Escola Evaristo Gonçalves Netto, de Porto Alegre, é o retrato do descaso do governo Leite/Ranolfo com a educação


“Nossa escola vem sendo esquecida pela Seduc. Não somos um número gigante, somos poucos, mas estamos em um bairro de situação precária, com famílias desestruturadas após a pandemia e em nível extremo de pobreza. Nossos alunos, a comunidade escolar e nós educadores merecemos respeito e uma melhor atenção da mantenedora”, conclama a professora Cátia Cristina Freitas Lima, da EEEF Evaristo Gonçalves Netto, de Porto Alegre.

Problemas estruturais, falta de recursos humanos, sala de aula interditada, rede elétrica e internet precária, ventiladores que não funcionam, quadra de esporte sem cobertura, fechamento de matrículas, ameaça de fechamento da escola, além da falta de vice-diretor, supervisão e orientação escolar, são alguns dos problemas que a escola sofre diariamente, resultado do descaso do governo Eduardo Leite/Ranolfo Vieira Júnior (PSDB).

Desde 2020, uma sala de aula está interditada, pois, chove dentro. Os ventiladores nas salas de aula que funcionam, nem sempre podem ser usados pela queda de luz. “Esse problema se enrola faz algum tempo, já foi feito reparo na rede elétrica e persiste o problema”, destaca a professora Cátia.

Outro problema enfrentado pela instituição é o acesso limitado à internet. São dois pavimentos de salas de aula, mas o acesso se dá somente na parte administrativa da escola, e mesmo assim de forma precária. A sala de informática funcionou durante dois anos e atualmente está fora de uso mediante a falta de rede.

“Durante a pandemia, os professores se revezavam na pequena sala dos professores para dar aula online, quando a rede permitia, já que não podemos ligar todos os aparelhos, porque a rede não comporta deixando lenta a conexão, é impossível trabalhar”, afirma a educadora.

Além dessas questões, a quadra de esportes da escola não é coberta e em dias de chuva os estudantes são obrigados a ficarem exprimidos no saguão da instituição, que não comporta a quantidade de alunos(as).

A verba repassada do governo do Estado para a escola não é o bastante para resolver os problemas enfrentados.

“Nossa escola é esquecida pela Seduc”

Além de todos os problemas estruturais, a escola ainda enfrenta ameaça da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) de ser fechada. Atualmente, a instituição atende cerca de 100 estudantes, entre eles alunos(as) especiais. São cinco turmas do primeiro ao quinto ano, apenas no turno da manhã, pois o turno da tarde foi fechado em 2019.

“Temos três salas de aula fechadas sem uso, a Seduc não autoriza abrir novas turmas, alegando falta de recursos humanos e que não há demanda. Mas sabemos que muitas crianças não frequentam porque não abrimos novas turmas”, explica Cátia.

No início do ano letivo, a Seduc chegou a cogitar a união da Evaristo com a EEEF Dr. Herophilo Carvalho de Azambuja, mas a iniciativa não avançou após uma reunião na véspera do ano letivo, realizada por exigência dos educadores(as).

“Nessa reunião nos foi passado que a Herophilo assumiria o espaço da Evaristo progressivamente, enquanto isso seríamos orientados pela Seduc”, destaca a professora.

De dezembro a maio, a escola passou por diversos atritos com os pais, com falta material e com o compromisso de abrir e fechar a escola diariamente sem ter uma pessoa capacitada nesta função, pois, desde o final de dezembro a escola ficou sem equipe diretiva, supervisão e orientação, funcionando apenas com os funcionários(as) e professores(as).

A nova diretora assumiu o cargo somente no dia 12 de maio. “Temos inúmeros alunos de Atendimento Educacional Especializado, e estamos sem orientação de como trabalhar e avaliar cada caso”, desabafa a professora.

A única funcionária de limpeza se desdobra para dar conta de toda a demanda – são cinco salas de aulas, dois banheiros de alunos(as), um de educadores(as), toda a parte administrativa, pátio, quadra e praça – em apenas quatro horas de trabalho.

“Desde o início do ano já passaram três pessoas terceirizadas, elas vêm, ficam dois dias e são deslocadas para outras escolas, não somos priorizadas em nossas necessidades de pessoal, por termos apenas 20 horas”, destaca Cátia.

A escola, que atende alunos(as) com esquizofrenia e autismo, está sem monitoria desde fevereiro. “Ela nos auxiliava no pátio e em sala de aula, quando algum aluno estava em surto ou necessitando acompanhamento.”

O CPERS segue atento as demandas das escolas estaduais e denunciando o descaso do governo Leite/Ranolfo, com os nossos estudantes, comunidade escolar e professores(as) e funcionários(as) de escola.

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