Nesta sexta-feira, dia 6, representantes de quatro escolas abertas do Estado reuniram-se, às 10h, na EEEF Ayrton Senna, em Porto Alegre para organizar a luta contra a ameaça de fechamento das instituições pelo governo Eduardo Leite.
Participaram do encontro professores, estudantes, pais, comunidade escolar, conselheiros do Conselho Tutelar da região do Partenon, representantes da Brigada Militar, representante da deputada estadual Juliana Brizola e representantes do vereador Comassetto.
As escolas abertas, da rede estadual, atendem adolescentes e crianças em situação de vulnerabilidade social, encaminhados por órgãos de proteção à infância e adolescência.

“As escolas abertas são escolas diferenciadas, recebemos crianças encaminhadas pelo Conselho Tutelar, trabalhamos com alunos que precisam de um cuidado especial, um olhar diferenciado. Acolhemos a criança e fazemos a recuperação do tempo perdido. Damos suporte para se recuperar e inserir na escola regular. Eles entram aqui e são acolhidos, ouvidos, para ai sim começarmos o atendimento direcionado para suprir as necessidades de cada um”, assim analisa o diretor da EEEF Ayrton Senna, Adroaldo Machado Ramos.
O diretor afirma que o secretário de educação, Faisal Karam está fazendo o que o governo manda: “economizar”. “A parte efetiva e emocional dos alunos não está sendo vista. Nós estamos lutando com todas as forças. Mas nós sabemos que quem tem a caneta é o governador”, afirma.
Pela mesma situação passa a EEEF. Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre. Em 2016, a escola já havia sofrido ameaça de fechamento, mas a mobilização da comunidade conseguiu reverter a situação. “Mas a partir de 2016, o governo não deixa abrir turmas, oferecer vagas à comunidade, não autorizam a contratação de professores e funcionários, ou seja, estão nos asfixiando. O governo está sendo omisso, não suprindo as necessidades da escola para funcionar. Mas não vamos desistir. Vamos lutar até o fim”, relata Jaqueline Pontes Ferreira, diretora da Cruzeiro do Sul e professora há 18 anos.
Atualmente a escola está sem a vice-diretora, secretária, professor(a) de 3º ano, merendeira, educador(a) para a sala de recurso e supervisão escolar.
Em Santa Maria, a EEEF Paulo Freire também está sendo ameaçada de fechar suas portas. “A Secretaria de Educação está tirando professores, reduzindo a carga horária. Enxugando ao máximo para fechar a escola. Temos estudantes que nos dizem que estão esperando a escola oferecer o ensino médio. E é tão triste saber que isso não vai ocorrer. Eles criam um vínculo conosco, que não querem nos deixar. E nós também não queremos deixá-los”, desabafa a supervisora da escola, Daniela Trindade Gonçalves.

A diretora da EEEF Sonho de Um Menino, em Cruz Alta, Isabel Cristina Oliveira de Mello conta que tem a assinatura de todas as autoridades e entidades da cidade que reprovam o fechamento da escola. “Eles reconhecem o nosso trabalho, o carinho que temos com as crianças. Estou há 18 anos na escola e desde que cheguei só falam que vão fechar. Ganhamos periculosidade, um pouquinho a mais no salário, e a impressão que dá, que é por isso que querem fechar.”
Isabel destaca que na instituição estão com falta de professores e funcionários, atualmente uma professora atende uma turma do 3º, 4º e 5º ano, todos na mesma sala. “Eles têm que ouvir nossa comunidade, saber o que ela quer, saber das suas necessidades. Mas o governo não quer ouvir.”
Professora, pais e estudantes da Escola Ayrton Senna falam da importância da instituição
“Recebemos aqui crianças com histórico de fracasso escolar, que conseguimos reverter e encaminhar para a escola regular. Todos os professores aqui tem especialização, estamos preparados para atender esse aluno. Eu como professora há 14 anos, sei que adaptação é demorada. Eu acredito muito na escola aberta, nessa proposta”, expõe a professora da Ayrton Senna, Silvia Schmidt.

A mãe do estudante Gustavo, 13 anos, aluno 5º ano, Bruna Fernandes fala emocionada do quanto foi difícil a adaptação do filho na escola. Gustavo não parava nem para assistir as aulas, mas com todo o carinho as professoras conseguiram que o estudante se interessasse pelos estudos. “Hoje meu filho sabe ler, o que há um ano atrás não sabia. Foi uma luta para conseguir uma vaga aqui, mas eu não desisti. Aqui a professora me manda WhatsApp na hora para me dizer o que está acontecendo. Eu agradeço todo o cuidado, carinho e paciência que a escola tem com o meu filho. Se precisar ir para outra escola, tenho certeza que o Gustavo não receberá todo esse atendimento.”
“Me causa muita preocupação o fechamento da escola, e o futuro dessas crianças que não vão se adaptar em outra. Nós sabemos a forma que essas crianças chegam aqui e a forma que saem”, pontua Cátia Guinasso, conselheira tutelar do Conselho Tutelar Microrregião 4 – Partenon.
O pai da aluna Ana, 12 anos, Valmir da Silva Lima conta que a filha nasceu prematura com 6 meses e teve três paradas cardíacas. “Os médicos falaram que Ana teria dificuldade de aprendizado. E foi aqui que ela se adaptou. Hoje eu agradeço por tudo que ela sabe, por tudo que ela aprendeu aqui. Sou muito grato por tudo. Meu medo é, se minha filha sair daqui ela vai se adaptar ou vai regredir?”
“Na outra escola eu não gostava. Aqui eu adoro vir, os professores são bem legais, o jeito que tratam a gente, diferente da outra escola. A profe ensina bem. Por isso, a escola não pode fechar”, estudante, Kethelrn Yasmin Ferreira, 13 anos.
Já a aluna Daiane Centeno dos Santos um pouco encabulada diz que adora a escola. “Eu consegui um curso de violino, aqui pela escola. Aqui a profe me ajuda e me trata bem. Eu adoro a escola”.
Na ocasião foi elaborado um documento “Carta Aberta à População Rio Grandense” que tramitará no Gabinete do Governador, na Assembleia Legislativa, Câmara dos Vereadores, Secretaria de Educação, Ministério Público e Conselho Estadual de Educação. Também está prevista uma Audiência Pública para tratar do assunto na Assembleia Legislativa, com data à definir.
O CPERS está acompanhando o caso das escolas abertas, colocando-se à disposição para o que as escolas precisarem e lutando junto para que essas não sejam fechadas.





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