Encerramento do Julho das Pretas Unificado reverencia o legado das mulheres negras gaúchas


A noite desta segunda-feira (31) foi marcada por muita emoção, animação e respeito ao passado. Na quadra da Imperadores do Samba, em Porto Alegre, centenas de mulheres negras e pessoas que têm afinidade com a luta feminista e antirracista reuniram-se para celebrar o encerramento do primeiro “Julho das Pretas Unificado do Rio Grande do Sul”, em um ato político e cultural.

Com diversas intervenções artísticas e falas emocionadas, o evento marcou o fim de um mês de celebração, mas não o fim da luta e resistência em defesa da vida e existência das mulheres negras.

Esta foi a primeira edição do Julho das Pretas com ações articuladas por todo o estado, que contou com um mês inteiro de atividades com o intuito de celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, Dia Nacional de Tereza de Benguela e Dia Nacional da Mulher Negra, celebrados no dia 25 de julho.

O 2º vice-presidente do CPERS e coordenador do Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do Sindicato, Edson Garcia, participou da atividade e reforçou que a luta não pode parar. 

“Missão cumprida! Encerramos este ‘Julho das Pretas Unificado’ de forma muito especial, com uma grande atividade politica, social e festiva. O CPERS é um defensor da política antirracista e compromete-se diariamente com ela. A exemplo do que fizemos no ‘Novembro Antirracista Unificado’, fizemos novamente agora: nos somamos para, logo após, dividirmos os aprendizados com mais parceiras e parceiros de lutas. E esta luta, aqui, é uma das mais importantes, pois a mulher negra tem o dom de mover as estruturas da sociedade”. 

Na abertura do ato, foi celebrada a luta unificada contra o racismo.

“É importante que a gente aproveite esse espaço para dizer o quanto a nossa existência, os nossos corpos são importantes. Nós somos sujeitos e sujeitas políticas, por isso nós temos que ocupar diversos espaços para a garantia da nossa existência”, conclamou a professora Terezinha Juraci. 

“Nós somos a maioria e quando nós ousarmos ocupar espaços, especialmente, os espaços de tomada de decisão, nós mulheres negras faremos a revolução nesse país”, destacou Ana Magalhães, assistente social. 

Durante todo o mês de julho, unidas e empoderadas, as mulheres negras elevaram suas vozes e honraram a história e a luta de suas ancestrais, que deixaram um legado de força e coragem. 

Em meio a um mundo que, muitas vezes, invisibiliza e tenta silenciar, é fundamental que as mulheres negras permaneçam firmes e orgulhosas de sua identidade, cultura, força e resiliência. Que o espírito do “Julho das Pretas” permaneça pulsante ao longo do ano, inspirando a luta por igualdade, justiça e reconhecimento.

✊🏾 Viva as mulheres negras gaúchas!

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