Risco de curto circuito, vazamento e goteiras são alguns dos problemas enfrentados pela escola Ramos Pacheco, de Gramado


Se o dia for de chuva, boa parte dos alunos da EEEM Boa Ventura Ramos Pacheco, em Gramado, já sabem que provavelmente terão que usar a lanterna do celular para enxergar o que escrevem. Isso ocorre porque a instituição enfrenta, desde o início do ano letivo, problemas na rede elétrica. Um curto-circuito na fiação deixou cinco salas de aula sem luz.

Até pouco tempo, os estudantes tinham aulas na penumbra. Mesmo sabendo da situação, o governo Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) ainda não providenciou a solução. Cansada de esperar, a direção da instituição pediu ajuda à prefeitura.

“Fizeram algo provisório. Então, em alguns dias temos luz, mas somente nas lâmpadas. Não podemos usar data show, tomadas, nada. Em outros dias não há qualquer luz, as aulas são na penumbra”, relata a professora de Biologia, Patrícia Luzia Frois, que leciona na escola há 20 anos.

Tatiane Della Molle, diretora da escola, relata que foi realizada recentemente a licitação para a reforma da instituição, que inclui telhado, rede elétrica, piso de uma área do laboratório de ciências e a estruturação de área coberta entre algumas salas de aula, refeitório e biblioteca.

Os custos para a realização dos reparos, segundo ela, ficam em torno de R$ 10 mil. “Mas ainda não sabemos quando começam as obras, talvez entre julho e agosto. Essa espera é angustiante, pois temos vários problemas para resolver e sempre existe o risco de curto-circuito. Aguardamos o início da obra com ansiedade”, afirma a diretora.

Foto: Tiago Manique/JIH

A instituição, que completa 62 anos em setembro e atende atualmente a 600 alunos, também enfrenta problemas de vazamento e goteiras nos telhados, falta de professores e funcionários. “Atualmente nos falta um professor de Matemática, um de Física e um funcionário para a limpeza”, explica a diretora.

Readequações prejudicam alunos e educadores

Para driblar os problemas os educadores(as) se ajudam, trocam de salas para apresentação de trabalhos, por exemplo. Porém, os espaços readequados ficam com suas atribuições originais comprometidas. “Utilizamos o laboratório de ciências e a biblioteca como salas de aula. Mas é muito cansativo, tanto para nós quanto para os alunos. A sensação que fica é a de impotência”, desabafa o professor de História e Supervisor do Ensino Médio, Lucius Fabiano Martins da Silva, há 25 anos lecionando na Ramos Pacheco.

“Mesmo assim as adversidades continuam, pois o tempo perdido na resolução causa atraso nas aulas, desconforto e tensão. Não se consegue dar aulas satisfatoriamente, sempre surgem mais elementos que dificultam, em muito, o andamento das aulas”, completa Silva.

A professora de Português e Literatura, Vânia de Paula dos Reis, ressalta que os problemas estruturais da instituição afetam diariamente a rotina na escola, o trabalho dos professores e a aprendizagem dos estudantes. “Os alunos convivem com problemas diários. Além da instabilidade da energia elétrica, eles não têm acesso a nenhuma tecnologia, exceto o celular, e ainda precisam encarar as goteiras nas salas.”

A educadora também destaca o número alto de alunos(as) por turma em salas pequenas e enormes rachaduras no telhado, que causam vazamento. “As turmas numerosas atrapalham a convivência e os estímulos oferecidos pelos professores. Isso, muitas vezes, causa atos de incivilidade dentro e fora das salas”, expõe.

“Nós, professores, não conseguimos sequer argumentar com eles a esse respeito, pois não há argumentação possível sobre uma situação prevista há muito tempo e que ainda aguarda solução”, observa.

Diante das adversidades, os educadores fazem o possível para amenizar os transtornos como, por exemplo, disponibilizar a cópia impressa dos conteúdos para evitar que os alunos(as) tenham que copiar dos quadros, caso falte luz. Mas, o sentimento que fica é o de abandono e de impotência.

“Nós damos nosso sangue e em troca recebemos o total descaso por parte da 4ª CRE e da Seduc, cientes dos problemas. O sentimento é de total abandono, descaso e de muita falta de respeito com o coletivo, com o bem público, com a educação, com o ser humano”, desabafa Silva.

O CPERS segue acompanhando o desenrolar da questão junto à escola. É urgente que o governo providencie as reformas necessárias para garantir um ambiente de aprendizagem seguro e adequado à educadores e estudantes.

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