Novo salário mínimo tem o menor poder de compra para cesta básica em 15 anos


Brasileiros não terão recursos para garantir cesta básica em 2021. De acordo com pesquisa do Dieese, o novo salário mínimo não é o suficiente para a manutenção da feira de parte significativa da população. Será o menor poder de compra de produtos da cesta básica desde 2005.

A correção do salário mínimo está entre as primeiras ações do governo federal com a virada de ano. No entanto, este ano o reajuste parece ser insignificante tendo em vista os desdobramentos da inflação e efeitos da forte crise econômica pela Covid-19.

Com o reajuste para R$ 1.100, em vigor desde 1º de janeiro, o novo piso nacional ainda está abaixo da média para sustentar as famílias.

Conforme o Dieese, o custo da cesta básica atual é de R$ 696,71. O valor representa mais da metade do novo salário de R$ 1.100, o que significa que uma família que vive apenas com essa base não poderá fazer a reposição total de seus insumos.

>> Leia a íntegra do levantamento do Dieese aqui.

Ainda segundo o instituto, a quantia necessária para custear um lar com quatro pessoas deveria ser até 5 vezes maior que a atual ofertada. Enquanto o piso nacional não apresenta um reajuste significativo, o preço dos alimentos permanece inflacionado.

Com o atual salário, há uma equivalência de 1,58 cesta básica, ou seja, a mesma proporção de 2020. Já em 2015 essa média era de 1,60 – a menor registrada até então. De 2006 a 2019, essa proporção esteve próxima ou acima de duas cestas, chegando a 2,16 em 2017.

A Medida Provisória 1.021/2020, que estabeleceu o reajuste, foi publicada no Diário Oficial da União em 30 de dezembro. Com a mudança, o valor diário do salário mínimo passou a ser de R$ 36,67 e o valor horário, R$ 5.

Marchas a Brasília

A política de valorização do salário mínimo surgiu a partir de iniciativa das centrais sindicais, que realizaram uma série de “marchas” para Brasília.

Tornou-se lei nos governos Lula e Dilma. O critério de reajuste considerava o INPC do ano anterior. A título de aumento real, o PIB de dois anos antes. Prevista na Lei 13.152, de 2015, a regra era válida até 2019, quando houve ganho real de 1,14 ponto percentual.

O INPC de dezembro será divulgado no próximo dia 12. De janeiro a novembro de 2020, ficou acumulado em 3,93%. Ao mesmo tempo, os preços dos alimentos não pararam de aumentar ao longo do ano, pressionando a cesta básica e, consequentemente, a população mais pobre.

Impacto na economia

Em setembro, durante audiência no Congresso, o ministro Paulo Guedes se manifestou contra o aumento do salário mínimo. Afirmou que, em tempos de crise, isso seria “condenar as pessoas ao desemprego”. Desconsiderou a inflação.

O Dieese estima que 50 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo. E, com o reajuste, calcula em aproximadamente R$ 30 bilhões o incremento de renda na economia brasileira.

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