Governo força enturmação e multisseriação em escola de Roque Gonzales


Escola referência no município de Roque Gonzales, da região das Missões, a EEEB Érico Veríssimo corre o risco de ser enturmada e multisseriada – quando se agrupam turmas e séries diferentes em uma única classe – ainda em junho, em mais um ataque autoritário do governo Eduardo Leite (PSDB) à educação pública gaúcha.

Com o ano letivo em curso em meio à pandemia e sem qualquer diálogo com a comunidade escolar, com professores sobrecarregados se desdobrando para garantir um ensino de qualidade aos estudantes, a Secretaria de Educação (Seduc) impôs o agrupamento de alunos do  1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental da instituição.

O comunicado foi feito pela 32ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) por telefone.

“Minha filha está estudando no primeiro ano da turma que está para ser multisseriada. Ainda não tive coragem de contar para ela. Os outros pais relataram que as crianças choraram muito e que, devido à multisseriação, preferem trocar de escola”, explica Janaine Trindade, professora da Érico Veríssimo e mãe da aluna Camilly, de seis anos.

Janaine conta que se sentiu traída e desrespeitada com a medida, já que a turma foi homologada no início do ano e ninguém esperava pela imposição, que pode acarretar em graves prejuízos ao aprendizado de dezenas de crianças.

“Minha filha será prejudicada no ensino. O professor não terá tempo para dar atenção e suporte que os alunos precisam, sobretudo na fase da alfabetização, que é o alicerce para todo o processo”

Para ela, o agrupamento também prejudicaria o trabalho de excelência exercido pelos professores, que estariam ainda mais sobrecarregados e abarrotados de tarefas a serem cumpridas em prazos apertados.

“Temos que fazer planilhas nos anos iniciais de todas as disciplinas. Com a medida, o professor trabalharia em dobro, com menos tempo para atender os alunos. Temos que postar atividades no Classroom, fazer Meet, atender alunos no presencial e no remoto, devolutivas de todo material enviado, relatórios de devolutivas e correr atrás dos alunos que não fazem. Estamos ficando doentes”, desabafa.

Lucas Machry é pai de Esthevan, de seis anos, que ficou muito abalado com a notícia. Esthevan está no 1º ano do Ensino Fundamental da Érico Veríssimo, uma das séries que correm o risco de enturmação.

Para Machry, além do transtorno emocional que a multisseriação e enturmação podem gerar nas crianças, caso não revertida, a medida pode ocasionar o afastamento de famílias da escola, sobrecarregar turmas de outras instituições e aumentar a exposição de professores à Covid-19.

“Trata-se de alunos que estão em processo de alfabetização, com aulas remotas e presenciais. No curso do ano, mudar de professor, colegas e formato de ensino gera um desconforto emocional e psicológico para estas crianças”.

“Além disso, um mesmo professor terá que preparar conteúdo e atender mais de uma turma ao mesmo tempo, o que aumenta a exposição ao risco de contágio da pandemia”, completa Machry.

Comunidade da Érico Veríssimo resiste!

Na tarde desta terça-feira (15), a comunidade escolar, o 33° Núcleo do CPERS e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Roque Gonzales foram até a 32ª CRE entregar um ofício contra a enturmação e multisseriação do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental.

Contudo, eles não foram atendidos pela coordenadora, Mônica Justo. Por telefone, uma nova visita foi agendada para esta quarta-feira.

Outro documento também será encaminhado à Seduc.

Tanto a enturmação quanto a multisseriação favorecem a evasão escolar, criando um ciclo vicioso. O Estado não tem políticas para evitar a infrequência, e usa os números para justificar novas enturmações e multisseriações. A verve neoliberal celebra a queda no número de alunos como catalisadora da redução da máquina.

Disfarçado de “racionalização e otimização de custos”, o brutal enxugamento imposto pelo governo Leite sufoca a qualidade da educação, desestrutura a organização pedagógica, onera profissionais e, em última instância, prejudica o aprendizado.

“O prejuízo é muito grande, principalmente quando se trata das séries iniciais da educação. Nós, como CPERS, que sempre defendemos o ensino público de qualidade, vemos essa imposição como aprofundamento das desigualdades entre alunos de escolas públicas e privadas”, afirma o diretor do 33° Núcleo do Sindicato, Joner Nascimento.

Defenda sua escola

Se a sua escola está na mira do governo para fechamento de turmas e turnos, fim do EJA, enturmação ou multisseriação, mobilize-se!

Procure o CPERS, siga as orientações e defenda a sua escola!

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