estão, desde o início do ano letivo, sem os profissionais de Atendimento Educacional Especializado (AEE) necessários. Atualmente, a escola conta com apenas duas(dois) docentes para atender essa demanda.

Segundo o diretor Eduardo Ruiz, desde o início do ano letivo, famílias e o corpo docente vêm se mobilizando para cobrar da 13ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) a contratação das(os) profissionais necessárias(os). No entanto, a resposta recebida repetidas vezes pela comunidade escolar foi a de que não havia possibilidade de novos contratos.

Somente nesta segunda-feira (27), a 13ª CRE informou que viabilizaria a contratação de apenas uma(um) profissional. Para o diretor, porém, a medida está longe de resolver o problema. Segundo ele, ainda não é possível precisar quantas(os) educadoras(es) seriam necessárias(os), pois isso depende da avaliação da carga horária que será destinada a cada nova(o) docente.

Eduardo Ruiz (esq.) participa de Caravana do CPERS no início de 2026.

“Hoje, professores do AEE, que deveriam estar só no AEE, estão também na sala de aula, ficando ao lado desses alunos, levando ao banheiro, o que são tarefas de monitoria”, relata Eduardo. Na prática, profissionais que já são insuficientes acabam assumindo atribuições de outras áreas igualmente afetadas pela falta de servidoras(es), reflexo da política de desmonte da educação pública conduzida pelo governo Eduardo Leite (PSD) e Gabriel Souza (MDB).

Para Ruiz, o resultado desse cenário é inevitável: estudantes que necessitam de Atendimento Educacional Especializado recebem um suporte muito aquém do que têm direito. Ao mesmo tempo, as(os) profissionais enfrentam uma rotina marcada pela sobrecarga e pela impossibilidade de oferecer o acompanhamento adequado. “Ninguém fica bem atendido”, resume o diretor.

Para o CPERS, defender a educação inclusiva significa defender uma escola pública capaz de acolher a diversidade como um valor e garantir que todas(os) as(os) estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade. Para isso, porém, é indispensável que o Estado cumpra sua responsabilidade, assegurando profissionais em número suficiente e condições adequadas de trabalho, mpromisso que o governo Leite (PSD) e Gabriel (MDB) tem deixado de cumprir.

O Sindicato seguirá acompanhando e denunciando a falta de profissionais de Atendimento Educacional Especializado (AEE) em todo o Rio Grande do Sul. Em um momento em que a inclusão é cada vez mais reconhecida como um direito fundamental, o investimento público na formação e na contratação dessas(es) profissionais também precisa crescer. Essa seguirá sendo uma pauta permanente da luta do CPERS, em defesa de uma escola pública inclusiva, democrática e de qualidade para todas(os).

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