Utopia e resistência marcam acampamento das educadoras na Praça da Matriz


Há quatro semanas, educadoras(es) da rede estadual fincam pé na Praça da Matriz para exigir seus direitos e lembrar Eduardo Leite que valorizar a educação não pode ser uma promessa vazia de campanha.

A cada dia, o Acampamento da Resistência cresce em força e tamanho, na expectativa do envio dos projetos de Eduardo Leite que retiram direitos, confiscam dinheiro de aposentados(as) e aprofundam a miséria de quem trabalha no chão da escola.

A quarta-feira (6) foi de reflexão e debate, mas também de luta, música e ação política.

Pela manhã, o grupo formou uma roda e escreveu em tiras de papel palavras que remetem ao momento crítico da categoria. Resistência, fome e esperança compartilharam o mesmo espaço.

Após, trocaram depoimentos inspiradores sobre suas perspectivas frente aos desafios do período.

Amon da Costa, professor em Gravataí, contou que a sua família tem 80 anos de relação com a educação e a luta pela democracia.

“Às vezes a gente é levado a pensar com pessimismo. Mas quando olhamos para trás, vemos quanta gente lutou, quanta gente impediu que o mundo fosse ainda pior. Quem são essas pessoas? Foram pessoas como nós, que seguramos a onda disso aqui para que não seja um verdadeiro inferno. Tá difícil de lutar, mas quem está na sala de aula depende da gente”, disse.

Já Ana Maria Alves, professora aposentada de Santa Cruz do Sul, lembrou da célebre frase de Galeano sobre a importância das utopias: “a utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

“São as utopias que fazem com que a gente esteja aqui neste momento”, arrematou Maria Aparecida Prado, merendeira aposentada de Palmeira das Missões. “A resistência é fundamental pra gente manter a liberdade de promover um projeto político-pedagógico capaz de construir a sociedade que a gente sonha, com igualdade e direitos sociais básicos”, complementou.

O dia também foi de pressão e diálogo na Assembleia Legislativa. Além de entregar ofícios a todos os deputados da casa detalhando as razões para repudiar os projetos de Leite, o acampamento recebeu a visita de uma comitiva de vereadores de Palmeira das Missões e o apoio de dois políticos de partidos da base do governo.

“Se o meu partido não votar com vocês, educadores, eu tô fora do meu partido”, afirmou o vereador Vieirinha, de Quaraí, do Solidariedade.

O prefeito de Protásio Alves, José Spanhol, do MDB, também prestou apoio aos educadores(as).

O almoço foi acompanhado pela animação da dupla Cantadores do Povo. Na sequência, o músico e assessor parlamentar Antônio Avelange Bueno conduziu uma formação sobre a tramitação de Projetos de Lei e Propostas de Emenda à Constituição.

“Esse é um pacote que desumaniza o poder público, e o servidor terá que pagar a conta dos desmandos do estado. Isso prejudica em última instância a população. O Chile, por exemplo, perdeu o sistema de saúde e a maior parte do ensino é privado. Chegou a um ponto que a população não aguentou”, afirmou.

Também não faltaram sinetaços e cantoria em frente ao Piratini para “acordar” Eduardo Leite. No fim do dia, a manifestação contou com trompete, além dos tambores e sinetas.

Por salário em dia, reajuste já e nem um direito a menos, o acampamento permanece na praça até o fim do ano e simboliza o marco inicial da greve da categoria, a ser deflagrada 72 horas após o envio dos projetos desumanos do governador à AL.

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