Estudante de escola pública cria vaquinha para participar da maior feira de ciências do Brasil


“Eu quero fazer as pessoas entenderem que o abuso não é legal, que o ciúme é estúpido, e que sim, uma relação pode ser construída à base de companheirismo e respeito”, conta a estudante da EEEM Irmão Guerini, de Caxias do Sul, Raylyne Ribeiro, autora do projeto “Romantização do ciúme nos relacionamentos entre jovens: do ciúme às relações abusivas”.

O trabalho da estudante foi selecionado na categoria Ciências Humanas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e integra o grupo de 30 finalistas gaúchos entre mais de 300 de todo o Brasil. A feira acontece de 17 a 19 de março de 2020, em São Paulo.

O trabalho descreve as fases do ciúme e esclarece formas de combater o mesmo ainda na sua fase inicial, evitando o desenvolvimento de uma relação abusiva que pode levar ao feminicídio.

“As notícias sobre feminicídios e violência doméstica vêm aumentando muito de anos para cá. Então fui buscar o porquê disto. Foi quando percebi a ligação do relacionamento abusivo com o feminicídio. Quis fazer algo que, mesmo que fosse pouco, ajudasse. Eu já estive nesse lugar sem perceber”, relata a estudante de 17 anos.

Projeto busca combater a violência contra a mulher

A aluna desenvolveu um jogo lúdico de tabuleiro destinado a crianças de seis anos, com o objetivo de fomentar uma cultura avessa à possessividade. “Quando tu ensina uma criança, de forma lúdica, que ela pode dividir, ela entende e acaba levando isso pra vida adulta, evitando sentimento de controle nos relacionamentos futuros”, explica.

O jogo, que ainda está em elaboração, é destinado para duas ou quatro pessoas. A atividade propõe que os jogadores pesquem cartas nos montes, respondendo a situações na temática do ciúmes que podem colaborar para a montagem de um quebra-cabeças individual. Quem completar o quebra-cabeças primeiro é o vencedor.

Além disso, o trabalho conta com uma campanha visual, ilustrações feitas por Ray com o objetivo de sensibilizar e levar as pessoas a refletirem sobre a inter-relação do ciúme e os relacionamentos abusivos.

As professoras Angélica Ferrari Rodrigues, de Biologia, e a professora Bianca Santos Trindade, da disciplina de Química foram as orientadoras da trabalho.

A pesquisa já foi premiada na Mostra IFTec, onde a estudante ficou em primeiro lugar na categoria Linguística, Letras e Artes e ainda levou o segundo lugar entre todos os trabalhos apresentados.

Ajude Ray a ir para a Febrace

Para que a estudante possa participar da Febrace 2020, Raylyne precisa arrecadar R$ 4.000 para as despesas de viagem, estadia e alimentação por uma semana.

Os amigos e professores criaram uma vaquinha online. “No dia que fomos convidados a apresentar na Febrace conversamos muito, e decidimos que iríamos sem pensar muito em como custear a viagem. Depois tivemos reuniões, e a ideia da vaquinha foi a que nos pareceu mais acessível”, esclarece Ray.

A dedicação e comprometimento não param. Mesmo nas férias, a adolescente está empenhada em aprimorar a pesquisa e inquieta para participar de feira. “Eu estou muito ansiosa, nunca imaginei participar, e agora estou bastante ocupada nos períodos livres para melhorar minha pesquisa e o projeto”, ressalta.

Para contribuir e ajudar Raylyne, basta acessar a vaquinha virtual.

A escola pública e o futuro de Ray

Ao falar da escola pública e dos professores que conheceu nesses quase onze anos de escola pública, Ray é só elogios. “Tenho e tive professores excelentes, para mim são exemplos de luta e dedicação. Eu não teria praticamente nenhum conhecimento se não tivesse aula com tantos professores incríveis e que ao longo dos anos me ensinaram bem mais do que apenas matéria. Grande parte do que sou hoje agradeço a eles”, exalta.

Raylyne divide seu sonho profissional: “quero ser professora de artes no futuro, apesar do descaso do governo com a categoria, principalmente no nosso estado”, pontua.

Notícias relacionadas