Escola em Pelotas retrata o descaso do governo Leite com a educação pública


Estrutura precária, teto desabando, rede elétrica deteriorada e muro desmoronando. Esses são alguns dos problemas enfrentados pela Escola Técnica Estadual Professora Sylvia Mello, localizada em Pelotas.

A instituição atende atualmente 652 estudantes nos três turnos, distribuídos em ensino fundamental, médio (integral) e profissionalizante.

A diretora, Carla Vargas Bozzato relata que a escola necessita de uma série reparos em sua estrutura.  “Estamos sempre procurando resolver estas questões, mas no momento o que mais nos preocupa é uma cobertura por onde trafegam alunos, profissionais da educação e demais servidores que está para cair. E também temos um pequeno muro que está desabando”, destacou.

Desde 2019, a instituição busca a 5ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), mais precisamente ao departamento de obras para a conclusão desses reparos.

No documento feito pela Secretaria de Obras e Habitação, com data de 10 de junho de 2021 (vistoria realizada em 19/05/2021), estão claros todos os problemas na estrutura da escola e os riscos eminentes em cada situação. Duas partes na vistoria chamam a atenção, onde declara a possibilidade de choque elétrico e curto-circuito.

 

O Governo do Estado alega não ter recursos para visibilizar a obra. “Esses processos são lentos no Estado. Ainda, foi nos solicitado que verificássemos se tínhamos como resolver com verbas federais. Lamentamos a morosidade do governo e a falta de solução, já que a vida dos colegas e estudantes seguem em risco”, frisou.

Carla conta que os pais e a comunidade escolar estão preocupados e ansiosos pelos consertos na escola. “Os pais acham um absurdo, por exemplo, o muro não ter sido consertado”, relata a diretora.

A professora Cristiane Ramires de Freitas, que leciona há 20 anos na escola, explica que se sente impotente ao ver que os problemas perduram e nada é feito.  “Nosso sentimento no momento é de impotência e muito medo, uma vez que é notório a falta de condições para o retorno seguro nesse momento. Estamos com problemas em nossa fiação elétrica, o muro da escola está caindo um pouco a cada dia”, desabafa.

Além de todos problemas estruturais, a escola enfrenta a falta de recursos humanos para suprir a demanda prevista no plano de contingência para o retorno das aulas presenciais. Falta um agente educacional II (monitor) e mais uma funcionária para a limpeza. Outro fator que exige mais monitores para a escola é o atendimento aos estudantes com necessidades especiais.

“Não tivemos a visita da Vigilância Sanitária para avaliar as condições da escola em relação aos protocolos de volta às aulas, não temos recursos humanos para a higienização adequada dos ambientes e controle dos alunos. São tantas coisas que só existem no papel, mas que na prática não acontecem. O Governo faz um decreto que simplesmente não segue”, diz Cristiane.

A escola, que está voltando de forma gradual ao modo presencial, não tem obtido o retorno esperado dos alunos pelo medo da pandemia da Covid-19 e pelos problemas estruturais da escola. “A maioria dos alunos já sinalizaram que não retornam enquanto não houver segurança”, conclui a professora.

As dificuldades que a instituição enfrenta ainda estão longe do final, mas o que não falta para a diretora Carla e a professora Cristiane é coragem e força para que essa história tenha um final feliz. “Mesmo com o descaso da Secretaria da Educação, precisamos seguir na luta para que os problemas sejam solucionados, afinal temos que receber os estudantes em perfeitas condições estruturais, sem nenhum risco para ninguém”, finaliza a diretora Carla.

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