Promovida pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Oficina Participativa de Escuta do Povo Guarani do Rio Grande Do Sul, reuniu, nesta terça (8) e quarta-feira (9), lideranças indígenas da região metropolitana e buscou discutir as necessidades e dificuldades enfrentadas pelas escolas nessas comunidades gaúchas. O evento, que contou com a participação do 1° vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, da diretora do Sindicato, Carla Cassais, e da diretora-geral do 22° Núcleo, Letícia Coelho Gomes, foi realizado na Pousada São Lourenço, em Porto Alegre.
Com a mediação de Miguel Cardozo, da Coordenação Regional Litoral Sul da Funai, e com a participação da professora da UFRGS, Rosani Fernandes, que é consultora na escuta dos territórios indígenas, o encontro teve nos relatos das representações dessas comunidades o seu foco central.

Segundo Cardozo, são levantamentos feitos em encontros como esse que possibilitam que “o MEC possa gerar políticas que abarquem as necessidades e as dificuldades que os indígenas tem encontrado”. Rosani afirma que essas escutas, que estão acontecendo em Porto Alegre e que no mês de novembro chegam a Passo Fundo, buscam “elaborar um diagnóstico da educação escolar indígena no estado a partir dos olhares de professores e professoras indígenas”.
Eloir Werá Xondaro, líder da Retomada Nhe’engatu, um movimento indígena militante de Viamão, afirma que esse é um momento de reflexão. Para ele, “Este é o momento da gente também questionar o estado em si. Do porquê da falta de muitos programas, de muitas políticas públicas voltadas para a questão da educação escolar indígena como um todo no nosso estado”. Eloir inclui todas(os) educadoras(es) em sua fala, afirmando que são nesses encontros que, “[…] a gente mostra e também traz as nossas necessidades, quanto escola, quanto professores, quanto funcionários”. E completamente em tom desesperançoso, “Infelizmente, o estado deixa muito a desejar.”

A expectativa de um trabalho proveitoso e produtivo. É assim que Alex Saratt resume o evento. Para ele, as pautas trazidas pelas(os) representantes indígenas, como questões educacionais, pedagógicas, de funcionalidade das escolas, financiamento e garantia de contratação de professoras(es) e funcionárias(os), tudo isso precisa passar por uma ação articulada dos órgãos públicos.
Diretora do 22° Núcleo do CPERS, Letícia, explicitou a importância da presença do CPERS em debates como esse, e ressaltou a possibilidade do uso da entidade como uma ferramenta de luta nas pautas que envolvem a diversidade. Para ela, é importante que o Sindicato esteja presente, pois existem aldeias desses povos em Cachoeirinha e Viamão, fazendo com que muitas(os) professoras(es) Mbya Guarani sejam dessa região.
O CPERS continuará presente, em todos os espaços, sempre buscando melhores condições e estrutura adequada para as escolas indígenas. O Sindicato, conforme coloca Alex Saratt, está disposto a contribuir e construir, para fazer valer o direito à educação que os povos originários têm.





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