Por respeito e salário digno, educadores realizam ato e instalam acampamento na Praça da Matriz


Em dia de nova paralisação das escolas estaduais, cerca de mil educadores(as) realizaram um ato em Porto Alegre nesta segunda-feira (3) por respeito, salário em dia, reajuste e a retomada da mesa de negociação com o governo Eduardo Leite. Na última quinta (30), o Estado confirmou o 42º mês de salários atrasados, e a categoria permanece com o contracheque congelado há quatro anos e meio, sem reposição da inflação e com o segundo pior salário básico do país.

A caminhada começou por volta das 13h30, em frente ao CPERS, e percorreu as ruas do centro até o Palácio Piratini. No local, a direção central do Sindicato foi recebida pelo secretário-adjunto da Casa Civil, Bruno Pinto de Freitas, e entregou um ofício exigindo o reinício das tratativas sobre a pauta de reivindicações. O documento também pede a revogação da prática desumana denunciada pelo CPERS na última semana; a demissão de contratados(as) em licença saúde.

O secretário-adjunto se comprometeu a retornar nesta semana com uma data para a nova audiência, mas afirmou desconhecer a política de dispensa de contratados(as) com problemas de saúde. Na saída da reunião, Helenir Aguiar Schürer, presidente do CPERS, falou ao público: “a responsabilidade pela vida dessas pessoas é do Governo do Estado. Queremos a revogação de todos os atos de demissão. Nós não somos coisas descartáveis, somos pessoas”.

Em seguida, os manifestantes instalaram um acampamento na Praça da Matriz. “Às vezes a gente vem aqui e eles esquecem do que combinamos. Então vamos acampar na praça para lembrar o governo todos os dias que ele tem que responder”, explicou Helenir. O acampamento deve permanecer no local até sexta-feira (7), data do Conselho Geral e prazo final para protocolar emendas da sociedade civil à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

A LDO enviada por Eduardo Leite à Assembleia Legislativa, se aprovada sem alterações, condenará a categoria ao sexto ano sem qualquer reajuste. O CPERS deve pressionar os(as) deputados(as) ao longo da semana para garantir a aprovação de uma emenda por justiça salarial. O acampamento deve ser autogestionado pelos(as) presentes. A primeira reunião de organização está marcada para esta terça-feira, às 8h30.

Por decisão da Assembleia Geral do CPERS, os(as) educadores(as) devem cruzar os braços no primeiro dia útil de cada mês de salários atrasados.

Justiça salarial

Na mesma semana em que Eduardo Leite desmarcou a rodada de negociação com o CPERS – que aconteceria na segunda (27) – e confirmou o 42º mês de salários atrasados, o governo aprovou junto à Assembleia o aumento do salário do presidente do Banrisul de R$ 51 mil para R$ 89 mil. O novo contracheque do gestor é o suficiente para pagar o básico de 141 professores(as) e atender a mais de 4 mil alunos em sala de aula.

Na semana anterior, aumentou os proventos de quem ganhava o teto do Executivo em até 16,38%, alegando cumprir ordem judicial. Enquanto isso, segue atrasando salários à revelia da Constituição do Estado e pagando o segundo pior salário do país para educadores(as) do Rio Grande do Sul.

Os(as) educadores(as) estão em situação de miséria, acumulando empréstimos impagáveis, sem dinheiro para ir trabalhar e escolhendo entre comer e pagar as contas.

Como Bolsonaro, o governador Eduardo Leite também “contingenciou” 30% dos repasses para verbas de autonomia financeira para os investimentos em escolas, sucateando a estrutura que atende mais de 80% dos estudantes gaúchos.

Agora, fala abertamente em estabelecer PPPs para entregar escolas públicas à gestão privada, um prato cheio para grandes empresas abocanharem recursos dos contribuintes, enquanto os verdadeiros problemas da educação são jogados para baixo do tapete.

 

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